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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#06: Tiger & Woods)


Já se vão cinco anos desde o debut da dupla italiana Larry Tiger e David Woods (nomes fictícios para Marco Passarani e Valerio Del Prete), Through The Green. O misterioso projeto de "future boogie" fez um disco divertidíssimo, discotecou mundo afora (incluindo uma apresentação memorável no Brasil, na edição 2012 do Sonar em São Paulo) e, três ou quatro singles depois, retorna com mais uma batelada de grooves musculosos nas mãos, no lançamento de On The Green Again (T&W Records).

O título entrega uma óbvia continuação do disco de estreia: o som não perdeu um milímetro do foco e isso é ótimo. Samples obscuros colocados em loops infinitos, baixos corpulentos e uma linha que costura a dance do começo dos 80 (especialmente italo-disco e Hi-NRG) às técnicas de edição da house contemporânea.

Com um sample na mão e uma ideia na cabeça - como na minha preferida aqui, "Ginger & Fred" - Passarani e Del Prete continuam produzindo, discotecando e cumprindo brilhantemente a função de quem se propõe a fazer um som como o desses caras: dançar, sem olhar pro relógio.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Tacadas Certeiras


Já se vão cinco anos desde o debut da dupla italiana (Larry) Tiger & (David) Woods, Through The Green. O misterioso (nomes fictícios para Marco Passarani e Valerio Del Prete) projeto de "future boogie" fez um disco divertidíssimo, discotecou mundo afora (incluindo uma apresentação memorável no Brasil, na edição 2012 do Sonar em São Paulo) e, três ou quatro singles depois, retorna com mais uma batelada de grooves musculosos nas mãos, no lançamento de On The Green Again (T&W Records).


O título entrega uma óbvia continuação do disco de estreia: o som não perdeu um milímetro do foco e isso é ótimo. Samples obscuros colocados em loops infinitos, baixos corpulentos e uma linha que costura a dance do começo dos 80 (especialmente italo-disco e Hi-NRG) às técnicas de edição da house contemporânea. No meio disso tudo, uma palhinha de electro ("Phoenix"), funk (nos metais de "Endless Affair") e disco para todos os lados. On The Green Again parece uma coletânea de singles, todas as faixas tem um gancho forte, seja um sample vocal (como na minha preferida aqui, "Ginger & Fred"), seja baseado em algum instrumento (o piano circular de "Balloon"). Tem um certo clima de déjà-vu no ar, mas o termo Future Boogie parece ter sido cunhado sob medida para a música do Tiger & Woods.

"No More Talking": disco futurista.
 

domingo, 9 de outubro de 2011

Com o Taco na Mão


Se nos anos 80 o uso do sampler aumentava na mesma velocidade que sua tecnologia de armazenagem, processamento e edição de sons crescia, nos 90 o instrumento transformou-se numa arma letal na mão de músicos e produtores. De repente, qualquer um podia ter um grito do James Brown, um baixo do Bootsy Collins ou uma bateria do Led Zepellin na sua música. Discos sensacionais surgiram a partir desses brinquedinhos: de DJ Shadow à Daft Punk, os exemplos são muitos. 



O grande barato da música feita pela dupla Tiger & Woods (ou Larry e David) é o uso absolutamente inventivo do sampler dentro de um gênero em que essa ferramenta foi transformada numa saída fácil para gente sem talento. Em outras palavras, quero dizer que não tenho a mínima idéia de onde esses caras tiraram os vocais e trechos instrumentais transformados em loops infinitos nas dez faixas do álbum Through The Green, lançado no meio do ano. Coisas como aquela voz que parece dizer "ring my bell" com o pitch acelerado em "Don't Hesitate", os violinos com efeito bumerangue de "Time" ou o som doce da flauta de bambú em "Love In Cambodgia". Acredito que fuçando com tenacidade, pode até ser possível saber de onde eles emprestaram essas amostras, mas aí talvez a sensação fosse a de um Mister M revelando como o David Copperfield conseguia se desvencilhar daquelas camisas de força, ou seja, ia perder a graça. Melhor é aproveitar o talento desse duo de origem desconhecida em montar grooves macios e ao mesmo tempo robustos e em picotar e reagrupar sons pra fazer sua música soar como um elo perdido entre a Hi-NRG e a house music neanderthalóide do meio dos 80, como em "Curb My Heart" (essa com vocais de uma tal de 'Em) ou na sexy "Gin Nation", que dá uma bela chupada em "Music & Lights" do Imagination - atitude mais Tiger Woods, impossível - e os únicos samples de baixo e voz que reconheci no disco. Se o nome disso tudo é edit, remix ou sampling, pra mim não faz a menor diferença e a certeza é só uma: essa é a mais divertida armação dançável de 2011.

"Gin Nation": chupando Imagination.