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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Reativados


Deixando de lado a aposentadoria do Orbital divulgada em 2014, os irmãos Phil e Paul Hartnoll tomaram fôlego para anunciar um novo álbum programado para Setembro (Monsters Exist, o primeiro de inéditas desde a trilha para o filme Pusher, de 2012), lançar há poucos dias o single “Tiny Foldable Cities” e ainda começar uma turnê agora em Maio, com datas para Inglaterra, Irlanda, Rússia, Espanha e Holanda. Nada mau pra quem aparentemente estava de saco cheio de carregar seus teclados obsoletos pra cima e pra baixo. “Tiny Foldable Cities” encaixa-se no perigoso guarda-chuva IDM - eletrônica até a medula - mas dispensa formalmente a pista de dança. A faixa tem um arranjo intrincado de sintetizadores e ao mesmo tempo uma melodia quase assobiável, que se afasta de experimentações estéreis facilmente encontráveis no gênero. Muito apreciável.


“Tiny Foldable Cities”: Orbital fofinho.

domingo, 4 de março de 2018

Back On The Rails


The National eu acho chato pra cacete, mas até que o vocalista da banda, Matt Berninger, não conseguiu estragar a bela "My Enemy", nova do Chvrches. Pop de sintetizador com aquela carga de dramaticidade de plástico que poderia estar na trilha de qualquer filme do John Hughes. "My Enemy" é uma canção bem melhor que "Get Out", lançada mês passado, e é outra faixa que estará em Love Is Dead, próximo álbum do trio escocês cuja data de lançamento foi revelada semana passada: 25 de Maio.


"My Enemy": o bom synthpop nos trilhos, novamente.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#04: Autechre)


O anúncio da Warp Records feito ano passado dando conta de que o novo álbum do Autechre não teria edição física, foi sintomático. elseq 1–5 (décimo segundo álbum da dupla) é uma obra divida em cinco partes, vinte e uma músicas e... mais de quatro horas de duração. Sou capaz de apostar que a icônica gravadora inglesa não vai resistir aos pedidos dos fãs mais xiitas e periga lançar isso em vinil numa caixa com dez unidades. Negócio é que a ausência dessa, de certa forma, "barreira", imposta pelos formatos CD e LP fez com que o Autechre expandisse ainda mais seus limites - ou qualquer outro termo que o valha, já que aparentemente, a única fronteira encontrável na sua música é o tempo, mesmo. No processo, há três autobahns com mais de vinte minutos e nenhuma delas é absolutamente indispensável. "elyc6 0nset", em seus espantosos vinte e sete minutos, vai ruminando ruídos e efeitos sob uma batida desconexa até os dez minutos quando, a partir daí, se transforma numa chuva de blips e sons mecânicos gerados - há de se supor - aleatoriamente. "eastre" é um tanto mais atraente (mesmo passando dos vinte e dois minutos) e me fez imaginar como soaria uma orquestra de câmara com cellos sintéticos e robôs executando pacientemente os movimentos. Já "mesh cinereaL" traz um entra-e-sai de zumbidos eletrônicos alternado-se em seus intermináveis vinte e quatro minutos. Com extensão mais praticável, "feed1", a faixa que abre o disco, foi também a primeira a ser divulgada (foi levada ao ar pela BBC Radio 6 alguns dias antes do lançamento do disco), mas não que isso signifique acessibilidade ou amenização: são vários níveis de distorção no talo e rajadas de estrondos metálicos que dão a tônica do que vem a seguir. elseq 1-5 não é pra ser ouvido de uma tacada só. Pode ser sorvido em doses homeopáticas, até porque ele não tem uma ordem crescente ou uma sequência lógica de início, meio e fim que faça sentido. São, aparentemente, jams gravadas em longos improvisos baseadas em sua turnê recente e editadas para o disco (há quem diga que o significado de "elseq" seja "edited live sequences"). Então, tanto faz começar pela bateria eletrônica que dita o ritmo cadenciado para os timbres alienígenas da quarta faixa ("pendulu hv moda") ou pelo sentimento de isolação causado pela imensidão glacial criada pelos sintetizadores em "oneum", a última do pacote. Criando uma hipotética sequência menos áspera, poderia-se iniciar pelo 4X4 complacente de "freulaeux" (uma composição que ficaria confortável no catálogo da Kompakt); pela quase easy listening eletrônica de "foldfree casual" (onde o duo faz questão de pulverizar os tons amenos dos synths com pequenas interferências e ataques de bateria a partir da metade da música, eliminando qualquer referência ambient) ou ainda pelo compasso ritualesco de "TBM2", bem distante da batida cambaleante de "chimer 1-5-1", de causar vertigem. elseq 1-5 é um álbum pra ser descoberto aos poucos. No geral, é um Blade Runner em forma de música: ruidoso, futurista e sombrio, em que só uma audição cuidadosa e - em boa parte de suas quatro horas - paciente, vai revelar que Rob Brown e Sean Booth continuam extremamente relevantes no universo dos grandes techno-autores da atualidade, esse grupo limitado que inclui gente como Aphex Twin, Squarepusher e μ-Ziq. Errando e acertando no disco - o que causa momentos que vão da aversão à empatia imediata, mas nunca a indiferença -, a dupla mostra que ousadia, ambição e a inexorável vontade de experimentar, levam a música do Autechre muito mais longe do que a restrição do errôneo rótulo IDM faz supor. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As 69 Músicas de 2015 (Parte 3: 23 - 01)


