O lendário Todd Terry volta com um single que não é lá nenhuma maravilha em termos de inventividade e originalidade, mas é eficiente o bastante para jogar gasolina na pista dos clubs. "Come On Now" saiu pelo próprio selo de Todd, Inhouse Records e não vai além de algumas variações de synths e o sample-título - mas o bumbo pesa uma tonelada e o baixo tem vida própria. Simples, certeira.
Não achei lá muito empolgante essa colaboração entre o leviatã da house music, Todd Terry e Doug Lazy, herói do hip-house da virada 80/90. "We Love That Acid" saiu no meio do mês passado e não é a primeira vez que eles trabalham em conjunto, em 2009 a dupla lançou "Rock That Groove" pelo selo de Terry, Inhouse Records. A faixa de 2009, aliás, é um pouco melhor que essa recém lançada: apesar de ambas terem um poder de fogo (brando) parecido, em "Rock That Groove" o vocal de Lazy é reconhecível à distância, enquanto que em "We Love That Acid", em que Doug Lazy cita alguns de seus hits (as excelentes "Let It Roll" e "Let The Rhythm Pump"), sua voz está soterrada sob um vocoder safado de ruim. Ouça as duas aí abaixo e comprove. "Rock That Groove":
Dia desses tava de papo com o grande Thiago Giardini e ele me mostrou uma faixa que eu não conhecia (Datura, "Voo-Doo Believe"), house com a base toda chupada do remix de Todd Terry para "Missing", do Everything But The Girl (1994). Logo começamos a lembrar de outra dance track que usou o truque, e mais outra... até dar nesse post. Pra se ter ideia do quanto o maravilhoso remix de Terry pra bela canção de Ben Watt e Tracey Thorn levou muita gente a adotar o padrão house classudo do DJ e produtor americano na segunda metade dos anos 90, aqui vão alguns exemplos dignos de nota (para o bem e para o mal):
Primeiro, a matriz - que foi o divisor de águas na carreira da dupla inglesa:
Everything But The Girl - "Missing" (Todd Terry Club Mix) (Blanco Y Negro, 1994)
Grande refrão pop da dupla italiana. Pequenas variações de teclado lá no fundo, mas as baterias foram Control C + Control V. A faixa tem outras versões, mas a que sampleia Todd Terry é essa "Baron Samedi" aí.
Streetnoise - "Horse With No Name" (Club Mix 1) (MCI, 1996)
Gosto demais. Um cover do clássico soft rock do America transformado em hit de pista pelos alemães do Streetnoise. As harmonias vocais do refrão são sensacionais.
Real System - "There Is No More Love (Real Groove Extended Mix)" (Bianco & Nero, 1996)
Mais italianos. Euro house safada de venenosa com vocais qualquer nota de uma tal Antonella Mare. Notou a piada no nome do selo?
Outra do selo do picaretaço Frank Farian (Boney M, Milli Vanilli). Curiosamente, o primeiro single do No Mercy é justamente um cover de "Missing", do EBTG. Depois do desempenho modesto nas charts, o grupo não se deu por vencido. Repetiu a base de Todd Terry em outro cover ("Where Do You Go", desta vez do projeto eurodance La Bouche) e foi um estouro, Top 5 nos paradões de mercados fortes como Alemanha, Austrália, França, Reino Unido e Estados Unidos. Uau.
Ex-modelo e dublê de cantora, a inglesa Tina Cousins gravou vários singles pelo selo do DJ Paul Taylor e do produtor Pete Waterman (do trio Stock, Aitken & Waterman). Vergonhoso.
Todd Terry anda inspiradíssimo. Há poucos dias, mostrou sua ótima "Give Me A Reason", recuperando uma vocalista espetacular (Robin S.) e agora aparece com essa "Go Away" - outra faixa incrível - desta vez com a cantora Martyna Baker. Ambas estão na compilação Our House Is Your House, que acabou de sair pelo Ministry Of Sound. São 33 faixas mixadas por Terry, em dois discos: o primeiro inclui produções e remixes do DJ, como "Keep On Jumpin'" e "Something Going On", mais clássicos de Maurice ("This Is Acid"), Nightcrawlers ("Push The Feeling On"), Junior Jack ("Thrill Me") e Armand Van
Helden (com o remix para "Professional Widow", de Tori Amos). O segundo, traz as faixas e remixes carregadas com mais frequência atualmente em seus pendrives, mais as duas inéditas de Terry. Sensacional.
