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domingo, 23 de setembro de 2018

Bombom Dançante


Quem diria que da pequena Moldávia viria a canção pop que me arrebatou mais rapidamente neste 2018? O autor do feito é o produtor e compositor Ion Chirinciuc, que assina como Vanotek desde 2015, ano de seu debut, o single "My Heart Is Gone". Extremamente pop, Ion foi lapidando seu som single após single até chegar no bombom dançante de "Back To Me", lançado em Fevereiro deste ano. Com os vocais cristalinos e emotivos da romena Eneli (Ileana-Maria Popescu, cantora e compositora, de 21 anos), a faixa tem uma sessão de cordas discreta e eficiente, cama perfeita para o refrão certeiro. O sax incisivo é o gancho-cereja, que costura as estrofes e gruda na memória tanto quanto o de "All That She Wants" grudou aos milhares em 1992. Vanotek grava pelo selo romeno Global Records, e, além dos singles, já tem um álbum lançado (No Sleep, do ano passado).


"Back To Me": pop acessível made in Moldova.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Michael Sembello


As cenas são, vá lá, clássicas: Jennifer Beals voando de um lado pro outro em piruetas improváveis, Jennifer Beals suarenta acelerando estática no chão da sala, Jennifer Beals dançando pra geral num inferninho. Ficou pra sempre na minha retina e é a única coisa que lembro com clareza do blockbuster Flashdance (1983), um filme que deve ter passado dezoito vezes na Sessão da Tarde. O som que movimenta a ofegante atriz durante a performance é "Maniac", single de estreia de Michael Sembello, um ex-músico de estúdio que emprestou seus dotes com as seis cordas pra gente como Michael Jackson, Diana Ross, Chaka Khan, George Benson e Donna Summer, até apostar na carreira solo e emplacar um número 1 no Hot 100 da Billboard, logo de cara. Estrutura de synthpop com pegada de Hi-NRG, "Maniac" é uma boa canção pop que acabou alavancada por um filme despretensioso mas que comercialmente, deu muito certo e levou Sembello pra galeria dos one hit wonders oitentistas.



Também vale o confere na atualizada que os italianos do Bloody Beetroots deram na faixa, em 2007:

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Dead Or Alive


O sucesso de lá nem sempre é o sucesso daqui. Conheci o Dead Or Alive na virada dos 80 pros 90, porque "Come Home With Me Baby" martelava direto nas FMs. Um tempo depois fui descobrir que o grande hit do grupo britânico era "You Spin Me Round (Like a Record)" (1984), primeiro (de vários) número um na parada inglesa produzido pelo trio Stock, Aitken & Waterman. Não que o som do Dead Or Alive tivesse algo a ver com o pop pasteurizado do pessoal que estava sob as asas dos produtores: com a postura extravagante do bom vocalista Pete Burns na linha de frente, o grupo livrou-se das origens pós-punk/góticas (Wayne Hussey, do The Mission, fez parte da formação inicial da banda) e juntou Hi-NRG com synthpop mais a androginia provocante de Burns - algo entre Alice Cooper e Boy George - pra produzir hits de pista explosivos como essa "Come Home With Me Baby", confortavelmente inserida em sets de freestyle e house. Burns empilhou plásticas e polêmicas até falecer em Outubro de 2016, vítima de um ataque cardíaco.

"Come Home With Me Baby": exuberância.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Mea Culpa


Só fui conhecer a cantora, atriz e modelo neozelandesa Kimbra em 2012 por causa do multi platinado single "Somebody That I Used to Know", que ela gravou com o belga esquisitão Gotye - um ano antes ela havia debutado com o elogiado Vows. Passei batido. Assim como também nem fiquei sabendo do segundo disco, The Golden Echo, de 2014. Nesse meio tempo, se ouvi alguma coisa da guria, entrou aqui e saiu aqui (aponta os indicadores para as orelhas). Bom, ela acabou de lançar "Like They Do On The TV", o quinto (!) single do seu novo álbum, Primal Heart, que sai no final de Abril. Esse disco não pretendo perder, porque "Like They Do On The TV" me pegou já nos primeiros 30 segundos (fora o que ela é gata).

