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domingo, 4 de janeiro de 2015

Crème De La Crème



A proposta foi a seguinte: cada convidado indica seu disco e sua música favorita de 2014. Mas sem regras. Nenhum álbum chamou atenção suficiente? Pode ser só uma música. Ou duas. Pode ser com comentário, sem comentário. Com ou sem ordem de preferência. Qualquer gênero musical. Não importa. O mais legal é reunir esse timaço aí abaixo, matar a curiosidade sobre suas preferências e constatar o quão saudável é o ecletismo de suas escolhas. Fora que a lista torna-se um ótimo guia pra descobrir música nova ou dar uma segunda chance àquela canção que passou quase despercebida nesse ano. Aos que toparam a brincadeira, fico muito grato pela atenção e disponibilidade.

Marcello Memê Mansur (DJ, produtor)
Música: "F For You" > Disclosure Feat. Mary J. Blige
"Acho que o Disclosure teve a destreza de lançar seu álbum maravilhoso em 2013, mas conseguiu a façanha de relançar 'F for You' com a Mary J. Blige em Fevereiro de 2014 e pra mim essa foi a melhor do ano. Uma música que já era boa e voltou melhor".



Marcelo Costa (jornalista, Scream & Yell)

Disco: Encarnado > Juçara Marçal


Música: "Meu Peito é um Caminhão Desgovernado" > Charme Chulo


Marcélo Ferla (jornalista)

Disco: Our Love > Caribou



Música: "Fame" > The Acid



José Julio Espirito Santo (jornalista)

Disco: Meshes of Voice > Jenny Hval & Susanna

Música: "I Have Walked This Body" > Jenny Hval & Susanna



Andre Gordirro (jornalista)

Música: "Turn Down for What" > DJ Snake & Lil Jon


Eneas Neto (Jornalista, empresário e DJ)

Disco: Our Love > Caribou


Música: "Artifice" > SOHN



Fabian Chacur (Jornalista, Mondo Pop)

Disco: Croz > David Crosby
"O agora setentão cantor, compositor e músico americano mostra que continua com fome de bola, ou melhor, de música. Um disco solo simplesmente brilhante, com aquele tipo de canção entre folk-rock-country-jazz que só ele sabe fazer. 'What's Broken' traz como convidado ninguém menos do que Mark Knopfler, ou seja, dois mestres em uma mesma faixa. David Crosby merecia ser mais cultuado aqui no Brasil. Ouça esse CD e saiba porquê!"


Música: "Happy" > Pharrell Williams

"Não deu para fugir desse verdadeiro chiclete musical em 2014. Só em comerciais, essa música foi utilizada em uns três. Mas não dá para negar: é aquele típico hit que mereceu o sucesso que obteve. Musica ótima do ótimo produtor e compositor que de quebra ainda foi o vocalista em dois clássicos do Daft Punk em 2013, 'Get Lucky' e 'Lose Yourself To Dance'. Um dos grandes talentos da geração anos 2000."



Tom Leão (jornalista, Estúdio i, Globo News)

Música: "Moonshine" > Alexandre Desplat



Disco: St. Vincent > St. Vincent



Lucio Morais (DJ, produtor, Database)

Música: "Why" > Les Sins Feat. Nate Salman



Single: Why Don't You > Ascio Feat. SRGNT



Disco: Urban Animal > Claude VonStroke



Camilo Rocha (DJ, Jornalista, O Estado de São Paulo)

Música: "Trommer Og Bass" > Andre Bratten
"Existe um pool de 10 das músicas mais excelentes do ano que inclui Caribou, Jungle e Future Islands. Qualquer uma delas poderia ser a melhor do ano. Mas vamos com algo BEM pista, do tipo que transforma um retiro de monges em uma aula de lambaeróbica. Andre Bratten é um rapaz com jeito tímido de Oslo, Noruega. Por uma conjunção dos astros extremamente feliz, ele atingiu o alvo em cheio com esse techno fervido e suingado e chacoalhou pistas de norte a sul em 2014 com sua faixa."



