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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Set Mix Dark Techno House by Carlinhos


Techno subterrâneo, house lúgubre, sintetizadores ameaçadores, samples esquisitos, vozes etéreas... tudo isso mixado por este que vos tecla num set de uma hora em que o darkismo cruza com a dance music e gera um filhote que transita com desenvoltura tanto pela pista de dança quanto pela sala de estar. Clicaê!

Tracklist:

1) Aftermath (Robags Berchem Duff NB) by Hundreds (Krakatau Records)
2) Volta Cobby by Robag Wruhme (Pampa Records)
3) It's Only (DJ Koze Mix) by Herbert (Pampa Records)
4) XTC by DJ Koze (Pampa Records)
5) First Fires (Maya Jane Coles Remix) by Bonobo feat. Grey Reverend (Ninja Tune)
6) Bad Kingdom (DJ Koze Remix) by Moderat (Monkeytown Records)
7) Moth by Burial & Four Tet (Text Records)
8) Open Eye Signal by Jon Hopkins (Domino)
9) Your Darkness by Benoit & Sergio (Visionquest)
10) Believe by Traumprinz (Giegling)
11) When Radio Was Boss by Soulphiction (Pampa Records)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Paul Jason Solo


Paul Jason Robb, produtor do technopop americano de segundo escalão (Red Flag, T42) e de bons nomes do freestyle (TKA, Noel), além do seu Information Society, tem um currículo interessante, mas eu mal sabia que ele tinha uma carreira solo. Vi dia desses que Robb acaba de lançar seu quarto (!) álbum, Impossible Piano, por seu próprio selo, HAKATAK International. O título é oportuno, porque a maioria das nove faixas aqui traz temas instrumentais que tem o piano tratado eletronicamente de modo a parecer realmente improvável a extração desses sons pela simples execução num Steinway & Sons da vida. Os efeitos (ecos, rufos, reverbs), reforçados pelas camas lúgubres de cordas que emolduram as composições, criam paisagens oníricas de placidez e serenidade, sensação potencializada pelo timbre abafado do piano, onipresente nos sons registrados no disco. A viagem de Robb fica no meio do caminho entre ambient e eletrônica, pendendo para um certo darkismo facilmente detectável em Impossible Piano. O surrado clichê que fala numa suposta "trilha sonora para um filme imaginário" é conveniente para tentar decodificar o trabalho. 

Se você acha o incensado Ambient 1: Music for Airports, de Brian Eno, um saco, fuja. Se quer um acompanhamento sonoro para noites de leitura, vinho e frio, é o que há.

Impossible Piano: todinho no Bandcamp.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Stranger Things

O MGMT sempre foi meio esquisitinho, psicodélico e chapado em sua eletrônica revisionista de, até agora, três álbuns: a boa estréia Oracular Spectacular (de 2007, que gerou os ótimos singles "Kids", "Electric Feel" e "Time To Pretend"), o fraquíssimo Congratulations (2010) e o autointitulado MGMT (2013), que passou totalmente batido (ao menos pra mim). Eis que a dupla americana formada pelos cantores e multi-instrumentistas Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser retorna agora com um single ("Little Dark Age") e um álbum de mesmo nome, programado pro início do ano que vem. Vídeo e música mantém o padrão imposto especialmente no primeiro álbum - dosando pop e experimentação -, mas nesse single o MGMT aponta seus sintetizadores mais em direção à 1982 do que 1968. É um synthpop de sobretons neogóticos e belos arpejos em progressão no refrão. Gostei bastante.


Capa do single:

Vídeo de "Little Dark Age":

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Amnésia Techno


Tive que dar uma fuçada no Youtube pra ver se lembrava de alguma coisa de Undercover, o bem avaliado álbum do produtor canadense radicado na Alemanha Marc Houle, de 2012, já que só tinha a imagem da capa forte na memória (um Abraham Lincoln de riso ameaçador e olhos diabólicos). Em vão. Ouvi algumas músicas, mas nada que estivesse minimamente registrado em algum canto esquecido do meu cérebro.


