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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Rod Stewart


David Bowie, o camaleão do pop? E o Rod Stewart, então? Rhythm and blues na sua primeira banda no começo dos 60 (The Dimensions), hard rock no Jeff Beck Group, pop psicodélico no Faces, baladeiro emocional grandiloquente no início dos 70, technopop oitentista (o hit "Young Turks") e até disco music no auge do gênero (é famosa a história do "plágio inconsciente" de Stewart - foi o que ele alegou nos tribunais - quando chupou a melodia de "Taj Mahal" de Jorge Ben pra compor o refrão de seu maior hit de pista, "Da Ya Think I'm Sexy?", de 1978).

Normal pra um artista pop embarcar na onda disco na época, afinal, se o Queen ("Another One Bites The Dust"), Stones ("Miss You"), Blondie ("Heart Of Glass") e Paul McCartney ("Goodnight Tonight") podiam, porque não Rod Stewart?

Polêmicas à parte, nem sei dizer o que é mais espetacular nessa música, se a linha de baixo galopante ou o arranjo de cordas/sintetizadores magistral. Fato é que Stewart com sua voz de lixa sempre foi um craque do pop e cravou um hitaço disco inesquecível.

"Da Ya Think I'm Sexy": canastrão gente boa.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ciclo Completo


Nos anos 80, cada novo single do New Order era um acontecimento. Eles privilegiavam tanto a arte do doze polegadas que só depois de dois discos, em 1985 (Low-Life), resolveram os incluir nos álbuns. E junto com cada single, vinham remixes, versões dub e extended... uma festa para os DJs - que se consolidou definitivamente em 1987 com o lançamento da coletânea obrigatória Substance. A relação da banda de Manchester com as danceterias era tão estreita que alguns LPs tinham bem definidos o lado A (mais roqueiro) e o B (mais dançante): Power, Corruption & Lies (1983), Brotherhood (1986) Technique (1989), são bons exemplos.

Tudo nos conformes, então, com o lançamento mês passado do EP Music Complete: Remix (Mute), que traz versões alternativas para algumas canções (cinco) do ótimo álbum Music Complete, de 2015, que, diga-se, é o melhor do New Order dos últimos 20 anos (mais precisamente, desde Republic, de 1993).

Uma das coisas mais legais do EP é que eu nunca vi mais gordo ninguém que submeteu as músicas do New Order ao bisturi. Gente como o DJ e produtor japonês Fumitoshi Ishino (a.k.a. Takkyu Ishino) que transformou a já originalmente suingada "Tutti Frutti" numa viagem Acid House com uma profusão de arpejos de sintetizador e basslines de TB-303 alucinantes.


"The Game" e "Academic" foram retrabalhadas pelo produtor britânico Mark Reeder: a primeira passou do rock eletrônico pro downtempo (Spielt Mit Version), num novo arranjo que valorizou ainda mais as belas cordas da original; a segunda (uma das melhores de Music Complete) ganhou uma batida 4x4 forte, recortes das guitarras originais e uma linha de baixo propulsora. "People on the High Line" (pelas mãos do duo alemão Purple Disco Machine) virou a trilha perfeita para o hedonismo de Ibiza, repetindo infinitamente o trecho da letra "It's all gonna be alright" e adicionando pianos House e um bassline gordo e melódico de Disco Music.


"Restless" (com remix do francês Sébastien Devaud a.k.a. Agoria) fecha o EP com uma ótima versão instrumental tech-house para a ligeiramente melancólica faixa de abertura de Music Complete.

Não sei qual o critério usado para a escolha das faixas que foram remixadas em Music Complete: Remix EP, porque o álbum, em si, é de uma homogeneidade que só deve ter tornado mais difícil a decisão de pinçar só cinco canções e entregá-las para as reconstruções desse pessoal que trabalhou admiravelmente bem, porque o EP é sensacional. E bem que poderia abrir a possibilidade de um Remix EP II, que se for nesse nível aí, vai ser muito bem vindo.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Gretchen


Visitando o Wikipedia de Gretchen, me espantei com um dado: ela vendeu mais de 12 milhões de discos. É mais que o Kid Abelha e Lulu Santos, o dobro de Skank e Titãs. Há de considerar a relevância da informação para a, hummm, "cena pop" brasileira. Ainda mais para uma artista que nem vivia exclusivamente da música. Além de cantora, a carteira de trabalho de Maria Odete Brito de Miranda Marques pode tranquilamente estampar as profissões de atriz, dançarina, youtuber e personalidade da televisão - regulamentadas ou não (Rainha do Bumbum é título, não conta para aposentadoria).

Fato é que Gretchen iniciou, mesmo, como cantora, no grupo vocal feminino As Melindrosas, fazendo versões de cantigas de roda sob bases de disco music. A despeito da ideia insólita, os quatro primeiros álbuns do grupo venderam mais de quatro milhões de cópias, o que chamou a atenção do DJ e produtor argentino radicado no Brasil Mister Sam, que a lançou em carreira solo. O debut da cantora (então com tenros 19 aninhos) foi My Name Is Gretchen (capa acima), de 1978, pop com toques de disco e mambo. No geral é fraquinho, Gretchen mais sussurra do que canta (arrisca uns trinados na tentativa meio glam de "Rock'N Roller"), mas imagino que coisas como "I Love You, Je T'Àime" e "My Name Is Gretchen" devem ter deixado a turma de Ernesto Geisel meio sem saber o que fazer quando ouviu. Canções de gosto duvidoso à parte, "Freak Le Boom Boom" é o grande hit aqui. Levadas de violão e piano irresistíveis, palmas por cima da caixa da bateria, trompete chicano e Gretchen gemendo a letra com trechos em inglês, espanhol e francês. Resultado: o single vendeu mais de cem mil cópias, o álbum My Name Is Gretchen foi parar em 5 milhões e nascia um clássico das pistas (o single saiu em vários países da Europa, inclusive). Fora o que ela deixava a galera da mão direita suando frio cada vez que aparecia na Discoteca do Chacrinha.

"Freak Le Boom Boom":

domingo, 2 de abril de 2017

Funk Como Nos Gusta


Os dois singles que o Jamiroquai lançou em Janeiro e Fevereiro ("Automaton" e "Cloud 9", respectivamente) deram uma pista animadora de como poderia soar Automaton, o oitavo álbum da banda (o mais recente, Rock Dust Light Star, é de 2010). Produzido por Jay Kay e pelo tecladista do grupo, Matt Johnson, o disco impressiona tanto quanto a faixa-título. Tudo funciona com a mesma precisão e eficiência do Aston Martin de Jay: amostras magníficas de sintetizadores vintage, vocoders, baixos galopantes, timbres orgânicos de bateria e os vocais afinadíssimos e particulares de Kay - límpidos e potentes nas notas mais altas, sussurrados e macios nas mais baixas. Além de "Automaton" (um funk cibernético com refrão de levada disco) e "Cloud 9" (mais relaxada mas ainda totalmente dançável em sua versão original, a faixa ganhou um propulsor de Fred Falke na versão remix), saltam aos ouvidos as linhas de baixo espetaculares de "Superfresh" e "Nights Out in the Jungle", os violinos estrategicamente colocados em "Shake it On", "Summer Girl" e "Hot Property" e o boogie eletrônico "Carla". "Vitamin" lembra as origens acid jazz do Jamiroquai (especialmente expressas no debut Emergency on Planet Earth, de 1993) e surpreendente, mesmo, é "We Can do It" e seu tempero de sabor latino absolutamente delicioso. Automaton é excepcionalmente bem produzido, tem uma qualidade de som irretocável em todos os detalhes (dos vocais ao wah-wah da guitarra), é totalmente viável comercialmente sem ser pasteurizado e não vejo arestas a aparar em suas 12 faixas. Prova por A mais B que fazer um disco que funcione na pista, no rádio ou na sala de estar ainda é perfeitamente possível sem apelar para truques e clichês em voga no meio de uma cena pop caótica como a atual.



"Cloud 9":

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Cyberfunk


Jason Luís Cheetham (aka Jay Kay) está de volta. Saiu hoje o vídeo para "Automaton", primeiro single do Jamiroquai desde "Lifeline" (de 2011). A faixa estreou ontem na BBC Radio 2 e faz parte do novo álbum do grupo (também chamado Automaton), com lançamento programado para 31 de Março. A música me impressionou bastante. É funk sintético com os inconfundíveis vocais de Jay Kay, uma levada disco entre as estrofes e sem refrão. Radiofônico, dançável, pop e ousado. O single (assim como o álbum), foi produzido pelo próprio Jay Kay e pelo tecladista da banda, Matt Johnson.

"Automaton": dançando num futuro pós-apocalíptico.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Ottawan


Qual era a boa numa melancólica noite de domingo de 1980? Programão era sentar na frente da TV e assistir Os Trapalhões. Didi Mocó tinha lá sua graça. Num fim de noite desses antes do Fantástico, um esquete do quarteto trazia uma zebra pinguça pra dentro de um bar e... bom, esse não foi dos momentos mais inspirados. A trilha pra dancinha do quadrúpede, no entanto, eu nunca mais esqueci. O refrão pegajoso da brejeira "D.I.S.C.O." da dupla francesa Ottawan me pegou de jeito, do alto dos meus cinco anos. Originalmente gravada na língua nativa, esse funkão de baixo obeso e um pezinho no Caribe chegou ao número dois no paradão britânico com vocais em inglês. O single seguinte - a não menos cafona "Hands Up (Give Me Your Heart)" - também teve bom desempenho nas charts. Mas "D.I.S.C.O." ficou pra posteridade, hit disco já na era pós-disco, que gerou inclusive uma espécie de resposta da dance music contemporânea com o pioneiro do hip-house Doug Lazy e sua ótima "H.O.U.S.E.", de 1990. O Ottawan ainda está na ativa.

"D.I.S.C.O.": acróstico.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Disco Vegana


"My Mind's Made Up", nova do trio holandês Kraak & Smaak, é puro boogie pós-disco, algo 1982. Guitarra funky escovada convive em harmonia com bassline sintético e slaps reais; timbres de teclados com console de madeira emolduram os bons vocais de Berenice (quem?). Quanta gente tem a manha de produzir um negócio assim, tão bom e atemporal, que passa à léguas do pastiche? Bem pouca.

"My Mind's Made Up": disco orgânica.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Boogie Nights


Conversando com Marcello Mansur dia desses sobre o lançamento e a ótima repercussão do seu single Son Of a Gun (sob seu novo alter ego house, Mansur) e já sabendo que a próxima faixa de trabalho de seu selo Memix Recordings viria numa encarnação disco (dessa vez, creditado como DJ Meme), sentenciei: "Certeza que aqueles lindos strings disco, habituais em outras produções suas, vão vir nesse single". Aí o resultado. Está tudo em "Disco Knights": uma sessão de cordas com jeitão de MFSB, uma guitarrinha à George Benson, bassline forte e percussão esparsa. Um lindo pedaço de disco-house, versão 2015. Maravilha.

"Disco Knights": disco sublime.

domingo, 28 de junho de 2015

Laranja Eletrônica


The Orange Collection é mais uma coletânea que dá uma geral no cast da Eskimo Recordings, o quarto volume da série cromática da gravadora belga (já saíram Pink, Blue e Green). É um bom panorama a respeito do que está se produzindo de electropop atualmente, trazendo fusões interessantes com house, disco e synthpop. O álbum tem, obviamente, altos e baixos. É o que normalmente se espera e é o que acontece aqui.

