Sexta-Feira, 16 de Abril, às 22:00 horas, estreio na Pool FM de São Paulo, com o programa Pool 9.0: é a Dance Music dos anos 90 em todas as suas tendências e focado mais na relevância, influência e pioneirismo da imensurável quantidade de gêneros e subgêneros da música pra dançar desta década do que propriamente no fato delas terem sido sucesso ou não - não que hits eventualmente não apareçam, mas programas de flashback com as figurinhas fáceis do gênero (e só isso) há aos montes por aí. Já didatismo, ecletismo e informação, são qualidades raras na Frequência Modulada ou nas Web Radios. Serão duas edições por semana: sexta, 22:00 horas e sábado 21:00, sempre com dois programas inéditos. Se puder, não perca: acesse poolfm.com.br
Três anos depois de um álbum mediano (Born in the Echoes, 2015) e de um single muito abaixo da média da própria produção da dupla ("C-h-e-m-i-c-a-l", 2016), Tom Rowlands e Ed Simons - os Chemical Brothers - voltam com a animadora "Free Yourself", lançada no finalzinho de Setembro. Com arpejos psicodélicos, um bassline retrô que vai fazer os alto-falantes trabalharem com vontade e uma letra despejada como palavras de ordem ("Free yourself, free yourself / Free yourself, free me, dance / Free yourself, help to free me, free us / Free yourself, dance"), a música deve ganhar fácil as pistas de dança, mas estou curioso pra ver a performance nos paradões. Primeiro pra sentir se a popularidade do duo chega perto do que era na segunda metade dos 90 e também porque o último single que beliscou o Top 10 na Inglaterra foi "Galvanize" (do álbum Push the Button), número 3 na UK Singles Chart em Novembro de 2004.
Quem diria que da pequena Moldávia
viria a canção pop que me arrebatou mais rapidamente neste 2018? O
autor do feito é o produtor e compositor Ion Chirinciuc, que assina como
Vanotek desde 2015, ano de seu debut, o single "My Heart Is Gone".
Extremamente pop, Ion foi lapidando seu som single após single até
chegar no bombom dançante de "Back To Me", lançado em Fevereiro deste
ano. Com os vocais cristalinos e emotivos da romena Eneli
(Ileana-Maria Popescu, cantora e compositora, de 21 anos), a faixa tem
uma sessão de cordas discreta e eficiente, cama perfeita para o refrão
certeiro. O sax incisivo é o gancho-cereja, que costura as estrofes e
gruda na memória tanto quanto o de "All That She Wants" grudou aos milhares em 1992. Vanotek grava pelo selo romeno Global Records, e, além dos singles, já tem um álbum lançado (No Sleep, do ano passado).
Alex Paterson e seu fiel escudeiro, o suíço Thomas Fehlmann, preparam-se para jogar mais um álbum no mercado (o décimo quinto): No Sounds Are Out of Bounds está programado pro dia 22 de Junho, disco que marca a volta da parceria com a gravadora independente inglesa Cooking Vinyl (sai a alemã Kompakt, que lançou Moonbuilding 2703 AD, de 2015 e COW / Chill Out, World!, de 2016). Nomes de peso participaram das gravações, como o frequente colaborador (e exímio baixista) Youth (Killing Joke) e Roger Eno (irmão de Brian Eno). Saíram duas faixas como aperitivo, "Doughnuts Forever", mês passado e "Rush Hill Road", agora em Maio.
"Doughnuts Forever" é uma música que tem mais a ver - embora o instrumental soe mais "orgânico" - com o inacreditável álbum de estreia The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld, de 1991, com samples de orquestra, uma belíssima levada de baixo, corinho angelical e trechos de vozes extraídas sabe-se lá de onde.
Já na houseada "Rush Hill Road", a linha de baixo passa por cima de tudo como um trator, mas deixa espaço pros excelentes vocais de Hollie Cook (cantora e tecladista, filha do ex-baterista do Sex Pistols, Paul Cook) e misteriosos sons orientalizantes. Totalmente acessível mas não pasteurizada, "Rush Hill Road" está na mesma vibe de pista de "Toxygene" (1997, 4º lugar no paradão inglês de singles).
