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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sigue Sigue Sputnik


A autoproclamada "quinta geração do rock'n'roll" foi uma piada inventada pelo ex-baixista do Generation X, Tony James. Punks de boutique, visual espalhafatoso, alguns hits e, estranhamente, uma imensa popularidade no Brasil - tanto que o segundo álbum, Dress for Excess, de 1988, teve o nosso Arnolpho Lima Filho (Liminha) como um dos produtores - fizeram do Sigue Sigue Sputnik uma curiosidade passageira, que enjoou tão rápido quanto pegou.

"Love Missile F1-11" foi o primeiro single do álbum de estreia do grupo, Flaunt It. Lançada em Março de 1986, chegou ao terceiro lugar no paradão inglês e teve parte da popularidade (foi o maior hit dos Sputniks) baseada em sua inclusão na trilha do blockbuster Curtindo a Vida Adoidado.

Movida a baterias eletrônicas frenéticas, "Love Missile F1-11" engaveta uma batelada de samples (a voz de Malcolm McDowell extraída de um trecho de Laranja Mecânica, por exemplo), chupa o baixo de "Girl U Want" do Devo, exagera nos efeitos sobre a voz de Martin Degville e tem um climinha futurista/apocalíptico providenciado pelo produtor da faixa, Giorgio Moroder.

Não sei se Moroder se orgulha disso, mas que foi divertido, foi.

"Love Missile F1-11": techno-punk era isso.

domingo, 5 de julho de 2015

Diversões Eletrônicas



Giorgio Moroder é o Moisés da dance music: com Pete Bellotte, ele dividiu a música de pista em antes e depois de "I Feel Love" (Donna Summer, 1977). Acontece que o inovador e criativo homem por trás de monumentos como "From Here to Eternity" e "E=MC2", é o mesmo que girou os botões da mesa de som em hits de gosto duvidoso de Irene Cara ("What a Feelin'") e Joe Esposito ("Lady, Lady, Lady"), ambas da trilha de Flashdance; Berlin ("Take My Breath Away", que segundo o próprio, é a produção que mais o deixou orgulhoso) e Sigue Sigue Sputnik ("Love Missile F1-11"). Isso posto, não creio que alguém tenha se espantado com o material que este simpático bigodudo apresentou em Déjà Vu, seu décimo sétimo álbum e o primeiro desde Philip Oakey & Giorgio Moroder (1985).

A primeira pista apareceu no final do ano passado, mas era falsa (pra quem esperava um disco inteiro assim). A boa "74 Is The New 24" tem os usuais arpejos de sintetizador, vocoders, pianos e guitarras da sua space disco atemporal, que, de certa forma, o aproxima de pupilos como Lindstrøm e Todd Terje. Moroder estaria, por tabela, soando moderno e totalmente ambientado às eletronices dos produtores atuais.


No começo deste ano, foi a vez de "Right Here, Right Now", com Kylie Minogue nos vocais. Nada muito animador. Me empolguei mais com o andamento durante as estrofes do que propriamente com o refrão. Começava a ficar claro que caminho o disco iria seguir: dance padrão FM, só que um tanto mais contida e sóbria do que a EDM praticada por gente como Avicii (que é incapaz de produzir uma música sem a emporcalhar com bass drops irritantes ou rufos previsíveis de bateria). 


A faixa título, com a cantora e compositora australiana Sia Furler, tem uma grandeza disco explícita nos lindos strings dos sintetizadores e no refrão grudento, perfeito pra passar vergonha na pista:



Procurando bem entre as 12 faixas, ainda dá pra catar bons momentos, como a razoável "Wildstar" (com a britânica Foxes) e "Back and Forth", cujo diferencial está nos vocais particularíssimos de Kelis Rogers.



Bom, o resto de Déjà Vu é dispensável. Desde a breguíssima abertura "4 U With Love" e a escolha dos timbres de sintetizador na linha Casio Tone Bank, passando pela total descartabilidade da dance fuleira "Diamonds" (com Charli XCX) e por faixas que poderiam estar tranquilamente no último do David Guetta ("I Do This for You", "Don't Let Go"), até chegar no crime mor aqui: o péssimo cover de "Tom's Diner" (original de Suzanne Vega, que foi brilhantemente remixada pelo DNA em 1990), com Britney Spears nos vocais.

O que fica de bacana nessa história é que Giorgio Moroder, do alto de seus setenta e poucos anos, parecer estar se divertindo muito com tudo isso - desde sua recente introdução ao mundo da discotecagem até a produção de música nova. E - ninguém é perfeito - vez ou outra ele ainda acerta.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Kylie Moroder


Mais uma faixa do novo álbum de Giorgio Moroder (74 Is The New 24) que aparece, "Right Here, Right Now" tem a australiana Kylie Minogue nos vocais. Bom pop, mas me empolguei mais com o andamento durante as estrofes do que propriamente com o refrão. 74 Is The New 24 sai esse ano e deve contar ainda com participações de Charli XCX, Britney Spears e Foxes. Dica do sempre atento Thiago Giardini.