Parte três: topo da lista.

23) "Echoes In Rain" > Enya



22) "There Is Pop" > Ricardo Tobar



21) "Lights" > Hurts



20) "Hourglass" > Disclosure feat. Lion Babe



19) "Frail" > Crystal Castles



18) "Surf I" > Zomby


17) "Heart Hides" > ASCIO feat. San Mei



16) "4 Floors Of Whores" > Tzusing



15) "Somos Dos" > Bomba Estéreo



14) "Oino" : LA Priest



13) "Jack Be Nimble" > James Curd



12) "Castle In The Snow" > The Avener & Kadebostany



11) "Hotline Bling" > Drake



10) "Forgotten Truths" > Artificial Intelligence FT. Steo



09) "Animals" > Du Tonc



08) "Cryptoporticus" (Cloudy Mix) > I:Cube



07) "Academic" > New Order



06) "XTC" > DJ Koze



05) "Volta Cobby" > Robag Wruhme



04) "In Your Heaven" > Sam Sparro



03) "Lady's In Trouble With The Law" > LA Priest



02) "All My Love" > Schwarz Dont Crack



01) "SSUFFIK8TRR" > West Nile

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

As 69 Músicas de 2015 (Parte 2: 46 - 24)


Parte dois, bora.

46) "Ooo La La To Panama" > Happy Mondays & Embera



45) "Rude Boy (Love Disco Love)" > Los Gatos Escobar feat. AK



44) "Is Everything Ok?" > Felix Da Housecat



43) "Whole Lot Of Love" > Duffy



42) "Restless" > New Order



41) "Taps Aff For Glasgow" > Move D feat Gerd Janson



40) "Automatic" > Zhu feat. AlunaGeorge



39) "Give Me A Reason" > Todd Terry & Robin S



38) "Coffee" > Miguel



37) "Can't Feel My Face" > The Weeknd



36) "Hashtag My Ass" > Etienne de Crécy



35) "Medicine" > Maxxi Soundsystem feat. Name One



34) "Give It Up" > Jimmy Napes



33) "Page One Is Love" > Aeroplane



32) "Déjà Vu" > Giorgio Moroder feat. Sia



31) "Apart In Love" > Roisto



30) "Girl" > The Internet Feat. Kaytranada



29) "Come Home Baby" > The Charlatans



28) "Self Control" > Kate Boy



27) "Rat Is Dead" > Adriano Cintra feat. Subburbia



26) "Eyes" > Vintage Culture



25) "Don't Wanna Fight" > Alabama Shakes



24) "Spectre" > Radiohead

As 69 Músicas de 2015 (Parte 1: 69 - 47)


Sem nenhuma conotação sexual: chegar justo nesse número foi resultado de uma peneira que começou em Janeiro desse ano e, corta daqui, reavalia dali, posiciona acolá, finalizei a lista em 69 faixas. Ao contrário dos posts sobre os álbuns, aqui temos ordem de preferência. Não custa lembrar que só entram músicas na praia da dance music/groove/eletrônica. Também divido as melhores músicas de 2015 em três partes, pra não judiar do seu browser aí. 
 
