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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Pool 9.0

 


Sexta-Feira, 16 de Abril, às 22:00 horas, estreio na Pool FM de São Paulo, com o programa Pool 9.0: é a Dance Music dos anos 90 em todas as suas tendências e focado mais na relevância, influência e pioneirismo da imensurável quantidade de gêneros e subgêneros da música pra dançar desta década do que propriamente no fato delas terem sido sucesso ou não - não que hits eventualmente não apareçam, mas programas de flashback com as figurinhas fáceis do gênero (e só isso) há aos montes por aí. Já didatismo, ecletismo e informação, são qualidades raras na Frequência Modulada ou nas Web Radios. Serão duas edições por semana: sexta, 22:00 horas e sábado 21:00, sempre com dois programas inéditos. Se puder, não perca: acesse poolfm.com.br

sábado, 10 de março de 2018

Gasolina


O lendário Todd Terry volta com um single que não é lá nenhuma maravilha em termos de inventividade e originalidade, mas é eficiente o bastante para jogar gasolina na pista dos clubs. "Come On Now" saiu pelo próprio selo de Todd, Inhouse Records e não vai além de algumas variações de synths e o sample-título - mas o bumbo pesa uma tonelada e o baixo tem vida própria. Simples, certeira.


"Come On Now": mais uma pra conta, Terry.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Bobby Nourmand


Nascido em Los Angeles, o multi-instrumentista e DJ Bobby Nourmand viveu por dez anos em Nova Iorque, onde decidiu que deveria produzir sua própria música. Citando o White Album dos Beatles, Sasha e John Digweed como influências, a house promissora de Nourmand (já) é reconhecível a distância: seus mastodônticos basslines vem em primeiro plano, acompanhados de vocais que transitam entre rap, soul e rock, com teclados e efeitos econômicos e um verniz deep dando o acabamento no trabalho. Dance enxuta, eficiente e linda de se ouvir.

"Mind":



O lançamento mais recente de Nourmand é o single "Prisoner" (saiu no final de Janeiro), com vocais arrepiantes do cantor de Antígua e Barbuda (agora baseado em Londres), Laurent John. Olho nele.

Soundcloud: https://soundcloud.com/bobbynourmand
"Prisoner":





quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Club Classics: Raze


Uma pausa para o amor em 45RPM: o projeto nova-iorquino Raze, formado pela dupla Keith Thompson e Vaughan Mason, lançou vários singles e dois álbuns no período 1986/1992, mas serão lembrados eternamente por "Break 4 Love", de 1987; uma faixa de puro soul com roupagem house, absolutamente brilhante em sua sedutora simplicidade. Classic garage house anthem.

Uma rapidinha com o Raze:

sábado, 26 de agosto de 2017

O Quarto Trabalho De Hercules


Disco novo do Hercules and Love Affair à vista: Omnion é o quarto do grupo, criado e liderado pelo DJ e produtor americano Andy Butler. Com uma discografia irregular até agora, o projeto talvez tenha sofrido um pouco com o fato de ter feito uma estreia empolgante - o debut homônimo, de 2008. Contando com vocalistas convidados (Antony Hegarty entre eles), o álbum foi produzido pelo próprio Butler e pelo DJ e produtor inglês Tim Goldsworthy (U.N.K.L.E., LCD Soundsystem, Cut Copy e Rapture no currículo) e traz Antony Hegarty cantando em cinco das dez faixas, entre elas o soul sintético "Time Will", a percussiva e sussurrada "Easy", "Raise Me Up" (em que os vocais foram soterrados na mixagem em favor do baixo galopante e da bateria disco) e o hit "Blind", cheia de gemidos, trompetes e euforia. Outras canções de destaque são "You Belong" (uma house de refrão grudento em que a levada de piano lembra uma "Understand This Groove" dos suecos do Sound Factory em slow motion), "Iris" (algo Andrea True Connection) e ainda o baixo formidável de "Athene", os metais de "This Is My Love" e as totalmente setentistas "Hercules Theme" (instrumental) e "True False/Fake Real". Num dos melhores discos de 2008, pouca gente veio com uma coisa tão divertida naquele ano.