Seu recente lançamento, Sinister Mind (saiu em Março pela Items & Things, selo germânico que tem Houle como um dos fundadores), vai pelo mesmo caminho. O que não deixa de ser curioso, porque o minimal techno das nove faixas prima, obviamente, pela repetição de riffs, arpejos e loops, o que teoricamente deveria fazer com que a quase exaustiva duração do processo (as faixas tem, em média, seis minutos) deixasse gravada ao menos trechos da música contida aqui. Ouvi Sinister Mind várias vezes e o que ficou está mais associado à minha memória de curto prazo do que qualquer outra coisa, prontinho pra ser esquecido. Não me culpe. O responsável é o próprio Houle e a volatilidade de uma música que vai permanecer nos fones de ouvido dos fãs mais ardorosos do techno autor por algum tempo, é bem provável que seja executada em clubes underground e depois, periga sumir sem deixar vestígios - como aconteceu comigo e Undercover. Se reconheço, por exemplo, “Energy Flash” (Joey Beltram), "LFO" (LFO) e "Nude Photo" (Rythim Is Rythim) já nos primeiros acordes, porque o mesmo não acontece com qualquer coisa de Sinister Mind? Longe de mim querer insinuar que Houle não tem talento, mas se o objetivo de agrupar algumas canções e lançar isso em forma de um álbum não é que o conjunto mereça ser, no mínimo, conservado na lembrança, então o que justifica lançar discos? As tentativas são válidas, OK. O gancho arabesco de sintetizador da abertura "Don't Think of Me" e as oscilações da frase de teclado da irresistivelmente sacolejante "Loafers" são boas investidas, mas são oásis encontrados eventualmente num álbum em que a média é enfadonha: "Failure" justifica o título de uma canção soporífera, "Dark Tom" parece ter teclas apertadas aleatoriamente em meio a espancamentos metálicos de bateria e "Conbular" arrasta-se serpenteando efeitos que voam de um canal para o outro das caixas de som. Uma das poucas que destoam do geral é o encerramento "Paligama" - techno que erige uma ponte imaginária entre Detroit e Berlim, engrenada e hipnótica. O problema é que em quase um hora, pouco mais do que vocais/vocoders assustadores e timbres angustiantes de sintetizador chamam a atenção. Muito pouco.

Sobre Sinister Mind, Houle disse que depois de mais de dez anos fazendo música, sentiu que era um bom momento para parar e avaliar sua jornada musical e que não havia planejado uma trilogia, mas percebeu que tinha tanta coisa para dizer, que limitar a apenas um LP não iria contar a história toda. O primeiro álbum da suposta série, como o título indica, refletiu as tendências mais escuras do seu som, conforme ele mesmo disse. A representação sonora desse propósito deixou a desejar no primeiro volume, mas estou curioso para ouvir os próximos.


"Loafers": oásis.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#01: Trentemøller)


"Eu simplesmente amo a ideia de que você pode construir este mundo imaginário com música. Para mim, a música é ficção. Não é apenas algo que existe separadamente da realidade. A ficção é a realidade irreal. Ambos se pertencem e são um só. Eu acho que a ficção e a música podem ser usadas para confrontar e criticar a realidade, mas também para escapar dessa mesma realidade. E essa é a beleza disso."

Assim o produtor dinamarquês Anders Trentemøller definiu Fixion, quarto álbum de sua carreira iniciada há pouco mais de dez anos com o impressionante debut The Last Resort, de 2006. Se na sua estreia Trentemøller já exibia uma paleta de cores granulado-escurecidas espalhadas pelo seu downtempo minimal, em Fixion a monocromia toma conta das telas. O darkismo à que o autor submete suas composições revela um elo perdido entre Faith, do The Cure (1981) e o último álbum do Röyksopp, The Inevitable End, de 2014 (que a cantora Robyn sentenciou como "triste, mas não frio"). Fixion, porém, é tudo isso. Triste, frio, nublado, denso. Ondas geladas de sintetizadores castigam canções como a abertura "One Eye Open" (emoldurando os ótimos vocais da também dinamarquesa Marie Fisker); andando lado a lado com os tons menores da guitarra em "Never Fade" e finalmente surgindo ameaçadores na angustiante "Sinus". No ótimo single "River In Me" (com vocais de Jehnny Beth, do Savages), baixo e bateriam duelam entre si enquanto os teclados aparecem mais discretos com um riff de sopro encaixando-se na melodia, mas o estado de ansiedade criado pelos synths volta com força na faixa seguinte, a lúgubre "Phoenicia". O clima de isolamento, intenso e pessoal, ronda a maioria do disco e atinge níveis de beleza e encantamento sublimes, em faixas como a instrumental e hipnótica "November" e a etérea "Where The Shadows Fall". A sufocante "Spinning" (mais uma vez com vocais de Marie Fisker - que sugerem uma Elizabeth Fraser nórdica) aumenta a sensação de afastamento; resultado duplicado pela percussão eletrônica lenta e ritualesca e a profusão de timbres de tonalidade cinzenta dos sintetizadores - os mesmos que acompanham Jehnny Beth no pós-punk "Complicated", sua última aparição no álbum.