"Like They Do On The TV": finalmente ela acertou no corte de cabelo.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Tentativa e Erro


Chris Glover, a.k.a. Penguin Prison, DJ e produtor americano, vai pra dez anos de carreira e nesse (pouco) tempo enfileirou dois álbuns, vários singles e EPs e uma batelada de remixes (já levou pra mesa de cirurgia gente como Jamiroquai, Ellie Goulding, Goldfrapp, Faithless e Lana Del Rey). Inegavelmente, tem talento. Porque ainda não "aconteceu"? Não sei, coisas do pop. Seu debut autointitulado de 2011 é muito bom (duvido que alguém lembre de alguma coisa desse disco). Bom, ele continua tentando, como mostra seu novo EP Turn It Up. Altos e baixos no mini-disco (que saiu exclusivamente em formato digital). A faixa título é o electropop habitual do artista: bem feitinho, dançável, refrão ganchudo. Tudo parece estar no lugar certo... mas tem uma coisa que não me deixou ouvir mais do que duas ou três vezes a faixa: enjoa fácil. O mesmo vale pra "Keep Coming Alive", a segunda do EP. Já "Do Me Like That" exagera na vibe Grease enquanto bobinha e açucarada. A única música que realmente chama atenção aqui é a Nu-Disco "On Your Side", com uma mão nos vocais da musa-cult-indie-pop Soren Bryce. Espacial e dançável, pop onírico e com o nível de sacarose na medida certa. Aí sim.

"Turn It Up":



"Keep Coming Alive":



"Do Me Like That":



"On Your Side":

domingo, 1 de abril de 2018

Não Há Vida Em Marte


Com o novo single "My Name Is Mars", os synthpoppers californianos do Capital Cities vão se candidatando fortemente a um lugar no Hall da Fama dos One Hit Wonders (só que a música em questão não é essa e sim a boa "Safe and Sound", de 2011). "My Name Is Mars" vem sem os onipresentes trompetinhos já ouvidos em outras faixas da dupla. Também vem sem um bom refrão, sem um instrumental que faça a diferença, sem inspiração, sem sal e sem graça. Ano passado saiu o promissor EP Swimming Pool Summer, mas isso aqui é decepcionante. Pra uma banda mais pop do que synth, é grave.


"My Name Is Mars": insossa.

terça-feira, 6 de março de 2018

Dragão Amigo


Onde foi que os suecos do Little Dragon erraram, mesmo? A banda já enfileirou (desde o meio dos anos 2000) uma pá de grandes canções, bons álbuns, indicação pro Grammy, a vocalista Yukimi Nagano já gravou com SBTRKT, DJ Shadow e Kaytranada e então, o que faltou pra banda realmente estourar? O novo single, "Best Friends" continua a saga dos escandinavos e é, possivelmente, a canção pop da semana. Refrão perfeito, instrumental inventivo, tudo absolutamente no lugar certo. Talentosíssimos.

"Best Friends": os melhores três minutos e meio da semana.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Piano in the Dark


Não é nada de extraordinário, mas a nova dos belgas do Piano Club, "Think For Yourself", é uma linda viagem nostálgica eletro-orgânica que condensa funk, disco e pop com vocais oníricos, um climinha meio tristonho e o canto falado incidental da rapper Salomé Dos Santos Ataíde Magalhães, a.k.a. Blu Samu, confortavelmente inserido à melodia. Pra ouvir numa relax ou garantir um bom número de quadris em movimento na pista. O single, lançado no final de Janeiro, ainda tem a boa "The Wake Up Call", disponível para audição na página da banda no Bandcamp.

Créditos a quem merece: vi lá no Electro Boogie Encounter, fonte inesgotável de música boa gerada pelo incansável Caio Zini. Vale a visita.

"Think For Yourself": mantendo a tradição belga de fornecedora de boa música.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quarta do Sofá: Phil Collins


Os donos de motel serão eternamente gratos à Philip David Charles Collins. Músico, produtor, compositor e, hmmm... ator, Phil Collins é um dos maiores fornecedores de trilhas pro ritual de acasalamento de todos os tempos - solo, ou com o Genesis pós-Peter Gabriel.


 Faixas como o single "I Wish It Would Rain Down", de 1990, tem presença garantida no playlist adulto-contemporâneo das FMs mela-cueca por gerações. Melosa, exagerada, grandiosa - com coro gospel e tudo - a canção chegou ao sétimo lugar no paradão inglês, cimentando uma carreira que cravou 25 hits no Top 40, só na Inglaterra. Hitmaker nato. A guitarra é de um tal Eric Clapton.

