quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dissolvendo Tricky


Esqueça o Príncipe das Trevas alçado à fama planetária logo em sua estréia (Maxinquaye, de 1995). Um dos álbuns essenciais dos 90, Maxinquaye ajudou a definir os rumos do trip-hop, logo após Adrian Nicholas Matthews Thaws - o Tricky - resolver abandonar o Massive Attack pra investir na carreira solo. Em Mixed Race, lançado em Setembro, o sobrinho de Finley Quaye atira pra todos os lados e acerta vários alvos: funk (a abertura "Kingston Logic", com vocais inspirados em "Technologic" do Daft Punk, por sua vez inspirada em "Video Games" de Ronnie Jones), jazz sombrio ("Early Bird"), música árabe ("Hakim"), blues ("Come To Me"), house (a surpreendente e ótima "Time To Dance"), e dubstep ("Bristol To London"). Ainda tem espaço pra um sample de "Peter Gunn" de Henry Mancini no primeiro single extraído do álbum ("Murder Weapon"). Tricky só visita o pantanoso terreno do trip-hop na pesada "Ghetto Stars" e em "Really Real" (com vocais de Bobby Gillespie do Primal Scream), e no final das contas, a diversidade proposta nas dez faixas e apenas meia hora de Mixed Race acaba salvando o disco do marasmo - mesmo que Tricky esteja longe daquele ser esquisitão e absolutamente original do primeiro álbum.

"Kingston Logic": pedindo uma mixagem com "Technologic" do Daft Punk.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Disco do Mês: Gypsy & The Cat


O Gypsy & The Cat é uma dupla de Melbourne, Austrália. Com pouco mais de um ano de vida, o duo formado por Xavier Bacash e Lionel Towers produziu o álbum de estréia chamado Gilgamesh em seu próprio estúdio e o levou para Londres para ser mixado à quatro mãos por David Fridmann (baixista do Mercury Rev e produtor de MGMT, Flaming Lips e Clap Your Hands Say Yeah) e Rich Costey (trabalhos com Muse, Franz Ferdinand e Glasvegas no currículo). O resultado é um pop deliciosamente onírico, de melodias tão lindas quanto pegajosas. Do soft rock setentista à eletrônica estratosférica do Air e com referências diretas aos momentos mais ensolarados de MGMT e Fleetwood Mac, o Gypsy & The Cat não despreza as pistas de dança ("The Piper's Song" tem remix do Aeroplane) e fez de Gilgamesh um disco gostoso de ouvir de ponta a ponta. Coisa rara hoje em dia.

"Jona Vark", um dos ótimos momentos do debut do Gypsy & The Cat:


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vídeos Incríveis


Mesmo não sendo de 2010, "Ya No Sé Que Hacer Conmigo" dos uruguaios do Cuarteto de Nos é o vídeo mais sensacional que assisti esse ano. A faixa está no álbum Raro de 2007, e mostra pra nós aqui do país do Restart como é que se faz rock comercialmente viável sem abdicar de boas letras, sem fazer papel de bobo, sem estrangeirismos e com um vídeo espantoso como esse. Foda.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

All Star na Pista

Barney Sumner, Hot Chip e Hot City dividiram a mesa de som pra uma campanha da Converse (All Star e afins). O resultado é "Didn't Know What Love Was", e é possível baixar aqui no site da Converse. A música é algo muito, muito próximo ao que o Electronic fazia em 1992, ou seja, é ótima.

Single Version:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Rei Leão


Sei lá, nunca fui muito ligado em Kings Of Leon. Por exemplo: gosto da pegada estradeira de "Sex On Fire" e detesto o vocal choroso de Caleb Followill em "Use Somebody" (ambas de Only By The Night, disco anterior da banda lançado em 2008). Muitos milhões de dólares mais ricos, o quarteto volta com Come Around Sundown e quem já não era fã provavelmente não vai passar a gostar dessa banda-família (formada por três irmãos e um primo) por causa desse disco. Não é ruim. Tem boas palhetadas, uns tecladinhos mais salientes e muitas linhas de baixo bem fluídas. Mas a voz do Caleb me dá no saco. Acho insuportável. Claro que as gurias da primeira fila não acham isso, então não há nenhuma chance de trocar de vocalista. 

"Beach Side": uma das bacaninhas do disco.