Fixion é um disco de eletrônica visceral aparentemente menos complexo musicalmente que seus lançamentos anteriores, mas que, por outro lado, facilitam a vida de Trentemøller no palco - e isso tem se mostrado extremamente positivo em sua turnê recente, com shows lotados pela Europa - em que reproduzir o rock gótico imaginado e concebido pelo produtor no álbum torna-se uma tarefa menos árdua e mais natural. Fixion, o disco e a tour, são vencedores. E evidenciam que Trentemøller, entregue sem medo à experimentação e simultaneamente ao tino pop, é um dos grandes músicos/produtores da atualidade. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Goth Obsession


Rock não é lá muito a do blog, mas quando coisas como essa aparecem são dignas de registro. E negócio é que o post-punk usualmente tem seus sintetizadores lúgubres permeando as produções, o que não o deixa tão distante assim do synthpop e tem um pezinho na eletrônica, sim.

O Escarlatina Obsessiva é uma banda da pequena São Thomé das Letras, Minas Gerais. Gravam desde 2007 e já tem seis álbuns lançados (o mais recente, Drusba saiu entre 2015 e 2016 e dá pra ouvir na íntegra aqui).

Grata surpresa pra mim, que nunca tinha ouvido falar da dupla (Karolina e Zaf). Produzindo incessantemente (ou obsessivamente, pra justificar o nome), o duo acaba de jogar no Youtube um vídeo para "Primal Beast", uma das melhores faixas de Drusba. A música, em si, me traz boas referências do gênero (X-Mal Deutschland, Siouxsie & The Banshees) e hoje em dia pode andar tranquilamente de mãos dadas com gente como Lebanon Hanover. Fora que é dançável, e, a despeito do climão soturno típico, vejo com potencial comercial, também (autossustentabilidade é bacana e todo mundo fica feliz).

"Primal Beast": perfeita pra dançar com o nariz colado na parede do Crepúsculo de Cubatão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#10: Trentemøller)


Há tempos que Anders Trentemøller vem merecendo maior reconhecimento pelo trabalho apresentado. O músico e produtor dinamarquês vem desde 2006 lançando discos sólidos e transitando por vários estilos (Electronica, Techno, Ambient e Dark Rock, entre eles). Em seu ótimo álbum do ano passado, Fixion, Trentemøller recrutou três cantoras (Marie Fisker, Lisbet Fritze e Jehnny Beth). É Beth - vocalista do grupo pós-punk inglês Savages - quem canta em "River In Me", uma das melhores faixas do disco. A música dosa com exatidão eletrônica e rock gótico, soando soturna, dançável e longe das caricatas tentativas de gente que explora o darkismo muito mais ligado na forma do que no conteúdo, em si. Segundo o próprio Trentemøller, "...Beth tem essa voz realmente intensa e única e acabou sendo realmente desafiador e divertido tirar essa voz do universo do Savages e colocar no meu". Impossível discordar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Caras Novas: Torul


Torul é uma banda eslovena de electropop liderada pelo compositor, produtor e fundador do projeto, Torul Torulsson (o da esquerda, na foto acima). Na ativa desde 2010, o grupo vem lançando singles e álbuns por micro selos alemães (Low Spirit Recordings, Infacted Recordings), ganhou alguma rotação na MTV alemã com o vídeo stop-motion para a faixa "Try" (2011) e já está no quarto álbum (The Measure, lançado em Março deste ano). Não difere muito do synthpop germânico atual, mas explora bem as influências de tons cinza escuro de Torulsson (The Cure, Siouxie and the Banshees, Dead Can Dance) sem resvalar na caricatura, além de ter uma mão boa pra compor boas canções pop de plástico. Conheci a banda através de uma das faixas de The Measure, a ótima "Difficult To Kill" (também lançada como single). Os vocais de Jan Jenko são meio canastrões, mas a música é bem feitinha, algo entre The Twins e Clan Of Xymox - o que sempre tem boas chances de acertar em cheio os ouvidos de novos e velhos fãs de bandas dark/góticas que não dispensam o uso do sintetizador. Vale o confere.