69) "Leo" > Gary Beck



68) "Wunder" > Mighty Mouse



67) "Son Of A Gun" > Mansur



66) "New Sun Spots" > Dimi Angelis



65) "Rolling Stone" > Hurts



64) "King" > Years & Years



63) "Difficult To Kill" > Torul



62) "Go Away" > Todd Terry Ft. Martyna Baker



61) "Dream Of The Life" > Malachi



60) "Northern Lights" > Kate Boy



59) "Colours" > Horixon feat. Else Born



58) "Palindrome 1" > Homework



57) "Shine On You" > Satin Jackets feat. Esser



56) "Holding On" > Disclosure ft. Gregory Porter



55) "Fell In The Sun" > Big Grams



54) "Walk Away" > Bedouin



53) "Revolve-Her" > Alix Perez



52) "Watch Me" > Silentó



51) "My Mind's Made Up" > Kraak & Smaak feat. Berenice



50) "Floripa" > Isolée



49) "Last Day On Earth" > Beborn Beton



48) "Don't Sing" > Data feat. Benny Sings



47) "Elevation" > Para One



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Jagwar Ma no Liquidificador

Cabou de sair um EP de remixes de "Uncertainty", uma das faixas do bom debut dos australianos Jagwar Ma, Howlin', lançado ano passado.


O grupo (que esteve no Brasil recentemente) joga Andrew Weatherall, Aphex Twin, dub, indie dance britânica da virada 80/90, psicodelia e eletrônica no mix e consegue se sair bem tanto na pista de dança quanto no fone de ouvido. Das quatro faixas, atenção especial à desconstrução dubstep do MssingNo e ao eficiente trabalho do Cut Copy.

Inteiro, pra ouvir, no Soundcloud:

segunda-feira, 31 de março de 2014

Segunda Class: Com Truise


Com Truise ainda não me convenceu.

Seth Haley viaja na dele, perdido entre seus sintetizadores vintage e suas baterias eletrônicas retrô - ou em seus emuladores virtuais, vai saber. Fato é que seu novo EP, Wave 1, é mais farinha pro mesmo saco. Truise passa longe de noções como originalidade e seu som soa familiar, mas ele é incapaz de compor algo que te faça ter vontade de ouvir de novo, basicamente por que suas melodias e programações são processadas na região frontal do cérebro, as chamadas memórias de curto prazo. O que significa dizer que terminadas as sete faixas do EP, não se tem ideia de como é a primeira. Pra ser honesto, a única coisa que lembro de Wave 1 (e ouvi o disco várias vezes) é a guitarrinha com timbre New Order da faixa-título. É um disco até interessante, uma espécie de papel de parede sonoro pra deixar rolar enquanto há coisas mais importantes a fazer, tipo não deixar a cerveja esquentar. Mas com músicas tão semelhantes entre si, também pode passar totalmente batido. O que é péssimo pra um artista de eletrônica instrumental como Seth Haley.

Wave 1 inteiro em menos de meia hora: amnésia.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Khaled


Não foi com "El Arbi" que Khaled Hadj Ibrahim ganhou o mundo. "El Arbi" foi, sim, trilha pra dança rameira da Feiticeira naquele esquecível Programa H do Luciano Huck e fez a fama do autointitulado "Rei do Raï" (espécie de folk tradicional argelino) aqui no Brasil, mas o estouro do single "Didi" é que botou Khaled no mapa mundi. Ornamentada com a perfumaria eletrônica disponível no começo dos 90, a faixa foi produzida pelos espertos Don Was (Was [Not Was]), Michael Brook e Tim Simenon (Bomb The Bass) - responsáveis pela felicíssima ideia de fundir o raï com beats e texturas de R&B - e ganhou a Europa rapidamente.

"El Arbi" (do mesmo álbum, o inovador Khaled, de 1992) no entanto, tem um apelo irresistível - desde sua batida fornecida por baterias eletrônicas até o mix sedutor de instrumentos tradicionais como o acordeom e sintetizadores emulando flautas encantadoras. E tem o figuraça Khaled e seu canto ininteligível e hipnótico, colocando pistas de dança abaixo desde os anos 90.

"El Arbi": ventres em polvorosa.

domingo, 24 de junho de 2012

Doze do Four


Acabou de sair single novo do Four Tet, projeto eletrônico-cabeçudo do britânico Kieran Hebden.

