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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Classix Nouveaux


"Guilty" foi a canção mais conhecida da curta carreira dos ingleses do Classix Nouveaux. Lançada em 1981 - no período mais glamouroso do efervescente new romantic - o single teve desempenho modesto no paradão inglês, nem entrou no Top 40. Mas experimentou uma certa dose de popularidade com um technopop chiclete impulsionado por um baixo disco excepcionalmente bem executado e também pela figura esquisitíssima (e carismática) do vocalista Sal Solo, uma espécie de Nosferatu da new wave britânica. Não sinta-se culpado por gostar dela.

"Guilty": festa estranha, gente esquisita.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quarta Do Sofá: Spandau Ballet


1983: o Spandau Ballet comete uma das baladas mais legais do período.


"True" tem algo de soul de branco, ligeiramente jazzeificada e de teclados discretos. Com letra do cérebro da banda (o guitarrista Gary Kemp) citando Marvin Gaye ("Listening to Marvin, all night long / This is the sound of my soul"), o vocalista Tony Hadley imaginava ser o Sinatra do new romantic - seus vocais são OK, mas o grande gancho da canção é o riff de guitarra aliado ao backing "Huh huh huh hu-uh huh". Os mesmos sampleados pelo PM Dawn no hit "Set Adrift On Memory Bliss", de 1991.

"True": ternos bem cortados.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Old Romantics


Será que ainda falta alguém? O Visage não gravava há 29 anos e, do nada, reaparece em 2013 com disco novo. Primeira reação: desconfiança.


E olha que as coisas não estavam fáceis para o andrógino Steve Strange (voz, maquiagem) nos últimos anos, incluindo aí sua luta contra a dependência de heroína, um colapso nervoso e - fundo do poço - uma condenação à três meses de prisão por furto. Em 2012, Strange apareceu num chat da TV britânica ITV afirmando estar trabalhando com Midge Ure (Ultravox) num novo álbum do Visage. E aí está Hearts And Knives.

A pergunta óbvia é "e presta?". Bom, o Visage sempre foi uma banda de singles. No currículo, os ingleses tem a monumental "Fade To Grey" (1980), um clássico à prova do tempo que tem que estar em qualquer Top 10 Synthpop Songs Of All Times. Depois tem a bonitinha "Mind Of A Toy", e assim, com muita boa vontade, "In The Year 2525" e "The Damned Don't Cry". Seus álbuns anteriores vão ser eternamente ofuscados por "Fade To Grey" - e isso não vai mudar com Hearts And Knives. Mas é um disco decente, menos espalhafatoso e mais sólido do que os outros três que o grupo lançou nos 80.

O fantasma de "Fade To Grey" ainda ronda as composições - é só dar uma ouvida na programação de bateria e nas rajadas de synths de "She's Electric (Coming Around)", mas com faixas como o bom single "Shameless Fashion", o Visage vai se desvencilhando do seu estigma cinza. Com uma vocalista na nova formação (Lauren Duvall), algumas canções lembram os memoráveis duelos de Philip Oakey com Susan Ann Sulley e Joanne Catherall, do Human League ("Hidden Sign", "Dreamer I Know"). Além de Midge Ure, chapas de Steve Strange como o ex-tecladista do Simple Minds Mick MacNeil e o baixista Youth (Killing Joke) participam de Hearts And Knives, preenchendo com sintetizadores épicos faixas como "On We Go", ou fornecendo uma base robusta de quatro cordas, como no baixo disco de "I Am Watching" e no timbre fantástico desse instrumento em "Lost in Static". O comeback do Visage aprovou: Hearts And Knives é sim um bom disco.

Agora só falta o Kajagoogoo voltar. O quê? Eles voltaram? Em 2003? Nãããããooooo!

"Shameless Fashion": bem-vindo de volta, Steve.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Faça-se a Luz


Temo que com a quantidade absurda de informação (e música) despejadas diariamente no seu monitor, este segundo álbum do dominicano George Lewis Jr. tenha passado batido pelos seus ouvidos. Se aconteceu, corrija a rota. Confess saiu mês passado e é uma belíssima coleção de canções pop. Segundo Lewis, "este álbum é sobre estar na estrada e a forma como meus relacionamentos mudaram com as pessoas". Foi na estrada que Lewis sofreu um acidente de moto em Boston, fato que serviu de inspiração para a gravação do álbum. Consequentemente, um Twin Shadow menos melancólico e mais otimista do que no debut Forget é o que ouvimos em Confess, cheio de boas melodias amarradas por sintetizadores grandiosos ("Five Seconds", "Beg for the Night"), levadinhas new wave ("Five Seconds", "The One"), refrãos amigáveis ("Run My Heart") e construções épicas, mas sem pompa ("I Don't Care"). Penso que o grande trunfo do Twin Shadow é passar a limpo sons que remetem ao new romantic e à new wave sem deixar nada com gosto de requentado, coisa de quem tem a manha de absorver influências pra criar um trabalho original, como se partisse do zero. Um dos discos do ano.

  "Beg The Night": here comes your love.