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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fã Número Um


Craque do pop nacional, Guilherme Arantes acabou de lançar disco novo. Condição Humana saiu pelo seu selo, Coaxo do Sapo e dá pra ouvir inteiro na página oficial do cantor e tecladista no Soundcloud. Fora isso, tem uma ótima e esclarecedora entrevista sobre o álbum, colaborações e afins, no site da Trip, dá uma ligada lá. Entre outras coisas, Arantes rasga surpreendentes elogios para Mano Brown do Racionais MC's : "A obra de Mano Brown é maior que a de muitos poetas consagrados como Manuel Bandeira, por exemplo. Vão achar um absurdo um dizer isso. Mas imagina! Mano Brown é muito maior que Manuel Bandeira". Brown também não deixa por menos: “Você sempre agradou os pobres. Você queria ser cantor popular, ser um cantor de auditório. Você foi no Sílvio Santos, no Bolinha e no Chacrinha porque você queria agradar as meninas pobres. Todo mundo, minha mãe, minhas tias, minhas primas, meu povo do Capão. Você entra na lista de Roberto Carlos, de Amado Batista. E não é qualquer um que entra nesse mundo da gente”. Taí. Admiração mútua entre dois caras geniais.
"Condição Humana": Arantes em forma.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Guina


O paulistano Pedro Paulo Soares Pereira (Mano Brown, o primeiro da esquerda para direita na foto acima) é o melhor letrista que já apareceu no rap nacional. Seu Racionais MC's também reina absoluto no cenário, desde o começo dos anos 90. O grupo está a anos-luz de qualquer tentativa de rima coletiva que tenha surgido no nosso hip-hop, além de trazer as bases instrumentais de extrema criatividade e bom gosto do DJ e produtor KL Jay. Enquanto em 2011 os rappers Emicida e Criolo levaram juntos cinco dos onze prêmios do VMB na MTV Brasil, os Racionais preparam álbum novo para 2012, com rumores de mudança na formação. Enquanto material novo não chega, vale dar um confere numa das tantas faixas essenciais do quarteto, "Tô Ouvindo Alguém Me Chamar". A música está em Sobrevivendo no Inferno - talvez o melhor disco da banda - de 1997. Aqui a narrativa angustiante de Mano Brown coloca o ouvinte entre tiroteios, sirenes, crime, castigo... e Guina. "O Guina não tinha dó / Se reagir, bum, vira pó" (sic). O clima de suspense criado por KL Jay é perfeito: a base sampleada de "Charisma" do trompetista Tom Browne (1981) é enriquecida com teclados sinistros enquanto bips de monitor cardíaco e batidas de coração fundem-se com a bateria. Arrepiante e genial.

"Tô Ouvindo Alguém Me Chamar": onze minutos de tensão.



"Charisma": Tom Browne brilhantemente sampleado por KL Jay.