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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Perdidos Na Selva


O Tears For Fears nunca acabou, definitivamente. Curt Smith e Roland Orzabal andaram um período afastados, ambos gravaram solo, Orzabal assumiu sozinho o nome da banda e lançou dois discos entre 1993 e 1995, até a reunião no começo dos anos 2000 e no subsequente Everybody Loves a Happy Ending, de 2004.


Ready Boys & Girls? é o primeiro single da dupla, desde 2006. Mas não se anime, porque é uma edição limitada a 3 mil cópias em vinil 10 polegadas, composto de covers e feito especialmente para o Record Store Day 2014.

Temos aqui "My Girls" (dos maluquetes do Animal Collective) numa versão um tanto mais acessível que o original, mas que mantém o arpejo psicodélico do sintetizador. A soporífera "Boy From School" (Hot Chip), aparece numa levada mais, hm, "orgânica", comparada com a da banda de Joe Goddard - que eu, sinceramente, não entendo a pagação de pau de tanta gente. Já "Ready To Start" (Arcade Fire) é o crime-mor do single. Aquela pegada quase punk dos canadenses virou um jungle sinfônico que prova que esse drum'n'bass ordinário inventado pela dupla nunca foi e nunca vai ser a praia do Tears For Fears. Eles tem todo direito de gravar o quiserem, claro. Mas deviam ter vergonha, essa ficou horrível.

"Ready To Start": Orzabal e Smith perdendo a mão.

sábado, 18 de maio de 2013

Soul Colorido


Boa oportunidade de conhecer o soul psicodélico de Shuggie Otis, com um lançamento que ainda respinga do Record Store Day: a coletânea Introducing Shuggie Otis. Se as onças estão circulando livremente pela sua casa, recomendo o vinil 180 gramas que saiu pela Epic, cópias numeradas e edição limitada. Vem com senha pra baixar em MP3 também. Ou, claro, você pode dar um rolê pela rede e topar com o álbum louquinho pra ser ouvido. 


 A compilação inclui gemas como "Aht Uh Mi Hed" (com percussão genial e uma belíssima sessão de cordas) e "Strawberry Letter 23", que virou hit com o Brothers Johnson em 1977 (a versão não escapou dos ouvidos atentos de Quentin Tarantino que a incluiu em seu Jackie Brown vinte anos depois). A única faixa de Otis que chegou perto do sucesso foi "Inspiration Information" de 1974, com desempenho modesto na parada R&B da Billboard. É mais um daqueles casos em que a influência e inspiração para artistas posteriores - além de fonte riquíssima de samples - supera qualquer fracasso comercial. Shuggie ainda está na ativa e finaliza um álbum de inéditas para ser lançado ainda em 2013, chamado Cash Deep.

"Strawberry Letter 23": visões multicoloridas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Saldão


Pra encerrar a série "Grandes Lançamentos do Record Store Day", dá uma ligada nesse sete polegadas com a parceria entre o ex-vocalista do Screaming Trees e Moby.


Só mesmo o particularíssimo vocal rouco e sorumbático de Mark Lanegan pra transformar uma canção recente de Richard Melville Hall em algo digno de nota, como "The Lonely Night". Moby anda pisando na bola, mas esse single é incrível. E ainda tem um remix do Photek, que dá uma polida nas baterias e salpica uns synths na medida certa. Dói de tão bonito.
"The Lonely Night": épica.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Segunda Class: Brian Eno, Grizzly Bear e Nicolas Jaar


E esse Record Store Day, hein? O que trouxe de coisas inusitadas (e boas) é uma grandeza. Tipo esse doze polegadas que traz no lado A o pioneiro da ambient music, Brian Eno ("Lux") e no B os maluquetes do Grizzly Bear ("Sleeping Ute"), as duas retrabalhadas por Nicolas Jaar. Eno flutua no espaço com sua "Lux", enquanto Jaar engaveta ruído, silêncio, minimalismo e cristais sintetizados que se partem aos milhares na faixa. Já "Sleeping Ute" mantém os riffs originais, só que virados do avesso. A canção ganha uma bateria condutora e uma senhora linha de baixo. Perfeito pra segunda.

Grizzly Bear, "Sleeping Ute" (Nicolas Jaar Remix):