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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: The Voice In Fashion


Em 1988, os Pet Shop Boys estavam tão entusiasmados com o synthpop cucaracha - leia-se freestyle - que foram em pessoa gravar o single "Domino Dancing" no estúdio do papa do gênero, Lewis Martinée, em Miami. Martinée vinha de três hits Top 5 na Billboard (com suas protegidas Exposé) e acabara de produzir o single "Give Me Your Love", do Voice In Fashion - que fez os vocais de apoio para "Domino Dancing".


"Give Me Your Love" não chegou a ser sucesso planetário, mas ganhou boa execução nas rádios e pistas de dança, no final dos 80 e começo dos 90. Por aqui a faixa saiu em duas coletâneas: numa versão editada (Diet Pan, da rádio Jovem Pan) e numa extended (Dance Remix). Por conta dessa música (mas não sei com que repertório), a banda excursionou pelo Brasil em 1992, incluindo aí uma bizarra aparição no programa Xuxa Show e outra no não menos bisonho Fausto Silva. Ê laiá.

"Give Me Your Love": paquitas e playback.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Os Dez Melhores Covers Dance


Tese inovadora: covers são facas de dois gumes. Uns melhoram sensivelmente o original, outros destroem o esforço da matriz. Na dance music, a prática é comum. A esmagadora maioria, é horrível. Sem imaginação. Catar hits infalíveis de outros gêneros e simplesmente adequar a canção à pista é o que mais acontece. Mas reconstruir, ousar, buscar aquela obscuridade e transformar numa coisa praticamente nova, quem? Juntei dez singles que, acho, cumpriram a tarefa. Com louvor. As versões originais estão em vermelho, é clicar logo abaixo do título. E não, não tem "Please Don't Go", do Double You.
 
"Don't Let Me Be Misunderstood" - Santa Esmeralda
Original:  Nina Simone


The Animals também coverizou essa, mas a primeirona a gravar a canção foi a diva Nina Simone, em 1964. Virou um monolito na voz dela, mas o Santa Esmeralda fez uma versão disco/flamenca/latina muito digna. Repare no paredão de metais em 03:22 e na trama de violões muito bem executada. O mix tem mais de 16 minutos e o vocalista Leroy Gomes parece ter tido orgasmos múltiplos no estúdio depois de seis minutos e meio.

"Always On My Mind" - Pet Shop Boys
Original: Brenda Lee


Pois é, eu também achava que o original era do Elvis. A cantora pop/country Brenda Lee é quem gravou "Always On My Mind" pela primeira vez (1972), das mais de 300 versões que a música possui. Em 1987, o duo britânico Pet Shop Boys transformou a candura de Brenda num sofisticado e dançável synthpop, chegando ao número um no paradão inglês.

"Going Back To My Roots" - FPI Project
Original: Lamont Dozier


Compositor de uma pá de hits para artistas da Motown, Lamont Dozier gravou ele mesmo "Going Back To My Roots", em 1977. Os italianos do F.P.I. Project fizeram sua ótima versão house em 1989, cheia de pianos saltitantes e com um lindo arranjo de sintetizadores. Tem aquele "Uh! Yeah!" que encheu a paciência, mas, em compensação, tem a Sharon Dee Clarke (Nomad) nos vocais.

"Walk On By" - Sybil
Original: Dionne Warwick

 

Composição dos geniais Burt Bacharach (música) e Hal David (letra). A ideia de um cover com beat quebrado já havia aparecido em 1988, com a dupla inglesa Smith & Mighty. Um ano depois, o produtor americano Eddie O'Loughlin fez sua "Walk On By" bem parecida, um tanto mais classuda e com um groove rechonchudo. Com o falsete afinadíssimo da cantora Sybil, foi hit nos bailes charme aqui no Brasil.


"Tainted Love" - Soft Cell
Original: Gloria Jones

 

Um trabalho notável de transformação do soul original num synthpop febril, com o cantor Marc Almond acertando os vocais no primeiro take da gravação. Rihanna baseou-se amplamente na versão do Soft Cell, no seu hit "SOS", de 2006, e ainda sampleou os clássicos bleeps de sintetizador da música (bolados por Almond, e não Dave Ball). O single da dupla inglesa foi o mais vendido na Inglaterra em 1981.

"Only Love Can Break Your Heart" - Saint Etienne
Original: Neil Young


O original estava esquecido em alguma gaveta desde que foi gravado por Neil Young, em 1970. O Saint Etienne recuperou a bela música do canadense e fez sua arrasadora versão 20 anos depois, no segundo single da sua carreira. Inesquecível.


