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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#14: Mayer Hawthorne)


Muito difícil escolher uma música preferida num álbum tão coeso e homogêneo quanto Man About Town (o mais recente de Mayer Hawthorne), mas talvez "The Valley" tenha sido a faixa que mais ouvi desse disco. Produzida pelo requisitado Dave Tozer (John Legend, Kanye West, Jay-Z, Justin Timberlake, Bruno Mars e mais uma pá de gente), "The Valley" usa Doobie Brothers e Hall & Oates como referências óbvias, isto é, blue-eyed soul sublime.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Escolha Certa



Mayer Hawthorne tinha tudo pra se transformar no Calvin Harris versão ianque. Os primeiros passos foram semelhantes: estreia promissora, revisionismo, respeito da crítica, atenção do público e a consequente e inevitável aproximação do mainstream. Harris converteu-se num artista dance ordinário, grava com figurões do establishment da música, ganha milhões e coleciona McLarens. Hawthorne continuou destilando seu soul de boa cepa em pequenos selos (à exceção de seu segundo álbum, How Do You Do, que saiu pela Universal) e quase caiu em tentação quando aproximou-se perigosamente do rapper de ladainha fraca Pitbull em 2013 ("Do It").



Felizmente, ao que parece, Andrew Mayer Cohen optou pelo que realmente importa nessa história toda: fazer boa música. Ele possivelmente perdeu público com a escolha, mas acertou pela preferência, porque esse hipotético consumidor de pop rasteiro que coleciona hits no celular tem uma volatilidade totalmente dispensável pra um artista que pensa em seguir carreira fazendo algo relevante. Seu álbum mais recente, Man About Town (2016, Vagrant Records) é mais uma coleção irrepreensível de soul pop sem bolor, sem o ranço "neo-alguma-coisa", excepcionalmente bem produzido (o produtor e DJ belga Vito de Luca - do projeto Aeroplane - e o ótimo Benny Sings estão entre os nomes por trás da mesa de som do estúdio) e, mais importante, delicioso de ouvir. São 10 faixas em pouco mais de meia hora; nada descartável, nada fora do lugar. Longe de ser um disco saudosista, Man About Town aponta para várias direções, entre R'n'Bs sedutores com instrumental cuidadoso e backings maravilhosos ("Cosmic Love", "Book of Broken Hearts"), sacolejos estilosos ("Lingerie & Candlewax", "Love Like That"), blue eyed soul à Hall & Oates ("The Valley"), disco/boogie ("Out of Pocket"), baladas soul viscerais ("Breakfast in Bed", "Get You Back") e até um reggae respeitável ("Fancy Clothes").

Com esse álbum, Mayer Hawthorne merecia bem mais que o modesto nonagésimo lugar que alcançou no paradão da Billboard. Questão é que imagino que ele esteja feliz, mesmo assim. Senão pelos resultados comerciais, pela satisfação pessoal de não se dobrar pra indústria em troca de uns tostões e por continuar fazendo música que coloca um sorriso no rosto de quem se interessa pelo seu incrível trabalho (e não é pouca gente). São trinta minutos de prazer garantido. Não perca.

"Lingerie & Candlewax": uma das faixas de mais um discaço de Mayer Hawthorne.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quarta Do Sofá: Bliss


Do tempo em que não era politicamente incorreto veicular propaganda de cigarro na TV, os ingleses da Bliss estouraram no Brasil com sua faixa "I Hear You Call" no comercial do Hollywood. O single "How Does It Feel The Morning After" veio na colada - outra baladona sintetizando pop e soul de olhos azuis - e grudou nas FMs naquela virada 1989/1990. Rachel Morrison canta demais. O baixista Paul Ralphes veio pro Brasil e não voltou: tornou-se produtor requisitado por bandas pop locais, como Biquíni Cavadão e Kid Abelha. Já a Bliss acabou em 1991, pra retornar em 2007 e ainda manter-se na ativa.

"How Does It Feel The Morning After": baita linha de baixo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Segunda Class: The Style Council


The Style Council foi a dupla britânica Paul Weller (ex-The Jam) e Mick Talbot. Durou de 1983 à 1989. Uma parte da imprensa musical da época tentou jogar seus álbuns num balaio de gatos chamado New Bossa (junto com gente como Sade, Matt Bianco e Everything But The Girl), mas o gênero popularizado por Tom Jobim e João Gilberto pouco tinha a ver com o trabalho do grupo. A jogada aqui era pop jazzístico, classudo, soul de plástico bem intencionado.  

 
"Long Hot Summer" foi o terceiro single do duo, lançado em Agosto de 1983. É uma canção sofisticada, marcada pela linha sintética do baixo, com um efeito elástico sensacional. Coincidentemente, o verão inglês de 1983 - especialmente o mês de Julho - foi um dos mais quentes da história. Prevendo o calor sem querer, Weller e Talbot gravaram "Long Hot Summer" em Junho, na França.

 Style Council: verão chegando.