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domingo, 25 de março de 2018

Caras Novas: Demuja


Com um background que inclui atividades como baterista e dançarino de break, o austríaco Bernhard Weiss, a.k.a. Demuja, descobriu a discotecagem e em seguida, a produção de sua própria música, por volta de 2010. Lançando seus singles por selos como o norueguês Uncut House Records, o americano Nervous Records e o italiano Traxx Underground, em 2016 Demuja criou seu próprio selo, MUJA, por onde saíram três EPs até agora.

Fã de vinil e reclamando para si influências que vão de artistas de house music (Kerri Chandler, Moodymann), jazz (Herbie Hancock, Miles Davis), hip-hop (Mos Def, Wu-Tang Clan) e diretores como Quentin Tarantino, seu lançamento mais recente é o EP Turn Around (realizado no final de Março pela gravadora alemã Toy Tonics) e inclui quatro faixas de house em estado bruto, sem muito polimento. Com samples irreconhecíveis (pra mim, ao menos), timbres macios de teclados e um modus operandi french touch, Turn Around solidifica a promissora carreira de Demuja.

Turn Around: inteiro no Bandcamp.


Ouça outros singles e EPs no perfil do artista do Bandcamp.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Custom Music


Tá lá no site da Vinyl Factory: "Originalmente encomendado pelo Beaux Arts Palais de Lille para o projeto Museu Aberto, que acontece neste verão, Music for Museum é o primeiro disco do Air desde 2012. É também a primeira trilha sonora de um museu."  


E é isso. Feito sob encomenda (a tiragem é de mil cópias em vinil, sem lançamento digital), fico em dúvida em considerar Music for Museum um álbum, como se diz, de carreira. A certeza que tenho é de que este é um momento menor na discografia de Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin. A explicação é simples: pra quem, como eu, não tiver o prazer de presenciar a experiência audiovisual proposta pelo museu, ouvir tão somente o disco pode soar insípido. A sonoridade lânguida e a placidez atmosférica perpetrada pela dupla não me envolveu - nem me deixou inebriado, como sugere a apresentação da Vinyl Factory. São faixas longas e fluidas, com ausência quase total de batidas e timbres etéreos ("Reverse Bubble", "Angel Palace"). O disco vai assim até a quarta faixa, e somente na seguinte, "Art Tatoo", quando ameaça despertar com uma profusão de arpejos de sintetizador, a ideia esgota-se em sua própria extensão: quinze cansativos minutos. De interessante, o clima sci-fi de "Octogum", as formas circulares de "Vulcano Kiss" e os reversos assustadores de "North Cloud". Haverá, com certeza, ouvintes muito mais atentos às qualidades do projeto, mas confesso não ter essa sensibilidade toda. Não que seja elitista, mas Music for Museum é um disco para poucos.

"Land Me":

sábado, 18 de maio de 2013

Soul Colorido


Boa oportunidade de conhecer o soul psicodélico de Shuggie Otis, com um lançamento que ainda respinga do Record Store Day: a coletânea Introducing Shuggie Otis. Se as onças estão circulando livremente pela sua casa, recomendo o vinil 180 gramas que saiu pela Epic, cópias numeradas e edição limitada. Vem com senha pra baixar em MP3 também. Ou, claro, você pode dar um rolê pela rede e topar com o álbum louquinho pra ser ouvido. 


 A compilação inclui gemas como "Aht Uh Mi Hed" (com percussão genial e uma belíssima sessão de cordas) e "Strawberry Letter 23", que virou hit com o Brothers Johnson em 1977 (a versão não escapou dos ouvidos atentos de Quentin Tarantino que a incluiu em seu Jackie Brown vinte anos depois). A única faixa de Otis que chegou perto do sucesso foi "Inspiration Information" de 1974, com desempenho modesto na parada R&B da Billboard. É mais um daqueles casos em que a influência e inspiração para artistas posteriores - além de fonte riquíssima de samples - supera qualquer fracasso comercial. Shuggie ainda está na ativa e finaliza um álbum de inéditas para ser lançado ainda em 2013, chamado Cash Deep.

"Strawberry Letter 23": visões multicoloridas.