"Be Thankful For What You've Got" - Massive Attack
Original: William DeVaughn


O Massive Attack aproveitou alguns elementos (linha de baixo, piano elétrico) do clássico original de William DeVaughn (1974), mas o grande trunfo do grupo de Bristol foi o timbre sensacional do vocalista Tony Brian - sexy e inacreditavelmente feminino. O DJ Paul Oakenfold ainda conseguiu melhorar o que já era excelente, com esse "Perfecto Mix", polindo os beats e injetando umas flautinhas hipnóticas. O subtítulo dá a pista de como ficou o remix.

"Fantasy" - Black Box
Original: Earth, Wind & Fire



Na versão do projeto house italiano Black Box, a bateria foi sampleada de "La Vie en Rose" (na regravação de Grace Jones para a clássica canção de Édith Piaf) e os vocais são maravilhosamente berrados por Martha Wash - embora a modelo Katrin Quinol apareça no vídeo dublando na cara dura.


"Can't Take My Eyes Off You" - Boys Town Gang
Original: Frankie Valli


Ótima banda de estúdio, o Boys Town Gang só emplacou esse cover feito em 1982 para o clássico de Frankie Valli, de 1967. Um dos últimos espasmos da disco original, a "Can't Take My Eyes Off You" do Boys Town Gang já entra no terreno da Hi-NRG, com sintetizadores fundindo-se à uma linda sessão de cordas e um naipe de metais memorável.


"Another Day In Paradise" - S.L.Line
Original: Phil Collins


Transformar a compaixão pelos sem-teto do hitaço de Phil Collins em jogação foi digno de Midas. O S.L.Line só teve o trabalho de usar a batida downtempo de "Keep On Movin'" do Soul II Soul e colocar alguém com a voz igualzinha à de Collins pra cantar. O groove de Jazzie B caiu como uma luva. Parece um remix, mas é um cover mesmo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Segunda Class: Pet Shop Boys


 Quando um lado B é uma coisa tão absolutamente sensacional como "Decadence", já dá pra medir o quão incrível é o repertório de uma banda. A bem da verdade, sou mais essa canção do que o própria faixa principal do single Liberation (1994). Aqui temos um arranjo de cordas magistral feito por Richard Niles - produtor e arranjador de ícones dos 80 como Swing Out Sister, Living In A Box, Was Not Was, Frankie Goes To Hollywood e Grace Jones. O violão e uma guitarra plugada num wah-wah são de um tal Johnny Marr, conhece? Bom, é só meu guitarrista preferido em todos os tempos. Aí entra o falsete inconfundível de Neil Tennant desfilando elegante por esse easy listening e o sorriso se abre involuntariamente. Maravilha.

Enquanto estamos na espectativa pelo novo álbum da dupla (Electric, sai mês que vem), é legal dar uma chafurdada no arquivo dos Pets. Sempre tem coisas que merecem ser ouvidas e/ou reavaliadas.

"Decadence": "...You don't care about real life..."

sábado, 1 de junho de 2013

Previsões


Aconteceu exatamente como eu previ.


Em Agosto do ano passado, escrevi aqui no blog sobre Elysium, talvez o disco mais sem graça da carreira dos Pet Shop Boys. Encerrei a resenha com a seguinte frase: "Espero que daqui uns seis meses (ou antes, se possível), Tennant e Lowe percebam que esse disco foi equivocado. Prefiro vê-los como o Los Del Rio do technopop do que com essa apatia atual". Tá lá no post, pode conferir. E o que aconteceu? Já em Novembro, a dupla estava gravando um novo álbum. Correção de rota após o fraco Elysium? Pode ser. O que dá pra dizer é que Tennant e Lowe começaram acertando com o piloto da mesa de som: foram as mãos abençoadas de Stuart Price que giraram os botões na produção de Electric (capa acima), com lançamento previsto para 15 de Julho. Outra mudança é a gravadora: sai a parceira de 28 anos, Parlophone, e entra o próprio selo do grupo, o x2. Os Pets estão em turnê pra divulgação do novo disco (datas pelo mundo inteiro até Dezembro - passaram por São Paulo mês passado). Algumas faixas já estão rolando nos shows, incluindo "Axis", lançada digitalmente dia 1º de Maio.

