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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Light My Cover


Tecnicamente, qualquer canção pode virar um reggae. É só dar uma checada na discografia do UB40 e constatar que a banda britânica construiu sua exitosa carreira apoiada, basicamente, em covers. Parece uma fórmula não muito honesta quando isso ocorre com clássicos como "Can't Help Falling In Love" (Elvis), que deu ao UB40 seu terceiro single número um no paradão inglês em 1993. Por outro lado, pode, também, trazer à tona e dar uma segunda chance a faixas semi obscuras como "Red Red Wine" (Neil Diamond, 1967) e transformá-las em hits mundiais (a versão do UB40, de 1983, chegou ao topo nos dois lados do Atlântico).

  Seguindo essa cartilha, o outrora onipresente Inner Circle acaba de gravar sua "Light My Fire" (Doors) - coisa que o UB40 já havia feito em 2000. Com o auxílio dos cantores Konshens e J Boog, os jamaicanos cometeram uma versão bem comportadinha, talvez tentando reviver a década em que a banda dominava o dial (eles empilharam sucessos nos anos 90).

Se o cover não foi lá muito animador, a boa notícia é que, na sequência, o Inner Circle pretende lançar novas músicas com gente bacana como Maxi Priest e Mykal Rose e, ano que vem, comemorar 50 anos de estrada com - quem sabe - um disco novo, que espero, seja de inéditas.

"Light My Fire": fogueirinha.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Contrariando as Expectativas


"Reggae é a música mais racista que existe. É uma glorificação total da supremacia negra".

"Sempre adorei reggae. Em 1984, eu disse, brincando, a um jornal musical britânico que 'o reggae é nojento'. Eles me levaram a sério, e essa afirmação está por aí até hoje."

As duas frases acima são de um tal de Stephen Patrick Morrissey, que esteve a pouco no Brasil para uma mini-tour de três shows. A segunda eu li numa entrevista concedida pelo "maior inglês vivo" ao jornal O Globo e a primeira eu juro que foi em alguma revista (provavelmente a Bizz) no final dos 80 ou começo dos 90, não lembro. Bom, não que Morrissey tenha algo a ver com esse disco aí abaixo, mas achei o link interessante, já que vou falar de um ótimo lançamento do gênero.


 Acontece que quando a gente acha que não dá mais, surge um cara como Konshens e recoloca o dancehall nos trilhos. E olha que o jamaicano Garfield Spence começou ontem: grava desde 2005 e Mental Maintenance já é seu terceiro álbum. Aqui há todos os elementos que fazem desse estilo cibernetizado de reggae ser tão legal de ouvir. São os quase onipresentes violões de levadas preguiçosas conduzindo o discurso ("World Citizen", "Represent"), são refrãos feitos na medida para as radiolas de São Luis ("Last Drink", "The Realest" - com participação do veterano Bounty Killer), são linhas de baixo que honram a tradição shakespeareana do gênero ("Homewrecker", "No More Tears") e Jah seja louvado, tem lindas levadas tradicionais com metais ("Only Jah"), guitarras e teclados fundindo-se ao dub ("Leave Your Side") e hits em potencial que - num mundo musicalmente descente - nasceram para estourar, como "Simple Song". Eu não ouvia nada tão bacana no estilo desde Collie Buddz - e lá se vai mais de um ano. Salve, Konshens.

"Simple Song": vídeo tão bom quanto a música.