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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Dead Or Alive


O sucesso de lá nem sempre é o sucesso daqui. Conheci o Dead Or Alive na virada dos 80 pros 90, porque "Come Home With Me Baby" martelava direto nas FMs. Um tempo depois fui descobrir que o grande hit do grupo britânico era "You Spin Me Round (Like a Record)" (1984), primeiro (de vários) número um na parada inglesa produzido pelo trio Stock, Aitken & Waterman. Não que o som do Dead Or Alive tivesse algo a ver com o pop pasteurizado do pessoal que estava sob as asas dos produtores: com a postura extravagante do bom vocalista Pete Burns na linha de frente, o grupo livrou-se das origens pós-punk/góticas (Wayne Hussey, do The Mission, fez parte da formação inicial da banda) e juntou Hi-NRG com synthpop mais a androginia provocante de Burns - algo entre Alice Cooper e Boy George - pra produzir hits de pista explosivos como essa "Come Home With Me Baby", confortavelmente inserida em sets de freestyle e house. Burns empilhou plásticas e polêmicas até falecer em Outubro de 2016, vítima de um ataque cardíaco.

"Come Home With Me Baby": exuberância.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Information Society

Um dia eu ainda vou entender porque o Information Society foi tão imensamente popular no Brasil. Conterrâneos de Prince (a banda vem de Minneapolis, EUA), o trio debutou pra valer em 1988 com um álbum autointitulado - antes disso há o The InSoc EP de 1983 e um lançamento independente de 1984 (Creatures Of Influence). Estourado nos Estados Unidos (mais de um milhão de cópias vendidas), Information Society, o disco, virou por aqui uma espécie de hit singles pack. Nada menos que seis - das dez faixas - tocaram insistentemente nas rádios brasileiras por dois anos a fio, até o lançamento de Hack, em 1990. A chamada "crítica especializada" nunca engoliu o grupo. Chamado erroneamente de "Depeche Mode de segunda", os jornalistas detestavam o Information pelos motivos errados, porque as comparações com o synthpop europeu da época eram, no mínimo, falta de informação (sem trocadilhos). Chegou-se a escrever que "What's On Your Mind (Pure Energy)", era "a melhor música que o Duran Duran não havia gravado". Mas a única coisa que o InSoc tinha em comum com Depeche e Duran eram os sintetizadores. A base da banda americana era outra, muito mais ligada ao electrofunk de Afrika Bambaataa do que à eurodisco européia.   


"Running" é uma das faixas de Information Society. A canção já tinha aparecido em Creatures Of Influence, mas no álbum de 1988, ela ressurge polida por reverbs nos vocais e efeitos de delay. O fato curioso aqui é que a voz ouvida não é a do vocalista Kurt Harland, e sim de Murat Konar, integrante que deixou o grupo em 1985. "Running" é um épico de oito minutos que funde technopop, freestyle e electro, com os vocais dramáticos de Konar. Hit eterno.

"Running": com Kurt, só nos shows.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Stevie B


O Rei do Freestyle chegou ao topo do paradão da Billboard em 1990 com a baba "Because I Love You (The Postman Song)", mas sua música mais conhecida é "Spring Love", lançada dois anos antes - ao menos no Brasil, onde foi megahit de pistas e rádios. Pode colocar boa parcela da culpa em Stevie B pelo fenômeno do funk melody ter se propagado por aqui (ele tem um single que batizou esse subgênero do funk carioca, inclusive), de onde saiu gente um tanto duvidosa, como Latino e Copacabana Beat e também um povo comprovadamente talentoso (Claudinho & Buchecha). "Spring Love" é a canção freestyle por excelência: percussão latina, gancho forte de sintetizador, vocais dramáticos e linha de baixo adiposa correndo juntinho com o bumbo. Acha melosa? Bobagem. Stevie B é um ótimo cantor de R&B e os arranjos de voz dessa faixa (especialmente quando entram os backing vocals), são irrepreensíveis. Pra saudar a chegada da Primavera, uma óbvia (e ótima) pedida.

