Mostrando postagens com marcador USA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador USA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Vanilla Ice


 Quando "Ice Ice Baby" começou a fazer sucesso (no meio de 1990), Vanilla Ice teva a cara de pau de dizer que não chupou o baixo do Queen ("Under Pressure"). Um tempo depois, admitiu o sample. Seu rap de rimas fracas não foi além de bobagens tipo "Com meu conversível aberto pro cabelo poder esvoaçar / As garotas na espera, só acenando pra dizer olá" ou ainda "Preste atenção porque eu sou um poeta lírico" (essa foi demais).


"Ice Ice Baby" inicialmente era o lado B do single "Play That Funky Music", mas assim que ganhou execução por rádios e DJs, tornou-se imensamente popular - tanto que foi o primeiro rap a chegar no topo do Hot 100 da Billboard, e por conta desse hit, Vanilla Ice colecionou mais discos de ouro do que jamais sonhou.

Em 1990, eu - então com 15 anos - estava me lixando pra letra e nunca tinha ouvido "Under Pressure". Hoje, reconheço que o sample do baixo encaixou direitinho. Foi uma ideia que provavelmente não veio de Robert Matthew Van Winkle, um cara comprovadamente sem talento.

Não tive coragem de comprar o álbum To The Extreme (o segundo de Ice, incríveis 16 semanas no topo da Billboard e mais de 15 milhões de cópias vendidas), mas "Ice Ice Baby" foi licenciada para várias compilações, como essa aí abaixo.


"Ice Ice Baby": Johnny Bravo do rap.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: MC Hammer


Curioso como o tempo passa e o approach muda em relação ao trabalho de um artista. A acusação que pesava sobre Stanley Kirk Burrell (a.k.a. MC Hammer) em seu hit "U Can't Touch This", de 1990, era de que o sample usado em toda base era muito óbvio, uma mera chupação que não envolvia talento, pesquisa ou criatividade. Penso nisso toda vez que ouço "Harder Better Faster Stronger", do Daft Punk, montada com um sample indecente de Edwin Birdsong e sua "Cola Bottle Baby", de 1979. O veredicto para a dupla francesa foi um só: "gênios!"

De fato, à época de "U Can't Touch This", as leis sobre direito autoral ainda não estavam bem claras (honestamente, nem sei se hoje estão), mas Hammer decidiu usar "Super Freak", de Rick James (1981), pra tagarelar seu rap chinfrim e nada modesto ("Oh meu Deus, obrigado por me abençoar com uma mente para rimar e dois pés tão rápidos / Sou conhecido como um cara muito legal de Oaktown / Você não pode fazer igual / Eu te disse cara / Você não pode ser tão bom quanto eu"). E dá-lhe repetir "you can't touch this" 23 vezes canção afora. James não quis nem saber: enquanto o single de Hammer voava alto nos paradões de todo o mundo, processou o rapper por violação de direito autoral. Hammer então apressou-se em ceder a co-autoria da faixa à James e molhou a mão do cantor (falecido em 2004).

O álbum Please Hammer, Don't Hurt 'Em foi lançado logo em seguida e já tinha Hammer na zona de conforto. Vendeu algo em torno de 18 milhões de cópias, o que deve ter garantido a aposentadoria do MC. Para o bem ou para o mal, "U Can't Touch This" é um clássico.

"U Can't Touch This": "... Stop! Hammer time!"

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Clássico De Primeira


Dia desses li um negócio que me deixou de boca aberta. "Bette Davis Eyes", hit interestelar da californiana Kim Carnes, foi gravado numa tacada só. Acredita? Eu custei a entender que a versão final não tem overdubs, não foi gravada em canais separados, nada disso. Foi "um, dois, três... valendo!", do começo ao fim. E prensa o single, e põe nas lojas em Março de 1981, e vai pro topo da Billboard (onde ficou por nove semanas), e termina o ano como compacto mais vendido nos Estados Unidos e coroa tudo isso com o prêmio de "Gravação do Ano" no Grammy Awards 1982. O autor da façanha é o produtor Val Garay, que disse ter feito "uns três takes e ter aproveitado um deles", simples assim. "Bette Davis Eyes" foi composta por Donna Weiss e pela cantora Jackie DeShannon - que chegou a gravar a canção em 1975, sem muita repercussão. A composição foi apresentada a Kim Carnes e Garay, que mudaram completamente o direcionamento da música - da letra ao arranjo - e o resultado foi um sucesso estrondoso, número um em 31 países - Brasil, inclusive. A voz rouca de Kim e o riff memorável do então novíssimo sintetizador Sequential Circuits Prophet 5 (sampleado pelo escocês Mylo no hit "In My Arms", de 2005) continuam entupindo pistas até hoje.

