Mostrando postagens com marcador Kavinsky. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kavinsky. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de maio de 2013

Comatose


Entrar no mundo de Kavinsky é como assistir uma temporada inteira de Miami Vice em VHS: pode distrair por um tempo e soar nostálgico (para o bem e para o mal), mas a falta de variedade vai te fazer olhar com mais carinho para produções atuais que não buscam só no passado sua fonte de inspiração. 


Não por acaso, o francês Vincent Belorgey cita a famosa série policial dos 80 como uma das influências presentes em seu debut OutRun (lançado em Fevereiro). Segundo Kavinsky, o disco é baseado na história de um jovem que bate sua Ferrari Testarossa em 1986 e reaparece como um zumbi que produz música eletrônica em 2006 (vai vendo). Daí tantas referências congeladas no tempo: sintetizadores Yamaha DX7, video games, filmes trash de terror (na linha nudez por qualquer motivo, sangue jorrando por todos os lados e humor grosseiro). É só dar uma olhada nos títulos das canções que eles explicam o conceito: "Rampage", "Deadcruiser", "First Blood", "Testarossa Autodrive"... O som é obviamente retrô, com teclados suntuosos (arpejos e timbres de guitarras heavy metal farofa onipresentes) e batidas que buscam a simplificação da forma - no esquema bumbo-caixa, bumbo-caixa, bumbo-caixa. Tem jogadas interessantes, como unir essa noção toda com o hip-hop do rapper Havoc (em "Suburbia"), ou cair em tentação e cometer uma bela canção pop ("Nightcall", com vocais da brasileira Lovefoxxx e produção de Guy-Manuel de Homem-Christo). E para os caçadores de samples, "Grand Canyon" chupa parte dos synths do clássico Italo Disco "Ikeya Seki", do projeto milanês Kano. Pelas idéias que variam minimamente durante os 44 minutos do álbum, OutRun cansa um pouco. Mas não deixa de ser divertido.

"Deadcruiser": é nessa onda aí.

sábado, 5 de maio de 2012

Música Da Semana: Kavinsky


Kavinsky é o francês Vincent Belorgey. Lembro que ouvi seu single Nightcall lá no meio de 2010 e não bateu muito não. Achei o som um mero pastiche daquele synthpop europeu exageradamente romântico do começo dos 80, tipo Savage e FR David. Os remixes então... variações pouco inspiradas do mesmo tema e um lado B que parecia ter saído da trilha d'A Super Máquina ("Pacific Coast Highway").


Pois bem, há coisa de dois meses a rádio Antena 1 resolveu incluir a faixa na programação, e mesmo martelando o dia inteiro eu não fazia idéia do que era - mas ficava hipnotizado quando essa música tocava. Fui procurar identificar e a ficha caiu: era o mesmo Kavinsky que eu havia desprezado quase dois anos atrás. Qual a teoria aplicável? Que acabamos vencidos pela insistência do playlist ou que nem sempre o amor à primeira vista é o mais arrebatador? "Nightcall" chegou a ficar um primeiro lugar no Top 10 da rádio, e bom, surpreso mesmo eu fiquei quando descobri que esse refrão quem canta é a Lovefoxxx, aquela mesma do Cansei de Ser Sexy. E canta lindamente, diga-se, sem aquela histeria indie/nonsense de sua banda original. Pra completar, a produção é de Kavinsky e Guy-Manuel de Homem-Christo (sim, metade do Daft Punk) e a mixagem do DJ e produtor SebastiAn. Não podia dar besteira. "Nightcall" é simples e sofisticada: um loop de teclado que lembra uma guitarra, sintetizadores limpos, bateria monocórdica e um refrão que acerta em cheio o ouvido. E prometo prestar mais atenção nos próximos lançamentos de Vincent Belorgey.

Kavinsky na Antena 1: Listen Without Prejudice.