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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Set Mix Dark Techno House by Carlinhos


Techno subterrâneo, house lúgubre, sintetizadores ameaçadores, samples esquisitos, vozes etéreas... tudo isso mixado por este que vos tecla num set de uma hora em que o darkismo cruza com a dance music e gera um filhote que transita com desenvoltura tanto pela pista de dança quanto pela sala de estar. Clicaê!

Tracklist:

1) Aftermath (Robags Berchem Duff NB) by Hundreds (Krakatau Records)
2) Volta Cobby by Robag Wruhme (Pampa Records)
3) It's Only (DJ Koze Mix) by Herbert (Pampa Records)
4) XTC by DJ Koze (Pampa Records)
5) First Fires (Maya Jane Coles Remix) by Bonobo feat. Grey Reverend (Ninja Tune)
6) Bad Kingdom (DJ Koze Remix) by Moderat (Monkeytown Records)
7) Moth by Burial & Four Tet (Text Records)
8) Open Eye Signal by Jon Hopkins (Domino)
9) Your Darkness by Benoit & Sergio (Visionquest)
10) Believe by Traumprinz (Giegling)
11) When Radio Was Boss by Soulphiction (Pampa Records)

domingo, 20 de maio de 2018

Discloppointing


Fiquei deveras decepcionado com o novo single do Disclosure. Conforme a própria dupla inglesa relatou, há alguns meses eles descobriram a cantora e atriz da Costa do Marfim Fatoumata Diawara e, fuçando em sua discografia, encontraram um trecho que chamou atenção e tiveram a ideia para "Ultimatum", a faixa em questão. Bom, é assim que a canção soa: um sample vocal encaixado numa house que - usando o próprio Disclosure como parâmetro - soa um tanto preguiçosa, com um riff circular de piano elétrico e umas TB303 espalhadas. Seria um bom lado B pra qualquer um dos singles de Settle, o fantástico debut do duo, de 2013. Mas pra um single padrão Disclosure, achei mais parado que saci de patinete.

"Ultimatum": devagar, devagarinho.

domingo, 25 de março de 2018

Caras Novas: Demuja


Com um background que inclui atividades como baterista e dançarino de break, o austríaco Bernhard Weiss, a.k.a. Demuja, descobriu a discotecagem e em seguida, a produção de sua própria música, por volta de 2010. Lançando seus singles por selos como o norueguês Uncut House Records, o americano Nervous Records e o italiano Traxx Underground, em 2016 Demuja criou seu próprio selo, MUJA, por onde saíram três EPs até agora.

Fã de vinil e reclamando para si influências que vão de artistas de house music (Kerri Chandler, Moodymann), jazz (Herbie Hancock, Miles Davis), hip-hop (Mos Def, Wu-Tang Clan) e diretores como Quentin Tarantino, seu lançamento mais recente é o EP Turn Around (realizado no final de Março pela gravadora alemã Toy Tonics) e inclui quatro faixas de house em estado bruto, sem muito polimento. Com samples irreconhecíveis (pra mim, ao menos), timbres macios de teclados e um modus operandi french touch, Turn Around solidifica a promissora carreira de Demuja.

Turn Around: inteiro no Bandcamp.


Ouça outros singles e EPs no perfil do artista do Bandcamp.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mais e Melhores Synths


Os islandeses do GusGus começaram como um octeto, que reduziu-se a um trio, depois uma dupla. Era de se esperar que a banda perdesse em diversidade (como a encontrável no impressionante Polydistortion, um dos melhores álbuns de eletrônica dos anos 90) ou que caísse na mesmice sintética por conta da falta de gente como as talentosas cantoras Emilíana Torrini ou Hafdís Huld, não? Não. A cada ano, o duo remanescente, Daniel Ágúst Haraldsson (produção e vocais) e Birgir Þórarinsson (a.k.a. Biggi Veira, sintetizadores, produção) volta melhor e cheio de novidades, oferecendo uma coleção de canções que ainda justifica plenamente o lançamento de um álbum, como esse incrível Lies Are More Flexible, o décimo da banda, lançado dia 23 de Fevereiro pelo selo do grupo, Oroom.