As cinco primeiras músicas (de um total de 12) são ótimas. A faixa de abertura "Odds Are Good", do projeto solo do produtor francês Frédéric Rivière, Anoraak, é technopop em slow motion, com uma bela sequência de arpejos e vocais entorpecidos.


"Higher" (Ary) e "Renegades" (Majestique) que vem em seguida, parecem canções de uma mesma banda: ambas tem vocais femininos delicados (com um pezinho no indie rock) e timbres de sintetizadores analógicos escolhidos a dedo. Dançável, mas não exatamente dance music. Ligeira vantagem pro Ary e o admirável trabalho vocal da norueguesa Ariadne Loinsworth Jenssen.




"Animals", do Du Tonc - dupla formada pelo vocalista e baixista do Van She, Matt Van Schie e o produtor Mighty Mouse - é um primor. Disco music sintética, com aquele baixo dugu-dugu-dugu infalível. Pra mim, a melhor do álbum.



"Riptide", de George Bakalakos e seu NTEIBINT, encerra a melhor parte desta Orange Collection. Mais influências disco filtradas pela sensibilidade e precisão eletrônica do produtor grego. 



A curva descendente começa com "On & On", do australiano This Soft Machine. A ideia de continuidade e movimentos ininterruptos sugeridos pelo título esbarram na falta de criatividade e repetição sonolenta do tema. A viagem space disco de Tarjei Nygard & Are Foss ("Flog") dura quase seis minutos e não vai a lugar nenhum. A inacreditável "Fernandez", do israelense Moscoman, também patina: um mix de gosto duvidoso entre Country & Western e eletrônica retrô, com uma linha de baixo monocórdica. Pode pular essa. Uma animadinha com o simpático dance pop (no sentido Olivia Newton-John do termo) da dupla Horixon e sua "Hold It Like I Own It".     



"Find My Love", do misterioso Trulz, tem um baixo de dar vertigem, a despeito dos vocais não serem lá grande coisa. A italo disco instrumental de Marvin & Guy ("Unfailing Fall") é totalmente dispensável. Pomposa e chata em seus longos oito minutos e meio de duração. The Orange Collection encerra com "Wear Out", do duo Hydrogen Sea. Linda trama de sintetizadores apoiada por strings emotivos e os vocais etéreos da cantora Birsen Uçar, tudo coberto com um verniz dark que deixa a faixa com aquela carga dramática contida e de beleza indiscutível. Vale dizer, no entanto, que o climão desta versão é culpa do remix do DJ e produtor holandês Mees Dierdorp (a original é muito diferente, mas igualmente boa).



O saldo de The Orange Collection, no final, é altamente positivo. Fica fácil constatar que a Eskimo continua lançando bom material (desde sua fundação, em 2000) e não precisa apelar para alguns nomes de peso em seu elenco (Prins Thomas, Lindstrøm, Kris Menace, Chromeo, Aeroplane) pra tornar uma compilação atraente.

sábado, 13 de junho de 2015

New Old Disco


Jimmy Somerville sempre esteve intimamente ligado à disco music. Das suas primeiras aventuras adolescentes pelas noites de Glasgow nos anos setenta, passando por seu falsete afinadíssimo - que lembra muito um dos astros da disco, o finado Sylvester James - até chegar às regravações de vários clássicos do gênero durante sua carreira. Em 1985, quando fazia parte do Bronski Beat, reconstruiu "I Feel Love" (num medley com "Love To Love You Baby", ambas de Donna Summer), junto a Marc Almond (Soft Cell). Os maiores hits dos Communards, sua banda seguinte, foram "Don't Leave Me This Way" (composta pelos geniais Gamble & Huff e sucesso com Thelma Houston em 1977) e "Never Can Say Goodbye" (originalmente gravada pelo Jackson 5 em 1971 e hit disco com Gloria Gaynor em 1974). Já em carreira solo, Jimmy paga tributo ao próprio Sylvester com "You Make Me Feel (Mighty Real)", de 1990:



Sendo assim, sua opção por gravar um álbum totalmente disco em 2015 é mais do que natural. Passa longe do simples pastiche ou de qualquer suspeita de tentativa de carona nos respingos causados pela repercussão de Random Access Memories, lançado em 2013 pelo Daft Punk. É, isso sim, uma opção baseada na própria trajetória do cantor e confesso que acho até estranho o fato desse álbum ter demorado tanto pra acontecer.