 

Jupiters / Ocoras veio nesse belo doze polegadas aí acima e demonstra que o Four Tet continua com sua tarefa de entortar a eletrônica pra fazer seu som soar o menos óbvio possível. "Jupiters" abre com dois minutos de cascatas de sintetizadores preparando o terreno para a percussão aquosa e bumbos de afinação grave que vem a seguir. Já "Ocoras" é mais simpática à pista de dança, com seus teclados narcóticos e inversamente proporcionais à excitação que o groove minimal causa nas pernas. Só não chama isso de IDM que eu saio da sala.

"Ocoras": Four Tet fugindo dos clichês.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Apollo V


Até me animei quando ouvi uns dias atrás "A Deeper Dub", faixa do EP de mesmo nome que precede o quinto álbum do Apollo 440, The Future's What It Used to Be. Infelizmente o álbum não bateu. Aquela banda do bom disco Electro Glide in Blue (1997) e do fantástico single "Ain't Talkin' 'bout Dub" - que fundiu de forma excepcional "Ain't Talkin' 'bout Love" do Van Halen com drum'n'bass - hoje se resume a um electro-rock sem brilho, desses que você encontra em qualquer Pendulum por aí. Ou seja, é mais um sub-Prodigy.

"A Deeper Dub": nem dub nem profundo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Docemente Irreverente


Levou só vinte anos pra eu conhecer o álbum de estréia do Candy Flip, Madstock . . . The Continuing Adventures of Bubble Car Fish, de 1991. A banda de Manchester havia voado alto no paradão inglês (#3) um ano antes com um cover pra lá de viajandão de "Strawberry Fields Forever", daquela bandinha de Liverpool. O trio Danny Spencer, Kelvin Andrews e Ric Peet jogou a batida de "Funky Drumer" de James Brown - amplamente usada por bandas indie dance da época - no clássico de 1967 dos Fab Four e o resultado foi que sua visão de "Strawberry..." virou hino dos incansáveis ravers ingleses do começo dos 90.

   
Os singles seguintes ("Space" e "This Can Be Real") não tiveram a mesma força, mas o álbum é muito bom. A pegada do Candy Flip era nitidamente sessentista, mas curiosamente a banda quase dispensava formalmente o uso de guitarras em seus trabalhos, optando por sintetizadores e baterias digitais. O disco tem lindas passagens com ritmos dance de batidas quebradas e pedais wah-wah ("See The Lights", "Space"), pianinhos e vocais sussurrados ("Theme"), house espacial ("Love Is Life") e tiquezinhos de Kraftwerk (os efeitos dos teclados em "Redhills Road"). Algo como se os Beatles encontrassem o 808 State no Haçienda e ambos tomassem umas pílulas antes de fazer uma jam. Como Madstock... está fora de catálogo há muito tempo, toda pirataria será perdoada. Tem aqui.

"Strawberry Fields Foverer": Madchester Rave On.


domingo, 22 de janeiro de 2012

Complextrøm

O sapo não lava o pé, não lava porque não quer. Putz...
Eu não tenho dúvida nenhuma que o norueguês Hans-Peter Lindstrøm é um sujeito talentoso. Já viu a cacetada de remixes que ele tem na pasta? LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Roxy Music... o cara tem jeito pra coisa. 


Seu recente Six Cups Of Rebel extrapola os limites da chamada space disco: é um álbum de eletrônica meticuloso, bem pensado, complexo e muito bem executado instrumentalmente. Dificilmente você vai encontrar opiniões contrárias por aí, e eu seria esmagado por um caminhão de argumentos se ousasse discordar. Só bato o pé num ponto: Six Cups Of Rebel não pode receber a tag Dance Music. Ninguém precisa abdicar de conceitos como criatividade e inventividade, mas música pra dançar já foi bem menos complicada do que isso um dia.

"De Javu": Houston, we have a problem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Escandinávia Disco Club

Terje: influência até...
...dos bigodes de Moroder.

Cada vez que ouço faixas como "Inspector Norse" do norueguês Todd Terje, me impressiono ainda mais com a imensurável influência na música eletrônica exercida por um cidadão italiano chamado Hansjörg Moroder, mais conhecido como Giorgio Moroder. A revitalização da disco praticada por gente como Terje leva a fidelidade às últimas consequências. Seu EP mais recente, Its The Arps, foi todo executado no sintetizador analógico ARP 2600, um equipamento largamente utilizado por Moroder. As outras quatro faixas nem são grande coisa, mas "Inspector Norse" é uma locomotiva sintética de quase sete minutos, que explora muito bem as possibilidades melódicas do ARP. Bem aos moldes do bigodudo Moroder, um dos pais da matéria.