Disco: Syro > Aphex Twin

"Velhos amigos que somem nos deixam felizes só de a gente saber que estão vivos. Aphex Twin é hoje um pai de família que acorda as seis pra levar os filhos na escola. Foi num desses dias que ele se trancou no estúdio e trouxe de volta todo o veneno, vibração e feitiçaria dos bons tempos. E todo mundo festejou como se fosse 1999."




Regis Tadeu (crítico musical, Yahoo, Programa Raul Gil/SBT)

Disco: High Hopes > Bruce Springsteen

"Bruce revisitou neste álbum sublime não apenas canções de outros caras, mas também algumas músicas de seu próprio repertório. Ao mesmo tempo em que deu suas impressões personalíssimas a pequenas pérolas como 'Just Like Fire Would', dos australianos do The Saints – uma das primeiras bandas punk do planeta - e 'Dream Baby Dream', do grupo Suicide, ele resgatou e revitalizou antigas composições de sua lavra, como as estupendas 'American Skin (41 Shots)' e 'The Ghost of Tom Joad', ambas contando com a guitarra sensacional de Tom Morello, do Rage Against The Machine. É daqueles álbuns a não se esquecer..."



Música: “American Skin (41 Shots)” > Bruce Springsteen

Renato Lopes (DJ)

Música: "Take it Slow" > The Oliverwho Factory



Disco: Our Love > Caribou



Fabio Bridges (Pequenos Clássicos Perdidos)

Música: "Raybans in Bahrain" > Marc Houle
"Em Cola Party, o produtor canadense continua mesclando suas influências passadas (acid house, synths, Detroit) com a sonoridade do minimal techno pela qual se tornou conhecido. Os timbres são ora retrô ('Raybans in Bahrain'), ora modernosos ('Alpha Bit'), mas invariável e deliciosamente sintéticos; há (fragmentos) vocais e o clima do álbum passa longe da eletrônica experimental tão em voga ultimamente..."



Disco: Home Everywhere > Medicine

"Home Everywhere é ao mesmo tempo visceral e hipnótico, alternando – por vezes na mesma faixa – momentos calmos e oníricos com outros tempestuosos e absurdamente distorcidos. As pancadas de Goodall na bateria, a guitarra de Laner e, claro, os vocais de Beth, formam um conjunto perfeito, e sua música – mesmo com o passar dos anos – permanece extremamente fresca, atual. É shoegaze para os gazers, psych para os freaks, corrosivo para os barulhentos e assim por diante."



Renato Yada (empresário)

Música: "Oxygen" > Swans



Música: "Sex, Power, Love and Money" > Manic Street Preachers



Veja também:

Os melhores álbuns de 2014, segundo o And Now Blog.
As melhores músicas de 2014 (Parte 1 e Parte 2).



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Back To Acid




Mas o que é o novo EP do Groove Armada? Uma tentativa de retorno à house paleolítica?
 
 
Em No Ejector Seat EP, só faltaram aqueles pianos ensandecidos e vocais berrados por divas desesperadas. O restante da cartilha escrita por Frankie Knuckles está toda aqui: baixos entrelaçados à pratos sibilantes ("Always Take Me Higher"), uma certa sensualidade à Jamie Principle ("Don't Take Your Love Away"), timbres de sintetizador típicos da virada 80/90 ("Chicago Chicago") e freqüências de grave recortadas por riffs de teclado ("The Vicksburg Cut"). Ao contrário do último álbum do Groove Armada (Black Light, de 2010), No Ejector Seat EP não tem nem cheiro de crossover: vai ficar tudo restrito às pistas.

"Always Take Me Higher": aciiiid

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Anglo-Italianos


Luca Cazal e Sebastiano Properzi: com esses nomes fica fácil imaginar de onde eles vem. Curiosamente, seu projeto Luca C & Brigante foi formado na Inglaterra, em 2009. Já remixaram, produziram ou se envolveram de alguma maneira com nomes como Ali Love, Róisín Murphy (ex-vocalista do Moloko), Richard Norris (Time & Space Machine) e Andrew Weatherall, além de editar alguns singles e EPs próprios.
 

Tomorrow Can Wait é um single que saiu em Agosto e traz o vocal de Robert Owens, um dos caras que estava na sala de parto quando a house music nasceu. A versão original nem chega a ser o hit de pista que você pediu à São James Brown, mas é a melhor de ouvir: deep, hipnótica, vocal grave... Já sobre os remixes, é o Art Department quem desenha a linha de baixo perfeita pra tornar "Tomorrow Can Wait" uma faixa um tanto mais rebolativa. E eles ainda borrifam uns teclados e salpicam umas percussões pra deixar o ambiente no ponto pra voz incrível do Owens dizer que, sim, o amanhã pode esperar. Meio jamesbondiano esse título, hm?

"Tomorrow Can Wait": essa voz do Owens...



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Shade Techno

 
Os tech housers do Booka Shade acabam de lançar EP novo.

 
 
Chama Honeyslave EP e saiu pela Dim Mak Records, não pela habitual Get Physical. Não me pergunte porque. Tanto a faixa título quanto "Tomorrow Belongs to Us" estão à léguas de distância da precisão matemática dos beats e dos riffs memoráveis de hits anteriores da dupla alemã ("Body Language", "In White Rooms", "Mandarine Girl"). A curiosidade fica por conta da versão Club Mix de "Tomorrow Belongs to Us", que tem um baixo que me lembrou de cara o clássico "French Kiss" do Lil' Louis.   


"Honeyslave": faltou aquele gancho.

sábado, 28 de julho de 2012

Linha & Anzol


Com o perdão do trocadilho fraco, dá pra pescar boas faixas nesse Draw The Line do Fish Go Deep. É o segundo álbum da dupla irlandesa Greg Dowling e Shane Johnson, que toca e produz música desde o início dos 90 (sem muita pressa: o debut, Lil' Hand, é de 2004) e estourou em 2006 com o single "The Cure And The Cause". 


O disco groova com elegância (especialmente na ótima linha de baixo de "Find A Way"), reduz a marcha e engata um trip hop tipo Sneaker Pimps em 1997 ("Blue Flame", com vocais da sempre presente Tracey Kelliher), e ainda dá uma passeada por dub techno ("Falling Out") e deep house ("Resonance" e "Treetalk"). Não tem nada tão impactante quanto "The Cure And The Cause", mas é um álbum bem acima da mediocridade eletrônica vigente.


"Blue Flame": direto pra lista de melhores de 2012.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Come Quieto na Pista


Digitaria é o duo mineiro Daniela Caldellas e Daniel Albinati. Com dois álbuns no portfólio (o debut saiu pelo conceituado International Deejay Gigolo Records, selo alemão de propriedade do DJ Hell), a dupla chega agora ao terceiro extended play (Masochist EP, pela inglesa Hot Creations).


O trio belo-horizontino Funky Fat participa em duas faixas ("Masochist" e "You Bring Me Down"), ambas cruzando indie rock e electro, com basslines fortes e vocais à Lovefoxxx. Já "Crazy Life" e "Paradise" engatam um tech-house 4/4 mais linear e bem simpático à pista de dança. Vale conhecer.

"Crazy Life": "...I felt smaller before".
DIGITARIA - Crazy Life (original mix) // Out on Beatport by Digitaria

sábado, 23 de junho de 2012

Música da Semana: "Without Lies (Black Van Remix)", por Aeroplane


Originalmente formado pela dupla Stephen Fasano e Vito De Luca, o Aeroplane segue desde 2010 com o vôo solo do belga De Luca. Soltando singles em doses homeopáticas e com um álbum na discografia (We Can't Fly, 2010), o projeto reuniu alguns de seus melhores remixes mês passado no disco We Can't Fly - The Remixes. Só gente graúda mexendo na disco houseificada do Aeroplane: tem o Cassius entortando a originalmente brilhante "We Can't Fly", tem o francês Breakbot levando o vocoder pra passear em alguma pista setentona na sua visão de "Without Lies", tem Rex the Dog dando um gás em "My Enemy" e tem o Black Van (Kris Menace + Oliver Kowalski) jogando um bassline furioso por cima de "Without Lies". Fiquei pensando em como deixei escapar essa faixa no final de 2010, quando ela foi lançada. Ainda bem que apareceu esse The Remixes pra me fazer conhecer essa maravilha. Música da semana.