Abençoado seja o grande Todd Terry por chamar uma vocalista absolutamente fantástica como Robin Stone pra cantar em sua nova "Give Me A Reason". E daí que o baixo use o mesmo timbre de órgão do sintetizador Korg M1 que fez escola em "Show Me Love" e "Luv 4 Luv" (os dois maiores hits de Robin)? Importante aqui é que Robin S. continua cantando maravilhosamente e a música é ótima. A faixa vai estar, aliás, no próximo álbum de Terry, Our House Is Your House, que sai dia 30 de Março pelo Ministry Of Sound. Coisa linda.
Um cheirinho de "Give Me A Reason": gritaria divina.
O mundo do entretenimento adulto perdeu uma bela atriz, mas as pistas ganharam uma DJ e produtora que vem mostrando uma surpreendente competência. A colombiana Lupe Fuentes (conhecida no meio como Little Lupe) largou o set de filmagem em 2010 para abraçar outro: o de mixagem. Frequentadora assídua de clubes na Espanha (onde cresceu), Lupe acabou apadrinhada pelos gigantes Roger Sanchez, Junior Sanchez e Todd Terry e tem desde então lançado suas faixas por diferentes selos, como Brobot Records (de Junior Sanchez), InHouse (de Terry) e Nervous. O negócio é que a house dessa guria é de se prestar atenção. Não sei até onde ela interfere no processo de criação e produção, mas a julgar pelo material que tem apresentado, parece que ela dá pra coisa, digo... parece que ela tem talento pra música de pista. Saca a primeira vez (o primeiro single) de Lupe, "So High":
Casada com Evan Seinfeld (da banda de metal Biohazard), Lupe já engatou parcerias (musicais) com Darryl McDaniels (o DMC da dupla com Run) em "Get Down" e Eric Bobo (Cypress Hill) em "Wepa". Seu lançamento mais recente (pelo selo espanhol Undercool Productions) é a boa "Feel It", tech house de bassline monocórdico, samples vocais esquisitos e um climinha algo soturno.
"Ela está lá para fazer você dançar, não é apenas mais um rostinho bonito e eu estou contente de tê-la aqui com a InHouse Records", nas palavras de Todd Terry. Vale o confere nas outras composições de Lupe em seu site oficial e vamos ver no que isso vai dar (ops!).
Tô dizendo que tem que ter fôlego de maratonista queniano pra acompanhar os lançamentos hoje em dia. Como é que eu passei batido por essas duas estilingadas de um dos leviatãs da house, Todd Terry? O single Tonite / Rock That saiu em Abril, ou seja, ainda tá valendo muito. Ambas vem com o hi-hat desempenhando um papel tão importante quanto o bumbo. "Tonite" é movida por um baixo sintético e tem vocais referentes ao título da faixa repetidos à exaustão, enquanto "Rock That" é recheada com samples de flautas e metais altamente funkeados. Quem sabe, sabe.
Como nossos extenuados sampleadores atuais, os suecos do Sound Factory só tiveram a manha de juntar trechos ganchudos de outras canções e encaixá-los nos lugares certos na picaretagem euro house "Understand This Groove" (1992). Foi só adicionar um som de bumbo um pouco mais potente, repiques de caixa e um baixo que corre juntinho com o riff de sintetizador. Foda foi a dupla de produtores James Gicho e Emil Hellman chamar isso de sua música e o que parecia ser só mais uma trombada de samples prensada em vinil pra enlouquecer os clubs, acabou frequentando até a parada da Billboard. O trampo, digamos, não muito honesto, usa um sample de "Understand This Groove (I Really Love You)", gravado por U.F.I. & Frankie Pharoah (1990), que não apareceu nos créditos do single. Tsc tsc. Afora razões legais, a música continua um balaço.
Vocais de Franke Pharoah, em "Understand This Groove", do projeto U.F.I. (de Phil Mills):
Riff de sintetizador do clássico "I Like It", dos canadenses do Landlord (1989):
Mais alguns teclados extraídos de "Samba" (1992), do House Of Gypsies (de Todd Terry):