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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Aqua


Trashy, bobinhos e sem o menor pudor de pagar micos gigantescos (especialmente nos vídeos), os membros da banda (oi?) dinamarquesa Aqua mais parecem personagens de desenho animado. Na real, é meio isso, mesmo. O eurodance de vocais infantilóides da delícia Lene Nystrøm (Morten Harket, do A-ha, pegou e depois tomou um pé na bunda) é pop chiclete, divertido e altamente descartável - tanto quanto eram as primeiras produções de Phil Spector (Teddy Bears, Bob B. Soxx). Devaneio? Compare: a mesma bobajada açucarada, os mesmos joguinhos de vocais de casalzinho, os mesmos refrões repetidos ad infinitum, o instrumental qualquer nota...

"Barbie Girl" ultrapassa meu limite pessoal de cafonice, mas "Doctor Jones", "My Oh My", a baladinha adulta (pros padrões do Aqua) "Turn Back Time" (trilha do filme De Caso com o Acaso, de 1998, com Gwyneth Paltrow) e, especialmente, "Lollipop (Candyman)", eu ouço sem culpa. "Lollipop", aliás, é uma pérola: versa coisas como "eu gostaria que você fosse meu pirulito" (ops) e "morda-me, eu sou seu, se você estiver com fome" no mais ambíguo dos sentidos, enquanto um pianinho safado gruda - mesmo a contragosto - no cérebro.

Imensamente popular na segunda metade dos 90, o Aqua deu um tempo em 2001, mas retornou em 2007 e lançou o terceiro disco em 2011, uma tentativa de adultização do seu pop no flopado Megalomania. Aquele Aqua de 1997 rendeu boas risadas. E a Lene, hmmm...

"Lollipop (Candyman)": impagável.

sábado, 5 de maio de 2012

Música Da Semana: Kavinsky


Kavinsky é o francês Vincent Belorgey. Lembro que ouvi seu single Nightcall lá no meio de 2010 e não bateu muito não. Achei o som um mero pastiche daquele synthpop europeu exageradamente romântico do começo dos 80, tipo Savage e FR David. Os remixes então... variações pouco inspiradas do mesmo tema e um lado B que parecia ter saído da trilha d'A Super Máquina ("Pacific Coast Highway").


Pois bem, há coisa de dois meses a rádio Antena 1 resolveu incluir a faixa na programação, e mesmo martelando o dia inteiro eu não fazia idéia do que era - mas ficava hipnotizado quando essa música tocava. Fui procurar identificar e a ficha caiu: era o mesmo Kavinsky que eu havia desprezado quase dois anos atrás. Qual a teoria aplicável? Que acabamos vencidos pela insistência do playlist ou que nem sempre o amor à primeira vista é o mais arrebatador? "Nightcall" chegou a ficar um primeiro lugar no Top 10 da rádio, e bom, surpreso mesmo eu fiquei quando descobri que esse refrão quem canta é a Lovefoxxx, aquela mesma do Cansei de Ser Sexy. E canta lindamente, diga-se, sem aquela histeria indie/nonsense de sua banda original. Pra completar, a produção é de Kavinsky e Guy-Manuel de Homem-Christo (sim, metade do Daft Punk) e a mixagem do DJ e produtor SebastiAn. Não podia dar besteira. "Nightcall" é simples e sofisticada: um loop de teclado que lembra uma guitarra, sintetizadores limpos, bateria monocórdica e um refrão que acerta em cheio o ouvido. E prometo prestar mais atenção nos próximos lançamentos de Vincent Belorgey.

Kavinsky na Antena 1: Listen Without Prejudice.