Primeira constatação que afasta qualquer sensação de oportunismo: Nile Rodgers não participa do projeto. Reparou em como o brilhante guitarrista do Chic (que deve lançar álbum novo em breve) tem sido requisitado depois de sua colaboração com Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo? Pois a produção de Homage (saiu em Março, pela Cherry Red Records) é do próprio Somerville e John Winfield. A dupla também compôs 12 canções originais para o álbum (embora boa parte delas já havia sido lançada em EPs anteriores) e aí está a segunda evidência: não há covers desta vez, nada de readaptar sucessos do passado pra galgar as paradas mais fácil. É um disco corajoso, já que não há um hit detectável assim de primeira - a despeito da homogeneidade das composições. É muito bem arranjado, sem excessos, sem suntuosidade. O glitter é espalhado em doses moderadas, com percussões sutis, metais contidos, guitarras sinuosas e teclados discretos. Homage traz dance music orgânica, com belas linhas de baixo e o vocal cristalino de Somerville, como em "Back To Me", uma das melhores faixas do disco:


"Overload" tem bom refrão e cara de hit de pista (já ganhou uma versão extended oficial, inclusive):


A introdução de violinos na faixa de abertura "Some Wonder" remete à "Love's Theme" (Love Unlimited Orchestra, de Barry White) e é um dos pontos altos de Homage:



O álbum disco de Somerville, ainda que tardio, pode não ter desempenho considerável nas paradas mas certamente não vai decepcionar os fãs deste artista que tem um catálogo pop invejável, nem novos consumidores de dance que perguntam por disco em sites especializados em venda de música e ganham um Holy Ghost! como resposta.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

To Make You Smile Again


Atenção porque a chance disso virar hit massivo é enorme. Primeiro que o novo EP de James Curd (Jack Be Nimble) é sensacional. Segundo que as cinco faixas são ótimas, mas dê uma ouvida na abertura (a house ganchuda da faixa título) e comprove o quanto ela é divertidíssima, cosmopolita e compulsivamente dançante, ou seja, tem todos os ingredientes pra voar alto nos paradões e nas pistas.

Mas ela não está só. Curd grava disco com cara de 2015 no hi-hat sibilante e na linha de baixo mastodôntica de "Tornado In The Basement" (e a ordem é uma só: "shake it, shake it!"); soa como um Gino Soccio recém saído do spa com a guitarra funky, os vocais femininos, o trompete incisivo e mais um baixo fora da casinha em "Everybody Knows"; busca timbres de sintetizadores oitentistas pra adornar o funk eletrônico de "Caught Again" e esbanja finésse e apuro com o piano elétrico à Marcos Valle de "Forever Your Friend".

Então, estamos diante do EP do ano até agora ou o quê?

Jack Be Nimble: bom de ponta a ponta.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Wham!


O duo britânico Wham! durou só cinco anos (1981-1986), mas deixou bons singles e levou meia dúzia deles ao topo do paradão inglês. O guitarrista Andrew Ridgeley seguiu numa carreira solo discretíssima, já George Michael... não precisa nem escrever. "Club Tropicana" é de 1983 - um negócio meio disco, meio new wave, com arranjo de metais à Earth, Wind & Fire e percussão latina.

Dá um certo medo de arriscar a versão original num set...