Depois do álbum de estreia autointitulado de 2016 (que trouxe boas canções como "Charlemagne") ter chegado ao número um no paradão inglês (o que não quer dizer muita coisa, porque o disco teve uma das vendagens mais baixas da história para um primeiro lugar por lá), o Blossoms acaba de lançar Cool Like You, o segundo disco. Indie rock carregado de sintetizadores oitentistas e refrãos que parecem ter sido esculpidos na medida para grandes arenas, Cool Like You não arreda pé um milímetro da proposta inicial do grupo formado há pouco mais de cinco anos em Stockport, na Grande Manchester. Com um bom vocalista (Tom Ogden) na linha de frente, de novo com músicas bem feitinhas (nada no disco chega perto da maravilha "I Can't Stand It") e a despeito da total falta de ousadia e originalidade, o Blossoms lembra o Killers no ápice (que durou exatamente um álbum, Hot Fuss, de 2004) nos melhores momentos. Nos piores, lembra todo o resto da discografia do Killers.
"I Can't Stand It": os melhores três minutos da semana.
O Underworld tocou em Reykjavik, capital da Islândia, dia 17 de março pela primeira vez desde 1994. Inspirada pela apresentação, a dupla britânica lançou uma nova faixa, "Brilliant Yes That Would Be" e o diretor (e frequente colaborador do duo) Simon Taylor criou um vídeo em que casa direitinho a aridez das belas e frias paisagens islandesas com o tema. "Brilliant Yes That Would Be" usa teclados plácidos e sombrios como pano de fundo para um improviso doloroso, congelado por um sintetizador lancinante. De arrepiar, em todos os sentidos.
"Brilliant Yes That Would Be: Underworld volta abaixo de zero.
Silent Poets e Nightmares On Wax: dois nomes da eletrônica trilhando o arriscado caminho do downtempo. É preciso mais do que experiência, bom gosto e sensibilidade pra não resvalar na pieguice com discos do gênero?
O Silent Poets, que já foi um duo, mas hoje é um projeto solo do DJ e produtor japonês Michiharu Shimoda, assusta no começo ao equilibrar-se perigosamente sobre a linha que separa o sentimentalismo extremo da ousadia em seu novo álbum Dawn (o primeiro em doze anos, saiu em Fevereiro pelo selo de Shimoda, Another Trip). As duas primeiras faixas, "Asylums For The Feeling" e "Distant Memory", com arranjos de cordas adocicados e envolventes, deixam dúvidas a respeito da capacidade de Shimoda montar canções que vão além do lounge na linha Café Del Mar. As incertezas vão se dissipando a medida que o disco avança - especialmente por causa dos reggaes de torque alto e lento que vem a seguir. A exuberante "Shine", com seus metais e ecos em profusão, o ragga "Non Stoppa" e o sensacional dub em slow motion "Division of the World", provam que Tóquio e Kingston podem estar mais próximas do que você imagina. Some a isso raps em japonês ("Tokyo", "Eternal Life"), beats espertamente engendrados (a instrumental "Rain" é um dos melhores exemplos), vozes escolhidas a dedo (a urgência da rapper israelense Miss Red e o timbre lindo da ótima Hollie Cook, filha do ex-baterista do Sex Pistols, Paul Cook, entre elas) e Dawn já é uma volta do Silent Poets a ser celebrada da melhor maneira possível: ouvindo o disco várias vezes.
"Division of the World":
O DJ e produtor britânico George Evelyn, a.k.a. Nightmares On Wax, já tem 30 anos de carreira e, além de ajudar a cimentar o trip-hop no começo dos anos 90, vem lançando álbuns sólidos e bem pensados ao longo desse tempo. Seu recente Shape The Future (lançado em Janeiro pela Warp Records) é diversificado sem perder a homogeneidade. O disco vem sob a forma de conexões enfumaçadas com a Jamaica (como em "Tomorrow" e "Citizen Kane", com dinâmica de reggae e técnicas herdadas diretamente do dub), enxertos de jazz ("Typical", "The Other Ship"), soul ("Deep Shadows"), blues ("On It Maestro") e farta distribuição de timbres amadeirados de teclado, identificáveis pelos tons quentes dos pianos elétricos e nos efeitos analógicos dos sintetizadores. Usando de tecnologia discreta (perceptíveis quase que exclusivamente nas programações de bateria), Evelyn gravou mais um álbum em que a expressão retrofuturismo é apta para definição, sem culpa.
