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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

It’s Very Electronic


Não me impressionou muito a nova do bom Editors, "Magazine". O single precede o próximo álbum do grupo, Violence, programado pra Março. Ouvindo "Magazine", lembrei de "Where's the Revolution", recente canção do Depeche Mode - mas mais pela temática (política, corrupção, poder) do que pelo som. Tom Smith, vocalista, letrista, tecladista e guitarrista do Editors, andou dizendo que Violence trará um equilíbrio muito bem dosado de rock e eletrônica ("... when it’s electronic, it’s very electronic..."), como jamais a banda conseguiu. A perspectiva de um novo trabalho (do ponto de vista do artista) é sempre a de que o melhor álbum é o próximo, então descartemos a perigosa expectativa gerada por Smith baseados pela simples audição de "Magazine", uma música apenas OK, mas que pode até render um versão bacana pra pista - todo mundo lembra do remix espetacular do grupo inglês Cicada para "Munich", faixa do Editors de 2005.


"Magazine": regular.

domingo, 9 de junho de 2013

Compare e Comprove


Comparações são mesmo necessárias na hora de falar sobre um disco? Depende. O que soava parecido com Kraftwerk, Joy Division, Roxy Music, Pink Floyd, Velvet Underground, Jesus & Mary Chain, Aphex Twin, The Doors? Nada. Artistas absolutamente inovadores como esses cravaram suas bandeiras no Everest musical (essa foi horrível) e mudaram os rumos do pop, influenciando de maneira imensurável o que veio depois deles. Então, o que restou para as gerações subsequentes? Absorver essas influências, fundir, misturar, tentar criar algo novo a partir das sementes lançadas anos atrás.

OK, mas isso você sabe. Então porque essa filosofia de almanaque enquanto divagação de boteco?


Bom, o Editors está com álbum novo prontinho pra ir pras prateleiras. The Weight Of Your Love sai oficialmente dia 1º de Julho e é o quarto da discografia - o primeiro sem o guitarrista e tecladista Chris Urbanowicz, que saiu alegando estar descontente com os rumos musicais que o grupo estava tomando (a desculpa mais habitual pra esse tipo de situação). Sintomaticamente, The Weight Of Your Love tem muito menos sintetizadores que seus antecessores. Segundo o vocalista e letrista Tom Smith, o Editors tem se aproximado cada vez mais da sonoridade de bandas como R.E.M. e Arcade Fire, mais simples e menos experimental. Na verdade, eles tiram o Joy Division da alça de mira e apontam agora na direção de Ian McCulloch e seus homens-coelho.

The Weight Of Your Love é o Ocean Rain do Editors, levando em consideração a orientação musical: escalas menores, orquestrações de sonoridade oriental, sutil, deprê. O Echo & The Bunnymen começou a usar cordas em suas canções com o single "The Back Of Love" de 1982, mas foi em Ocean Rain que a coisa tomou a proporção de orquestra. E não para por aí. Além da voz de Tom Smith lembrar muito o McCulloch do começo dos 80, ecos dos arabescos sedutores das guitarras de Will Sergeant são fáceis de encontrar dispersos pelas 12 faixas do álbum, especialmente bem colocados entre a ótima linha de baixo e o loop de bateria de "Sugar" e no single "A Ton Of Love". A temática romântica de tons monocromáticos que caracteriza as letras de Tom Smith encaixa-se perfeitamente à doçura dos arranjos ("Honesty"), embora soe exageradamente suntuoso às vezes ("Nothing") e a decisão de gravar ao vivo boa parte do material do disco mostrou-se acertada nos momentos em que o andamento do metrônomo dispara (provavelmente na ótima "Formaldehyde" e nos violões blueseiros de "The Weight").

Agora, esse confronto faz alguma diferença no produto final? Nesse caso não. O Editors tem todo direito de reivindicar para si vestígios de Echo & The Bunnymen, sem que isso signifique um simples pastiche. A banda fez de The Weight Of Your Love um álbum inspirado num darkismo que enxerga o amor de uma forma sinuosa e amargurada, mas com lindas melodias e repleto de boas músicas. Isso é suficiente para livrá-los da pecha de meros copiadores.

"A Ton Of Love": nuvens escuras à vista.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Divisão da Alegria



Mês passado o Editors lançou seu terceiro, e provavelmente, melhor álbum: "In This Light and On This Evening". Nem sei se ainda é necessário citar o Joy Division pra escrever sobre um disco do Editors, do Interpol ou ainda do She Wants Revenge - mas vai que você esteve em coma nos últimos dez anos? Pode ser relevante localizá-lo no tempo e no espaço pop e dizer que o finado vocalista do Joy, Ian Curtis, está assombrosamente presente nos vocais de Tom Smith. Ouça a sexta faixa do disco, "The Boxer", e deixe este seu sábio juiz (o ouvido) decidir: não é espantosa a semelhança?



A voz gutural de Tom Smith também vem das profundezas na faixa-título (que abre o álbum) e aqui dá pra ter uma idéia do que tem 43 minutos à frente: o Editors agora concentra seus riffs mais nos sintetizadores do que propriamente nas guitarras e o resultado é fantástico; os timbres são poderosos, ameaçadores. A melodia de "Papillon", o primeiro single do álbum, também evidencia isso:



"Like Treasure" é outro momento particular. Os vocais estão quase em segundo plano e é a melhor participação do baixista Russell Leetch no disco, numa linha de baixo pulsante e que conduz a faixa com segurança em meio ao redemoinho de teclados:



"In This Light and On This Evening" foi produzido por Flood (Depeche Mode, Smashing Pumpkins, U2, Killers e mais um monte de gente boa no currículo), e estreou direto em primeiro lugar na parada inglesa. Sinal de que a pequena correção de rota no pós-punk do Editors foi muito bem recebida, ao menos pelo público.