"Blind":
Apesar de dançante, o melancólico álbum seguinte (como evidencia o título) Blue Songs, de 2010, continua a saga de Butler através dos beats e synths oitentistas ligados diretamente ao technopop e a house music, mas sem o brilho pop do disco anterior e sem a participação de Antony Hegarty. Ainda assim, é um trabalho apreciável, com bons singles como "My House", "Painted Eyes" e a participação de Kele Okereke, do Bloc Party, em "Step Up".

"Painted Eyes":



The Feast Of The Broken Heart, o terceiro álbum (2014), traz de novo vários vocalistas convidados, que, segundo Butler disse à época, formaram "...o melhor conjunto de cantores que já tive". Com produção impecável e grandes canções como "I Try To Talk To You" (com a voz reconhecível à quilômetros de John Grant), "Do You Feel The Same?" (vocais do belga Gustaph e um bassline agressivo com timbres de TB-303) e a Chicago house clássica de "My Offence". Ao contrário dos dois discos anteriores, The Feast Of The Broken Hear não usou instrumentos "orgânicos", como metais e cordas, deixando um pouco de lado a porção disco de seu som.

"I Try To Talk To You":



O próximo trabalho do Hercules, Omnion, traz onze canções e trata de tolerância e fé, conforme comunicado. Algumas amostras já saíram: o ótimo dance pop de "Controller", a contemplativa faixa título, "Rejoice" (um tiquinho mais techno) e "Fools Wear Crowns" (com lindos strings).  O que parece certo é que, mais ou menos dançante e baseado no material que já foi divulgado, é pouco provável que Andy Butler decepcione.

"Controller":

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Chicagoland


Quando a simplicidade da combinação de elementos que incluem um loop de teclado, um baixo minimalista e os vocais soul do cantor Shaun J. Wright, rende uma house que é Chicago em essência, enxuta e suingada. James Curd, em seu recém lançado single "Now I Believe", mostra - mais uma vez - talento e inventividade, montando uma dance track eficiente, viciante e excessivamente bonita. Tudo que as pistas precisam.


"Now I Believe": James Curd na melhor forma.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Groove Armado


"Keep Rock In" - novo single do Groove Armada - não tem muito jeito de que vai ultrapassar as janelas das danceterias (como "My Friend" ou "I See You Baby"), mas tem um sample de chamada pra pista certeiro (parece empréstimo de alguma faixa de hip-hop) e um baixo monocórdico cavalar pronto pra transformar essa house num hitaço de pista. Aliás, é isso que promete o novíssimo selo Weapons, que lançou o single: "Voltando aos dias em que as melhores dance tracks foram feitas para o clube, não o rádio, a Weapons promete fornecer faixas de pista de dança pura, para DJs e clubbers". Assim espero.

"Keep Rock In": cheiro de hit de pista.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lazy House


Não achei lá muito empolgante essa colaboração entre o leviatã da house music, Todd Terry e Doug Lazy, herói do hip-house da virada 80/90. "We Love That Acid" saiu no meio do mês passado e não é a primeira vez que eles trabalham em conjunto, em 2009 a dupla lançou "Rock That Groove" pelo selo de Terry, Inhouse Records. A faixa de 2009, aliás, é um pouco melhor que essa recém lançada: apesar de ambas terem um poder de fogo (brando) parecido, em "Rock That Groove" o vocal de Lazy é reconhecível à distância, enquanto que em "We Love That Acid", em que Doug Lazy cita alguns de seus hits (as excelentes "Let It Roll" e "Let The Rhythm Pump"), sua voz está soterrada sob um vocoder safado de ruim. Ouça as duas aí abaixo e comprove.