Só fui conhecer a cantora, atriz e modelo neozelandesa Kimbra em 2012 por causa do multi platinado single "Somebody That I Used to Know", que ela gravou com o belga esquisitão Gotye - um ano antes ela havia debutado com o elogiado Vows. Passei batido. Assim como também nem fiquei sabendo do segundo disco, The Golden Echo, de 2014. Nesse meio tempo, se ouvi alguma coisa da guria, entrou aqui e saiu aqui (aponta os indicadores para as orelhas). Bom, ela acabou de lançar "Like They Do On The TV", o quinto (!) single do seu novo álbum, Primal Heart, que sai no final de Abril. Esse disco não pretendo perder, porque "Like They Do On The TV" me pegou já nos primeiros 30 segundos (fora o que ela é gata).
"Like They Do On The TV": finalmente ela acertou no corte de cabelo.
Com o novo single "My Name Is Mars", os synthpoppers californianos do Capital Cities vão se candidatando fortemente a um lugar no Hall da Fama dos One Hit Wonders (só que a música em questão não é essa e sim a boa "Safe and Sound", de 2011). "My Name Is Mars" vem sem os onipresentes trompetinhos já ouvidos em outras faixas da dupla. Também vem sem um bom refrão, sem um instrumental que faça a diferença, sem inspiração, sem sal e sem graça. Ano passado saiu o promissor EP Swimming Pool Summer, mas isso aqui é decepcionante. Pra uma banda mais pop do que synth, é grave.
Com um background que inclui atividades como baterista e dançarino de
break, o austríaco Bernhard Weiss, a.k.a. Demuja, descobriu a discotecagem e
em seguida, a produção de sua própria música, por volta de 2010. Lançando
seus singles por selos como o norueguês Uncut House Records, o americano Nervous Records e o italiano Traxx Underground, em 2016 Demuja criou seu próprio selo, MUJA, por onde saíram três EPs até agora.
Fã de vinil e reclamando para si influências que vão de artistas de house music (Kerri Chandler, Moodymann), jazz (Herbie Hancock, Miles Davis), hip-hop (Mos Def, Wu-Tang Clan) e diretores como Quentin Tarantino, seu lançamento mais recente é o EP Turn Around (realizado no final de Março pela gravadora alemã Toy Tonics) e inclui quatro faixas de house em estado bruto, sem muito polimento. Com samples irreconhecíveis (pra mim, ao menos), timbres macios de teclados e um modus operandi french touch, Turn Around solidifica a promissora carreira de Demuja.
Mais uma faixa especialmente bem feita dos australianos
do Flight Facilities, o novo single "Need You" (com vocais da neozelandesa NÏKA), não deve ir muito além dos pendrives de DJs de
clubes alternativos minúsculos. Entenda: deveria ir longe. É um pop
dançável tão bem acabado que merecia chegar num público realmente
grande. Não me pergunte como. Mas que a música é muito, muito legal, é.
O hilário vídeo de "Need You": Schwarzenegger em algum lugar dos 70, procurando sua cara-metade.
Na visão oblíqua do locaço DJ Koze, isso é uma dance track. O DJ e produtor alemão (um dos chefões da prestigiada gravadora Pampa Records) convidou a irlandesa Róisín Murphy (ex-cantora do Moloko)
pros vocais de "Illumination" e perpetrou uma das faixas mais
interessantes do período, techno-funky com um loop interminável de
guitarra e baixíssimas frequências sustentando a melodia. Um lançamento
bem ao gosto do seu selo. A canção vai estar em knock knock (assim mesmo, em minúsculas), próximo álbum de Koze, previsto pro começo de Maio.
Basta uma olhada nos títulos das músicas pra sacar o que contém esta quase uma hora de Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt (Mute),
novo álbum do produtor americano: "The Last of Goodbyes", "Welcome to
Hard Times", "The Sorrow Tree", "This Wild Darkness", "A Dark Cloud Is
Coming" e por aí vai, divã abaixo. Sobra escuridão, melancolia e baixo
astral, tudo regado com arranjos pesadíssimos (no sentido lúgubre do
termo). Ouça a sessão de cordas macambúzia de "The Ceremony of
Innocence" e afaste-se imediatamente de qualquer objeto cortante;
perceba a voz embargada do robozinho-vocoder de "The Tired and the Hurt"
e, por análise combinatória, constate que "This Wild Darkness" supera "Times Change" do New Order e assume o posto de rap mais triste da história.