"Bette Davis Eyes": de primeira.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Doug Lazy


Virada dos 80 pros 90: hip-house no auge. Tyree Cooper ("Turn Up the Bass") e Beatmasters ("Rok Da House") disputando o título de 'primeira faixa de hip-house registrada em vinil', hits, crossover pistas/rádios, todo mundo usando o sample "Uh! Yeah!" e finalmente, a bagaceirada que diluiu o gênero.

O DJ e produtor americano Gene Finley, conhecido como Doug Lazy, pegou a coisa na gênese e guardou ao menos três balaços pra posteridade: "Let The Rhythm Pump", "H.O.U.S.E." e o primeiro sucesso, "Let It Roll", de 1989. Baseada em samples de Marshall Jefferson ("Move Your Body"), Mantronix ("King of the Beats"), Big Daddy Kane ("Set It Off") e M.A.R.R.S. ("Pump Up The Volume"), "Let It Roll" tem a ladainha meia boca de Lazy, na clássica linha Kurtis "Eu Sou Foda" Blow, mas sinceridade que a letra é o que menos importa aqui. O que vale é se deixar levar pelos pianos flutuantes e esse baixo monocórdico irresistível. Just let it roll, let it roll, move!

"Let It Roll": hip-house mainstream.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crônica De Uma Morte Anunciada


Nem era difícil prever. Sonny John Moore vem de uma série de EPs, mas álbum cheio até agora, nada. Eu cheguei a ficar coçando o queixo depois de ouvir "First of the Year (Equinox)" - pouco mais de quatro minutos de uma alquimia eletrônica distorcida em sua esmagadora fusão de reggae, dubstep e hardcore digital - mas agora que saiu seu primeiro disco, Recess, respirei aliviado. É horrível.

Skrillex diz que o que faz não é dubstep. A praia dele é o brostep, espécie de variação do subgênero, com a adição de elementos típicos do metal. Acho que é por isso que Recess soa tão repetitivo, tão irritante, de ideias tão limitadas. Não consigo imaginar em que tipo de prazer doentio se encaixa o deleite de algum ouvinte ao som do teste de paciência chamado "Dirty Vibe", parceria com Diplo - este, aliás, pode ter qualquer atributo: saqueador de funk carioca, pegador da M.I.A., mas talento musical, isso não. Me diz quem tem saco pra um zumbido dissonante como o de "Stranger"? E a cara de pau de gravar uma "Equinox II" (em "Try It Out")? A mesma cascata de efeitos, os mesmos vocais com pitch alterado, os mesmos cortes secos, a mesma bateria heavy. E olha, ele não acerta uma. Da abertura com a previsível fusão do raggamuffin dos Ragga Twins com os sons de liquidificador que saem dos sintetizadores virtuais de Skrillex em "All Is Fair In Love And Brostep" ao encerramento com a vibe chapada e estrategicamente colocada como última faixa de "Fire Away". Mas ele é malandro. De olho nos shows da tour que vem aí, Skrillex fez a apelativa "Ease My Mind", pretensamente um hino de estádio com letra adolescente tipo "se a gente não se Raoni, a gente se Sting", que deve ser berrada em uníssono por seus fãs: "Oh DJ, ease my mind, will you / Play that song again 'cause we were in love / Before, before the rain began / And if I cry I cover my ears." Lindo, não?

“Pare de se levar tanto a sério. Pessoas que criam estereótipos de gêneros, que dizem, ‘se você faz isso, você é assim’ – é quase racismo... Você é um artista – você pode oferecer algo legal”, disse o produtor californiano à Rolling Stone. Bom, em Recess, só faltou uma coisa legal: música.

"All Is Fair In Love And Brostep": com a fúria de um camundongo rugindo para a vassoura.

terça-feira, 11 de março de 2014

Quem Bate?


Não tem ruim pro The Knocks: Ben Ruttner e James Patterson já remixaram tranqueiras como Two Door Cinema Club (“Sleep Alone”), já meteram a mão em coisa boa (Santigold e sua “The Keepers”), e já dividiram o palco com gente tão diferente e estranha quanto Deadmau5, Skrillex, M.I.A., Tiësto e Weezer.


O mais novo EP da dupla nova-iorquina acabou de sair, e traz quatro faixas de bom pop eletrônico, dançável e assobiável. A razoável "Dreaming" é compensada pela viajandona "Savior", cheia de bleeps de techno antigo e vocais sonolentos de Wes Miles (do indie Ra Ra Riot). "The One" (participação dos australianos do Sneaky Sound System) é uma ótima sugestão para a pista, mas a melhor do pacote é a faixa título "Comfortable", com sua linha de baixo engrenada, refrão certeiro e um esperto vídeo de perversão blasé. Um dos bombons pop do primeiro trimestre.

"Comfortable": "all my shameful intentions."

domingo, 16 de fevereiro de 2014

João Cai na House


Dá uma ligada no single novo de John MacLean e seu (dããã) The Juan MacLean, que vale a pena.


"Get Down (With My Love)" sai pela DFA do James Murphy oficialmente na próxima semana (dia 17), em formato digital e num vinil sem lado B: apenas a faixa principal no A. A DFA ainda disponibilizou uma radio edit pra download gratuito na sua página do Soundcloud.

House frenética e enérgica, com piano saltitante no melhor estilo ítalo e bassline emborrachado. Os bons vocais são da frequente colaboradora Nancy Whang (a china girl da foto acima).

"Get Down (With My Love)": house febril.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Quarta do Sofá: Chris Isaak


Uma das guitarras mais libidinosas da história, "Wicked Game" é o primeiro e maior hit de Chris Isaak (só no mercado americano, o single de 1989 vendeu mais de 500 mil cópias). Com sobrancelhas arqueadas numas de canastrão tipo James Dean do rockabilly, Isaak contracena no belíssimo vídeo em preto e branco com a modelo dinamarquesa Helena Christensen, na época com 21 anos e mais bonita que a realidade.

"Wicked Game": "...nobody loves no one".

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Groove Lines


Robin Thicke tem coisas bem mais interessantes do que seu topete aerodinâmico. Suprema desinformação, só fui saber da existência do cantor americano esse ano, quando sua "Blurred Lines" apareceu em todos os lugares. E a faixa que dá nome ao sexto (!) álbum de Thicke é uma das coisas mais bacanas que ouvi em 2013. O arranjo é simples - basicamente um piano elétrico Fender Rhodes e a habilidade percussiva do produtor Pharrell Williams - somados ao bom trabalho vocal e à letra venenosa ("eu vou te dar algo grande o suficiente / para rasgar sua bunda em duas", é um trecho singelo rapeado pelo convidado T.I.). Assumidamente inspirada em "Got To Give It Up", de Marvin Gaye, a faixa nem sampleia nem plagia o clássico de Gaye. Mesmo assim, a família do falecido cantor acusou Thicke de copiar o som e o "feeling" de "Got To Give It Up". Motivos insuficientes pra processo, Thicke e Williams deram de ombros.

O álbum, com 11 faixas, (mesmo com um batalhão de produtores que inclui will.i.am e Timbaland) é nota 6 - o que, pro pop atual, é muito acima da média. Tem coisas que dá pra pular sem culpa, como a tentativa EDM de "Feel Good" ou a musicalmente indecisa "Give It 2 U" (com a ladainha fraca de Kendrick Lamar enchendo a paciência). Legais mesmo são os funks "Ooo La La" e "Ain't Not Hat 4 That", o belo arranjo de cordas de "4 The Rest Of My Life", o competente soul "The Good Life" e uma sequência canarinho que inclui o cavaquinho de Seu Jorge caindo como uma luva em "Go Stupid 4 U" e o samba-rock (intencional?) da ótima "Top Of The World".

Abre o olho, Timberlake.

"Top Of The World": nem ruim da cabeça, nem doente do pé.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Quarta Do Sofá: Roy Orbison


Tímido pra cacete e com um shape tão esquisitão quanto um personagem de David Lynch, Roy Kelton Orbison compensava tudo com sua voz absolutamente limpa e poderosa.
"She's a Mystery to Me" é uma baladona típica de Orbison: carregada, emocional e um tiquinho sombria. Foi um dos singles extraídos do último álbum do cantor, Mystery Girl, lançado no comecinho de 1989 (ele faleceu em Dezembro de 1988). Composta especialmente para Orbison por Bono e The Edge, "She's a Mystery to Me" foi uma das canções que contribuíram para a volta de Roy Orbison aos lugares mais altos das paradas no mundo todo, não só porque Mystery Girl é um disco póstumo, mas porque é espetacular.

"She's a Mystery to Me": réquiem para um fora de série.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Industry


Nem sei se dá pra chamar o Industry de one hit wonder. "State Of The Nation" - supostamente, o grande sucesso da banda nova-iorquina - chegou apenas no número 81 do Hot 100 da Billboard. A Europa absorveu melhor a música do quarteto new wave, especialmente a Itália. Tanto que chegaram a abrir shows de gente como Talk Talk e INXS por lá. A banda acabou logo depois do álbum Stranger to Stranger ter sido lançado, em 1984.


O single "State Of The Nation" saiu em 1983, e fala sobre a imbecilidade das guerras, aquela história. É um synthpop de refrão bobinho, mas com bons ganchos de sintetizador. Para fãs ardorosos de technopop (como eu), é o ouro.

"State Of The Nation": "There´s no place like home..."

domingo, 17 de novembro de 2013

Talking Beats


Talking Heads e música de pista flertavam há tempos. Seja nas pioneiras experimentações cabeçudas da banda com loops e samplers (Remain In Light, 1980), abraçando a world music afro/latina ou pela cozinha espetacular do baixo funkeado de Tina Weymouth e o metrônomo Chris Frantz. A cereja que faltava foi o hit "Lazy", single de 2002 do X-Press 2, com David Byrne nos vocais. 


Até que demorou pra alguém aparecer com edits ou remixes decentes de uma banda que tem um groove poderoso nas veias. Se apareceu antes de 2013, me deixe ficar sabendo. Algum iluminado teve a ideia de pegar três faixas do grupo nova-iorquino e entregar pra três nomes do underground dance, somente pra dar um polimento. Reforçar bumbos, colocar umas palminhas, loops e teclados. O projeto foi batizado de Tugboat Edits, saiu com apenas 500 cópias em vinil (numeradas à mão) e não é oficial.

"Burning Down The (Acid) House (Late Nite Tuff Guy)", me perdoe a provável heresia, ficou melhor que o original. O baixo (que já era uma estupidez) foi reforçado pelos timbres derretidos de uma TB-303 e agora sim, dá pra botar qualquer casa abaixo. Os créditos desse estupendo trabalho vão pro DJ e produtor australiano Carmelo Bianchetti, pra mim, um ilustre desconhecido.

"Girlfriend Is Better" (originalmente do álbum Speaking in Tongues, de 1983), virou "GF" pelas mãos de Jason Kriveloff (JKriv), um nome de respeito entre edits e faixas autorais da recente Nu Disco. Sua "GF" é uma house que não limou as escovadas de guitarra e salpica um piano elétrico delicioso.

Tim Zawada transformou "Pull Up The Roots" na hilária "Pull Up The Bootz (TZ Hevdit)", preenchendo os espaços com um kit de percussão admirável e mantendo o espetacular baixo original.

David Byrne deve ter aprovado a ousadia.

"Burning Down The Acid House (Late Nite Tuff Guy)": Hold tight wait till the party's over!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sambando Em Nova Iorque

Rapái, que catástrofe essa discotecagem do duo canadense Chromeo pro site Boiler Room, transmitida dia 10 de Setembro. Aconteceu em Nova Iorque, mas poderia ter sido no Sambódromo, no Rio De Janeiro. O set até que é legal (rolou até "You Can Do Magic", do America!). O problema são as mixagens, feitas sem o menor pudor em esquartejar as faixas e jogar outras por cima na base do atropelo. Aí, lá pelos 20 minutos, o produtor e DJ A-Trak (parceiro de Armand van Helden no Duck Souce) vai pros CDJs tentar uns scratches e backspins em cima de "Over Your Shoulder" (single novo do Chromeo), e o resultado... bom, "constrangedor", pra ser bem educado. Tudo bem que o espírito é descompromissado, "put your hands up!", vocoders... mas David Macklovitch (metade do Chromeo), não leva o menor jeito pro negócio. Assiste aí e me diz.


sábado, 9 de novembro de 2013

Coito Interrompido


 Ouvi metade de "Aura", primeira faixa de Artpop - pretensioso título do novo disco da Lady Gaga - e parei. Não consegui ouvir o resto do álbum. Estou perdendo alguma coisa?

"Aura": só conheço metade.



Update: acabei de ouvir e é insuportavelmente chato mesmo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Segunda Class: Tony Bennett


É sério. Tony Bennett é legal. Tem aquela pegada cafajeste hollywoodiana de Sinatra e Sammy Davis Jr., mas sua voz limpa, potente e aveludada (quando necessário) compensa. Assusta um pouco na suntuosidade dos arranjos de "Reflections" e nos exageros vocais de "Maybe September", mas os dois minutos e meio deliciosos de "I Wish I Were In Love Again" e a delicadeza acústica de "Blue Moon" superam qualquer escorregada. E o "Cole Porter Medley"? Maravilha.

Está tudo em As Time Goes By, Great American Songbook Classics, lançado em Fevereiro deste ano. Aos 87 anos, um dos últimos moicanos na ativa. Essencial.

"Blue Moon": original de 1958.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Segunda Class: DJ Day


Day é o californiano Damien Beebe. DJ, produtor e multi-instrumentista, Beebe começou a discotecar em 1995, mas seu álbum de estreia só saiu agora, em 2013 (sem contar uma coletânea de singles, faixas inéditas e remixes lançado em 2008).

E que disco. Land of 1000 Chances pode ser colocado sem hesitação na mesma prateleira (ou na mesma pasta de arquivos) do que melhor DJ Shadow e RJD2 fizeram em suas carreiras. A síntese é a mesma: beats de hip-hop e andamentos de jazz sustentando enxertos de funk, soul e eletrônica. A diferença de DJ Day é que sua trip é de músico - ele se apoia fundamentalmente em instrumentos, não em samples. Ocasionalmente, amostras de diálogos e vocais são inseridos ("Mama Shelter"), mas são apenas coadjuvantes frente a quantidade de Mellotron, Clavinet, piano elétrico, baixo, guitarra e percussão usados nas faixas. Em "Boots in the Pool" e "Hopefully", belíssimos arranjos de cordas ornamentam músicas que transbordam bom gosto, calor e emotividade.

Land of 1000 Chances
tem 15 faixas instrumentais sem altos e baixos: o nível das composições é tão plano e homogêneo, que funciona incrivelmente bem se ouvido do início ao fim, sem interrupções. E pode ter certeza, você não vai querer pular nenhuma.

"Land of 1000 Chances": só uma das 15 pérolas do álbum.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: 20 Fingers


20 Fingers é uma dupla de produtores de Chicago, formada pelos picaretas Charlie Babie e Manfred Mohr. Encaixaram uma sequência de hits de pista no meio dos 90 que migrou com facilidade para rádio e TV, provavelmente por causa da temática explicitamente sexual das letras e pela dance contagiosa que praticavam. Enjoou com a mesma rapidez que pegou, mas foi divertido. "Short Dick Man", seu primeiro single (1994), provocou reações adversas por parte da carolagem (tanto que uma versão limada e sem sacanagem foi vendida como "Short Short Man"), mas ora bolas (ops!), a bagaceiríssima vocalista Sandra Gillette só estava dizendo que não se contentava com nada menos que uma anaconda padrão Kid Bengala, que que tem?

Outras faixas do mesmo naipe vieram: "Lick It" (com a vocalista Roula) e "Mr. Personality" - de novo com Gillette - foram as mais conhecidas.

"Mr. Personality" é uma tiração em cima das pessoas, hããã, desprovidas de beleza, mas metidas a besta. A versão original é uma fusão explosiva de guitarras e batidão numa onda 2 Live Crew:



Minha preferida do 20 Fingers é a versão Ugly Mix de "Mr. Personality". É uma música praticamente nova: na real, nem sei que elementos ela usa da matriz. Mas ficou muito melhor. Tem um trompetinho sintético do inferno durante os quatro minutos da faixa, e a percussão é espalhada com maestria pela dupla. Essa batucada casou tão bem com os graves do baixo e as socadas do bumbo, que tornaram esse Ugly Mix compulsivamente dançante. House music simples e muito eficiente. E desbocada. 