"Spring Love (Come Back to Me)": o cabelo está bem melhor agora.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Noel


Pedra fundamental do freestyle: "Let the Music Play", faixa de 1983 da cantora Shannon. Um marco da dance music. Claro, inspirado pelos alemães duros de cintura do Kraftwerk ("Numbers"), Afrika Bambaataa já havia experimentado com esses beats de funk sintético em 1982 ("Planet Rock"), mas o single de Shannon injetou aquele tempero latino característico do gênero e um apelo pop que fez a canção chegar aos primeiros lugares das paradas americanas.
O nova-iorquino Noel Pagan seguiu direitinho a cartilha do freestyle no seu debut autointitulado - que tinha no time de produtores gente como Paul Robb (Information Society), John "Jellybean" Benitez e "Little" Louie Vega - e conseguiu emplacar alguns hits. "Silent Morning" é sua canção mais conhecida. Incluída na trilha da novela Vale Tudo, em 1988, estourou Noel por aqui e trouxe consigo uma avalanche de artistas de freestyle que ganharam projeção e popularidade em rádios e pistas brasileiras: TKA, Stevie B, The Cover Girls, Will to Power, Tony Garcia... a lista é grande.

Noel bem que tentou se desvencilhar do freestyle em sua tentativa pop rock Hearts on Fire, álbum de 1993, mas o resultado foi decepcionante e, mesmo sem gravar discos há um bom tempo, o cantor permanece na ativa fazendo shows.

"Silent Morning": expressão facial notável.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Shana


Shana Petrone deve ter sido alvo fácil de piadas rasteiras por conta da escolha de seu nome artístico - aqui no Brasil, obviamente. A artista americana tinha só 17 anos quando seu single "I Want You" (de 1989) alcançou o Top 40 da Billboard e ganhou boa rotação nas danceterias. Seu álbum (também I Want You) ainda teve outro hit mediano ("You Can't Get Away", produzida pelo craque do freestyle, Lewis Martineé) e mais alguns sucessos de pista ("Falling Slowly" e "Best Part Of Breaking Up"), embora minha preferida do disco seja a fantástica "I'd Do Anything For Your Love" (não raro me perguntam, quando toco, se isso é Madonna). Depois desse começo promissor, Shana sumiu do mapa e ressurgiu como cantora country, no final dos anos 90. E devo acrescentar que, aos 44 anos, Ms. Petrone continua muito gata

"I'd Do Anything For Your Love":

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: The Voice In Fashion


Em 1988, os Pet Shop Boys estavam tão entusiasmados com o synthpop cucaracha - leia-se freestyle - que foram em pessoa gravar o single "Domino Dancing" no estúdio do papa do gênero, Lewis Martinée, em Miami. Martinée vinha de três hits Top 5 na Billboard (com suas protegidas Exposé) e acabara de produzir o single "Give Me Your Love", do Voice In Fashion - que fez os vocais de apoio para "Domino Dancing".


"Give Me Your Love" não chegou a ser sucesso planetário, mas ganhou boa execução nas rádios e pistas de dança, no final dos 80 e começo dos 90. Por aqui a faixa saiu em duas coletâneas: numa versão editada (Diet Pan, da rádio Jovem Pan) e numa extended (Dance Remix). Por conta dessa música (mas não sei com que repertório), a banda excursionou pelo Brasil em 1992, incluindo aí uma bizarra aparição no programa Xuxa Show e outra no não menos bisonho Fausto Silva. Ê laiá.

"Give Me Your Love": paquitas e playback.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Tony Garcia


O porto-riquenho Tony Garcia nunca teve desempenho brilhante nos paradões. Sua produção mais conhecida ("Take Me In Your Arms", 1991), não pegou nem Top 50 na Billboard, mas seu freestyle meloso tinha airplay significativo - aqui no Brasil. Adorado no meio do funk melody, Garcia emplacou vários hits de pista nos bailes, como a própria "Take Me In Your Arms", "Just Like The Wind" e a ótima "I Can Understand It", um cover brilhante de Bobby Womack. Aqui o usualmente repetitivo Tony mostra talento ao reduzir a velocidade da batida sampleada de "Planet Rock" (Afrika Bambaataa) e bolar um belo arranjo de cordas sintetizadas pra sustentar os vocais de puro soul do cantor Kenny C. O freestyle nunca tinha soado tão elegante.

"I Can Understand It": finesse no baile. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Red Flag


A dupla de Liverpool, Red Flag (radicada em San Diego, EUA), conseguiu alguma repercussão tardiamente: seu single "Russian Radio" foi lançado em 1988, beliscou a parada dance da Billboard e ganhou o coração (e as pernas) dos adoradores do technopop, naquele final de década em que o gênero estava em franco declínio. Na produção, uma mãozinha de Paul Robb, do Information Society. O Red Flag frequentou o segundo escalão do synthpop (junto com gente como When In Rome e Cause & Effect), pra sumir musicalmente logo em seguida - apesar de ainda estar na ativa, mantido pelo tecladista Chris Reynolds. O vocalista e irmão de Chris, Mark Reynolds, faleceu em 2003. Curiosamente, o single continha um remix de "Russian Radio" numa versão electro, chamado "Glasnost Club Mix" (de Paul Robb), que foi hit nos bailes funk cariocas da virada 80/90 e consumida como freestyle sem a menor cerimônia.