"Axis": vocoder nas pistas de dança.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Happy Birthday To... Yoko Ono


Cineasta, artista plástica muderninha e dublê de cantora, a japona Yoko Ono era citada por John Lennon como "a mais famosa artista desconhecida do mundo". Completando longevos 80 anos hoje, a música de Yoko sempre sobrevoou o campo experimental, muito embora ela tenha tentado aproximar-se do pop em algumas ocasiões - como em "Walking On Thin Ice", single de 1981. Da new wave esquisitinha original quase não sobraram resquícios quando a faixa foi retrabalhada por gente como Danny Tenaglia, Felix da Housecat e Pet Shop Boys, em 2003. Relançada em versões CD Maxi-Single e vinil 12", a canção alcançou o 31º lugar na parada inglesa - curiosamente, a mesma de 1981. Neil Tennant e Chris Lowe apostaram numa versão Hi-NRG, dá uma ligada como ficou:

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Oitava Maravilha

 
Durante um certo período, a britânica Patsy Kensit foi a oitava maravilha do pop (na Inglaterra, ao menos). Atriz e cantora, Kensit fez parte da banda Eighth Wonder de 1983 à 1989, com alguns hits de modesto desempenho nas paradas européias (exceto na Itália, onde tiveram dois singles no topo da parada local) e maior reconhecimento (sabe-se lá porquê) no Japão. Com o fim do grupo, a moça abandonou o microfone pra se dedicar à interpretação (em 1989, participou de Máquina Mortífera 2, com Mel Gibson e Danny Glover). Numa disputa imaginária com a nossa Gretchen, já casou quatro vezes: Jim Kerr (Simple Minds) e Liam Gallagher (Oasis) estão entre as vítim... digo, entre os ex-companheiros de cama e mesa. Até aqui no Brasil, a patsymania (putz!) respingou: a finada revista Bizz chegou a profetizar numa matéria de capa em 1986: "Te cuida Madonna, Patsy Kensit vem aí!".
 
 
Beleza, ela é bonitinha, fez uns papéis secundários no cinema, canta pelas narinas... mas, e daí? Oras, há pouquinho tempo atrás - para minha total estupefação - descobri que os Pet Shop Boys compuseram e co-produziram "I'm Not Scared" para La Kensit e o seu Eighth Wonder, em 1988. Logo depois, a dupla incluiu sua própria versão da música no álbum Introspective. E ninguém perguntou, mas minha opinião é a de que a versão do Eighth Wonder é tão boa quanto a de Tennant e Lowe. Groove mais lento, mais sexy, baixo disco-sintético, sintetizadores dramáticos, climão ítalo e o vocal fake juvenil de Kensit credenciam a canção à uma das melhores coisas do segundo escalão dos anos 80. Olhaí como vale a pena redescobrir essa (ou não, como diria o Caetano):
 
"I'm Not Scared": playback, tomara-que-caia e a cafonália do Sanremo.


sábado, 25 de agosto de 2012

Being Boring


"... we were never being boring
We were never being bored..."

Até agora, os Pet Shop Boys - mesmo com algumas escorregadas - fizeram valer o trecho de um dos seus hits. Mas "Invisible" e "Winner" (faixas apresentadas antes de Elysium - décimo primeiro álbum da dupla - estar à solta na rede), já eram sinais não muito animadores. Infelizmente, o disco é chato pacas. O que aconteceu com Tennant/Lowe? Falta de inspiração? Preguiça? Acomodação? Acho que um pouco de tudo. Eu esperava, claro, um envelhecimento digno. Queria ver mesmo dois velhinhos sacanas falando da noite, de sexo, de emoções baratas; com aquele mesmo humor ácido, com a habitual ironia sutil mas com a visão de quem agora está na casa do meio século e enxerga tudo com aquele riso de canto de boca. O que vem no pacote de doze faixas é um Pet Shop Boys conformado, quase aposentado, encostado num canto como aquele velho Emulator obsoleto no estúdio. Gravado em Los Angeles no início do ano e co-produzido por Andrew Dawson (que "...ganhou três Grammys por seu trabalho com Kanye West..." conforme release do disco e como se isso fosse atestado de qualidade), Elysium tem os arranjos mais fracos da história da banda. O que é "Hold On"? Parte de algum musical soporífero da Broadway? E as cordas melosas mirando-o-horizonte-infinito de "Winner"? A pose de Chris Lowe sempre foi propositalmente blasé, mas agora é o som que soa terrivelmente entediado. Ouça "Ego Music" e constate que esta é uma das piores contribuições musicais de Lowe para uma canção dos Pet Shop Boys em toda a discografia da banda, simplesmente nada funciona: os efeitos são surrados, a batida é sem graça, essas mudanças de andamento... Nem com a pista de dança a dupla pareceu se importar em Elysium, não há nada de muito empolgante e remixável assim, de cara. Talvez uma figura como Fred Falke possa recauchutar as medianas "Leaving" e "Face Like That", únicas faixas com algum potencial dançável no álbum. Bola pra frente. Espero que daqui uns seis meses (ou antes, se possível), Tennant e Lowe percebam que esse disco foi equivocado. Prefiro vê-los como o Los Del Rio do technopop do que com essa apatia atual.

