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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Crônica Da Decepção Anunciada


Quando ouvi no Youtube uma recém postada "Final Day" (que havia estreado dias atrás na BBC), fiquei coçando o queixo, meio desapontado. Pop (no mau sentido) e escorregadia, a faixa não parecia nem de longe algo vindo de um cara que contribuiu de forma decisiva para a música eletrônica com um disco como New Forms. Infelizmente, minha desconfiança justificou-se.

Não sei exatamente o que aconteceu, mas receio que Roni Size cansou de ver gente sem talento lucrando em cima de um som no qual ele investiu tanto (o drum'n'bass, no caso). Aí, ele resolveu fazer um disco (Take Kontrol, saiu dia 25) pensando no Top 40 do paradão inglês. O resultado é desastroso.

No lugar da desconstrução jazzística de seus beats tão originais no final dos 90 (e comecinho dos 2000), agora temos (em todas as faixas!) uma monocórdica bateria heavy metal em que a caixa tem o dobro do volume do bumbo. Tudo errado. Ao invés de divas blueseiras de faixas como "Heroes", MCs pagando de rapper do Prodigy. Aquelas linhas de baixo que desafiavam a execução humana reduziram-se à distorções no talo e saturação de timbres comuns à EDM mais fuleira.

Não entendo como um produtor que não abdicava de noções como criatividade e inventividade grava um álbum que qualquer projetinho xinfrim, tipo Pendulum ou Nero, gravaria.

Se isso funcionar, vai ser bom. Pro bolso dele. Já para os nossos ouvidos...

"Big Bashy": sem vergonha do auto-tune.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Back To The Jungle


Depois do inacreditável Timeless, álbum de Goldie de 1995, o ótimo debut de Roni Size & Reprazent, New Forms (1997), poderia finalmente ter levado o drum'n'bass para as massas, mas não foi bem isso que aconteceu. Singles inventivos e com cheiro de novidade apareceram esporadicamente. O que acabou ganhando o mainstream foi o mix duvidoso de rock e industrial dos australianos do Pendulum (Hold Your Colour, 2005) e a salada indigesta do Chase & Status. Rudimental e seu belíssimo Home, do ano passado, foi uma exceção que chegou ao topo da parada britânica apoiada num trabalho consistente. Influência óbvia para o grime e o dubstep, o drum'n'bass nunca parou de produzir e revelar artistas interessantes em sua constante mutação - embora com bem menos popularidade do que na segunda metade da década de 90.

Sem disco novo desde 2004, Size bota as manguinhas de fora e promete pra Agosto Take Kontrol, sem os MCs e cantoras do Reprazent. Deve ser por isso que "Final Day" - faixa que estreou dias atrás no programa de Annie Mac, da Radio 1 - soe tão diferente da quebradeira cirúrgica dos clássicos New Forms e In the Møde. "Final Day" aproxima-se do pop (refrão, levadinha de violão), mas mantém a pegada da batida num nível frenético. Flautinhas decoram o ambiente, mas essa distorção clichê e excessiva dos sintetizadores, arranha a melodia. Estou curioso pra ouvir o disco inteiro. Fiquei com um pé atrás depois de "Final Day".

"Final Day": desconfiômetro ativado.