terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#08: Youssou N'Dour)


Youssou N'Dour já era bem conhecido até 1994, quando - junto com Neneh Cherry - gravou a canção "7 Seconds". Hit mundial. Era o que faltava para o senegalês consolidar sua posição de um dos maiores representantes da música africana contemporânea. 

Cantor, compositor, ator e, atualmente, Ministro da Cultura e Turismo do Senegal. Em meio a tudo isso, N’Dour ainda arruma tempo para - prolificamente - gravar discos, sem que isso diminua a qualidade do material. Prova disso é seu álbum mais recente, Africa Rekk, que saiu em Novembro de 2016. Combinando elementos afro tradicionais com as facilidades do pop urbano, N'Dour cometeu canções tão irresistíveis quanto belas, em sua grande maioria cantadas em wolof - língua falada na África Ocidental, principalmente no Senegal - o que só aumenta o encantamento por esse disco. Africa Rekk tem a sofisticação das melodias de N'Dour, lindos vocais de apoio e tambores afro magistralmente fundidos à teclados e programações.

Músicas como "Exodus" (com toda a exuberância das batidas e do refrão memorável) e "Conquer The World" (com a participação contida do rapper americano Akon), poderiam e deveriam se tornar hit mundo afora. É música para o mundo, em linguagem universal.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#09: Crystal Castles)


Os narizes semi torcidos da crítica para Amnesty (I), quarto álbum do Crystal Castles, justificam-se para quem esperava algo realmente novo no som produzido pelo canadense Ethan Kath. Teoricamente, já seria hora de mudar, fundir, arriscar alguma coisa que fizesse com que sua música soasse diferente, mas igual. Que reverberasse com toda fúria habitual, mas que trouxesse alguns elementos até então inéditos nas canções. Que a dupla se mantivesse perto do padrão usual, identificável à distância, só que diferente. Difícil, não? A intelligentsia então, passou a dizer que as onze faixas de Amnesty (I) estão irremediavelmente datadas, previsíveis e que Kath e a vocalista substituta de Alice Glass, a competente Edith Frances, finalmente estão acomodados na zona de conforto.

Há, porém, gente que ouve o disco e percebe que os ataques não perderam um décimo da potência, que o que se criou foi uma identidade que torna a música do duo excitante e desafiadora, sem deixar de ser - em certos momentos - acessível e impactante. E os carimbadores de rótulos não param: chamam isso de Witch House, Electropop, Synthpunk... tudo pra tentar jogar a eletrônica sem freio do Crystal Castles em um universo desajustado e oblíquo - agora, segundo eles, perdido na vala comum das obviedades pop. Besteira. Ethan Kath continua afastado da mediocridade. E continua fazendo ótimos discos.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#10: The Orb)


Imagine o clássico e obrigatório debut do Orb, Adventures Beyond the Ultraworld (1991), sem as baterias. É nessa onda que COW / Chill Out, World!, décimo quarto álbum de material original do projeto ambient house de Alex Paterson, vai. Coletando sons com seu iPhone e jogando num laptop durante sua turnê do ano passado (juntamente com Thomas Fehlmann), Paterson foi montando o disco. O processo demorou seis meses e o que a dupla entregou foram dez faixas onde tudo é climático e indecifrável, ambient em essência, mas sem identificação imediata com nenhuma cultura específica. Ao contrário de Adventures Beyond the Ultraworld (com sua temática calcada em longas expedições pelo espaço sideral), COW / Chill Out, World! sobrevoa paisagens terrenas e as transforma numa espécie de paisagismo sonoro rico em timbres, texturas e climas. Um dos pontos altos da carreira do Orb, um dos melhores álbuns de eletrônica do ano passado.

Golden Age


"Anymore", nova do Goldfrapp, talvez seja um sinal de que a banda pretende fazer as pazes com a pista de dança. Não é exatamente dance music, mas é dançável o bastante para afastar-se das produções mais recentes da dupla inglesa, um tanto modorrentas e apáticas. O último álbum da dupla, Tales Of Us (2013) arrastava-se por downtempo e folktronica, o que - pra um grupo que focava o som em electroclash e synthpop - os aproximou de gente como Ladytron e Little Dragon (a ponto de eu nem mais saber quem era quem) e aquela banda tão original de álbuns como Supernature (2005) e Seventh Tree (2008), vendendo bem e com moral com a crítica, acabou caindo de rendimento com a fase indie pop vinda a seguir. Rota corrigida, primeiro single promissor.

"Anymore": remixes serão bem-vindos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Cyberfunk


Jason Luís Cheetham (aka Jay Kay) está de volta. Saiu hoje o vídeo para "Automaton", primeiro single do Jamiroquai desde "Lifeline" (de 2011). A faixa estreou ontem na BBC Radio 2 e faz parte do novo álbum do grupo (também chamado Automaton), com lançamento programado para 31 de Março. A música me impressionou bastante. É funk sintético com os inconfundíveis vocais de Jay Kay, uma levada disco entre as estrofes e sem refrão. Radiofônico, dançável, pop e ousado. O single (assim como o álbum), foi produzido pelo próprio Jay Kay e pelo tecladista da banda, Matt Johnson.

"Automaton": dançando num futuro pós-apocalíptico.