"Try":



"Difficult To Kill":

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Deicídio


Ethan Kath subiu hoje no Soundcloud mais uma faixa que deve estar no próximo álbum do Crystal Castles (a primeira foi "Frail", em Abril). Com o provocador título "Deicide", a canção é o Crystal Castles clássico (se é que dá pra dizer isso de uma banda tão nova): sintetizadores lúgubres planando ameaçadoramente, um riff trance certeiro, bumbo pesado e os vocais etéreos da misteriosa Edith. Por enquanto, duas músicas ótimas. E, mais importante, nenhum resquício de saudosismo em relação a Alice Glass.

"Deicide": as coisas vão se encaminhando muito bem.

domingo, 24 de maio de 2015

Poltergeist Techno


Acho que Cybekks, o EP mais recente de Robag Wruhme, deve ter sido gerado na mesma mansão em que Trent Reznor gravou The Downward Spiral - o local foi palco do assassinato da atriz Sharon Tate, pela trupe de lunáticos liderada por Charles Manson, em 1969.

Isso explicaria a aura sobrenatural do disco. Há desde os strings camerísticos ameaçadores da faixa título até a placidez do piano opaco de "Anton I" e a caixinha de música sinistra envolta em cânticos do além em "Anton II". A melhor do EP é "Volta Cobby": recortes de vozes possuídas, riff deformado de sintetizador e clima fantasmagórico. Pampa Records acerta de novo (nenhuma novidade).

"Volta Cobby": faixa poderosa e vídeo perturbador.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Caras Novas: Kite


Parta do princípio de que, se conheci esse ano, é uma cara nova (pra mim, ao menos). Porque o Kite - duo synthpop sueco formado por Nicklas Stenemo e Christian Berg - está na ativa desde 2008 e Kite VI já é o (dããã) sexto EP da dupla. Definido por publicações suecas e alemãs como um mix de Vangelis e Kraftwerk, VI tem todos os requisitos básicos de um (mini) álbum de technopop: épico, enegrecido, radicalmente eletrônico, dominado por um clima de isolamento e uma certa frieza emocional. Some a isso os particularíssimos vocais de Nicklas Stenemo - o nível de dramaticidade bate no vermelho - e os sintetizadores congelantes de Christian Berg e voilà: temos uma banda convincente e com bom potencial para agradar os fãs do gênero.

A melhor de Kite VI é a abertura soturna "Up For Life", embora ela seja estendida (desnecessariamente) até o dobro da duração que deveria. Uma radio edit pode limar a segunda metade que sobra. Fora isso, menção honrosa para o bom trabalho das maquininhas de Berg em "Count The Days" e os vocais sofridos de Stenemo no darkismo explícito (a despeito do título) de "True Colors".



O que não funciona é o ritmo pretensamente dançante (dá pra sacar que essa não é a praia do duo) em "It's Ours" e os exageros dos efeitos de voz em "Nocturne". Precisa não, Kite, o cara já tem um filtro natural na garganta. Kite VI é bom. Aparando algumas arestas aqui e ali, um Kite VII pode vir melhor ainda.

"Up For Life": promessa. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Caras Novas: Kaleida



Se eu te dissesse que Florence and The Machine voltou com um EP sem a grandiloquência característica; mais enxuto, eletrônico e totalmente audível, você acreditaria? Não... bom demais pra ser verdade. Bom, isso, de fato, não aconteceu. Mas tem o Kaleida, uma dupla nova aí que parece com a Florence Welch ideal: sem a afetação e a suntuosidade da cantora inglesa, a vocalista Christina Wood canta num limite emocional sem cair no estilo pomposo de Welch. A outra metade do duo, Cicely Goulder, providencia instrumentais eletrônicos limpos, um synthpop reluzente e preciso.

Think EP
saiu dia 7 de Abril, com seis faixas. O duo projeta um certo tipo de darkismo pop sobre as canções, algo que resulta em momentos onde o Kaleida funciona em perfeita sintonia ("Take Me To The River", "The Call"). O EP inteiro é apreciável, da abertura com a faixa título (um tiquinho mais pop), até a última faixa com um trabalho vocal admirável ("Aliaa").