"Russian Radio (Fresh Club Mix)" :



"Russian Radio (Glasnost Club Mix)":

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Nolan Thomas


Lip sync. Sincronização labial. Se você provavelmente nem lembra do Nolan Thomas (nome verdadeiro: Marko Kalfa), imagina de alguém chamado Elan Lanier, que foi a verdadeira voz de seu hit "Yo, Little Brother", de 1984. Consta que foi a única faixa de seu primeiro álbum (capa acima, lançado no ano seguinte) em que Thomas não abriu a boca. Talvez não por coincidência, somente a própria "Yo, Little Brother" estourou. O disco, produzido pela dupla Chris Barbosa e Mark Liggett - os mesmos que praticamente fundaram o freestyle com a cantora Shannon, em 1983 - é bem fraquinho, mas "Yo, Little Brother", a canção, é ótima. Pega a fase embrionária do electro, com uma referência disco no baixo, programação de bateria que é uma metralhadora de beats e uma tonelada de sintetizadores afundando o piso do estúdio.

Prince, Billy Idol, Bruce Springsteen, Ric Ocasek e Cyndi Lauper: versão fraldinha no vídeo.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Moskwa TV


Custei a acreditar no locutor quando ele disse que isso não era Information Society. Como não? A mesma batidinha Miami, os samples, os vocais... no mínimo, era o Kurt Harland metido em algum projeto paralelo. O nome Moskwa TV não era familiar pra mim. Nunca tinha ouvido falar. Muito tempo depois é que fui descobrir a origem do grupo, formado no meio dos 80 na Alemanha por um quarteto capitaneado pelo DJ e produtor Talla 2XLC.


Na época que o single "Tell Me, Tell Me" estourou (entre 1991 e 1992), nem Talla 2XLC estava mais no projeto - que reduziu-se a uma dupla, mas manteve o mesmo Ion Javelin no microfone.

Freestyle alemão, foi hitaço no Brasil e encaixava-se perfeitamente numa discotecagem que incluísse o próprio Information Society e T42. Eu já não sabia quem era quem. 

"Tell Me, Tell Me": InSoc chucrute.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Linear


O Linear entrou pro grupo dos inesquecíveis one-hit wonders com seu single "Sending All My Love", de 1990. Meio milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Nada mal pra um trio que tinha na formação um tocador de congas (Joey Restivo, o da bandana acima). Me pergunto que papel desempenhava num projeto freestyle, um conga player. Não consigo nem ouvir vestígio do instrumento em "Sending All My Love". Mas a música é ótima. Aqui no Brasil, entrou na trilha da novela Mico Preto - muito bem acompanhada por hits de Technotronic, Snap!, Erasure, Sybil, Sinead O'Connor e, vá lá, MC Hammer. Sucesso absurdo, do tipo que ficava um ano inteirinho tocando em rádios e pistas. Você sabe, essas coisas que não acontecem mais.

"Sending All My Love": passinhos.

terça-feira, 20 de março de 2012

Alma Funk



Charlie "Cnyce" Levine e Eli "Elyte" Goldstein tem o boogie no sangue. Prova disso é EFUNK, recém-lançado debut da dupla de Boston . 


Pensou em "Electronic Funk", hã? Pois é, eu também. E se fosse esse o significado, tudo bem, já que tem muito de electro oitentista ("Let It Go") e Miami Bass ("Trouble Trouble Trouble") no disco. Mas, segundo o duo, EFUNK quer dizer  "Everybody's Freaky Under Nature's Kingdom". Beleza, porque o clima aqui é de festerê regado a George Clinton, 2 In A Room, soul de plástico ("Ecstacy" e a ótima "Take It Slow"), freestyle, Roland TR-808, música latina ("Clapping Song") e house ("Need Your Lovin"). Recomendo que você diminua a intensidade dos graves antes de ouvir os baixos cabulosos de "Lets Groove On" e "Islands In Space Part 1", são os dois momentos do álbum onde as baixas frequências ficam doidinhas pra estourar seus alto-falantes. Apesar de rolar uma vibe "Cantaloupe Island" na inspirada "Islands In Space Part 2", o foco de EFUNK é heroicamente mantido na pista de dança com a competente requentada sonora do Soul Clap (a releitura do clássico electro de 1986 "The Alezby Inn" do produtor Egyptian Lover é um bom exemplo). Bela estréia.