"Without Lies (Black Van Remix)": quando a Van supera o Aeroplane.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Na Pista: Entity + E-Z Rollers


A dupla britânica E-Z Rollers é um dos nomes mais relevantes do drum'n'bass desde 1995 e acaba de lançar uma compilação de algumas de suas melhores faixas lançadas sob seu selo Intercom Recordings.


Crowd Rocker Cuts tem doze faixas e no meio delas está "Portugal", creditada à um projeto chamado Entity, mas com remix do E-Z Rollers. A música nem é nova (foi lançada em 2006), mas como eu não conhecia e saiu nessa coletânea do E-Z Rollers agora em Abril, tá valendo. Porque Entity escolheu o título "Portugal" se o que temos aqui é essa salsa com sessão de metais, percussão e um "lo-re-la-lai, lo-re-la-lai" tipicamente cucaracha é que eu não sei. Mas que mixada com a pancadaria do drum'n'bass ficou do cacete, ficou.

"Portugal": aulas de geografia pro Entity, urgente.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Música da Semana: Benga


Quando eu conheci as primeiras faixas de drum'n'bass - lá por 93/94 - ele ainda se chamava jungle, e eu ficava me perguntando "_ Como é que se dança isso?", acostumado que estava com a linearidade 4x4 da house music. A desconstrução rítmica das baterias fazia com que eu ficasse procurando algum ponto de marcação que induzisse a um movimento contínuo, mas era impossível. Os rufos de caixa e os bumbos sem uma sequência identificável eram algo que meu cérebro não conseguia decodificar pra mandar a mensagem pras minhas pernas. As coisas ficaram mais fáceis algum tempo depois quando o drum'n'bass se subdividiu em outros gêneros (jazzy, liquid funk) e o beat um tanto mais reto aliado às frequências baixíssimas de grave eram garantia de pés se mexendo na pista.


Hoje o dubstep é a bola da vez. Cresceu assustadoramente nos últimos anos saindo dos guetos londrinos pra se instalar nas raves ianques pelas mãos de Skrillex ("acusado" de diluir o estilo), teve o britânico Rusko produzindo figuras como Britney Spears, Rihanna e T.I. e já rolou até Grammy para o próprio Skrillex. A pergunta é: o dubstep vai procurar se adequar às audiências pra atingir um público maior, como fez recentemente o trio Magnetic Man (que tem Benga como um dos integrantes), injetando vocais, refrãos e um formato um pouco mais pop ao gênero? Ainda não tenho a resposta, mas enquanto isso Adegbenga Adejumo segue fazendo ótima música. "I Will Never Change" é o single mais recente de Benga e talvez o título seja um recado à pessoas que tem essa pulga atrás da orelha, como eu. Tem aquele beat musculoso recortado por synths que parecem fatiar a melodia em centenas de pedaços. Qual a relação com o drum'n'bass do texto acima? Eu também fiquei em dúvida sobre a dançabilidade do dubstep um tempo atrás, mas esse é um som que não funciona nessas caixinhas mixurucas de computador. Se você tiver algo que reproduza metade da intensidade dessas batidas e desses baixos, dançar torna-se compulsivo. Quanto à "I Will Never Change", viciei de cara.

"I Will Never Change": nem precisa, Benga. 



PS.: conheci a música no blog do Camilo Rocha, o Bate Estaca. Vale uma passada lá.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Na Pista: Slugabed


A julgar pela foto, o nome de guerra é justo. Slugabed é o inglês Greg Feldwick, 22 anos. Tem um single fresquinho na praça (Sex) e a moral desse 12" ter saído pela Ninja Tune, conceituada gravadora independente londrina de propriedade de uns tais Matt Black e Jonathon More, também conhecidos como Coldcut.
                                                                                                                                                               

"Sex" é um electro instrumental com jeitão de Mantronix albino, com uns 25% da ginga da dupla americana. De bônus, um dubstep sem graça ("Molecules") e dois remixes: um em slow motion por Daedelus e outro freestyle comportado ("Groundislava Remix").

