sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

2010 Fechado Para Balanço


2010 já era. Foi um ano - mais uma vez - com um caminhão de discos legais, comebacks fracassados e discos ruins aos montes também. Certamente não ouvi metade da metade dos álbuns que devem estar incluídos numa certa "unanimidade", ou em algo que pode se chamar de senso comum, entre várias listas que já começam a pipocar na rede. A primeira lista é de músicas que me fizeram ter vontade de apertar o repeat em 2010. Nos próximos posts, os discos e os vídeos. Eis:

10 Músicas:

1) “Beautiful Life” – Hurts > O vídeo apareceu em 2009, mas oficialmente, a faixa saiu esse ano. Synthpop no melhor sentido Pet Shop Boys do termo.

2) “Odessa” – Caribou > Daniel Snaith, o Hermeto Pascoal da música eletrônica.

3) “The Suburbs” – Arcade Fire > Melodia perfeita, gancho perfeito, pop perfeito.

4) “Stand Alone” – Artificial Intelligence > Dupla inglesa mostra que o Drum'n'Bass ainda tem muita lenha pra queimar.

5) “Shameless” – Groove Armada feat. Bryan Ferry > Bryan Ferry perdeu um pouco da elegância do timbre, mas continua classudo como sempre.

6) “Why Does The Wind?” – Tracey Thorn > De um disco que pouca gente ouviu em 2010, uma das mais climáticas. E pop.

7) “Celestica” – Crystal Castles > Emocionante, esquisito, tenso, nublado. E dançável.

8) “Beam Me Up” – Midnight Magic > Coletivo nova-iorquino numa faixa lançada esse ano, mas que soa como 1976.

9) “r ess” – Autechre > Timbres assustadores, batida desorientadora e relevância numa era em que poucos ainda arrancam alguma originalidade da tranqueira cibernética.

10) “Somebody New” – The Amplifetes > De olhos bem abertos nos próximos passos destes suecos: "Somebody New" mostrou que eles podem ir longe, bem longe.


"r ess", do Autechre: bela e enigmática.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Branco no Preto


Nascido nos Estados Unidos e criado nas Bermudas, Collie Buddz tem a manha. Rapeia com a voz e a ginga de um toaster jamaicano embalado por uma base rítmica vigorosa de baixos gordos e beats produzidos com uma só intenção: entortar sua coluna. Resenha completa no rraurl, acesse.

"Hustle", uma das pedradas de Collie Buddz:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dissolvendo Tricky


Esqueça o Príncipe das Trevas alçado à fama planetária logo em sua estréia (Maxinquaye, de 1995). Um dos álbuns essenciais dos 90, Maxinquaye ajudou a definir os rumos do trip-hop, logo após Adrian Nicholas Matthews Thaws - o Tricky - resolver abandonar o Massive Attack pra investir na carreira solo. Em Mixed Race, lançado em Setembro, o sobrinho de Finley Quaye atira pra todos os lados e acerta vários alvos: funk (a abertura "Kingston Logic", com vocais inspirados em "Technologic" do Daft Punk, por sua vez inspirada em "Video Games" de Ronnie Jones), jazz sombrio ("Early Bird"), música árabe ("Hakim"), blues ("Come To Me"), house (a surpreendente e ótima "Time To Dance"), e dubstep ("Bristol To London"). Ainda tem espaço pra um sample de "Peter Gunn" de Henry Mancini no primeiro single extraído do álbum ("Murder Weapon"). Tricky só visita o pantanoso terreno do trip-hop na pesada "Ghetto Stars" e em "Really Real" (com vocais de Bobby Gillespie do Primal Scream), e no final das contas, a diversidade proposta nas dez faixas e apenas meia hora de Mixed Race acaba salvando o disco do marasmo - mesmo que Tricky esteja longe daquele ser esquisitão e absolutamente original do primeiro álbum.

"Kingston Logic": pedindo uma mixagem com "Technologic" do Daft Punk.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Disco do Mês: Gypsy & The Cat


O Gypsy & The Cat é uma dupla de Melbourne, Austrália. Com pouco mais de um ano de vida, o duo formado por Xavier Bacash e Lionel Towers produziu o álbum de estréia chamado Gilgamesh em seu próprio estúdio e o levou para Londres para ser mixado à quatro mãos por David Fridmann (baixista do Mercury Rev e produtor de MGMT, Flaming Lips e Clap Your Hands Say Yeah) e Rich Costey (trabalhos com Muse, Franz Ferdinand e Glasvegas no currículo). O resultado é um pop deliciosamente onírico, de melodias tão lindas quanto pegajosas. Do soft rock setentista à eletrônica estratosférica do Air e com referências diretas aos momentos mais ensolarados de MGMT e Fleetwood Mac, o Gypsy & The Cat não despreza as pistas de dança ("The Piper's Song" tem remix do Aeroplane) e fez de Gilgamesh um disco gostoso de ouvir de ponta a ponta. Coisa rara hoje em dia.

"Jona Vark", um dos ótimos momentos do debut do Gypsy & The Cat:


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vídeos Incríveis


Mesmo não sendo de 2010, "Ya No Sé Que Hacer Conmigo" dos uruguaios do Cuarteto de Nos é o vídeo mais sensacional que assisti esse ano. A faixa está no álbum Raro de 2007, e mostra pra nós aqui do país do Restart como é que se faz rock comercialmente viável sem abdicar de boas letras, sem fazer papel de bobo, sem estrangeirismos e com um vídeo espantoso como esse. Foda.