"Inspector Norse": old-new-disco.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sadness Step

Zomby - assim como SBTRKT - também curte uma máscara.
 Tendência: gravadoras de respeito colando no dubstep. Skrillex na Atlantic, Rustie na Warp... e Zomby na 4AD. E sabe que faz todo sentido esse produtor inglês estar associado à 4AD? O selo que ganhou fama por abrigar no seu cast nomes gótico-etéreos tipo Bauhaus e Cocteau Twins mas que só viu seus cofres transbordarem mesmo quando o projeto M|A|R|R|S estourou a muralha de samples "Pump Up The Volume" e começou a avalanche britânica da acid house em 1987, tem tudo a ver com o som de Zomby.


Seu álbum Dedication traz exatos 35 minutos divididos em 16 experimentos de eletrônica sombria, recortados por pianos sinistros ("Basquiat"), cordas amedrontadoras ("Haunted"), vocais assexuados numa vibe Burial ("Natalia's Song") e títulos tão curtos quanto a duração das faixas ("Lucifer", "Salamander" e "Vanquish" nem chegam à um minuto). Por vezes os timbres dos sintetizadores passam raspando em algo que lembra música de video game, mas eles estão estranhamente bem inseridos em canções como "Black Orchid" e "Digital Rain". No geral, são muitas idéias espalhadas em pouco tempo, então vale deixar o disco no repeat pra conseguir digerir tudo.

"Natalia's Song": o dubstep se afasta dos quadris.



   

Rótulos


Minhas tentativas de associar artistas com determinados tipos de som e inserí-los em alguma cena ou movimento ou algo parecido pra facilitar o agrupamento e classificação foram por água abaixo quando alguém cunhou o termo "post-whatever" para designar o som da dupla Travis Stewart e Praveen Sharma, o Sepalcure. Pós-dubstep, pós-techno, UK garage, house... nada mais disso serve. Agora é pós-qualquer coisa. E salve-se quem puder. O Sepalcure é um pouco de tudo isso, um Frankenstein moderno que não cabe mais em rótulos. Tem vocais loopados como vagas lembranças de divas flamejantes em vinis de house music, trazidas à tona via sampler ("Pencil Pimp"), frequências de grave dois palmos abaixos do seu peito e batidas tentando escapar da mesmice ("Eternally Yrs"). O mais irônico de seu epônimo álbum de estréia é que um som tão aparentemente inclassificável assim já soa datado assim que entra no ouvido. Causa provável? A ressaca déja vù que esse coquetel traz embutido na fórmula.  

"Pencil Pimp": classifique você.



domingo, 25 de dezembro de 2011

New Old Boys


Teoria: mais difícil do que criar um som novo é reproduzir com perfeição algo que já foi sucesso um tempo atrás. Concorda? Os canadenses do Junior Boys vem tentando há quatro álbuns transportar aquela sonoridade do synthpop britânico da primeira metade dos 80 para os dias do dubstep. Ou não, vai saber qual é a intenção de Jeremy Greenspan e Matt Didemus quando usam esses sintetizadores limpinhos nas canções de seu disco mais recente, It's All True.


Cada vez que ouço Junior Boys minha sensação de que a dupla é uma versão do Hot Chip do lado de cá do Atlântico é reforçada: vocais tímidos, timbres aconchegantes, quase dançável, quase indietrônica. Não é ruim, longe disso. Mas também não é muito excitante. Você, fã ardoroso de electropop, vai certamente procurar o botão do repeat em "You'll Improve Me", uma maravilha de quase seis minutos que parece ter tido a disciplina paciente de ser construída com uma tecla sendo apertada de cada vez ao invés de cliques nervosos nos synths virtuais, de tão eficiente e milimétrica que é. O problema é que esse mesmo tesão que surge ao ouvir uma canção dessas se esvai quando coisas como a indecisa "The Reservoir" aparecem. E lá vem quatro minutos arrastados por blips e vocais em falsete cansativos. E assim It's All True vai, um tiquinho mais sexy aqui ("Kick The Can"), um tanto mais soporífero ali ("Playtime"), o que resulta num trabalho inevitavelmente irregular. Ouvir esse álbum é como zapear a TV sábado a noite: satisfação e desapontamento andam lado a lado o tempo todo.

