sexta-feira, 10 de julho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: DeFalla


Os gaúchos do DeFalla mudaram mais vezes de formação ou de sonoridade desde seu aparecimento, em 1985? Difícil dizer. A banda já arriscou com hard rock, funk, hip-hop, heavy metal, big beat, hardcore melódico, miami bass... e devo estar esquecendo muita coisa. Tendo sempre o inquieto Edu K na linha de frente (exceto quando o vocalista saiu em carreira solo em 1995 e foi substituído por Tonho Crocco, no álbum Top Hits), o DeFalla perseguiu um hit em escala realmente abrangente por quinze anos, até que - surfando nos respingos do então ascendente funk carioca - "Popozuda Rock 'n' Roll" caiu nas graças da molecada. É uma faixa divertida, dançante e com um riff de guitarra que parece ter sido tocado por Angus Young. Os fãs xiitas torceram o nariz, mas era tarde demais: a música estava em todas as rádios e TVs do Brasil em 2000.

Depois da flopada do single "Boy Lixo", trap de Edu K lançado no final do ano passado, o DeFalla já planeja disco novo ainda pra 2015. Impossível saber pra onde a banda vai se jogar.

"Popozuda Rock 'n' Roll": riff seco na batida do Miami pancadão.

domingo, 5 de julho de 2015

Diversões Eletrônicas



Giorgio Moroder é o Moisés da dance music: com Pete Bellotte, ele dividiu a música de pista em antes e depois de "I Feel Love" (Donna Summer, 1977). Acontece que o inovador e criativo homem por trás de monumentos como "From Here to Eternity" e "E=MC2", é o mesmo que girou os botões da mesa de som em hits de gosto duvidoso de Irene Cara ("What a Feelin'") e Joe Esposito ("Lady, Lady, Lady"), ambas da trilha de Flashdance; Berlin ("Take My Breath Away", que segundo o próprio, é a produção que mais o deixou orgulhoso) e Sigue Sigue Sputnik ("Love Missile F1-11"). Isso posto, não creio que alguém tenha se espantado com o material que este simpático bigodudo apresentou em Déjà Vu, seu décimo sétimo álbum e o primeiro desde Philip Oakey & Giorgio Moroder (1985).

A primeira pista apareceu no final do ano passado, mas era falsa (pra quem esperava um disco inteiro assim). A boa "74 Is The New 24" tem os usuais arpejos de sintetizador, vocoders, pianos e guitarras da sua space disco atemporal, que, de certa forma, o aproxima de pupilos como Lindstrøm e Todd Terje. Moroder estaria, por tabela, soando moderno e totalmente ambientado às eletronices dos produtores atuais.


No começo deste ano, foi a vez de "Right Here, Right Now", com Kylie Minogue nos vocais. Nada muito animador. Me empolguei mais com o andamento durante as estrofes do que propriamente com o refrão. Começava a ficar claro que caminho o disco iria seguir: dance padrão FM, só que um tanto mais contida e sóbria do que a EDM praticada por gente como Avicii (que é incapaz de produzir uma música sem a emporcalhar com bass drops irritantes ou rufos previsíveis de bateria). 


A faixa título, com a cantora e compositora australiana Sia Furler, tem uma grandeza disco explícita nos lindos strings dos sintetizadores e no refrão grudento, perfeito pra passar vergonha na pista:



Procurando bem entre as 12 faixas, ainda dá pra catar bons momentos, como a razoável "Wildstar" (com a britânica Foxes) e "Back and Forth", cujo diferencial está nos vocais particularíssimos de Kelis Rogers.



Bom, o resto de Déjà Vu é dispensável. Desde a breguíssima abertura "4 U With Love" e a escolha dos timbres de sintetizador na linha Casio Tone Bank, passando pela total descartabilidade da dance fuleira "Diamonds" (com Charli XCX) e por faixas que poderiam estar tranquilamente no último do David Guetta ("I Do This for You", "Don't Let Go"), até chegar no crime mor aqui: o péssimo cover de "Tom's Diner" (original de Suzanne Vega, que foi brilhantemente remixada pelo DNA em 1990), com Britney Spears nos vocais.

O que fica de bacana nessa história é que Giorgio Moroder, do alto de seus setenta e poucos anos, parecer estar se divertindo muito com tudo isso - desde sua recente introdução ao mundo da discotecagem até a produção de música nova. E - ninguém é perfeito - vez ou outra ele ainda acerta.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Rosso Barocco


Um sampler na mão e ótimas ideias na cabeça. Foi assim que os produtores Daniele Davoli, Mirko Limoni e Valerio Semplici estouraram no mundo inteiro com o Black Box, na virada dos 80 pros 90. Se a italo house foi o gênero mais dançado nas pistas nesse período, este trio tem boa parcela de responsabilidade. Pra dar vazão a tanta criatividade, montaram o grupo Groove Groove Melody e lançaram vários singles sob diferentes nomes. Além do próprio Black Box, fizeram sucesso com o Starlight ("Numero Uno", 1988), The Mixmaster ("Grand Piano", 1989) e Rosso Barocco ("Do-Do-Don't Stop", 1989).

A jogada com o Rosso Barocco era o som característico de suas produções: sintetizadores emulando lindas sessões de cordas, pianos saltitantes e samples certeiros. A amostra principal de "Do-Do-Don't Stop" (a voz repetindo esse trecho) vem do clássico funk sintético de 1982 "Reach Up", de Toney Lee (também sampleado pelo Phats & Small em "Turn Around"). Já o surrado "Can You Feel It", foi extraído do álbum Jacksons Live!, de 1981. Nem preciso dizer o quanto esse blend deu certo.

"Do-Do-Don't Stop": gagueira proposital.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Deicídio


Ethan Kath subiu hoje no Soundcloud mais uma faixa que deve estar no próximo álbum do Crystal Castles (a primeira foi "Frail", em Abril). Com o provocador título "Deicide", a canção é o Crystal Castles clássico (se é que dá pra dizer isso de uma banda tão nova): sintetizadores lúgubres planando ameaçadoramente, um riff trance certeiro, bumbo pesado e os vocais etéreos da misteriosa Edith. Por enquanto, duas músicas ótimas. E, mais importante, nenhum resquício de saudosismo em relação a Alice Glass.

"Deicide": as coisas vão se encaminhando muito bem.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Antropofagia Funk


Se o disco mais recente do Duran Duran (o razoável All You Need Is Now, de 2010) vampirizava a própria obra do grupo (o fenomenal Rio, de 1982), a nova "Pressure Off" parece sobra de estúdio de Notorious (1986). Funk rock musculoso, turbinado pela guitarra de Nile Rodgers (coincidentemente, o produtor de Notorious) e pelos vocais adicionais de Janelle Monáe, a faixa vai estar no novo álbum do quarteto, Paper Gods, agendado pra Setembro. O grupo subiu "Pressure Off" no Youtube há coisa de uma semana e tem pouco mais de cem mil visualizações. Não creio que isso vá virar single, não vi potencial. Com otimismo: espero um álbum melhor que essa amostra.

  "Pressure Off": e o tino pop, onde está?