Alguma
luz no fim do túnel com os timbres amadeirados do piano elétrico e os
bons vocais de Apollo Jane em "Welcome to Hard Times", a voz algo Liz Fraser de Julie Mintz em "The Sorrow Tree" e o trip-hop portishediano de "A Dark Cloud Is Coming", insuficientes para clarearem o ambiente escurecido que permeia o álbum.
Pode muito bem ser dito que Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt
é introspectivo e reflexivo e que não passa de um espelho que reflete a
situação realmente desanimadora do mundo atual. Pra mim, é só triste,
mesmo, em todos os aspectos. E tô fora.
Onde foi que os suecos do Little Dragon erraram, mesmo? A banda já enfileirou (desde o meio dos anos 2000) uma pá de grandes canções, bons álbuns, indicação pro Grammy, a vocalista Yukimi Nagano já gravou com SBTRKT, DJ Shadow e Kaytranada e então, o que faltou pra banda realmente estourar? O novo single, "Best Friends" continua a saga dos escandinavos e é, possivelmente, a canção pop da semana. Refrão perfeito, instrumental inventivo, tudo absolutamente no lugar certo. Talentosíssimos.
"Best Friends": os melhores três minutos e meio da semana.
Excelente a música nova do duo alemão Digitalism, "Holograms". A faixa vai estar no seu próximo EP, Zdar C1u6 (Star Club), programado para o final de Março. Com vocais de Jens "Jence" Moelle (o da esquerda, na foto), "Holograms" é um paredão de sintetizadores emoldurado por pinceladas de timbres devastadores, mas não é um single exatamente direcionado para as pistas (como, você lembra, o hitaço "Zdarlight"). O BPM é baixo, mas o refrão ganha em euforia. Demais.
Os islandeses do GusGus começaram como um octeto, que reduziu-se a um trio, depois uma dupla. Era de se esperar que a banda perdesse em diversidade (como a encontrável no impressionante Polydistortion, um dos melhores álbuns de eletrônica dos anos 90) ou que caísse na mesmice sintética por conta da falta de gente como as talentosas cantoras Emilíana Torrini ou Hafdís Huld, não? Não. A cada ano, o duo remanescente, Daniel Ágúst Haraldsson (produção e vocais) e Birgir Þórarinsson (a.k.a. Biggi Veira, sintetizadores, produção) volta melhor e cheio de novidades, oferecendo uma coleção de canções que ainda justifica plenamente o lançamento de um álbum, como esse incrível Lies Are More Flexible, o décimo da banda, lançado dia 23 de Fevereiro pelo selo do grupo, Oroom.
Com os vocais cristalinos de Ágúst desfilando elegantemente em meio a timbres de teclado grandiosos, algo celestiais; brigando por espaço com os ruídos cirurgicamente incorporados a estrutura da lindíssima progressive "Fireworks" ou duelando com os basslines violentos que ditam o ritmo em quase todo o disco, o GusGus continua muito acima da média no quesito manipulação de sons, vide a sugestão de climas e
imagens cinematográficas com os sintetizadores que planam
ameaçadoramente sobre as paisagens gélidas da Islândia em faixas instrumentais como a downtempo "No Manual" e a ambient techno épica "Fuel".
A fantástica progressão de acordes e arpejos na disco sintética "Lies Are More Flexible" (Giorgio Moroder certamente vai se orgulhar quando e se ouvir), os geniais movimentos repentinos de cordas combinados com arranhões de som cortados e ritmados com o BPM baixo de "Don't Know How to Love", a puramente dançante "Lifetime" (com todas as variações possíveis em cima do mesmo riff de teclado) e a arrepiante abertura "Featherlight" completam um disco em que nada está fora do lugar, inclusive o breve interlúdio de 48 segundos "Towards a Storm", que faz a passagem entre "No Manual" e "Fuel", já no final do álbum. Oito faixas em quarenta minutos absolutamente indispensáveis.
Em tempos de emburrecimento, apatia e redundância na cena dance/eletrônica, o GusGus é um milagre da tecnologia.