A despeito da capa tenebrosa do EP, a beleza de Wood e Goulder compensa qualquer escorregada com a parte gráfica do álbum.

Think EP: novidade boa de ponta à ponta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Metamorfose Ambulante


Ora delicadamente folk, ora sombriamente eletrônico, Aftermath saiu no meio do ano e é o segundo disco do Hundreds, formado pelos irmãos Eva e Phillip Milner. A dupla alemã levou algo em torno de um ano em meio gravando o álbum e o resultado veio em forma de doze canções com um acabamento primoroso, polido pelo engenheiro de som e produtor britânico David Pye (que já trabalhou com o Wild Beasts). Invernal, agridoce e de incontestável beleza, Aftermath traz arranjos econômicos e precisos, com o uso contido de cordas e pianos e a estaticidade hipnótica dos sintetizadores, que valorizam a ótima vocalista Eva Milner. Vale o confere.



Outra boa notícia é o recente lançamento de um EP de remixes de Aftermath. São excelentes versões para quatro faixas do álbum, feitas por gente tão desconhecida quanto talentosa. Minha preferida é "Aftermath (Robags Berchem Duff NB)", uma impressionante transformação que cruza magistralmente darkismo e pista de dança. Saiu pelo microselo Krakatau, mas tem cara de Pampa Records.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Banco de Reservas


Gold Zebra é o Chromatics da semana. Enquanto o titular não volta com o sucessor do incensado Kill For Love (2012), o duo canadense acaba de estrear com um álbum autointitulado pela gravadora Visage Musique (mas poderia ser pela Italians Do It Better).

O disco não é lá muito animador, o que pode ser motivo de salivação pra galera da camiseta do Unknown Pleasures. Nem tão excêntrico quanto o Glass Candy nem tão New Order quanto o Chromatics, o Gold Zebra é eletrônico (no sentido synthpop do termo) e enxuto. O tecladista JP Richard abusa de notas com tons menores (o que, obviamente, deixa o disco com o tempo nublado em todas as dez faixas) e não sai do esquema italo-disco das baterias (bumbo-caixa-bumbo-caixa). Sintetizadores lúgubres embasando as composições, algumas letras cantadas invariavelmente com um abatimento blasé pela misteriosa vocalista Julie, lembram os poemas lamentáveis redigidos por análise combinatória que escrevi pra um trabalho de Literatura, no primeiro ano do ensino médio. Sente o dramalhão de "When Words Fail": "I'm on my own / I feel this way / I'm all alone / it's all the same / the shadow wings fading away / I feel so strong / now I'm move on". Uh, que triste.

"Love, French, Better": bilíngue.

terça-feira, 25 de março de 2014

Muito Mais Que Um Rostinho Bonito

 

De onde menos se espera, daí é que não sai nada. Mentira. As fotos da italiana Tying Tiffany disponíveis na rede são pra deixar o desconfiômetro na luz amarela e poderiam sugerir música em segundo plano, mas Drop, seu quinto álbum, vai bem além de poses estilosas para as lentes.

O que artistas como Tiffany sacaram, é que o gótico é um filão inesgotável. Enquanto houver gente que cultiva o desencanto, a predileção pelo preto, Tim Burton, Drácula e Edgar Allan Poe, vai ter mercado na música pros tons menores, batidas fúnebres e estética do desespero.

E Drop surpreende. Quase tudo nas dez faixas do disco é encoberto por um manto pesado de sintetizadores lúgubres, da abertura "One Place" até o encerramento "Dissolve". No meio disso, pequenos fragmentos de funk ("One Second"), hip-house ("Neon Paradise"), rap meio desajeitado ("One Girl"), synthpop ("No Way Out"), momentos de desolação pura ("One End") e delicadas ambiências sintéticas ("Deep Blue River").

A mistura parece, mas não é indigesta. Tiffany amarrou tudo direitinho (ela toca, compõe e canta), de maneira pessoal, mas acessível - como em "A Lone Boy", a melhor faixa do álbum. Mesmo com as estrofes aflitivas ("Everyone I love dies / Everyone I know cries") e teclados ameaçadores que vão sufocando sua voz, o alívio vem no refrão, com uma luz de otimismo finalmente aparecendo ("I'll find a way", repetido à exaustão). No final das contas, o caminho escuro percorrido por Tiffany encontra, ao menos, um pouco de oxigênio no final.