Com os vocais cristalinos de Ágúst desfilando elegantemente em meio a timbres de teclado grandiosos, algo celestiais; brigando por espaço com os ruídos cirurgicamente incorporados a estrutura da lindíssima progressive "Fireworks" ou duelando com os basslines violentos que ditam o ritmo em quase todo o disco, o GusGus continua muito acima da média no quesito manipulação de sons, vide a sugestão de climas e imagens cinematográficas com os sintetizadores que planam ameaçadoramente sobre as paisagens gélidas da Islândia em faixas instrumentais como a downtempo "No Manual" e a ambient techno épica "Fuel".

A fantástica progressão de acordes e arpejos na disco sintética "Lies Are More Flexible" (Giorgio Moroder certamente vai se orgulhar quando e se ouvir), os geniais movimentos repentinos de cordas combinados com arranhões de som cortados e ritmados com o BPM baixo de "Don't Know How to Love", a puramente dançante "Lifetime" (com todas as variações possíveis em cima do mesmo riff de teclado) e a arrepiante abertura "Featherlight" completam um disco em que nada está fora do lugar, inclusive o breve interlúdio de 48 segundos "Towards a Storm", que faz a passagem entre "No Manual" e "Fuel", já no final do álbum. Oito faixas em quarenta minutos absolutamente indispensáveis.

Em tempos de emburrecimento, apatia e redundância na cena dance/eletrônica, o GusGus é um milagre da tecnologia. 

"Featherlight": um dos oito acertos do GusGus no novo álbum.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mais Um Pulo do Gato


Um cara que nasceu em Chicago e foi criado em Detroit só podia ter house e techno na cabeça. Esse é Felix Stallings Jr. - a.k.a. Felix Da Housecat - e é exatamente isso que o DJ e produtor mostra em Founders of Filth Volume Four, seu mais recente EP, lançado pelo seu próprio selo, Founders of Filth. A série, iniciada ano passado e que já contou com a colaboração de gente do calibre de Jamie Principle, traz Felix usando alguns de seus diversos aliases (Aphrohead, Thee Madkatt Courtship) para três faixas bem distintas entre si neste quarto volume: dos enxertos de synthpop em "Neon Flyy" (com participação do produtor Clarian North e Blakk Hazel), o clima sexy e percussivo de "Quicksand" e "Death Toll Cinema", uma música com vocoder e uma levada de baixo que poderia estar em qualquer disco do AIR. Maravilha.

O EP está disponível pra audição no Spotify e está à venda no Beatport.



sábado, 14 de outubro de 2017

Discotecagem Transcendental


A arte da mixagem não diz respeito somente ao simples alinhamento de batidas. É muito mais que isso. Tem a ver com climas, texturas, timbres, coerência, feeling, senso musical apurado... tudo o que anos de cabine deram ao DJ Renato Lopes e que faz seus sets transformarem-se em experiências transcendentais, onde a música leva a lugares desconhecidos e, muitas vezes, para além dos limites da pista de dança. O prazer da viagem e as surpresas que aparecem no caminho estão no mais recente set que Renato subiu no Mixcloud, chamado another mix Oct 2017. O mix inclui desde pioneiros da house como Glenn Crocker (Glenn Underground) até gente nova e talentosa como Alexander Dorn (Credit 00) e CVBox, em quase uma hora em que adicionar as palavras "viradas perfeitas" é absolutamente redundante. Ouça no player abaixo ou visite o perfil de Renato Lopes no Mixcloud, onde outras maravilhas como esta estão prontinhas pra serem ouvidas.

another mix Oct 2017: para além da pista.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

House Praieira


Não leve o título ao pé da letra porque de batucada essa house não tem nada. "Batuque" é o primeiro single do escocês Stephen Housego pelo selo brasileiro 294 Records e traz uma vibe "full brazilian", conforme indica o release. Isso inclui um loop de piano elétrico, trompetes que pontuam a melodia e um monólogo (em inglês) que meus dois anos e meio de Wizard não me habilitaram entender do que se trata. De qualquer forma, é uma house praieira deliciosa, em que a única dúvida que fica é levantar da espreguiçadeira pra dançar ou não.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Londonbeat


Mezzo inglês mezzo americano, o quarteto Londonbeat parecia estar em todos os lugares em 1991. "I've Been Thinking About You" é uma espécie de Fine Young Cannibals houseificado e foi um hit devastador: chegou ao topo de mercados complicados como a Alemanha e Estados Unidos e a número dois na Inglaterra. Produzido por Martyn Phillips (The Beloved, Erasure), "I've Been Thinking About You" tem vocais soul num falsete afinadíssimo, piano sintético saltitante, guitarrinhas country & western e uma programação de bateria primorosa (repare na tenacidade de tapeceiro persa de Phillips ao encaixar os beats). São ingredientes que garantiram fácil o crossover rádios/pistas naquele inesquecível 1991, um ano especialmente foda para a dance music/eletrônica. Aqui no Brasil a febre durou mais uma temporada, quando a faixa foi incluída na trilha da novela O Dono do Mundo (exibida entre Maio de 1991 e Janeiro de 1992).

Computação gráfica paleontológica e muita cara de pau no vídeo do Londonbeat:

domingo, 21 de maio de 2017

ReMoby



A bem da verdade, Richard Melville Hall (a.k.a. Moby) tem uma discografia bem irregular, no que tange aos seus álbuns. São poucos discos que mereçam uma audição completa com satisfação garantida. Com o sampler como artista principal, Play (1999) com certeza é o seu melhor trabalho (não por acaso, foi também o que o levou ao estrelato e o que mais vendeu). 18 (2002) está quase lá, com boas canções e diversos convidados que garantem uma diversidade rara de se encontrar num álbum de eletrônica. Seu debut autointitulado de 1992 trazia a força do techno ainda em expansão e a energia das raves para a sala de estar, com o frescor da novidade superando o próprio conteúdo, em si. Depois de 18, Moby tem entregado álbuns cada vez mais sonolentos e pouco inspirados, com um ou outro single digno de nota.

Não sei se essa inconstância ou alguma outra coisa pôs Moby a apertar o pause e repensar sua carreira, mas desde o ano passado começaram a pipocar singles e EPs de remixes de suas faixas mais emblemáticas, por diversos artistas e selos diferentes. Ouvi dois destes EPs recentes, com resultados totalmente desiguais.

Black Lacquer (2017, Fool's Gold Records)


Quatro remixes num EP desastroso. Ashley Jones (Treasure Fingers) pasteurizou "Go" com pianinhos manjados, bleeps sem graça e ainda deixou a base de strings original (chupada de "Laura Palmer's Theme", de Angelo Badalamenti) em segundo plano, bem discretinha. Praticamente matou a música. "Why Does My Heart Feel So Bad?" (Madeaux Remix) virou um monstro EDM desprovido de emoção, High Klassified só editou o sample vocal de "Natural Blues" pra encaixar na sua house monótona (que não chega a três minutos) e Nick Catchdubs (DJ, produtor e cofundador do selo que lançou este EP) não poderia ter feito programação de bateria pior (algo próximo ao hip-hop) pra usar na sua visão de "Porcelain".




