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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Michael Sembello


As cenas são, vá lá, clássicas: Jennifer Beals voando de um lado pro outro em piruetas improváveis, Jennifer Beals suarenta acelerando estática no chão da sala, Jennifer Beals dançando pra geral num inferninho. Ficou pra sempre na minha retina e é a única coisa que lembro com clareza do blockbuster Flashdance (1983), um filme que deve ter passado dezoito vezes na Sessão da Tarde. O som que movimenta a ofegante atriz durante a performance é "Maniac", single de estreia de Michael Sembello, um ex-músico de estúdio que emprestou seus dotes com as seis cordas pra gente como Michael Jackson, Diana Ross, Chaka Khan, George Benson e Donna Summer, até apostar na carreira solo e emplacar um número 1 no Hot 100 da Billboard, logo de cara. Estrutura de synthpop com pegada de Hi-NRG, "Maniac" é uma boa canção pop que acabou alavancada por um filme despretensioso mas que comercialmente, deu muito certo e levou Sembello pra galeria dos one hit wonders oitentistas.



Também vale o confere na atualizada que os italianos do Bloody Beetroots deram na faixa, em 2007:

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Dead Or Alive


O sucesso de lá nem sempre é o sucesso daqui. Conheci o Dead Or Alive na virada dos 80 pros 90, porque "Come Home With Me Baby" martelava direto nas FMs. Um tempo depois fui descobrir que o grande hit do grupo britânico era "You Spin Me Round (Like a Record)" (1984), primeiro (de vários) número um na parada inglesa produzido pelo trio Stock, Aitken & Waterman. Não que o som do Dead Or Alive tivesse algo a ver com o pop pasteurizado do pessoal que estava sob as asas dos produtores: com a postura extravagante do bom vocalista Pete Burns na linha de frente, o grupo livrou-se das origens pós-punk/góticas (Wayne Hussey, do The Mission, fez parte da formação inicial da banda) e juntou Hi-NRG com synthpop mais a androginia provocante de Burns - algo entre Alice Cooper e Boy George - pra produzir hits de pista explosivos como essa "Come Home With Me Baby", confortavelmente inserida em sets de freestyle e house. Burns empilhou plásticas e polêmicas até falecer em Outubro de 2016, vítima de um ataque cardíaco.

"Come Home With Me Baby": exuberância.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Sabrina


"Boys", single da italiana Sabrina Salerno lançado em 1987, era mais ou menos como a maioria dos hits de pista vindos daqueles lados nos anos 80: exageradamente pop, chiclete, sazonal (o subtítulo "Summertime Love" evidencia o quanto se esperava que durasse a faixa) e apelativa. Fora que o visual de Sabrina não deixava dúvidas sobre o total desprendimento da cantora em relação ao conteúdo intelectual ou emocional de sua música. Bom, isso não faz a menor diferença. A música é ótima. Um Hi-NRG potente do tipo que o trio de produtores Stock, Aitken & Waterman daria o dedo mindinho pra fazer igual (certa vez eles confessaram que "Call Me" - de outra cantora que nadava na mesma piscina de Sabrina, a também italiana Ivana Spagna - era a melhor canção que eles nunca produziram). "Boys" foi um hitaço, vendeu muito (especialmente na Europa) e teve o vídeo banido na então conservadora Inglaterra de Margaret Thatcher, o que, óbvio, contribuiu pra alavancar o single até o número três do paradão do Reino Unido. E a Sabrina? Continuou trampando como cantora, compositora, produtora musical, modelo, atriz e apresentadora de TV. Ainda está na ativa e olha... ela era um pitéu, hm?

"Boys": festa na piscina.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Happy Birthday To... Yoko Ono


Cineasta, artista plástica muderninha e dublê de cantora, a japona Yoko Ono era citada por John Lennon como "a mais famosa artista desconhecida do mundo". Completando longevos 80 anos hoje, a música de Yoko sempre sobrevoou o campo experimental, muito embora ela tenha tentado aproximar-se do pop em algumas ocasiões - como em "Walking On Thin Ice", single de 1981. Da new wave esquisitinha original quase não sobraram resquícios quando a faixa foi retrabalhada por gente como Danny Tenaglia, Felix da Housecat e Pet Shop Boys, em 2003. Relançada em versões CD Maxi-Single e vinil 12", a canção alcançou o 31º lugar na parada inglesa - curiosamente, a mesma de 1981. Neil Tennant e Chris Lowe apostaram numa versão Hi-NRG, dá uma ligada como ficou: