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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

À Imagem e Semelhança


DJ, músico e produtor de Londres, Jamie Paton debutou no meio de 2013 com o EP Bizarre Feeling: uma dance meio retrô, mas sem sabor de coisa requentada. É possível? É. Trata-se de um mix de house, synthpop e new wave com bom uso de referências do passado e um verniz eletrônico que deixa tudo com cheiro de atemporalidade e não de mofo. Saca o baixo monocórdico, os synths nos lugares certos e os vocais sonolentos de "To The Light":



"Ju Know" não fica atrás. Do arpejo hipnótico no segundo plano à percussão em camadas até o baixo mutante da TB-303, são sete minutos e meio de viagem meio new beat meio italo-disco.



A melhor do pacote é a faixa título, sem dúvida. Se me dissessem que é uma faixa inédita do New Order gravada em 1982 e encontrada num tape de rolo numa gaveta do porão do estúdio do Arthur Baker, eu acreditaria.



PS.: gracias ao sempre atento Thiago Giardini por compartilhar o achado.

domingo, 23 de agosto de 2015

Diversidade Ainda Que Tardia


No começo do ano, o DJ e produtor Felix Da Housecat virou notícia no mundo todo. Não por causa de alguma track brilhante ou um disco fenomenal e sim porque foi barrado na porta do famoso clube Berghain, em Berlim. Um injuriado Felix Stallings, Jr. foi então pro Twitter expor toda sua mágoa com a casa, entre acusações de racismo e oportunismo (em relação a cena de Chicago e Detroit).


Baixada a poeira, Felix lançou em Julho seu sétimo álbum, Narrative Of Thee Blast Illusion (pela gravadora nova-iorquina NoShame), quatro anos depois do bom Son Of Analogue, que saiu encartado numa edição da revista inglesa Mixmag. Com pouquíssima exposição (se comparado com o episódio do clube alemão) e nadando contra a maré, Housecat continua desafiando o mercado. Não há um hit single detectável no novo álbum - algo que até é comum à sua discografia. Em compensação, há um Narrative apostando numa variedade eletrônica que inclui os habituais house e electro, mas com enxertos de synthpop, italo disco e até reggae. O blend, no entanto, não soa alienígena, nem exageradamente eclético. A coesão acontece justamente porque sua produção é contida, polida e sem excessos. A regra só não se aplica a "Turn Off The Television", um mergulho no lado camp dos anos 80 e seus sintetizadores na linha sobra-de-estúdio-do-Devo.



Fora essa escorregada, o que temos é uma ponte imaginária que mostra o produtor transitando com desenvoltura por Chicago, Londres, Milão e Kingston. Maquiando seus vocais tímidos com efeitos ou convidando gente como o desconhecido Amadeus (em "Why Games"), Lee Scratch Perry ("The Natural") ou a DJ argentina Romina Cohn (no diálogo erótico de "Queer"), Felix segue com a cabeça na dance analógica, que tanto pode ser encontrada em faixas como a house paleolítica de "Freakz On Time" (com seu baixo engrenado e arpejos em segundo plano), quanto na italo recriada com perfeição em "Is Everything OK?".






Cascatas de sintetizadores jorram em ambiências etéreas no ótimo R&B de FM "Codeine Cowboy", enquanto um technopop ligeiramente houseificado surge na voluptosa "Why Games", em mais duas composições que dispensam formalmente o compromisso com a música de pista.




No convincente dub "The Natural", Felix da Housecat convida o lendário produtor Lee "Scratch" Perry para dividir os vocais e mandar pro espaço uma profusão de ecos e efeitos, num justo reconhecimento a uma das figuras mais inovadoras e criativas já surgidas na música jamaicana.



Narrative Of Thee Blast Illusion condensa em pouco mais de 40 minutos gêneros um tanto distantes entre si, mas prova que eles podem comunicar-se sem cair no pastiche, soando com naturalidade e sem forçar a barra da homogeneidade pra parecer moderno e esperto. Acho que Felix espera que você perceba que não é nada desonesto gravar dub ou synthpop, mesmo não tendo essas origens. O que vale aqui é a ousadia e o talento de um produtor que vem a mais de vinte anos tentando nos convencer que nem só de singles vive a dance music.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Sabrina


"Boys", single da italiana Sabrina Salerno lançado em 1987, era mais ou menos como a maioria dos hits de pista vindos daqueles lados nos anos 80: exageradamente pop, chiclete, sazonal (o subtítulo "Summertime Love" evidencia o quanto se esperava que durasse a faixa) e apelativa. Fora que o visual de Sabrina não deixava dúvidas sobre o total desprendimento da cantora em relação ao conteúdo intelectual ou emocional de sua música. Bom, isso não faz a menor diferença. A música é ótima. Um Hi-NRG potente do tipo que o trio de produtores Stock, Aitken & Waterman daria o dedo mindinho pra fazer igual (certa vez eles confessaram que "Call Me" - de outra cantora que nadava na mesma piscina de Sabrina, a também italiana Ivana Spagna - era a melhor canção que eles nunca produziram). "Boys" foi um hitaço, vendeu muito (especialmente na Europa) e teve o vídeo banido na então conservadora Inglaterra de Margaret Thatcher, o que, óbvio, contribuiu pra alavancar o single até o número três do paradão do Reino Unido. E a Sabrina? Continuou trampando como cantora, compositora, produtora musical, modelo, atriz e apresentadora de TV. Ainda está na ativa e olha... ela era um pitéu, hm?

"Boys": festa na piscina.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Caras Novas: Schwarz Dont Crack


Schwarz Dont Crack (sim, sem apóstrofo) é um duo radicado em Berlim e formado pelo vocalista e compositor americano Ahmad Larnes mais o tecladista alemão Sebastian Kreis. O primeiro single, "Charade", saiu em 2012 pela Kitsuné e o mais recente, "All My Love", pela Nettwerk Music. A faixa precede o EP de estreia da dupla, prometido ainda para Janeiro. O som? Uma trip sexy por R&B anos noventa e sintetizadores ítalo. Disco lenta e crepitante. Vale o confere abaixo.

"Charade":



"All My Love":