The Drum & Bass Remixes (2017, Shogun Audio)

Aqui a coisa muda de figura. The Drum & Bass Remixes foi encomendado para o selo britânico de drum'n'bass Shogun Audio para ser usado como parte da campanha promocional do livro de memórias de Moby (Porcelain, que saiu no ano passado) e o que temos são radicais e inventivas recriações por parte do cast da gravadora. A flutuante "Natural Blues" (Icicle Remix) é um bom aquecimento pro liquid funk atmosférico do Technimatic em "Why Does My Heart Feel So Bad?", continua acelerando com a nervosa "Go" (Fourward Remix) e relaxa de novo entre ambient e liquid em "Porcelain" (Pola & Bryson Remix). É assim que se faz.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Ciclo Completo


Nos anos 80, cada novo single do New Order era um acontecimento. Eles privilegiavam tanto a arte do doze polegadas que só depois de dois discos, em 1985 (Low-Life), resolveram os incluir nos álbuns. E junto com cada single, vinham remixes, versões dub e extended... uma festa para os DJs - que se consolidou definitivamente em 1987 com o lançamento da coletânea obrigatória Substance. A relação da banda de Manchester com as danceterias era tão estreita que alguns LPs tinham bem definidos o lado A (mais roqueiro) e o B (mais dançante): Power, Corruption & Lies (1983), Brotherhood (1986) Technique (1989), são bons exemplos.

Tudo nos conformes, então, com o lançamento mês passado do EP Music Complete: Remix (Mute), que traz versões alternativas para algumas canções (cinco) do ótimo álbum Music Complete, de 2015, que, diga-se, é o melhor do New Order dos últimos 20 anos (mais precisamente, desde Republic, de 1993).

Uma das coisas mais legais do EP é que eu nunca vi mais gordo ninguém que submeteu as músicas do New Order ao bisturi. Gente como o DJ e produtor japonês Fumitoshi Ishino (a.k.a. Takkyu Ishino) que transformou a já originalmente suingada "Tutti Frutti" numa viagem Acid House com uma profusão de arpejos de sintetizador e basslines de TB-303 alucinantes.


"The Game" e "Academic" foram retrabalhadas pelo produtor britânico Mark Reeder: a primeira passou do rock eletrônico pro downtempo (Spielt Mit Version), num novo arranjo que valorizou ainda mais as belas cordas da original; a segunda (uma das melhores de Music Complete) ganhou uma batida 4x4 forte, recortes das guitarras originais e uma linha de baixo propulsora. "People on the High Line" (pelas mãos do duo alemão Purple Disco Machine) virou a trilha perfeita para o hedonismo de Ibiza, repetindo infinitamente o trecho da letra "It's all gonna be alright" e adicionando pianos House e um bassline gordo e melódico de Disco Music.


"Restless" (com remix do francês Sébastien Devaud a.k.a. Agoria) fecha o EP com uma ótima versão instrumental tech-house para a ligeiramente melancólica faixa de abertura de Music Complete.

Não sei qual o critério usado para a escolha das faixas que foram remixadas em Music Complete: Remix EP, porque o álbum, em si, é de uma homogeneidade que só deve ter tornado mais difícil a decisão de pinçar só cinco canções e entregá-las para as reconstruções desse pessoal que trabalhou admiravelmente bem, porque o EP é sensacional. E bem que poderia abrir a possibilidade de um Remix EP II, que se for nesse nível aí, vai ser muito bem vindo.


sexta-feira, 31 de março de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Dr. Alban


Injustiça jogar Dr. Alban na vala comum do Eurodance. O dentista Alban Uzoma Nwapa tinha alguma coisa diferente, que o afastava de outros artistas como Captain Hollywood ou Haddaway. Algo a ver com o forte acento afro em sua música? Certamente. Sorte do nigeriano foi topar com um produtor que soube fundir magistralmente essas raízes com ritmos como house, hip-hop e reggae: o saudoso Denniz Pop, que faleceu em 1998 aos 35 anos, mas deixou um legado pop genial com hits do próprio Alban, além de Ace of Base, e - sim - Backstreet Boys, N'Sync, Robyn, 5ive e Leila K, entre outros. Além da música poderosa, um Alban engajado aparecia ocasionalmente em faixas que estouraram, como "No Coke" ("A cocaína vai te matar e o ecstasy vai esmagar a sua vida!"), "Roll Down Di Rubber Man" (sobre o perigo da AIDS) e o último single bacana do cantor, "Born In Africa" (1996), que versa sobre o orgulho que ele sente do continente, ao mesmo tempo em que vê o quanto esse potencial é desperdiçado. Outro hit do cantor, "One Love" (segundo single do segundo álbum de Alban, também chamado One Love, de 1992) é mais uma faixa memorável, um caldeirão que funde rap, reggae e pop com um suntuoso arranjo de cordas sintetizadas e um refrão reconhecível à distância. Alban - subestimado, mas não esquecido - segue na ativa, mesmo que não tenha conseguido encaixar mais nenhum sucesso desde o meio dos 90 (seu mais recente single, "Hurricane", de 2015, nem beliscou as paradas). 