"Mr. Personality (Ugly Mix)": "you wanna touch me, but you're so ugly..."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Never Let Me Down Again

CHVRCHΞS e Holy Ghost!: discos recém-lançados, e ambos deixaram a desejar .


Os escoceses do CHVRCHΞS lançaram quatro singles que deixaram esperançosos fãs ardorosos de technopop como eu - especialmente por Recover EP, que contém a magnífica "Now Is Not The Time" (que curiosamente não está no debut do grupo). Seu aguardado álbum The Bones Of What You Believe sai oficialmente dia 23 de Setembro. Azar o meu: ouvi e não rolou. Nem a linda vocalista Lauren Mayberry salva um disco que nos melhores momentos ("Recover") não vai muito além do pop eletrônico/bobinho perpetrado no século passado por gente como Thompson Twins - o que até nem seria demérito, se nos piores ("By The Throat"), eles não parecessem uma Debbie Gibson num dia ruim. Eu nem ligo se o synthpop vem andando em círculos ultimamente, se fórmulas são repetidas e essa conversa toda - desde que a música oferecida passe por cima desses clichês. E o problema é que bandas iguais o Chvrches eu já ouvi mais de cem esse ano.

"Recover": a segunda melhor faixa do Chvrches. A melhor não está no álbum.




Já o problema dos nova-iorquinos do Holy Ghost! está na irregularidade. A dupla lançou seu segundo disco (Dynamics) no último dia 10, e ele tem as bordas interessantes, mas o recheio é insosso. A abertura "Okay" é realmente empolgante. É uma das melhores definições para "pop de sintetizador" que ouvi esse ano. Mas daí pra frente, o nível cai absurdamente, auto explicado pelo título da segunda faixa ("Dumb Disco Ideas"), e por um ranço indie que persegue o som do duo. Só lá na oitava faixa (o bom refrão e os arpejos de "Bridge and Tunnel") o Holy Ghost! começa a subir devagarinho, até reviver o New Order pré-1983 em "Don't Look Down" e "Cheap Shots" (com uma guitarrinha totalmente Barney Sumner e tudo) e finalmente emplacar uma fofa baladinha de plástico (a quase-vinheta "In The Red"). Mas aí já é tarde, porque o disco acaba com 11 faixas. Faltou esmero (ou inspiração) pra nivelar um pouco mais alto esse Dynamics.

"Okay": a melhor, já de cara.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Free Your Money


Tá afim de ouvir "Free Your Mind", a música nova do Cut Copy? Barbada. É só dispor de alguns trocados e seguir as instruções que recebi hoje por um e-mail promocional da banda. Simples, ó:

We put out a new track today. We'd like you to
have a listen.  

How to listen to "Free Your Mind"

1. Journey to one of the following locations :
(denoted by the green arrow on the map) 

Mexico City: 19.418546,-99.15799 
Detroit:  42.331225,-83.066366  
California Desert: 33.921089, -116.761205  

2. Open cutcopy.net
Make sure your Location Services and audio are on.
(how to do this on an iPhone or Android) 

3. Free Your Mind

Boa sorte.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Segunda Class: Mayer Hawthorne


Esqueça aquele Mayer Hawthorne do primeiro disco, o sublime A Strange Arrangement (2009). Aquela postura tímida de vocais pequenininhos e falsetes afinados, que captava brilhantemente o soul sessentista da Motown de boa cepa, ficou pra trás. Agora, no seu terceiro álbum (Where Does This Door Go, saiu mês passado), Hawthorne justintimberlakequizou seu som e aparentemente tenta posicionar-se no mercado ao lado do ex-'N Sync e Robin Thicke. 

 
 É R&B de beats moderninhos (tem Pharrell Williams no time de produtores), salpicado de extravagâncias reggae ("Allie Jones") e hip-hop ("Crime", com Kendrick Lamar). Não sei se vai pegar, mas Where Does This Door Go é uma beleza de disco.

"Her Favorite Song": eu não nasci de óculos, eu não era assim.