"Rock That Groove":



"We Love That Acid":

domingo, 23 de julho de 2017

Andiamo Alla Spiaggia


Termoli, uma antiga vila de pescadores, fica na Costa Adriática na pequena região de Molise, Itália. De um lugar ainda não muito explorado pelo turismo desenfreado e que tem suas praias muito bem preservadas - assim como seu centro histórico - e que praticamente multiplica por três o número de habitantes durante o verão, é que o DJ e produtor Marcello Mansur foi buscar inspiração para seu novo single, "Termoli (The Cala Sveva Song)". A música é um pouco do que a pequena Termoli representa: a fusão do moderno com o tradicional, praticamente uma jam com os violinos incisivos do excelente músico Amon Lima (da Família Lima) e os teclados e programações de Meme, numa house baleárica e sonhadora. Encaixa-se confortavelmente ao lado de canções como a clássica flautinha disco de Van McCoy em "The Hustle" (1975) e os doces assovios de Frankie Knuckles na espetacular "The Whistle Song" (1991). À venda com exclusividade pelo Traxsource, "Termoli" saiu pelo selo de Meme - o Memix Recordings - e vem com quatro remixes adicionais, por David Penn, Danny Dee, Bruce Leroys e Sonic Future.

"Termoli": pra dançar sonhando.

domingo, 16 de abril de 2017

Barão da House


House Music é uma arte destinada ao single.

Sim? Frankie Knuckles, Marshall Jefferson, Larry Heard, Ten City: singles espetaculares, nenhum álbum inesquecível.

Não? Leftfield (Leftism), Daft Punk (Homework), Basement Jaxx (Remedy), Black Box (Dreamland)... há vários exemplos de gente que dedicou o mesmo cuidado ao álbum que dispensou aos 12 polegadas.

Empate técnico.


DJ e produtor de Chicago (espécie de Jardim do Éden da coisa toda), Lee Foss já tem no portfólio uma bela coleção de singles autorais - que ele lança desde 2010. E chega a 2017 disposto a aumentar a porcentagem dos Discos de House Que Valem a Pena Ouvir.

Seu recém lançado álbum de estreia Alchemy (Emerald City Music, 2017) é, numa palavra, primoroso. Parta do princípio que um bom álbum - independente do gênero - é aquele que funciona, também, em casa. No caso de um disco de dance music, que a aplicação não se restrinja somente às pistas de dança. Ponto para Foss. Alchemy rola inteirinho sem ter nada que te faça procurar o botão skip. São 12 canções absolutamente bem feitas, house em essência, mas perfeitamente digeríveis para qualquer apreciador de boa música pop. Mesmo nas faixas que parecem exclusivamente direcionadas para execução entre luzes ofuscantes e volume médio de 110 decibéis (uma boate, por exemplo), há elementos na música que amenizam a experiência para o ouvinte médio. "Deep Congo", a faixa de abertura, é um caso assim. Com uma linha de baixo sintética de fazer tremer a cristaleira e vocais picotados no refrão, há várias camadas de teclados trabalhando no segundo plano que fazem com que as amostras mais ásperas de som acabem harmonizando perfeitamente em conjunto. O mesmo princípio aplica-se às instrumentais "Transit Of Venus" (absolutamente criativa em suas variações de baixo), "Laserdance" (com suas baterias eletrônicas paleolíticas) e ao encerramento "Lake Shore Drive" (camadas sobre camadas de teclados engrenados num estilo mais próximo à Detroit do que Chicago).

O mesmo apuro dedicado em cada hi-hat, em cada timbre de teclado de Alchemy, também é conferido aos vocais e na escolha de quem canta no álbum. De uma nova safra apadrinhada por Foss viceja a impressionante Alex Mills, que participa brilhantemente de "Haunted"; o sempre presente Ali Love (que já gravou várias faixas com Foss, incluindo o projeto Hot Natured, com o outro chefão do selo Hot Creations, Jamie Jones); a doce Camille Safiya (que participa em "The Gift" e na faixa título); Anjulie (na refrescante pop song "Green Light") e Josh Taylor na funky house "Play With Fire".  

Alchemy (como tudo que Lee Foss já pôs as mãos) dispensa formalmente truques e clichês encontráveis facilmente na cena dance mainstream atual - ambiciosa, cheia de vaidade e arrogante como nunca. É um álbum sólido de House Music (merece as maiúsculas) que não despreza o pop, sem pasteurização. Positivamente detalhista, altamente dançável e de uma audição prazerosa do início ao fim.

Enquanto o sofrível Chainsmokers vai pra primeiro na Billboard, Lee Foss, em seu debut, provavelmente cravou o que deve ser o disco de house do ano. Não perca.