"One Love":

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Tacadas Certeiras


Já se vão cinco anos desde o debut da dupla italiana (Larry) Tiger & (David) Woods, Through The Green. O misterioso (nomes fictícios para Marco Passarani e Valerio Del Prete) projeto de "future boogie" fez um disco divertidíssimo, discotecou mundo afora (incluindo uma apresentação memorável no Brasil, na edição 2012 do Sonar em São Paulo) e, três ou quatro singles depois, retorna com mais uma batelada de grooves musculosos nas mãos, no lançamento de On The Green Again (T&W Records).


O título entrega uma óbvia continuação do disco de estreia: o som não perdeu um milímetro do foco e isso é ótimo. Samples obscuros colocados em loops infinitos, baixos corpulentos e uma linha que costura a dance do começo dos 80 (especialmente italo-disco e Hi-NRG) às técnicas de edição da house contemporânea. No meio disso tudo, uma palhinha de electro ("Phoenix"), funk (nos metais de "Endless Affair") e disco para todos os lados. On The Green Again parece uma coletânea de singles, todas as faixas tem um gancho forte, seja um sample vocal (como na minha preferida aqui, "Ginger & Fred"), seja baseado em algum instrumento (o piano circular de "Balloon"). Tem um certo clima de déjà-vu no ar, mas o termo Future Boogie parece ter sido cunhado sob medida para a música do Tiger & Woods.

"No More Talking": disco futurista.
 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Real McCoy


Você viveu muito bem até agora sem saber disso: boa parte dos rappers de grupos eurodance alemães eram americanos e ex-militares. Explicação fácil: como os Estados Unidos ainda mantém várias bases em território alemão, foi juntar o talento (ou a força de vontade, em alguns casos) de alguns soldados metidos a rapear nas horas de folga com a crescente cena dance germânica do final dos 80 e deu naquele hip-house festeiro que estava em todos os lugares na primeira metade dos anos 90. Turbo B. (Snap!), Jay Supreme (Culture Beat), B.G. The Prince Of Rap e Captain Hollywood são alguns exemplos desse pessoal que deixou o Tio Sam na mão.



Olaf Jeglitza era uma exceção. O nascimento em Berlim foi apenas um detalhe geográfico, porque desde moleque O-Jay esteve envolvido com a cultura hip-hop em seu país: montou o primeiro fanzine sobre o gênero na Alemanha, integrou grupos de break, produziu programas de rádio e criou um selo (Freshline Records), até tornar-se produtor e vocalista do MC Sar & The Real McCoy, em 1989. Teve dois singles com relativa repercussão local, suficiente para atrair a BMG alemã, encurtar o nome para Real McCoy e lançar "Another Night", em 1993. Hit mundial. A faixa entrou no difícil mercado americano, chegou em terceiro lugar no Hot 100 da Billboard e vendeu impressionantes um milhão de cópias só no território ianque. Com bleeps de sintetizador inspirados em "More and More" (hit do Captain Hollywood Project) e da oitentista "Desire" (de Roni Griffith), "Another Night" traz o vocal soturno de O-Jay contrastando com a voz quente da cantora Karin Kasar em versos que explodem num refrão popíssimo, que não era nada diferente do que Human League ou Duran Duran faziam anos atrás ("In the night, in my dreams, I'm in love with you / 'Cause you talk to me like lovers do / I feel joy, I feel pain, 'cause it's still the same / When the night is gone I'll be alone..."). Os pianos house e o groove seco e preciso do baixo mantinham os pés em movimento. O Real McCoy teve mais alguns singles de sucesso e ainda está na ativa, provavelmente fazendo playback em festas retrô. Who cares? "Another Night" continua foda.

Real McCoy: hit intergaláctico.


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Technotronic


Pra quem tem mais de trinta e não despreza dance music, "Pump Up The Jam" virou uma espécie de marco. Já ouvi coisas do tipo "_ Onde você estava quando ouviu 'Pump Up The Jam' pela primeira vez?" Não é exagero. E eu lembro que em frente à TV numa tarde tediosa de 1990, essa música me fez acordar. A faixa era tema do comercial de uma série de aparelhos de som portáteis da Philips chamada Moving Sound. Em questão de dias, "Pump Up The Jam" estava por toda parte. No rádio, na trilha da novela, nas bancas que vendiam fita K7 pirata e até no Domingão do Faustão.



Idealizado pelo professor de filosofia americano Thomas De Quincey (nome artístico: Jo Bogaert), que se mudou para a Bélgica no final dos anos 80 para tentar carreira como produtor musical, o Technotronic teve suas picaretagens. Essa Felly aí da capa sequer boceja no single: os vocais são da zairense Manuela Kamosi (Ya Kid K, na foto do alto com MC Eric), considerada de fraco apelo visual para os vídeos e apresentações "ao vivo" (leia-se playback) na época. Musicalmente, "Pump Up The Jam" era uma faixa instrumental chamada (dããã) "Technotronic", que por sua vez foi totalmente inspirada em "The Acid Life", de um dos pioneiros da cena house de Chicago, Farley "Jackmaster" Funk. Com a adição dos sintetizadores certeiros de Patrick De Meyer e a letra e os vocais de Ya Kid K, "Pump Up The Jam" foi a primeira faixa de house music a atingir o mainstream em grande escala (número #2 nos EUA e no Reino Unido, sucesso no mundo inteiro). E eu lá, naquele verão de 1990, pulando do sofá e coçando a cabeça: "_ Putz... que som é esse?" Era um divisor de águas, Carlinhos.

"Pump Up The Jam": picaretagem e dígitos acima dos seis zeros.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Disco Estúpida


No jogo desde 2012, o produtor holandês Oliver Heldens emplacou um número um no paradão inglês já de cara: "Gecko (Overdrive)" (2014) é uma recauchutada no seu bom single de estreia lançado meses antes, mas desta vez com vocais da britânica Becky Hill (só 21 anos e um fole vocal de respeito). Alguns singles depois (com parcerias que incluem Zeds Dead e Tiësto), mais remixes pra nomes como Robin Thicke ("Feel Good"), Disclosure ("Latch"), Coldplay ("A Sky Full of Stars") e Calvin Harris ("Outside") e Heldens junta-se ao jovem produtor australiano Throttle pra cometer "Waiting", agora no comecinho de 2016. É uma faixa de house grudenta e irresistível, do tipo que Junior Jack entregava no começo dos 2000: refrão-gancho, riff chiclete e breaks estratégicos. Guitarrinhas funkeadas e uma certa perfumaria disco permeiam a canção, que é ordinária e ótima, assim, ao mesmo tempo.

"Waiting": no topo do Top 100 do Beatport.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As 69 Músicas de 2015 (Parte 3: 23 - 01)


Parte três: topo da lista.