"Right Here, Right Now": Moroder ligadinho no pop 2014.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Alive and Kicking


Giorgio Moroder é o Moisés da dance music: ele dividiu a música de pista em antes e depois de "I Feel Love" (Donna Summer, 1977). "74 Is The New 24" é o single que precede o novo álbum a ser lançado ano que vem (provavelmente com esse mesmo nome) e olha, é ótimo que aos 70 e poucos anos esse gênio ainda esteja na ativa e produza uma faixa consistente como essa. Os usuais arpejos de sintetizador, vocoders, pianos e guitarras da sua space disco atemporal o aproximam de pupilos como Lindstrøm e Todd Terje, ou seja, Moroder está mais atual do que nunca.

A bela animação de "74 Is The New 24": velocidade em slow motion.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Humildade Com H Maiúsculo e Dourado

 

O Coldplay está tentando voltar a ser humilde, mas Giorgio Moroder não deixa. Seu remix para "Midnight", uma das faixas do novo álbum da banda inglesa (Ghost Stories, sai 19 de Maio), vai discreto e eficaz durante os três primeiros minutos, depois o bicho pega. Vocoders, arpejos, coros e camadas de cordas deixam a tímida "Midnight" a um passo da suntuosidade.

Mas não se assuste. O leviatã dos sintetizadores chamado Moroder sabe dosar como ninguém.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Daqui Para A Eternidade


 Era inevitável. Exatamente como aconteceu com Nile Rodgers, agora é a vez do leviatã da eletrônica Giorgio Moroder oportunamente lançar uma coletânea escorado no recente sucesso de sua parceria com o Daft Punk.


Não sei qual foi o critério usado para a seleção das faixas, mas a lista de Best of Electronic Disco é bem estranha. Começa OK na segunda metade dos 70, sem pular monumentos do bigodudo como "From Here to Eternity" e "E=MC2", mas quando entra nos 80, as coisas ficam esquisitas. Há quatro faixas com o cantor Joe Esposito (incluindo a baba "Lady, Lady, Lady", da trilha de Flashdance) e duas canções com Paul Engemann (a lamentável "Shannon's Eyes" e a pavorosa "American Dream").

Dificuldade em licenciar músicas com gravadoras, privilegiar algumas pérolas obscuras como "I Wanna Funk With You Tonight" (de 1976), fugir das obviedades (Donna Summer / "I Feel Love", Irene Cara / "What a Feelin'", Philip Oakey / "Together in Electric Dreams", Berlin / "Take My Breath Away"), qualquer que tenha sido o motivo para a escolha destas 19 faixas presentes em Best of Electronic Disco, não alivia o veredicto: metade delas são totalmente dispensáveis.

Mesmo sendo Giorgio Moroder.

"First Hand Experience In Second Hand Love": vocoders e arpejos.

domingo, 16 de junho de 2013

Robôs Com Alma


Não que eu esteja atrasado. Fato é que não dá pra digerir rápido o novo disco do Daft Punk. E a esta altura, você já leu tudo sobre ele.


  Você leu que Random Access Memories é a aproximação do Daft Punk com um som mais orgânico, vivo, que eles são alunos estudiosos, aplicados e amantes dos grooves setentistas desde sempre.

Que ficou muito mais difícil pra Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter criar música do nada. Mas o resultado compensou, porquê desta vez a dupla vem apoiada em inspiração e influência e músicos do naipe do gigante Nile Rodgers, não em samplers. Não que o sampler significasse menos qualidade para o Daft Punk. Nada disso. Chupar grooves semi-desconhecidos com a maestria que o duo pratica e transformar isso em hit mundial sem enquadrar a música numa fórmula de sucesso já comprovado é para pouquíssimos.

Que esse disco pode (e vai) derrubar vários (pré) conceitos, como o que joga Barry Manilow, Alan Parsons, Eagles ou 10cc na vala comum da cafonália, por exemplo. E o que tem da musicalidade pulsante e efervescente do som desse pessoal em Random Access Memories, só caras com uma reputação praticamente inatacável musicalmente como a do Daft Punk pra abalizar e fazer com que uma legião de detratores dê o braço a torcer.

Que no soft rock "Instant Crush", até Julian Casablancas (não estranhe ele num álbum do Daft Punk: Julian já se afastou da fórmula vencedora de Is This It? há tempos) aparece vocoderizado, num refrão emocionante; que "Touch" é uma espécie de Barry Manilow progressivo, com arranjos de cordas adocicados e backing vocals tipo musical da Broadway; que "Get Lucky" dificilmente não vai ser a música do ano; que o groove lento, o ótimo falsete de Pharrel Williams e a guitarra sinuosa de Nile Rodgers fazem do funk "Lose Yourself To Dance" uma das melhores dance tracks dos últimos meses e que, finalmente, Giorgio Moroder recebe uma homenagem à altura de sua genialidade.

Mas tudo isso você já sabia.

PS.: é um dos discos mais legais do ano, sim.

"Lose Yourself To Dance": nu-disco é isso aí.