"Sex", o vídeo: uma idéia na cabeça e um orçamento modesto na mão.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Na Pista: Huxley


"Let It Go": a ponte entre vocais Chicago circa 1987 e um bassline subterrâneo totalmente 00's.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Na Pista: Wattie Green


Tem cheiro forte de picaretagem, mas e daí? Não é por isso que vamos desprezar esse pianinho safado de venenoso martelado numa levada house, hm? "Brazilian Heat" está no EP acima, lançado em Fevereiro.


CCD024 Wattie Green - Brazilian Heat (Original Mix) - Coyote Cuts by coyotecuts

quinta-feira, 29 de março de 2012

Na Pista



Maravilha o novo EP do músico, DJ e produtor londrino Alex Metric. Ammunition EP tem três faixas bem distintas: a metralhadora de beats com o refrão-gancho chamando pra pista em "Rave Weapon", os strings percussivos intermediando a levada techno de "Epichords" e a disco grooveada cheia de vocoders e solinhos de guitarra de "Anybody Else". Como é que um cara com uma carreira tão curta (está na ativa desde 2008) já trabalhou com gente do primeiro escalão (La Roux, Gorillaz, U2, Depeche Mode e Beastie Boys, pra citar alguns) e aparece com faixas cada vez melhores? Dá pra explicar com uma palavra: talento.

"Rave Weapon": tijolada rítmica.

sábado, 24 de março de 2012

Dista de Pança

Push the button!
 Com Truise, Joy Orbison e agora Mord Fustang. A brincadeira ameaça ficar sem graça, mas toma lá mais um projeto com joguinho de palavras no nome. Nem sei seu nome real, mas até que o trocadilho é justificável se descobríssemos que esse guri de 21 anos se chama Olev Jaagup, a julgar pela sua origem estoniana. Talvez fosse arriscado comercialmente, vai saber.
 
 
O importante é que acabou de sair um EP jóia dele. Welcome To The Future tem quatro faixas de house bem nervosa, com synths saturados como power chords de heavy metal que lembram o perigoso entroncamento maximal em que a dance music esteve metida um tempo atrás. Esses timbres distorcidos aparecem em todas as faixas, mas encaixam-se bem às bases vigorosas de bateria e basslines gordos montados por Mord. Na audição pode até rolar um déjà vu referente ao Justice, por exemplo, mas é apenas uma vaga referência, nada que configure plágio. Fustang recorta os vocais ("Super Fever") e processa os efeitos direitinho, empilhando camadas de som sem deixar o pique cair. Quatro dance tracks em (alto) nível de igualdade.

"Windwaker": acelera, Fustang!
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Na Pista


A dupla Seamus Haji e Cevin Fisher usou a melodia do refrão de "Ai No Corrida" (hit na versão do mestre Quincy Jones) no meio de uma base meio manjada e resolveu rebatizá-la como "I Love The Music". O resultado é essa house no limite do bom gosto aí abaixo, algo entre Freemasons e Fragma.

"I Love The Music": era só chamar de "Ai No Corrida' 2012".

terça-feira, 13 de março de 2012

Agora Vai


Senhoras e senhores, a bomba: eu detesto Hot Chip. É sério. Não vejo a menor graça nas eletronices inofensivas da banda inglesa. A crítica se molha pro quinteto, eles tem o respeito de clubbers e da fauna indie e até que não se saem tão mal nas charts... mas nunca simpatizei, fazer o quê? Aqueles vocais anasalados de Alexis Taylor e Joe Goddard, aquelas caras de professores de Biologia, aquela falta de tesão nas dance tracks...sei lá. Bom, enfim. Problema meu. Acontece que Joe Goddard se redimiu comigo e talvez com a pequena parcela de fãs de dance music que não curtem o Hot Chip com esse projeto em parceria com o DJ Raf Rundell, chamado The 2 Bears.   