23) "Echoes In Rain" > Enya



22) "There Is Pop" > Ricardo Tobar



21) "Lights" > Hurts



20) "Hourglass" > Disclosure feat. Lion Babe



19) "Frail" > Crystal Castles



18) "Surf I" > Zomby


17) "Heart Hides" > ASCIO feat. San Mei



16) "4 Floors Of Whores" > Tzusing



15) "Somos Dos" > Bomba Estéreo



14) "Oino" : LA Priest



13) "Jack Be Nimble" > James Curd



12) "Castle In The Snow" > The Avener & Kadebostany



11) "Hotline Bling" > Drake



10) "Forgotten Truths" > Artificial Intelligence FT. Steo



09) "Animals" > Du Tonc



08) "Cryptoporticus" (Cloudy Mix) > I:Cube



07) "Academic" > New Order



06) "XTC" > DJ Koze



05) "Volta Cobby" > Robag Wruhme



04) "In Your Heaven" > Sam Sparro



03) "Lady's In Trouble With The Law" > LA Priest



02) "All My Love" > Schwarz Dont Crack



01) "SSUFFIK8TRR" > West Nile

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Boogie Nights


Conversando com Marcello Mansur dia desses sobre o lançamento e a ótima repercussão do seu single Son Of a Gun (sob seu novo alter ego house, Mansur) e já sabendo que a próxima faixa de trabalho de seu selo Memix Recordings viria numa encarnação disco (dessa vez, creditado como DJ Meme), sentenciei: "Certeza que aqueles lindos strings disco, habituais em outras produções suas, vão vir nesse single". Aí o resultado. Está tudo em "Disco Knights": uma sessão de cordas com jeitão de MFSB, uma guitarrinha à George Benson, bassline forte e percussão esparsa. Um lindo pedaço de disco-house, versão 2015. Maravilha.

"Disco Knights": disco sublime.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Moço de Fino Trato


Altamente recomendável o segundo volume da série Quantum Physical EP, do multi homem Sam Sparro. Cantor, produtor, compositor e talentoso remixador, também, Sparro é elegância pura na abertura "In Your Heaven", que instrumentalmente revive os áureos tempos do M People. "Hands Up" e "On My Mind" evidenciam os vocais soul do australiano, em levadas dançantes de house charmosa e orgânica. A baladona "We Won't Need Anything but Love" encerra o EP e resume o trabalho: classudo e muito bem produzido. Sparro há muito vem mostrando que é um cara acima da média no pop atual. Merece bem mais reconhecimento.

"In Your Heaven": finesse.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Boring Creations


Pouquíssima inspiração no mais recente EP do meio chefão da Hot Creations, Jamie Jones (que, curiosamente, saiu pelo selo Cajual Records, de Chicago). This Way EP foi lançado somente em versão digital e divide-se em três faixas de tech house bem ordinário. A faixa título tem um riff de sintetizador que não faria feio num disco do 2 Unlimited. "Baloo" é dance genérica, house de linha de montagem tipo Jay Lumen. A soporífera "Ikki" é pra causar debandada geral na pista, mesmo. O próximo, Jones.
This Way EP: tudo errado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Zumbizeira


Depois de dois álbuns pela 4AD (os ótimos Dedication, de 2011 e With Love, de 2013), o produtor britânico Zomby assina com a XL Recordings (que tinha no Prodigy uma de suas moedas fortes, até 2004) e, de cara, já programa dois EPs que vão ser lançados no formato doze polegadas no finalzinho de Outubro: Let's Jam 1 e 2.

Let's Jam 2
é o Zomby habitual, um geniozinho eletrônico dubstepeando em graves absurdos e fazendo chover estalactites de sintetizadores no seu fone de ouvido.

Let's Jam 1 é a prova do talento e da versatilidade de um dos caras mais interessantes da música sintética atual: experimentos com
beats irregulares ("Slime") e acid house (as outras três faixas), resultam numa das melhores músicas já gravadas por Zomby: "Surf I". Com um baixo sedutor, teclados circulares e um sample vocal cavernoso, é também uma das dance tracks mais fortes que ouvi em 2015.

"Acid Surf": uma das oito inéditas de Zomby em 2015.