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terça-feira, 29 de maio de 2018

Back To Orbit


Alex Paterson e seu fiel escudeiro, o suíço Thomas Fehlmann, preparam-se para jogar mais um álbum no mercado (o décimo quinto): No Sounds Are Out of Bounds está programado pro dia 22 de Junho, disco que marca a volta da parceria com a gravadora independente inglesa Cooking Vinyl (sai a alemã Kompakt, que lançou Moonbuilding 2703 AD, de 2015 e COW / Chill Out, World!, de 2016). Nomes de peso participaram das gravações, como o frequente colaborador (e exímio baixista) Youth (Killing Joke) e Roger Eno (irmão de Brian Eno). Saíram duas faixas como aperitivo, "Doughnuts Forever", mês passado e "Rush Hill Road", agora em Maio.

"Doughnuts Forever" é uma música que tem mais a ver - embora o instrumental soe mais "orgânico" - com o inacreditável álbum de estreia The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld, de 1991, com samples de orquestra, uma belíssima levada de baixo, corinho angelical e trechos de vozes extraídas sabe-se lá de onde.  




Já na houseada "Rush Hill Road", a linha de baixo passa por cima de tudo como um trator, mas deixa espaço pros excelentes vocais de Hollie Cook (cantora e tecladista, filha do ex-baterista do Sex Pistols, Paul Cook) e misteriosos sons orientalizantes. Totalmente acessível mas não pasteurizada, "Rush Hill Road" está na mesma vibe de pista de "Toxygene" (1997, 4º lugar no paradão inglês de singles).



sábado, 28 de janeiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#10: The Orb)


Imagine o clássico e obrigatório debut do Orb, Adventures Beyond the Ultraworld (1991), sem as baterias. É nessa onda que COW / Chill Out, World!, décimo quarto álbum de material original do projeto ambient house de Alex Paterson, vai. Coletando sons com seu iPhone e jogando num laptop durante sua turnê do ano passado (juntamente com Thomas Fehlmann), Paterson foi montando o disco. O processo demorou seis meses e o que a dupla entregou foram dez faixas onde tudo é climático e indecifrável, ambient em essência, mas sem identificação imediata com nenhuma cultura específica. Ao contrário de Adventures Beyond the Ultraworld (com sua temática calcada em longas expedições pelo espaço sideral), COW / Chill Out, World! sobrevoa paisagens terrenas e as transforma numa espécie de paisagismo sonoro rico em timbres, texturas e climas. Um dos pontos altos da carreira do Orb, um dos melhores álbuns de eletrônica do ano passado.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fonte Esgotável


Ou há pouca oferta de vocalistas no mercado, ou os samples estão ficando realmente escassos. O próximo single dos holandeses do Kraak & Smaak, "Mountain Top", empresta os vocais de um projeto de estúdio do começo dos 80 chamado Rockers Revenge, bolado pelo mestre Arthur Baker. A faixa original, "Acappella Sunshine", já foi usada por uma das picaretagens de Norman Cook, o Pizzaman (em "Trippin' On Sunshine"), pelo The Orb (numa faixa também chamada "Tripping on Sunshine [Live Mix]") e no hit "Sunshine '89", do Fax Yourself. A "Mountain Top" do Kraak & Smaak é uma house potente, deve pegar.

A fonte... 



...e como o Kraak & Smaak usou:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Segunda Class: The Orb

Paterson e seu atual colaborador, Thomas Fehlmann.
 Nunca é tarde pra descobrir o The Orb. Cria da mente mucholoca de Duncan Alexander Robert Paterson - Dr. Alex Paterson - e do visionário Jimmy Cauty (The KLF), o projeto apareceu no final dos 80 com um mix de eletrônica, dubismo, psicodelia e ficção científica. Com temas focados num tipo de som que fosse adequado pro descanso pós-gandaia dos ravers, a experiência resultou no surgimento da ambient house.   


O CD duplo History of the Future saiu em Outubro e compila boa parte dos singles do Orb pela gravadora Island no disco 1, e remixes no CD 2. Na versão Box Set, são três CDs mais um DVD com apresentações ao vivo, vídeos e parte de um show realizado em 1993, em Copenhagen.

O primeiro single do Orb, "A Huge Ever Growing Pulsating Brain That Rules From The Centre Of The Ultraworld" (com sample de "Loving You", de Minnie Riperton) aparece em duas versões (uma dançável, outra não), e ambas as faixas ganharam um fade out na metade da extensão de suas edições, assim como convenientemente foi feito com a fantástica "Blue Room", que não chega nem perto da duração original. Mesmo com impraticáveis 40 minutos (!), "Blue Room" (com uma impressionante linha de baixo de Jah Wobble) chegou ao número #8 no paradão inglês, em Junho de 1992 e catapultou o álbum U.F.Orb, inacreditavelmente, ao topo da parada, um mês depois. Outros tempos.

O veredicto é um só: se você não conhece muito bem o The Orb, History of the Future é absolutamente essencial.

"Blue Room (7" Mix)": boa de pista, boa de fone de ouvido.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Paisagismo Sonoro



Um dos pioneiros da ambient house e o principal mentor de discos essenciais de eletrônica como The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld (1991), Alex Paterson mantem-se ativo com o seu The Orb e o projeto C Batter C, lançado em Novembro.  


Trata-se de um pacote que inclui um DVD com um curta-metragem de 17 minutos chamado Battersea Bunches que narra a história de três crianças que fizeram uma viagem entre Battersea e Greenwich em 1956, na Inglaterra. A jornada foi capturada em Super-8 pela tia das crianças e Paterson (junto com o artista visual Mike Coles) fundiu essas imagens com cenas atuais para criar um apanhado de cenas de forte apelo emocional (e por vezes, surreal). C Batter C traz ainda um livro de 60 páginas com fotos e poemas e um CD com a trilha sonora original, mais sete remixes de artistas desconhecidos (pelo menos pra mim) como Gaudi, HFB e David Harrow. Curiosamente, a faixa mais fraca do disco é a bem humorada "Batter C Bunny's Munching Orbular Marrow Mix" do suíço Thomas Fehlmann, parceiro de Paterson nas produções recentes do Orb. O CD tem coisas bem mais interessantes, como a trôpega "To Battersea With Bunches (HFB Remix)", o dubstep "Brixton Hundreds (David Harrow Remix)" e o deep-techno "Latchmere Allotments (Nocturnal Sunshine Remix)". Não é só pelo fato de eu ser fã de carteirinha do Dr. Alex Paterson, mas vale a pena conhecer C Batter C. Primeiro porque é sempre válido se embrenhar em qualquer floresta cibernética cultivada pelo The Orb e segundo porque Paterson deu uma espiada no passado pra projetar o presente nesse projeto - e decodificou essas imagens em forma de música que ainda desafia rótulos, o que é sempre sinal de relevância.

"Brixton Hundreds (David Harrow Remix)": The Orb embarca no dubstep?