...mas o edit econômico do austríaco Mannix transforma a faixa numa house funky e com menos cara de exotismo pra europeu ver.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Caras Novas: Roisto


O finlandês Roisto acaba de lançar o EP Apart In Love, pelo selo escandinavo Youth Control. A onda dele é disco (numa abordagem french touch do gênero) e eletrônica (na praia meio nublada de Trentemøller). O vídeo da faixa título é uma simpatia, confere:


Em "Call The Sky", comparações pejorativas com Röyksopp já começaram a aparecer. Até lembra o som da dupla norueguesa, mas a faixa tem brilho próprio. Roisto pode muito bem ter bebido na fonte de synths turvos do The Knife (especialmente de Deep Cuts) e do próprio Trentemøller, no processo - o que possivelmente invalida o argumento dos detratores. "I'm Who You Need" e "Apart In Love" são pura french house, com baixos galopantes, guitarrinhas funkeadas e os típicos refrões-gancho. Dá pra ouvir o bom Apart In Love EP inteiro no Soundcloud, ao alcance do seu clique:

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Canção da Meia-Noite


Os nova-iorquinos do Midnight Magic retornam com um EP seguindo a habitual cartilha disco, mas com a eletrônica começando a se infiltrar aos poucos no seu som. Vicious Love abre com "Night Flight" - na mesma vibe do primeiro e fantástico hit do grupo, "Beam Me Up", de 2010. A rotação baixa um pouco com a um tanto arrastada "Vicious Love", mas o funk "Pick Up" (com o sempre bom trabalho de metais da banda) e a house "Trouble T" (que engata uma boa linha de baixo sintético) garantem que a festa continue mais animada - porque se depender do remix frouxo de "Vicious Love" feito pelo francês Dimitrios Yerasimos (Dimitri From Paris), geral abandona a pista e vai pro bar jogar conversa fora.

   "Night Flight": brilho próprio ou só um repeteco de "Beam Me Up"? 

domingo, 15 de junho de 2014

A Volta do Inner City

Paris Grey, Ann e Kevin Saunderson.
Kevin Saunderson resolveu quebrar uma das hibernações do seu Inner City. O novo single do (agora) trio é "Bad Girl", homenagem à Rainha da Disco, Donna Summer. O cruzamento disco/house da música (abertamente baseada em "Bad Girls", de Summer) não impressiona, mas os vocais intactos da eternamente sorridente Paris Grey, sim. O grupo, com Ann Saunderson (esposa de Kevin) na formação, está em estúdio trabalhando em material novo e sai em turnê ainda esse ano.

"Bad Girl":

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

As 65 Músicas de 2013 - Parte 3 (10 - 01)


O Top 10. As dez mais. O supra-sumo. A nata. A elite. A... OK, você já entendeu.

10 - "To The Middle Of Nowhere" - Westbam feat. Inga Humpe

Minimalista, enxuta, sinfônica. Westbam lembrando do tempo em que o techno era pop.



09 - "Midnight Cruising" - Hypnolove

Eletrônica e sonhadora, um synthpop francês que é pura elegância.



08 - "Ballad Of The War Machine" - Midnight Juggernauts

Ritmo trôpego, psicodelia e um dos refrões do ano.



07 - "Mirrors" - Justin Timberlake

Mais pra 'N Sync do que pra Timberlake solo. Nenhum demérito.



06 - "Planet Us" - Hot Natured

Pop house fim de noite, cai bem no sofá ou na pista.



05 - "Adjust Your Set" - Mesh

"A" canção synthpop do ano. Grude instantâneo. Sem malabarismos. Sem cabecice.



04 - "Bappedekkel" - Kölsch

O beat cambaleante e o redemoinho de sintetizadores atestam: a Kompakt não perde tempo com bobagens.



03 - "Awakening" - Empire Of The Sun

A grandeza disco (baixo, vocais à Barry Gibb) nos três minutos e meio mais bonitos do ano.



02 - "White Noise" - Disclosure feat. AlunaGeorge

O ruído transformado em melodia, a eficiência das batidas, a negação da mesmice, o apelo pop.



01 - "Get Lucky" - Daft Punk

 Um timaço desses só podia resultar na música do ano. Absolutamente tudo funciona: da sinuosa guitarra escovinha de Nile Rodgers ao falsete afinadíssimo de Pharell Williams, do piano elétrico discretinho ao hi-hat de verdade. Pop song perfeita.