It's All True: duas metades desiguais.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Electroplasma

Martyn com a mão na massa.
O holandês Martijn Deykers começou a discotecar em 1996 tocando drum'n'bass. Com o tempo passou a ser conhecido como Martyn e em 2005 já estava lançando singles misturando jungle, techno e dubstep. Em 2011, cometeu um dos top dance albums do ano. Seu Ghost People merece ser ouvido não só pelos frequentadores de clubes, mas também pelos amantes de eletrônica em geral - porque é variado e cheio de boas idéias o bastante para isso.


O álbum começa com as boas-vindas dadas pelo simpático robozinho de "Love And Machines" e já cai no sample extraído de "Headhunter" do Front 242 em "Viper", bom aquecimento para o baixo subterrâneo de "Masks" que vem a seguir. "Distortions" e "Popgun" são duas amostras da diversidade encontrável no disco, com tons deep house na primeira e dubstep na segunda, ambas com ênfase na percussão. A faixa-título e "Twice As" são irmãs gêmeas tech-house, com samples aleatórios de vocais e timbres de sintetizadores parecidos nos riffs. Ainda sobra espaço para Martyn testar os limites de elasticidade dos alto-falantes com as baixas frequências do interlúdio "I Saw You At Tule Lake", experimentar sabores diferentes dos synths nos arpejos de "Bauplan" e apontar as baterias para todas as direções em "Horror Vacui". "We Are You In The Future" encerra brilhantemente o álbum, com quase nove minutos da fusão techno/drum'n'bass sustentada por batidas criativas e teclados atmosféricos. Não deixe de ouvir.

"Viper": aprenda a dançar sem caixa e sem bumbo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cereal Killer

Sonny John Moore, o Skrillex.
Não sei quem criou, mas o apelido Sucrilhex é maldosamente bem bolado. Junta o matinal Sucrilhos Kellogg's com a alcunha do produtor de Los Angeles e entrega a pouca idade (23 anos) deste que é provavelmente o artista mais odiado do dubstep. Mesmo que ele rejeite o rótulo dubstep. 2011 foi bem corrido pra ele. Fez muitos shows, lançou disco, foi um dos nomes a produzir o álbum mais recente do Korn e ainda foi indicado pela BBC como um dos artistas a se prestar atenção no ano que vem, na já famosa BBC Sound Of - edição 2012.


Skrillex lançou esse EP aí no meio do ano, More Monsters and Sprites. A faixa de abertura, "First Of The Year (Equinox)" me deixou confuso. O som potente de bateria chama atenção, a música começa como um reggae de vocais filtrados e picotados. Antes de chegar à um minuto, entra um pianinho doce, calmaria... e o que vem a seguir é Skrillex despejando uma Itaipú de efeitos, distorções e repetições. Sinceramente, gostei da faixa. Skrillex faz umas bruxarias interessantes com o seu aparato de softwares. O EP tem ainda as cordas bacanas de "Ruffneck" (em duas versões) e quatro remixes para "Scary Monsters And Nice Sprites". Se ele é poser, nerd, geek ou qualquer outro desses termos pejorativos, realmente não me interessa. Mas que é um nome pra ficar de olho, é.

"First Of The Year (Equinox)": manifesto contra a pedofilia?



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Post-Dubstep? Já?


 Sinal dos tempos: moleque escocês fica brincando de criar uns sons no laptop, pesca meia dúzia de referências, adota algo que está pegando forte atualmente (inquestionavelmente, o dubstep), lança esse material num debut em disco (Glass Swords) que o incensado Pitchfork joga lá pra estratosfera e pronto: é a bola da vez. Agora, você que manja muito mais de música pop do que eu, me diz: em que uma faixa do Rustie como "All Nite" - cheia de rufos de bateria, vocais robótico/assexuados e distorções - difere de um trabalho tido como farofento e acéfalo como o do Skrillex? Incrível mesmo é que já estão chamando isso de pós-dubstep. E pra piorar as coisas, Glass Swords saiu pela Warp Records - uma gravadora que deve estar fazendo alguma coisa certa pra estar no mercado desde 1989. O que mostra o quanto eu devo estar errado na minha avaliação sobre o trabalho do Rustie. Azar o meu então, não achei nada de especial nesse disco.
 

"Hover Traps": slaps de contra-baixo mais falsos que nota de 25 reais.