"A Lone Boy": dark classudo. 

terça-feira, 18 de março de 2014

A Segunda Vez a Gente Esquece


Quando uma amiga me indicou o New Division, no começo de 2012, confesso que achei interessante o esforço dos californianos em soar como um mix atualizado de suas bandas preferidas, a saber, Depeche Mode, New Order e Joy Division. Claro que uma penca de gente que se veste preferencialmente de preto já estava explorando esse filão há algum tempo, desde o segundo escalão derivativo do She Wants Revenge até bandas que conseguiram se desvencilhar do excesso de referências disco após disco, como Editors e Interpol. O negócio é que desde que começaram a fazer showzinhos descompromissados pros amigos da faculdade até a brincadeira ficar séria e sair o primeiro disco (Shadows, 2011), o New Division parecia saber dosar suas composições nubladas com pop aparentemente digerível, o que poderia garantir um lugar ao sol ao quinteto.

Aí, estamos em 2014 e sai o segundo álbum. E, vou te falar, foram meus 45 minutos mais desperdiçados do ano. O disco é tenebroso. O que, em Shadows, vinha embalado pela acessibilidade de refrões amigáveis e levadas dançantes - mantidas por bases sóbrias e de uma certa beleza triste - em Together We Shine mostra a banda optando pela solução mais baixa, mais óbvia e mais preguiçosa possível: juntar sua sonoridade pseudo-sorumbática ao que de pior a dance music oferece hoje em dia, leia-se a EDM de gente como Avicii e Swedish House Mafia.

Pule sete casas e vá direto em "Lifted". O que temos? House music padrão Jovem Pan, com um verniz de new wave xinfrim e um riff de sintetizador que faria até o Steve Aoki corar de vergonha. As lambanças estão espalhadas pelo resto do disco. Os efeitos de bateria de nonagésima categoria de "Den Bosch", a interminável chupação dos baixos de Peter Hook ("Shine", "Honest"), a inevitável balada emocional ("St. Petersburg"), os timbres surrados dos teclados, a tentativa desesperada do vocalista John Kunkel em soar como um ícone atormentado do darkismo oitentista.

Datado e cafona, Together We Shine começa mal já no título e se estende até suas onze canções insossas, vazias e sem a menor inspiração. Se alguém se importar com esse lançamento, deve disputar a liderança na lista de piores do ano.

Uma geral em Together We Shine: sente o drama.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

As 65 Músicas de 2013 - Parte 2 (37 - 11)


Continua a saga.

37 - "One Way Trigger" - The Strokes



36 - "Real Slow" - Miami Horror feat. Sarah Chernoff



35 - "Step Together" - Joe Goddard feat. Boris Dlugosch



34 - "Piano In The Dark" - Nick Curly



33 - "Loveheadshot" - inS



32 - "Waiting All Night" - Rudimental feat. Ella Eyre



31 - "Oceania" - Martyn



30 - "What Have You Done To Me" - Mario Biondi



29 - "Desire" - Roska feat. Vanya



28 - "Stars" - Zero Cult feat. Kerensa Stephens



27 - "Mogadisco" - JBAG



26 - "Heaven" - Depeche Mode



25 - "Don't Call It Love" - Zero 7



24 - "Blurred Lines" - Robin Thicke Feat. T.I. & Pharrell Williams



23 - "Gallowdance" - Lebanon Hanover



22 - "Go Gentle" - Robbie Williams



21 - "Gimme Your Love" - Morcheeba



20 - "Honey Honey" - Cosmetics



19 - "Over Your Shoulder" - Chromeo



18 - "Instant Crush" - Daft Punk feat. Julian Casablancas



17 - "Strictly Reserved For You" - Charles Bradley



16 - "Now Is Not The Time" - CHVRCHES



15 - "Mon Sound" - Raggasonic



14 - "Happens All The Time" - Depeche Mode



13 - "Lose Yourself To Dance" - Daft Punk



12 - "We Can Go" - Gui Boratto



11 - "Good For The City" - Kraak & Smaak feat. Sam Duckworth



Próximo capítulo: As 65 Músicas de 2013 - Parte 3 (10 - 01).

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bonjour, Tristesse


 Baseado em Paris desde 2009, o Tristesse Contemporaine agrupa um sueco (Leo Hellden, guitarra), uma japonesa (Narumi, teclados) e um inglês (Mau, vocais).