"Featherlight": um dos oito acertos do GusGus no novo álbum.
Vira e mexe, leio sobre o Meat Beat Manifesto, ouço alguma coisa ou um vídeo vai parar aleatoriamente em algum playlist do Youtube. Ativo desde 1987 e apesar da banda ser considerada uma relevante influência para a cena eletrônica britânica (especialmente o drum'n'bass) do começo dos 90, o som nunca me chamou atenção - ao contrário de pares como Squarepusher, Aphex Twin e μ-Ziq. Com todo respeito, provavelmente porque não mereceu.
Aparentemente, Jack Dangers (cofundador e único membro original remanescente) é quem está tocando sozinho o projeto e em Janeiro, teve disco novo. Impossible Star (capa acima) é o primeiro álbum do MBM em oito anos (saiu pela Flexidisc, uma subdivisão do selo Tino Corp., do próprio Jack) e, estranhamente, parece um passo atrás para uma banda eletrônica que, teoricamente, deveria estar olhando pra frente. São treze faixas que passeiam pelo jungle torto ("Bass Playa"), big beat caótico ("Unique Boutique"), techno sombrio ("The Darkness", "Lurkers", "Synthesizer Teste") e experimentalismo árido ("Liquidators", "Rejector"). Tinha tudo pra ser um trabalho interessantíssimo - se tivesse sido lançado em 1992.
Bem consistente esse Through The Walls, novo disco do trio dinamarquês WhoMadeWho (2018, saiu pela prestigiada gravadora alemã Gomma Records). Já ouvi outros álbuns da confusa discografia da banda (iniciada em 2005), mas nada que merecesse ficar armazenado em alguma gaveta menos acessada do meu cérebro.
Mesmo com alguns (poucos) momentos de experimentalismo estéril como a chatíssima "I
Don't Know" ou a indecisa "Surfing on a Stone" (uma pretensiosamente
delicada balada bem ao gosto dos fãs do - argh - Coldplay), Through The Walls está
quase lá (mesmo que eu nem saiba exatamente onde é "lá"). Músicas
totalmente dançáveis como "Dynasty" e "Funeral Show" (a despeito do
título) e seus basslines à Peter Hook,
puxam a média pra cima. Há ainda incursões pelo synthpop (na belíssima
"Goodbye to All I Know" e sua variada paleta de timbres), farta
distribuição de criatividade nos sintetizadores ("Keep On", "If This Is
Your Love") e transito livre entre o indie rock e a eletrônica. Vale
conhecer.
"Dynasty": um dos (muitos) bons momentos deThrough The Walls.
Novíssima do duo gente fina Chromeo, "Bedroom Calling" é mais uma faixa que vai estar em Head Over Heels, quinto álbum dos canadenses, que sai ainda este ano. O primeiro single, "Juice", foi lançado em Novembro do ano passado. Achei que tanto "Bedroom Calling" (que tem participação do rapper americano The-Dream) quanto "Juice" não ultrapassaram muito a temperatura do corpo. São boas faixas de funk eletrônico com paletó e gravata, bem comportadinhas, fofinhas ou "muito amor", pra usar uma expressão em voga. Uma dosezinha de ousadia (sexual, instrumental) pode cair bem nesse som, pro Chromeo provar que é muito mais que um par de rostinhos bonitos.
Vale a pena dar uma checada no trampo do prolífico porto-alegrense Guilherme Silveira (a.k.a. DJ Feijão e também metade do Paradizzle) e seu projeto Lola Disco. Depois do debut Summer Body(lançado em Abril do ano passado pelo selo americano Sunrise) e vários singles, já saiu Girl Talk
em Novembro, com oito faixas - um engavetamento de
samples encaixados sob batidas ora french touch ora funk cremoso pós-disco - tão divertidas de ouvir e/ou dançar quanto descobrir de onde
vem as amostras usadas por Guilherme, um aplicado caçador de fontes. Evoluindo tecnicamente em pouco tempo, dá pra sacar claramente que Girl Talk vem com um som mais limpo e preciso do que o primeiro disco. Perceba a progressão ouvindo de boa no Bandcamp e de quebra, dando aquela moral comprando o álbum em formato digital (só
seis doletas), porque a limitada edição em CD já esgotou.
"Instantly": um dos melhores momentos de Girl Talk.