"Haunted": só uma das muitas faixas excelentes de Alchemy.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Duran Duran



"All She Wants Is" é a tentativa dos camaleônicos durannies ingressarem no então emergente mundo da house music. A faixa de 1988, presente no álbum Big Thing, não chega a ser ruim: é puxada por uma batida electro entre hi-hats sibilantes e guitarrinhas funky - algo pop demais pro Haçienda e ao mesmo tempo, um tanto esquisita pra manter a frequência nos mais altos lugares das paradas a que o Duran Duran estava acostumado com seus singles. Agora, desastrosos mesmos são os remixes nada inspirados feitos por um craque desse campinho, Shep Pettibone. Sua "US Master Mix" ficou algo bem próximo ao trabalho não muito original de Paul Jason Robb (Information Society) e a "Euro House Mix", com sua caixa saltitante e teclados xinfrim, parece coisa de Stock, Aitken & Waterman. Na dúvida, fique com o original. 
"All She Wants Is": house durannie.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#18: Leon Vynehall)


O DJ e produtor britânico Leon Vynehall foi um dos nomes mais hypados do mundinho dance em 2016. Seu segundo álbum Rojus (Designed To Dance) fervilha boas ideias, numa house orgânica e percussivamente brilhante. Faixas como essa ótima "Blush" (com um lindo riff de violinos disco) são fáceis de encontrar em meio as oito desse disco, que, se não tem nenhum single memorável assim, de cara, mostra uma coesão do tipo que não te faz querer pular nenhuma música.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: AB Logic

Não ficaram muitos rastros do finado projeto eurodance AB Logic. Nem fotos com boa resolução. Fato é que seu único sucesso, o single "The Hitman" (1992) confundiu muita gente: muitos pensaram se tratar de algum lançamento do 2 Unlimited. E o AB Logic era um clone perfeito, mesmo. Um MC rapeando na velocidade da luz (K-Swing), refrão pop cantado por uma moça de voz doce (Marianne Festraets) e um riff de sintetizador pensado exclusivamente pra grudar na memória. Bom, o caso não é de xerox descarado nem de inspiração absurda. O motivo estava atrás da mesa de som durante as gravações do single do AB Logic e chama-se Phil Wilde, famoso produtor belga de dance que também era metade da dupla por trás do 2 Unlimited (o outro era Jean-Paul De Coster). Explicado.

"The Hitman": tão boa quanto "Get Ready For This".

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Little House


O mundo do entretenimento adulto perdeu uma bela atriz, mas as pistas ganharam uma DJ e produtora que vem mostrando uma surpreendente competência. A colombiana Lupe Fuentes (conhecida no meio como Little Lupe) largou o set de filmagem em 2010 para abraçar outro: o de mixagem. Frequentadora assídua de clubes na Espanha (onde cresceu), Lupe acabou apadrinhada pelos gigantes Roger Sanchez, Junior Sanchez e Todd Terry e tem desde então lançado suas faixas por diferentes selos, como Brobot Records (de Junior Sanchez), InHouse (de Terry) e Nervous. O negócio é que a house dessa guria é de se prestar atenção. Não sei até onde ela interfere no processo de criação e produção, mas a julgar pelo material que tem apresentado, parece que ela dá pra coisa, digo... parece que ela tem talento pra música de pista. Saca a primeira vez (o primeiro single) de Lupe, "So High":
Casada com Evan Seinfeld (da banda de metal Biohazard), Lupe já engatou parcerias (musicais) com Darryl McDaniels (o DMC da dupla com Run) em "Get Down" e Eric Bobo (Cypress Hill) em "Wepa". Seu lançamento mais recente (pelo selo espanhol Undercool Productions) é a boa "Feel It", tech house de bassline monocórdico, samples vocais esquisitos e um climinha algo soturno.



"Ela está lá para fazer você dançar, não é apenas mais um rostinho bonito e eu estou contente de tê-la aqui com a InHouse Records", nas palavras de Todd Terry. Vale o confere nas outras composições de Lupe em seu site oficial e vamos ver no que isso vai dar (ops!).



terça-feira, 21 de outubro de 2014

Beat Macho


O duo franco-americano Benoit & Sergio é bom de groove. Prova disso é seu EP Your Darkness (saiu em Julho, pela Visionquest). São três faixas de tech house com eventuais samples de vozes sem rosto e batidas bem trabalhadas. Ouça a robusta "Beat Macho" e entenda o que estou escrevendo. "Splash" privilegia a linha de baixo e dá uma quebrada no ritmo, mas a certeira "Your Darkness" - com seus vocais lânguidos e robóticos e que, conceitualmente, me lembrou "Ecstasy", do New Order - é o ponto alto aqui.

"Your Darkness": faixa-título que, não por acaso, é a melhor do EP. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pooley Dance

 

Tá que não é nenhuma maravilha de inovação e criatividade, mas Ian Pooley trabalha direitinho. Seu mais recente álbum, What I Do, saiu no começo do ano e mostra um produtor experiente (Pooley grava desde o meio dos 90), que sabe usar bem o estúdio, com arranjos competentes e eficiência nos grooves e batidas.


Exemplos no disco não faltam. A refrescante "Bring Me Up" - com seu baixo cavalar e a voz sossegada de Dominique Keegan - é um bom começo. A divertida "Kids Play" evidencia que vocais infantis são infalíveis mesmo (pense em "Get A Life", do Soul II Soul e "D.A.N.C.E.", do Justice). Pooley mostra criatividade nas programações de bateria com a exuberância de "1983" (vocal de Högni Egilsson, do Gus Gus) e "What U Love" (com uma bela sessão de cordas sintetizadas). Uma pincelada com tintas escuras em "I Should Be Sleeping", inserções jazzy ("Over") e alguns detalhes que não passam despercebidos (as slapadas de baixo fazem toda diferença na faixa título), e What I Do fica tranquilamente acima da média vigente, num 2013 de poucos álbuns dance dignos de nota. 

"1983": leva pouco tempo pra viajar dos quadris ao cérebro.

sábado, 12 de outubro de 2013

As Próximas Horas Serão Muito Boas

Pearce e Knuckles: ótimo bate-papo.
Sério: reserve duas horas do seu escasso tempo pra isso, por que vale muito a pena. Trata-se do especial que a rádio BBC 6 fez com o mítico DJ e produtor Frankie Knuckles, em Maio de 2011. É um bate-papo que flui animado, onde Knuckles fala ao DJ e apresentador britânico Dave Pearce sobre seus primórdios na discotecagem e na produção de faixas históricas, como "Your Love" e "The Whistle Song". Se você tem um inglês apenas aceitável (como o meu, nível básico de cinco semestres do Wizard), dá pra sacar de boa o que rola nessa conversa. E tudo isso regado com uma trilha que não merece nenhum outro adjetivo que não seja espetacular. As faixas escolhidas apresentam cronologicamente bases importantes da house music e vão até o comecinho dos 90, com produções memoráveis de Knuckles. Além de descobrir várias fontes de samples - não sabia que "It's a Shame (My Sister)", da rapper Monie Love tinha a guitarra e o refrão chupados da "It's a Shame" do Spinners, por exemplo - a seleção traz coisas como MFSB ("Love Is The Message") e uma sensacional do Peech Boys que eu não conhecia ("Don’t Make Me Wait").

Larry Levan e Ron Hardy já se foram, então aproveite que Frankie Knuckles - um dos caras que estava na gênese dessa história toda - ainda está por aí, na ativa.

Tracklist aqui. O programa, no player abaixo.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: 20 Fingers


20 Fingers é uma dupla de produtores de Chicago, formada pelos picaretas Charlie Babie e Manfred Mohr. Encaixaram uma sequência de hits de pista no meio dos 90 que migrou com facilidade para rádio e TV, provavelmente por causa da temática explicitamente sexual das letras e pela dance contagiosa que praticavam. Enjoou com a mesma rapidez que pegou, mas foi divertido. "Short Dick Man", seu primeiro single (1994), provocou reações adversas por parte da carolagem (tanto que uma versão limada e sem sacanagem foi vendida como "Short Short Man"), mas ora bolas (ops!), a bagaceiríssima vocalista Sandra Gillette só estava dizendo que não se contentava com nada menos que uma anaconda padrão Kid Bengala, que que tem?

Outras faixas do mesmo naipe vieram: "Lick It" (com a vocalista Roula) e "Mr. Personality" - de novo com Gillette - foram as mais conhecidas.