Seu segundo álbum, Stay Golden, saiu em Setembro. Meio indie, meio eletrônico, o som do trio lembra bastante o The xx, mas é um tantinho mais sofisticado que o da banda de Jamie Smith. Em comum, a simplicidade dos arranjos e os vocais sussurrados com um tédio abissal por Mau em praticamente todas as faixas. Inspirados em The Cure e Young Marble Giants, fica fácil sacar por que soa como o xx - já que as duas bandas condensam pós-punk, eletrônica e 4AD em suas canções nada intrincadas, mas ocasionalmente, de uma candura comovente.

Pelo menos a metade de Stay Golden, é muito boa. A abertura com teclados sabor picanha de "Fire", o baixo New Order da boa faixa título, a minimalista "Can't Resist" reduzida a baixo, bateria e órgão e os ecos de technopop de "Burning" e "Pretend" são boas amostras do trabalho do trio. Eu aposto que o som do Tristesse Contemporaine ultrapassa as janelas das casas francesas logo, logo.

"Fire": "the city’s on fire now...”

sábado, 16 de novembro de 2013

Quando a Noite Cair


 

  Lebanon Hanover é o duo Larissa Iceglass (Larissa Georgiou) e William Maybelline (William Morris). Formado em Sunderland, Reino Unido, há pouco mais de três anos, a banda já tem quatro álbuns (contando o primeiro, dividido com o grupo La Fete Triste, e que saiu só em cassete). O negócio do casal é uma radical celebração do darkismo oitentista; sem concessões, sem atualizações, nem fusões com sons que estão pegando atualmente.


Tomb For Two (com sua aflitiva capa acima), saiu no finalzinho de Setembro. É um mergulho de quarenta minutos nas águas turvas da dark wave. São timbres congelados de sintetizador, baixos de duas notas, bateria eletrônica (Doktor Avalanche?) e riffs secos de guitarra, emoldurando canções que não fogem da temática do gênero (solidão, abandono, morbidez, romantismo febril). O tempo nublado nas 10 canções do álbum é potencializado pelos vocais à Siouxsie Sioux de Larissa Iceglass - mais assustadores ainda com letras em alemão, como em "Your Fork Moves" - e pela voz de William Maybelline (que canta em duas faixas), algo entre Ian Curtis e Andrew Eldritch.

Tomb For Two é minimalista e econômico (dá pra ouvir inteiro na página do Bandcamp da banda), e dentro desse lugar onde o sol não bate, tem ótimas músicas. O single "Gallowdance", por exemplo, com suas navalhadas de guitarra e letra que é puro otimismo ("Dance comigo a dança da forca / Contanto que não estejamos pendurados / Enquanto ainda podemos, meu amor / Ambos sabemos que a corda está sempre pronta"). Tivesse sido lançada em 1984, dava pra dançar com o nariz colado na parede do Crepúsculo de Cubatão.

"Gallowdance": dancinha desorientada e corda no pescoço.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Caras Novas: Cosmetics



Cosmetics é o casal Nic M (sintetizadores) e Aja Emma (vocais), de Vancouver, Canadá. O som é synthpop na linha do prestigiado selo Italians Do It Better (Chromatics, Glass Candy): sexy, romântico, docemente sinistro.


O Cosmetics soa antigo, mas não envelhecido. Não perde em modernidade para o Crystal Castles, mesmo que desenhe suas linhas de sintetizador com as mãos nos teclados, e não com o mouse em punho.

Seu Olympia EP foi gravado em Abril de 2011, mas a dupla - não convencida do resultado do trabalho - engavetou o projeto por dois anos. Só depois de ouvir novamente as mixagens e praticamente começar do zero, o mini álbum de seis faixas foi lançado, no começo de Agosto.

  Sintetizadores na linha de frente, Olympia EP tem faixas como "Heartbeat", que soa mais Goldfrapp do que o Goldfrapp 2013:



"Black Leather Gloves" é outra ótima canção do EP. Minimalista, traz os sussurros entediados da platinada Aja Emma entre distorções sintéticas, arpejos e beats econômicos de bateria eletrônica:



"Breathless" é um momento mais leve e dançável da dupla:



Minha preferida é "Honey Honey". É o vocal lânguido de Aja, filosofando: "o paraíso é frio como o gelo", sob navalhadas de sintetizador:



Segundo o duo, há um álbum sendo gravado, e ele vem em breve. Nível mantido, entra por antecipação na minha lista de melhores do ano.