Próximo capítulo dos melhores de 2013: álbuns.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Daqui Para A Eternidade


 Era inevitável. Exatamente como aconteceu com Nile Rodgers, agora é a vez do leviatã da eletrônica Giorgio Moroder oportunamente lançar uma coletânea escorado no recente sucesso de sua parceria com o Daft Punk.


Não sei qual foi o critério usado para a seleção das faixas, mas a lista de Best of Electronic Disco é bem estranha. Começa OK na segunda metade dos 70, sem pular monumentos do bigodudo como "From Here to Eternity" e "E=MC2", mas quando entra nos 80, as coisas ficam esquisitas. Há quatro faixas com o cantor Joe Esposito (incluindo a baba "Lady, Lady, Lady", da trilha de Flashdance) e duas canções com Paul Engemann (a lamentável "Shannon's Eyes" e a pavorosa "American Dream").

Dificuldade em licenciar músicas com gravadoras, privilegiar algumas pérolas obscuras como "I Wanna Funk With You Tonight" (de 1976), fugir das obviedades (Donna Summer / "I Feel Love", Irene Cara / "What a Feelin'", Philip Oakey / "Together in Electric Dreams", Berlin / "Take My Breath Away"), qualquer que tenha sido o motivo para a escolha destas 19 faixas presentes em Best of Electronic Disco, não alivia o veredicto: metade delas são totalmente dispensáveis.

Mesmo sendo Giorgio Moroder.

"First Hand Experience In Second Hand Love": vocoders e arpejos.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Elizângela


Em 1978, a atriz carioca Elizângela do Amaral Vergueiro resolveu testar seu desempenho na frente do microfone com o single Ele ou Você / Pertinho de Você e o resultado beirou o absurdo: 52 semanas no Top 10 das rádios brasileiras e mais de um milhão de cópias vendidas.


"Pertinho de Você" ganhou vídeo no Fantástico, gravado no Playcenter, o que ajudou a catapultar o sete polegadas pro topo. A faixa é uma disco funkeada, com flautas colaborando pro clima sem malícia, guitarra escovada e uma linha de baixo potente. Crossover rádios/pistas, encaixou-se confortável na onda disco e cravou o nome de Elizângela nos primórdios da dance music nacional. E aposto que kitsch, cafona ou brega nem eram termos em uso na época.

sábado, 5 de maio de 2012

Control C + Control V


 
"... talvez a decadência tenha evoluído a partir do culto do DJ, quando qualquer um podia regurgitar a essência do rock ‘n’ roll revitalizando todos os clássicos do funk dos anos 70, colocando algumas bobagens de rap em cima e chamando isso de seu próprio trabalho. A música moderna não é mais vista como uma forma de arte? Ou é agora só mais um negócio?"

O trecho acima foi extraído de um artigo que Alan Wilder, ex-tecladista do Depeche Mode, escreveu para a revista virtual Side-Line, em 2008. O texto foi traduzido por Jeovane Cazer no site Música Para As Massas, e vale muito um confere. Estranhamente, lembrei do que Alan escreveu depois de descobrir o vídeo abaixo. Nele, há algumas fontes dos samples que o Daft Punk usou para compor o álbum Discovery, de 2001. Alguns são quase imperceptíveis, outros óbvios demais. Acontece que fiquei meio desapontado com a dupla francesa depois de ouvir isso. Então é assim? Chupa a base inteira da obscura "Cola Bottle Baby" de Edwin Birdsong pra montar "Harder, Better, Faster, Stronger" e chama de sua música? Ou o talento do Daft Punk é justamente transformar canções completamente esquecidas como essa em megahits planetários? Gosto do Daft Punk, mas confesso que pra mim tem mais graça quando os samples são praticamente irreconhecíveis e não tão na cara quanto os de Discovery.

Autorizados ou não, os samples não foram creditados no encarte do disco.