Be Strong saiu no começo desse ano. É house alto-astral de ritmos e texturas bem pensados: sente os graves e as cordas sensacionais de "Be Strong" ou o sacolejo popíssimo de "Work". É esquisitinho sem assustar muito em "Time In Mind" (que lembra o KLF de "Justified & Ancient" com sua steel guitar serpenteando no meio da batida ragga) e "Church" (misturinha de eletrônica com côro infantil, órgão e percussão afro-caribenha). "Get Together" talvez seja a faixa que guarde mais semelhança com os trabalhos do Hot Chip, onde o ritmo é engrenado com precisão matemática e os teclados são comportados. Joe Goddard só ameaça estragar tudo com sua voz em duas ocasiões: ele quebra o clima safado de "Bear Hug" com um refrão pouco inspirado, mas só consegue soar fora do lugar mesmo em "Warm & Easy". Ainda bem.   

"Be Strong": house bass music.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sem Selo

Volte 23 anos no tempo nesse vídeo gravado numa danceteria de Liverpool pra presenciar a house brucutu, ainda instrumental e em estado embrionário do que viria a se tornar o mega hit "Killer" de Adamski. Com adição de letra e voz de Seal, o single chegou a número 1 na Inglaterra em Maio de 1990 (lá ficando por mais de quatro semanas) e vendeu mais de 400 mil cópias. Ainda bem que pra versão com vocais, Adam Tinley não mudou uma só nota desse bassline simplesmente inacreditável. Juro por Deus que fico arrepiado cada vez que ouço a molecada gritar com qualquer martelada nos synths de Adamski.

"Killer": melhor sem os vocais de Seal.

Reckless (With Your Music)

Um cabeleireiro urgente pro Azari & III.
Ano passado eu ouvi uma e outra coisa do Azari & III e nada me pareceu tão empolgante a ponto de me fazer levantar do sofá pra dançar. Achei tudo tão descaradamente transportado de algum lugar do começo dos 90 direto pra 2011 que perdi o interesse rapidamente. Nada de inovador pra receber alguma tag como "nu-house" ou algo assim.


O single mais recente dos canadenses (dois produtores, dois vocalistas) me fez, de novo, prestar atenção no quarteto. "Reckless (With Your Love)" é exatamente como descrito acima: parece um hit de pista que em 1992 atravessou a sacolejante parada Hot Club Play da Billboard e foi parar num honroso 42º lugar do Top 100, com boa execução nas rádios e alta rotação na faixa pop da MTV. Bom, parece isso. Mas algo aqui me pegou de jeito. Talvez esses teclados tão bem colocados (note o som de órgão do riff que se repete ad infinitum), o refrão, a programação esperta de bateria, os pianos, os excelentes vocais. É um mistério, mas a música é ótima.

"Reckless (With Your Love)": house antropofágica.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

House Divina


Se Prince resolvesse se tornar um artista de dance music ele provavelmente soaria como "Heaven Only Knows", deep/soulful house da dupla Toni Economides e Matthew Bandy mais o vocalista Rick Collins, no novo projeto Xakosa. Beats borbulhantes correndo juntinho com o baixo num groove minimalista e eficiente.

"Heaven Only Knows": lembra o mini-gênio, não?


Tropicália


Como transformar um hit de dez anos atrás numa coisa completamente nova e superior ao original? Pergunte pro Perseus, esse produtor americano que jogou os vocais de "Foolish" (hit da cantora Ashanti de 2002) numa base ítalo-disco lenta, sexy e refrescante como uma brisa de verão. A estação mais quente do ano, aliás, parece servir de inspiração pro excelente Russian Girlfriends EP, lançado no final do ano passado pelo selo French Express. Dos estilhaços de "Set Adrift On Memory Bliss" do PM Dawn na faixa-título ("Russian Girlfriends") aos timbres caribenhos dos teclados e percussão de "Cool Runnings", isto sim deveria ser a trilha pro verão austral no país do arerê. Sonha, Carlinhos.

Russian Girfriends EP: sexo, suor e samplers.