"Mr. Personality" é uma tiração em cima das pessoas, hããã, desprovidas de beleza, mas metidas a besta. A versão original é uma fusão explosiva de guitarras e batidão numa onda 2 Live Crew:



Minha preferida do 20 Fingers é a versão Ugly Mix de "Mr. Personality". É uma música praticamente nova: na real, nem sei que elementos ela usa da matriz. Mas ficou muito melhor. Tem um trompetinho sintético do inferno durante os quatro minutos da faixa, e a percussão é espalhada com maestria pela dupla. Essa batucada casou tão bem com os graves do baixo e as socadas do bumbo, que tornaram esse Ugly Mix compulsivamente dançante. House music simples e muito eficiente. E desbocada. 

"Mr. Personality (Ugly Mix)": "you wanna touch me, but you're so ugly..."

sábado, 6 de julho de 2013

Goddard Solo


Joe Goddard é o vocalista aceitável do Hot Chip. O insuportável chama-se Alexis Taylor. Produtor exímio, Goddard volta a se concentrar nas ideias que não cabem no electropop de sua banda titular, nem da reserva (The 2 Bears).


O EP Taking Over saiu no finalzinho de Junho e traz quatro faixas que reafirmam o talento deste simpático britânico de tecido adiposo deveras desenvolvido.

Meus ouvidos decretaram empate técnico no quesito "melhor música do EP". Não consegui decidir entre a lenha queimando com vontade já na abertura com "Step Together", ou a deep "She Burns".

"Step Together" foi realizada em parceria com o DJ e produtor (e um dos pioneiros da cena house alemã)
Boris Dlugosch. Tem um piano que soa realmente como piano e não como um Casio Tone Bank, o vocal contido de Goddard, firulinhas agradáveis de sintetizador e uma programação de bateria simples e eficiente.


Já "She Burns" é mais gostosa de ouvir, em parte pelos vocais dedicados da desconhecida (pra mim)
Marla Carlyle. Baixo carregado de reverb e teclados que preenchem o ambiente no segundo plano servem de moldura pra boa voz da moça.


"Bassline '12" é um interessante exercício instrumental, com timbres de baterias eletrônicas de bolso e synths electro. O EP encerra com a faixa título meio indie/desolada, com sua guitarrinha tristonha e batida dançante que não instiga a levantar do sofá. Pra quem andou fazendo covers de Vampire Weekend e Joy Division recentemente, não é de se estranhar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Que Fim Levou Robin?

 

O Que Fim Levou Robin? foi um projeto idealizado pelo DJ Mauro Borges, no começo dos 90. A dance music brasileira engatinhava nessa época. Tínhamos alguns discos de rap aparecendo, Fernanda Abreu... e o que mais? O grupo (formado ainda pelo DJ Renato Lopes e a promoter Bebete Indarte) foi provavelmente o precursor da cena por aqui. Ganhou boa exposição na mídia, especialmente pela finada revista Bizz, que escolheu - pela votação da crítica - a faixa "Aqui Não Tem Chanel" como a melhor de 1990. Na TV não foi diferente - seu disco de estréia Aqui Não Tem Chanel foi lançado pouco tempo depois da MTV ter aberto as transmissões no Brasil, no final de 1990. Lembro de uma entrevista no Jô Soares, inclusive. O álbum saiu pela WEA, em 1991. Produzido por Dudu Marote (Skank, Pato Fu), traz soluções criativas para a tecnologia que se dispunha numa época em que o sampler era algo familiar a pouquíssima gente. Alguns semi-hits brotaram, como a house-batucada da faixa-título, a ítalo-disco "Que Fim Levou Robin?", e um cover para "Dancin' Days" das Frenéticas (que sampleia Cid Moreira na introdução!). Outra curiosidade do álbum é a ousadia da bossa eletrônica "Objeto de Uso Pessoal". Minha preferida sempre foi "Tia". Talvez porque uma FM local martelou isso direto durante um bom tempo e grudou a faixa em algum canto do meu cérebro. "Tia" tem o definidor trecho "garotos não são mais garotos, garotas não são o que são". É Mauro Borges, teu refrão está mais atual do que nunca.

"Tia": divertidíssima.