Aposto meu par deMK2 que você não lembra que o Tesla Boy apareceu aqui no blog em 2010, por ocasião de seu debut Modern Thrills.
Pois o trio russo acaba de lançar um single novo, Split. O que dá pra dizer é que eles melhoraram bastante nos últimos dois anos. O som está menos afetado e um tanto mais elegante, mas ainda com a atenção totalmente voltada ao meio da década de 80. Mas não se anime muito. Igual ao Tesla Boy, deve ter umas três mil bandas ao redor deste planetinha, desesperadas pela sua atenção.
Nina Kraviz é DJ, cantora e produtora. Nascida na Sibéria, mudou-se para Moscou em 1999 para estudar odontologia. Acabou escrevendo sobre música numa revista local, trabalhou numa agência promotora de eventos e começou a discotecar em clubes da cidade. Esse background todo fez com que Nina chegasse ao primeiro EP em 2009 ("Pain In The Ass") e ao primeiro álbum (auto-intitulado) agora em 2012.
Fã de sintetizadores analógicos e colecionadora de vinis, Nina definitivamente não é só mais um rostinho bonito no inflado mundo eletrônico. Seu álbum é um mix sexy de deep house e soulful techno, com várias camadas de teclados atmosféricos ("Walking In The Night", "Working", "4 Ben") e foco mais concentrado nos beats simples (bumbo, palmas e cowbells sintéticos ) do que no baixo. Seus vocais ás vezes não ultrapassam a altura do sussurro ("Best Friend"), mas sua produção é cristalina, minimalista e hipnótica. Nina Kraviz é um debut de deixar coçando o queixo: é dance music pro fone de ouvido ou ambient house pra pista de dança?
"Love Or Go": um dos poucos momentos com o baixo em primeiro plano.
Além do talento musical facilmente perceptível, Nina Kraviz é excepcionalmente bonita. Dá um confere:
Bom gosto pra música e linda desse jeito... perfeição?
"Aldeia global". Faz sentido lembrar dessa expressão cunhada pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan quando uma banda vinda da Rússia apresenta um disco que parece ter sido feito na Inglaterra da Era Thatcher. De qualquer maneira, Anthony Sevidov (vocais, teclados), Dima Midborn (baixo) e Boris Lifshits (bateria) mostram que estão totalmente sintonizados com o que acontece atualmente no pop de plástico do resto do mundo no que diz respeito ao uso indiscriminado de timbres de sintetizadores antigos, temática pueril e da total devoção à música do tempo em que o mullet era o que havia. Apropriando-se do lado menos cerebral da fonte aparentemente inesgotável do tecnopop britânico do começo dos 80, o trio moscovita Tesla Boy foi formado em 2008. Depois de um EP e um single ano passado, os russos chegam agora ao álbum "Modern Thrills"; lançado no final de Maio pelo selo inglês Mullet Records (nome mais do que apropriado). Imagine que a intenção do Tesla Boy com esse disco é provar que é possível retornar à ingenuidade afetada do Kajagoogoo e estaremos chegando perto do que representam canções como "Electric Lady" e "Thinking Of You": vazias, insossas, sonolentas. Para bandas como essa, o rótulo "synthbaba" cai muito melhor do que "synthpop". Fuja.