Collins andou sofrendo com problemas de saúde por volta de 2010, o que o impedia de cantar e tocar bateria - tanto que anunciou seu afastamento da música no ano seguinte. Esperava-se que não voltasse mais, mas... em Outubro de 2016, ele anunciou a Not Dead Yet Tour, de título hilário e que chega ao Brasil esta semana para três shows (Rio, São Paulo e Porto Alegre), com a luxuosa abertura do Pretenders. Eu iria fácil, se minha vida não fosse um desastre financeiro.

"I Wish It Would Rain Down": hitaço.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Banda Beijo


Longe de mim querer te convencer que isso é legal. Nem quero mostrar que sou eclético bragarái, que numa mesma semana cito Chromeo e... Banda Beijo. É só porquê algumas faixas desse disco estão ligadas a algum tipo de memória afetiva, sei lá. A pista que eu frequentava na época em que o grupo estourou tocava, então esse negócio ficou engavetado em algum canto menos visitado do meu cérebro. Tenho o vinil Axé Music: Aconteceu (1992), ouço de vez em nunca. Me chama atenção o mix dos sintetizadores com os tambores, batucada que seduziu de Paul Simon (The Rhythm Of The Saints, 1990) a Pet Shop Boys (Bilingual, 1996). O álbum tem ainda um cover muito honesto de "Sandra", originalmente de Gilberto Gil (preste atenção nos backing vocals maravilhosos da versão da Banda Beijo), outro sucesso ("A Vida é Festa"), letras politizadas ("Barracos [Escombros]", uma espécie de "Alagados" do axé), direção artística do mesmo cara que produziu seis álbuns do Legião Urbana (Mayrton Bahia) e Netinho, que saiu em carreira solo no ano seguinte, emplacou quatro hits de cara e continuou falando sobre dígitos acima de seis zeros.

"Estrela Primeira (Amor Eu Fico)": axé dono do campinho no começo dos 90.   

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Cheia de Charme


É aquela história do "gostei mas não amei". "Get Out" foi pro ar ontem e é o mais novo single dos synthpopers escoceses do Chvrches. É também a primeira faixa de trabalho de Love Is Dead, terceiro disco do trio, que sai ainda este ano. É uma canção bem construída, com (obviamente) sintetizadores por todos os lados: do emulador de baixo até o entra-e-sai de efeitos e timbres forrando a estrutura. O problema aqui (pra mim) é que fiquei com a impressão que o refrão é caça-likes, algo que a Kylie Minogue gravaria com um pé nas costas, se é que você me entende. Com uma melodia facinha, mais pop do que synth, "Get Out" deve subir alto no paradão inglês (e acho que só lá), mas nem toda a estranha beleza e o carisma espontâneo da vocalista Lauren Mayberry me tiram da cabeça que de candidatos a Kylie Minogue o pop tá assim ó.

"Get Out": fácil, extremamente fácil.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Quarta do Sofá: Sade


O R&B salpicado de jazz de Sade não é lá muito prolífico. Manteve uma certa regularidade nos 80 - quando a banda apareceu - mas nos 90, foi apenas um álbum (Love Deluxe, 1992), e nos 2000, dois (com intervalo de dez anos entre eles).

Love Deluxe está um pouco abaixo da fantástica trinca inicial de discos do grupo inglês, mas tem pelo menos duas ótimas faixas, "Kiss Of Life" e "No Ordinary Love", ambas lançadas como single. Mas ainda assim, é um grande álbum.

"No Ordinary Love" tem a voz semi rouca de Sade Adu provocando pensamentos libidinosos com essa nigeriana, fato reforçado pela sereia sedutora representada por ela no vídeo. O instrumental casa direitinho com a voz de Sade: linha de baixo grooveada, guitarras pesadas atravessando os teclados atmosféricos, caixa da bateria em primeiro plano. E a canção ainda ganhou o Grammy de Melhor Performance R&B por Duo ou Grupo com Vocais, em 1994. Justiça feita.

