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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Hip-Hop No Disquete


Udeze Ukwuoma (a.k.a. Dday One) é um DJ e produtor americano, na ativa desde meados da década de 90. A onda dele é hip-hop instrumental, um subgênero que já deu ao mundo nomes muito interessantes, como DJ Krush, RJD2, J Dilla e DJ Shadow, (cujo álbum Endtroducing….., de 1996, é um marco da música eletrônica).



Dday One acabou de lançar seu novo EP, Artifact, pelo próprio selo, Content (L)abel, com seis faixas carregadas de beats engenhosos e samples variados convivendo em harmonia com instrumentos acústicos. Além da (boa) música contida no EP, um detalhe que chama atenção em Artifact é o formato em que ele foi lançado: um edição limitadíssima de apenas cem cópias... em disquete. A inusitada plataforma vem devidamente autografada e inclui um download code para o EP em versão MP3 e ainda um arquivo de texto que contém um link para uma faixa extra. Mais estranho ainda é saber que a prática pouco usual não é exclusiva de Dday. Tem um povo que também emprega essa forma de divulgação atualmente, num movimento muito bem descrito pelo jornalista Ricardo Schott em uma matéria para o seu site Pop Fantasma. Quem, porém, não quiser se aventurar pelos problemáticos floppy disks, pode ouvir Artifact e outros trabalhos de Dday no Bandcamp do artista.

Artifact EP: beats no disquete.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

À Sombra Do Passado


Com o espetacular Endtroducing..... (1996), DJ Shadow lacrou seu próprio sarcófago. Os três álbuns seguintes não chegaram nem perto do impressionante engavetamento de samples de sua (justamente) incensada estreia. Josh Davis bem que tentou afastar-se de sua fórmula vencedora, mas discos irregulares e poucas faixas dignas de nota nesses quase vinte anos acabaram relegando o ás dos toca-discos à um certo status cult, mesmo sem trabalhos tão relevantes quanto Endtroducing..... 



No começo de Agosto, saiu The Liquid Amber EP, com duas faixas inéditas ("Ghost Town" e "Mob") e um remix do Machinedrum para "Six Days", um single extraído do segundo álbum, The Private Press. Segundo o próprio Shadow, "Ghost Town" "...é um passeio ambicioso através de muitos dos micro-gêneros dentro do guarda-chuva do Future Bass, que me inspirou recentemente". Ela é um tanto experimental e sombria, com baterias assimétricas e uma melodia ao piano contrastando com a metralhadora de beats em que a música se transforma no final. Já "Mob" é um hip-hop instrumental, com uma linha de baixo paleolítica e baterias eletrônicas de bolso. The Liquid Amber EP é familiar aos primeiros singles de Shadow, mas... ainda não foi desta vez.

"Ghost Town":

domingo, 16 de setembro de 2012

Xerocadas Geniais

Shadow (a frente): escritório desorganizado.
DJ Shadow vai gravar mais 38 discos e nenhum vai chegar aos pés do seu debut Endtroducing....., de 1996. Era o tal momento mágico do artista, Toque de Midas, auge da inspiração.
 

Beleza, mas como é que ele grava um disco fundamental como esse, assim, de cara? Bueno, o californiano Joshua Paul "Josh" Davis vinha desde o começo dos 90 azeitando a máquina (no caso, o sampler Akai MPC60), até chegar na mistura perfeita de rap, funk, jazz e psicodelia de Endtroducing..... Esse processo todo agora pode ser descoberto através do lançamento mais recente de Shadow, Total Breakdown: Hidden Transmissions From The MPC Era, 1992-1996. A coletânea compila exatamente as faixas não lançadas no período pré-Entroducing (há registros de 25 segundos até sete minutos), e dá pra ter a exata noção do trabalho paciente de Davis com uma mão nos toca-discos e a outra no MPC.
 
"Affectations": quase no ponto.