"Leaving": um dos pouquíssimos momentos de luz em Elysium.

Pet Shop Boys - Leaving from Mario Cebollini on Vimeo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Boring Winner


Sei não, achei meio chato esse single novo dos Pet Shop Boys.


  

Winner
é uma espécie de hino existencial grandiloqüente, numa vibe "We Are The Champions" do Queen. Só que me soou falsamente épico, parece que Tennant e Lowe quiseram pegar uma caroninha no hype olímpico. O single tem ainda a razoável "A Certain 'Je ne sais quoi'", a enche-linguiça "The Way Through the Woods (Long Version)" e um cover de "I Started a Joke" (Bee Gees), com um arranjo digno dos melhores karaokês encontráveis no mercado. Espero que Winner não sirva de termômetro pra Elysium, álbum com lançamento previsto para o próximo mês.

"Winner": "_ Você é um vencedor, eu sou um vencedor...". Ah, tá.


sábado, 23 de junho de 2012

Garotos Invisíveis


Música nova dos Pet Shop Boys, a climática baladona downtempo "Invisible" não me parece direcionada ao mercado de singles, então é só a primeira faixa divulgada em vídeo que deve fazer parte do próximo álbum de Neil Tennant e Chris Lowe (Elysium, programado para Setembro). Que a dupla flerta desde sempre com hip-hop e R&B a gente sabe, mas a curiosidade dessa vez fica por conta da escolha do produtor Andrew Dawson (Kanye West, Common, T.I., Jay-Z, Destiny’s Child, Lil Wayne, Drake, Rick Ross, Erykah Badu). Girando os botões certos, Dawson já levantou alguns troféus como produtor e engenheiro de som. Vamos ver o que vai render dessa parceria com os Pet Shop Boys.
"Invisible":

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

The Best Of The Rest


O trocadilho infame "Pet Shop Sirs" não tem mais graça, né? OK. Viu que eles vão lançar em Fevereiro mais uma compilação de B-Sides e raridades? Format vem na mesma onda de Alternative, coletânea de 1995 que juntava trinta lados B dispostos cronologicamente em dois CDs. Já Format cobre o período restante, até a atualidade. 

 
A diferença é que dessa vez a dupla incluiu promos tipo "The Truckdriver & His Mate", que saiu em 1996 na versão cassete do single "Before" e também numa edição limitadíssima em vinil com uma capa que trazia a singela imagem de um par de bilaus cabisbaixos. Outro promo sensacional é "The Boy Who Couldn't Keep His Clothes On", um sacolejo house de teclados xinfrin e uma capacidade notável de transformar o título auto-explicativo da canção num refrão ganchudo. Format também revela coisas como o duo se aventurando na selva drum'n'bass, com resultado duvidoso ("Betrayed"), trip-hop (a arrastada "Silver Age"), techno-estéril ("Transparent", "Casting A Shadow") e numa vibe totalmente adolescente (algo me diz que "The Ghost Of Myself" foi escrita pensando em Britney Spears). Tem ainda as provocações e ironias típicas dos Pet Shop Boys, na ótima "How I Learned To Hate Rock And Roll" e em "Searching For The Face Of Jesus"; remixes ruins como "In The Night (1995)" e "Discoteca (New Version)" - muito abaixo das originais - e baladonas corta-pulsos como "No Time For Tears" e "Confidential (1992 Demo For Tina Turner)", que me deixou curiosíssimo a respeito do subtítulo. E os hits em potencial relegados à mero preenchimento de singles? Aqui temos faixas inacreditáveis como a lindíssima "In Private" (com participação de Elton John), popíssima, mas que acabou no outro lado de "Minimal" (2006). Bom, para fãs dos Pet Shop Boys como eu, esse disco é um presente e tanto antes da dupla lançar álbum novo (prometido para esse ano). Para apreciadores de música pop então, nem se fala. Só fica a dúvida: se você acha que Neil Tennant e Chris Lowe estão precisando de grana pra pagar seus respectivos jardineiros, espere o lançamento oficial. Senão, ele já está disponível por aí, você sabe. 

"How I Learned To Hate Rock And Roll": eu também detesto ás vezes, Neil.