"No Ordinary Love":

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Kajagoogoo


"Too Shy" foi o único hit digno de nota do Kajagoogoo. Nem sei se foi sucesso no Brasil (em 1983 eu tinha oito anos e música pop não pegava nem Top 20 na minha lista de preferências), mas provavelmente as FMs devem ter vendido o grupo britânico como o novo Duran Duran. Não por acaso. O single foi produzido por Nick Rhodes (tecladista duranie) e Colin Thurston (produtor dos dois primeiros álbuns do grupo preferido da falecida Lady Diana), bateu em primeiro no paradão inglês e não fez feio do outro lado do oceano (#5 na Billboard). O álbum de estreia White Feathers veio em seguida e nem me arrisco a recomendar: é ruim demais. "Too Shy", no entanto, tem seu charme. A linha de baixo é um trabalho competente do baixista Nick Beggs e o refrão, reconheço, é difícil esquecer. A banda tentou mostrar o resultado do seu processo de maturação no disco seguinte, Islands (1984), com enxertos de soul e jazz, mas já não tinha muita gente interessada - ainda mais sem a presença, hããã, "carismática" do vocalista Limahl, que emplacou um hit solo nesse mesmo ano (a baba "NeverEnding Story", produzida por Giorgio Moroder e música tema do filme de mesmo nome).

"Too Shy": pra passar vergonha na pista de dança.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Golden Age



A australiana Kylie Minogue faz incríveis cinquenta anos em Maio e um mês antes sai seu novo álbum, Golden. O primeiro single, "Dancing", foi lançado ontem. Bom pop; dançante, radiofônico, remixável. Curiosamente, quando ouvi os "aaaaaahh aaaaahh" do refrão, lembrei de cara de um trecho parecido contido em "Porta Aberta", da nossa Luka (hitaço aqui no Brasil, lançada em 2003). Nem tô cogitando plágio - longe disso -, achei parecido e só. Na verdade, fora a vocação pop de ambas, elas pouco tem em comum (agora, a Kylie com 49, o que tá gata... benza Deus).

"Dancing":


"Porta Aberta":

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Gottsha


Se a sexta é bagaceira, esqueçamos os pudores. Sandra Maria Braga Gottlieb - Gottsha - carioca, cantora e atriz. Seu debut é o álbum No One To Answer, de 1995: dance canarinho padrão Jovem Pan fartamente inspirada na eurohouse vigente. O disco - todo em inglês - rendeu alguns singles de relativo sucesso nas FMs brasileiras. Além da faixa-título, "Break Out" e "Do You Wanna Love Me?" experimentaram uma certa popularidade por aqui. "Do You Wanna Love Me?" é minha preferida: com uma chupada na cara dura da batida de "The Sign" (um inesquecível reggaezinho sintético dos suecos do Ace Of Base, produzido pelo saudoso Denniz Pop), uma letra de duas estrofes e um refrão repetido ad infinitum, a faixa parecia ter sido feita na medida pra emplacar nas pistas suarentas da América do Sul (até um 12" promocional foi prensado), mas acho que não ultrapassou a categoria de semi-hit. O que é inegável é que - apesar das composições fracas - Gottsha canta muito. Intencionalmente ou não, a música contida em No One To Answer é dance exageradamente pop e sua ótima voz foi subaproveitada. Poderia ter virado nossa diva house dos 90.

"Do You Wanna Love Me?": semi-hit.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Melhores de 2017 - Músicas


Minha lista de músicas preferidas de 2017 é composta por dez faixas bem distintas entre si. O ponto aqui não é se uma música é melhor que a outra; a ordem da listagem diz respeito somente ao que eu mais gostei, simples assim. Os títulos que estão em vermelho levam pro post da canção. Tem pop, drum'n'bass, R&B, synthpop, funk, indie... mas todas com pelo menos um dos três ingredientes em sua receita: são dançáveis, tem groove ou tem algum elemento forte de eletrônica. Exatamente do que o blog trata. Eis:

1) "Holding On" > The War On Drugs



2) "Havana" > Camila Cabello



4) "The Mirrored River" > Goldie



10) "Pop Voodoo" > Black Grape

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Secret Service


Tem tudo pra ganhar sua antipatia: uma canção que se chama "Oh Susie" e uma banda chamada Secret Service.


"Oh Susie" é o primeiro single do grupo sueco, lançado em 1979. Ficou 14 semanas em primeiro lugar na parada local, depois virou hit mundo afora. Aqui no Brasil saiu nessa versão sete polegadas acima. A faixa pega carona em alguns bondes da época: o emergente technopop, uma levadinha disco, soft rock, new wave. Gosto muito dos sintetizadores e o refrão dá pra decorar na primeira audição. Estranhamente constrangedora, datada. Na pista, a reação quase sempre é um misto de incredulidade e contentamento. O ex-vocalista da banda, Ola Håkansson, fundou a Stockholm Records em 1992, lançando nomes como The Cardigans. O que o redime, um pouco, dos pecados cometidos durante o período de atividades de sua banda.

"Oh Susie": "... we were much too young..."

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sandra


Olha, em 1985 eu tinha 10 anos. Não escutava Kraftwerk e George Clinton. Eu curtia o que o rádio oferecia. O que tava na trilha da novela. O que aparecia no Cassino do Chacrinha. Isso incluía a alemã Sandra Ann Lauer, tenros 22 aninhos na época do lançamento de "(I'll Never Be) Maria Magdalena". Foi o terceiro single da carreira da moça, mas o primeiro hit de fato. Hitaço, aliás. Li em algum lugar que passou de cinco milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, foi trilha do remake da novela Selva de Pedra, em 1986 - o que causou o airplay exaustivo por um bom tempo.

Produzida pelo romeno Michael Cretu (que casou-se com Sandra três anos depois e emplacou o Enigma no começo dos 90), "Maria Magdalena" é um synthpop épico. Riff poderoso de orquestra sintetizada, refrão memorável, beat lento mas altamente dançável.

Fora o que ela era bonita.

"(I'll Never Be) Maria Magdalena": nunca será!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Bolo De Carne


Confesso que passei batido pela faixa "Bon Appétit" - talvez por estar no meio de um disco fraquinho como esse Witness, último da Katy Perry. Isso até assistir o vídeo, tardiamente (foi pro Youtube em Maio). São quatro pantagruélicos minutos em que Katy é sovada, temperada e levada ao fogo pra cozinhar em alta temperatura, num festival de metáforas que dão margem a uma série de piadas óbvias, inevitavelmente. A música, agora vista por mim de outra perspectiva (a que associa o som a imagem, claro) é - justiça seja feita - bom pop, vai. E Katy Perry está mais gostosa do que nunca, prontinha pra ser comida (não resisti).

"Bon Appétit": delícia.

domingo, 16 de julho de 2017

Good Good Mix


Ótima pedida o recém lançado quadragésimo sexto volume da Late Night Tales, série de coletâneas realizadas desde 2001 pelo selo independente britânico Night Time Stories Ltd. e que traz sempre alguém bacana na curadoria (artistas como Groove Armada, Nightmares on Wax, Sly & Robbie, Jamiroquai, Belle & Sebastian, Air e Fatboy Slim, já mixaram suas preferidas do fim de noite para a série). 


Desta vez a seleção ficou aos cuidados dos canadenses do BadBadNotGood e traz uma mistura bem eclética, mas que conversa muito bem entre si, como deve ser um bom set. Tem soul divino ("Don't Let Your Love Fade Away" de Gene Williams [1970], "Home Is Where the Hatred Is" de Esther Philips [1972] e "Oh Honey" do Delegation [1978]); reggae paleolítico ("People Make The World Go Round" de Errol Brown And The Chosen Few [1972]); o jazz-funk cabeçudo de Thundercat ("For Love I Come", de 2011); rock lisérgico ("Baby", dos ilustres desconhecidos - pra mim - Donnie & Joe Emerson [1979]); representantes de Gana, Etiópia e Camarões (Kiki Gyan, Admas e Francis Bebey, respectivamente); eletrônica experimental e retrô (Boards of Canada e Stereolab) e, para minha total surpresa, o groove sensacional de Erasmo Carlos em "Vida Antiga".

Conforme indica o próprio pessoal do BadBadNotGood, "...este mix vai te deixar em boa companhia numa noite tranquila, sozinho ou com amigos. Você pode ouvi-lo no avião, no ônibus, em uma longa caminhada ou em qualquer situação em que você queira uma trilha sonora para reflexão e meditação." Altamente recomendável.


Uma amostra do Late Night Tales do BadBadNotGood: numa nice, numa relax.