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domingo, 12 de julho de 2015

Almost Famous

Sentido horário, de cima para baixo: Parallels, IAMX, Hurts e Little Boots.
Uma das grandes vedetes dos anos 80, o synthpop, continua firme no imaginário dos inabaláveis amantes de sintetizadores da atualidade e... não, espera. Tem gente aí que está se livrando aos poucos do rótulo. Abaixo, quatro faixas recentes de artistas que ainda não chegaram lá (onde?).

Parallels
A persistência e a tenacidade do Parallels é comovente. Já gravou dois álbuns, já lançou cinco singles, ainda não fez uma música realmente digna de nota (OK, gosto um tanto assim - junta o polegar ao indicador - de "Dry Blood"), não tem nenhum hit, está na ativa desde 2007 e, mesmo assim, não desiste. Acabaram de lançar (por conta própria) o EP Civilization, com quatro faixas inéditas, um cover fiel do New Order ("Age Of Consent") e um remix. Infelizmente, não é com esse disquinho que a história dessa banda canadense vai mudar. 


Hurts

O duo britânico formado por Theo Hutchcraft (vocais) e Adam Anderson (guitarras, sintetizadores) tem, até agora, dois álbuns: o primeirão (autointitulado, de 2010) foi promissor, especialmente pelos ótimos singles "Wonderful Life" e "Better Than Love", mais uma e outra faixa. O segundo, Exile, de 2013, mostrou a transformação do Hurts numa espécie de sub-Coldplay, desesperado pra viralizar um hino de estádio. A nova faixa, "Some Kind of Heaven", com toda pompa e pretensão do mundo, comprova que o Hurts não passou de mera curiosidade passageira, mesmo.



Little Boots

Victoria Hesketh vem tentando. Pro conteúdo não mais do que mediano, até que ela ganhou muito espaço com o debut Hands, de 2009, um disco que fez um burburinho razoável. Desvencilhando-se aos poucos da hashtag synthpop, não passou no teste do segundo álbum (Nocturnes, 2013, que foi esquecido mais rápido do que o primeiro) e agora reaparece com Working Girl, com o mesmo dance pop que a Kylie Minogue vem fazendo há vinte anos. Algumas faixas bacanas de house ("Heroine", "Working Girl", "No Pressure") dividem espaço com bobagens do calibre de "Taste It". Tem até samplezinho de "Genius Of Love" (Tom Tom Club) em "Better In The Morning", vai vendo.


IAMX

Projeto solo de Chris Corner (vocalista do finado Sneaker Pimps), o IAMX mantém firme a proposta rock alternativo/synthpop que vem praticando desde 2004. Com letras abrangendo preferencialmente sexo, decadência, religião, política, alienação e morte, o IAMX tem álbum novo prestes a ser lançado (Metanoia, o sexto da carreira) e já soltou uma amostra mês passado, o bom single "Happiness" - que mostra o quanto Corner canta bem, a despeito do instrumental simples.

sábado, 18 de maio de 2013

Tropeçando Nas Próprias Botas

Boots: muita pose, pouco som.
 Don't believe the hype. Era fogo de palha mesmo. Hands (2009), o álbum de estreia de Little Boots, já não tinha sido lá grande coisa - apesar do falatório e paparicação da imprensa inglesa - e esse segundo também não vai mudar muito a situação.

De gestação difícil (foi gravado no longo período 2010-2013), Nocturnes passou pelas mãos de cinco produtores, entre eles Andrew Butler (Hercules and Love Affair) e James Ford (Simian Mobile Disco). Mas nem eles tiraram o disco da condição de pop sem personalidade, repetitivo e monótono. A maioria das dez faixas segue pela trilha electro house, como a lamentável "Broken Record", primeiro single do álbum. Além de uma base manjada e sem graça, a letra é um primor:
"I hear your voice like a broken record / Saying my name every second / Voice like a broken record / In my heart I feel it echo". Com esse talento pra rimar, Victoria Hesketh poderia compor pro One Direction. Os fãs também parecem ter percebido o tropeço de Little Boots (com o perdão do trocadilho intencional): na Inglaterra, Nocturnes vendeu pouco mais de 2,000 cópias na primeira semana após o lançamento.

"Broken Record": o pior refrão do ano.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

These Boots Are Made For Walking


E essa "Superstitious Heart" da Little Boots? Com uma mãozinha de James Ford (Simian Mobile Disco) e da DJ britânica Maya Jane Coles, o single saiu em vinil no meio de Janeiro creditado somente como LB, então não sei se a faixa vai estar no novo álbum de Victoria Hesketh (que deve sair este ano, pelo que ela postou em seu Tumblr). O resultado desse ménage é uma house de cara meio amarrada mas com uma levada de baixo que eu tenho certeza que saiu da cabeça abençoada de James Ford: