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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Information Society

Um dia eu ainda vou entender porque o Information Society foi tão imensamente popular no Brasil. Conterrâneos de Prince (a banda vem de Minneapolis, EUA), o trio debutou pra valer em 1988 com um álbum autointitulado - antes disso há o The InSoc EP de 1983 e um lançamento independente de 1984 (Creatures Of Influence). Estourado nos Estados Unidos (mais de um milhão de cópias vendidas), Information Society, o disco, virou por aqui uma espécie de hit singles pack. Nada menos que seis - das dez faixas - tocaram insistentemente nas rádios brasileiras por dois anos a fio, até o lançamento de Hack, em 1990. A chamada "crítica especializada" nunca engoliu o grupo. Chamado erroneamente de "Depeche Mode de segunda", os jornalistas detestavam o Information pelos motivos errados, porque as comparações com o synthpop europeu da época eram, no mínimo, falta de informação (sem trocadilhos). Chegou-se a escrever que "What's On Your Mind (Pure Energy)", era "a melhor música que o Duran Duran não havia gravado". Mas a única coisa que o InSoc tinha em comum com Depeche e Duran eram os sintetizadores. A base da banda americana era outra, muito mais ligada ao electrofunk de Afrika Bambaataa do que à eurodisco européia.   


"Running" é uma das faixas de Information Society. A canção já tinha aparecido em Creatures Of Influence, mas no álbum de 1988, ela ressurge polida por reverbs nos vocais e efeitos de delay. O fato curioso aqui é que a voz ouvida não é a do vocalista Kurt Harland, e sim de Murat Konar, integrante que deixou o grupo em 1985. "Running" é um épico de oito minutos que funde technopop, freestyle e electro, com os vocais dramáticos de Konar. Hit eterno.

"Running": com Kurt, só nos shows.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Future Funk


Me admirei - muito - ao ouvir "Filthy", o primeiro single do novo álbum de Justin Timberlake, Man of the Woods (lançamento programado pra 02 de Fevereiro). Produzido pelo próprio Timberlake mais o parceiro de sempre Timbaland e o produtor Danja, "Filthy" é um funk cibernético corpulento e futurista, junta R&B e electro sob um baixo paquidérmico e um rolo compressor de efeitos, não facilita as coisas com as saídas mais fáceis do pop urdido por gente que dá as cartas atualmente como Dr. Luke e Max Martin e, mesmo assim, é totalmente digerível. Tão assombroso quanto a música é o vídeo elaborado para "Filthy", logo abaixo. Renovador e impressionante.


"Filthy": Justin rumo ao topo.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Stevie B


O Rei do Freestyle chegou ao topo do paradão da Billboard em 1990 com a baba "Because I Love You (The Postman Song)", mas sua música mais conhecida é "Spring Love", lançada dois anos antes - ao menos no Brasil, onde foi megahit de pistas e rádios. Pode colocar boa parcela da culpa em Stevie B pelo fenômeno do funk melody ter se propagado por aqui (ele tem um single que batizou esse subgênero do funk carioca, inclusive), de onde saiu gente um tanto duvidosa, como Latino e Copacabana Beat e também um povo comprovadamente talentoso (Claudinho & Buchecha). "Spring Love" é a canção freestyle por excelência: percussão latina, gancho forte de sintetizador, vocais dramáticos e linha de baixo adiposa correndo juntinho com o bumbo. Acha melosa? Bobagem. Stevie B é um ótimo cantor de R&B e os arranjos de voz dessa faixa (especialmente quando entram os backing vocals), são irrepreensíveis. Pra saudar a chegada da Primavera, uma óbvia (e ótima) pedida.

"Spring Love (Come Back to Me)": o cabelo está bem melhor agora.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

MahMiami


Depois do sensacional debut autointitulado, lançado em Maio do ano passado, a carioca Marcela Vale equilibra-se entre uma agenda cheia de shows e tempo pra gravar seu novo EP (que sai ainda em 2017), agora pela major Universal Music. A primeira faixa do trabalho, "Imagem", acabou de sair. No som, sai o synthpop oitentista e entra um Miami Bass relax, salpicado por timbres do clássico sintetizador Yamaha DX7 - o primeiro synth digital realmente bem sucedido da história, fabricado pela companhia japonesa entre 1983 e 1989. Quer dizer, se é um DX7 ou se é um synth virtual, eu realmente não sei, mas que a música é legal, é.

"Imagem": mais de seiscentas mil visualizações em menos de uma semana.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#01: Trentemøller)


"Eu simplesmente amo a ideia de que você pode construir este mundo imaginário com música. Para mim, a música é ficção. Não é apenas algo que existe separadamente da realidade. A ficção é a realidade irreal. Ambos se pertencem e são um só. Eu acho que a ficção e a música podem ser usadas para confrontar e criticar a realidade, mas também para escapar dessa mesma realidade. E essa é a beleza disso."

Assim o produtor dinamarquês Anders Trentemøller definiu Fixion, quarto álbum de sua carreira iniciada há pouco mais de dez anos com o impressionante debut The Last Resort, de 2006. Se na sua estreia Trentemøller já exibia uma paleta de cores granulado-escurecidas espalhadas pelo seu downtempo minimal, em Fixion a monocromia toma conta das telas. O darkismo à que o autor submete suas composições revela um elo perdido entre Faith, do The Cure (1981) e o último álbum do Röyksopp, The Inevitable End, de 2014 (que a cantora Robyn sentenciou como "triste, mas não frio"). Fixion, porém, é tudo isso. Triste, frio, nublado, denso. Ondas geladas de sintetizadores castigam canções como a abertura "One Eye Open" (emoldurando os ótimos vocais da também dinamarquesa Marie Fisker); andando lado a lado com os tons menores da guitarra em "Never Fade" e finalmente surgindo ameaçadores na angustiante "Sinus". No ótimo single "River In Me" (com vocais de Jehnny Beth, do Savages), baixo e bateriam duelam entre si enquanto os teclados aparecem mais discretos com um riff de sopro encaixando-se na melodia, mas o estado de ansiedade criado pelos synths volta com força na faixa seguinte, a lúgubre "Phoenicia". O clima de isolamento, intenso e pessoal, ronda a maioria do disco e atinge níveis de beleza e encantamento sublimes, em faixas como a instrumental e hipnótica "November" e a etérea "Where The Shadows Fall". A sufocante "Spinning" (mais uma vez com vocais de Marie Fisker - que sugerem uma Elizabeth Fraser nórdica) aumenta a sensação de afastamento; resultado duplicado pela percussão eletrônica lenta e ritualesca e a profusão de timbres de tonalidade cinzenta dos sintetizadores - os mesmos que acompanham Jehnny Beth no pós-punk "Complicated", sua última aparição no álbum.

Fixion é um disco de eletrônica visceral aparentemente menos complexo musicalmente que seus lançamentos anteriores, mas que, por outro lado, facilitam a vida de Trentemøller no palco - e isso tem se mostrado extremamente positivo em sua turnê recente, com shows lotados pela Europa - em que reproduzir o rock gótico imaginado e concebido pelo produtor no álbum torna-se uma tarefa menos árdua e mais natural. Fixion, o disco e a tour, são vencedores. E evidenciam que Trentemøller, entregue sem medo à experimentação e simultaneamente ao tino pop, é um dos grandes músicos/produtores da atualidade. 

domingo, 23 de agosto de 2015

Diversidade Ainda Que Tardia


No começo do ano, o DJ e produtor Felix Da Housecat virou notícia no mundo todo. Não por causa de alguma track brilhante ou um disco fenomenal e sim porque foi barrado na porta do famoso clube Berghain, em Berlim. Um injuriado Felix Stallings, Jr. foi então pro Twitter expor toda sua mágoa com a casa, entre acusações de racismo e oportunismo (em relação a cena de Chicago e Detroit).


Baixada a poeira, Felix lançou em Julho seu sétimo álbum, Narrative Of Thee Blast Illusion (pela gravadora nova-iorquina NoShame), quatro anos depois do bom Son Of Analogue, que saiu encartado numa edição da revista inglesa Mixmag. Com pouquíssima exposição (se comparado com o episódio do clube alemão) e nadando contra a maré, Housecat continua desafiando o mercado. Não há um hit single detectável no novo álbum - algo que até é comum à sua discografia. Em compensação, há um Narrative apostando numa variedade eletrônica que inclui os habituais house e electro, mas com enxertos de synthpop, italo disco e até reggae. O blend, no entanto, não soa alienígena, nem exageradamente eclético. A coesão acontece justamente porque sua produção é contida, polida e sem excessos. A regra só não se aplica a "Turn Off The Television", um mergulho no lado camp dos anos 80 e seus sintetizadores na linha sobra-de-estúdio-do-Devo.



Fora essa escorregada, o que temos é uma ponte imaginária que mostra o produtor transitando com desenvoltura por Chicago, Londres, Milão e Kingston. Maquiando seus vocais tímidos com efeitos ou convidando gente como o desconhecido Amadeus (em "Why Games"), Lee Scratch Perry ("The Natural") ou a DJ argentina Romina Cohn (no diálogo erótico de "Queer"), Felix segue com a cabeça na dance analógica, que tanto pode ser encontrada em faixas como a house paleolítica de "Freakz On Time" (com seu baixo engrenado e arpejos em segundo plano), quanto na italo recriada com perfeição em "Is Everything OK?".






Cascatas de sintetizadores jorram em ambiências etéreas no ótimo R&B de FM "Codeine Cowboy", enquanto um technopop ligeiramente houseificado surge na voluptosa "Why Games", em mais duas composições que dispensam formalmente o compromisso com a música de pista.




No convincente dub "The Natural", Felix da Housecat convida o lendário produtor Lee "Scratch" Perry para dividir os vocais e mandar pro espaço uma profusão de ecos e efeitos, num justo reconhecimento a uma das figuras mais inovadoras e criativas já surgidas na música jamaicana.



Narrative Of Thee Blast Illusion condensa em pouco mais de 40 minutos gêneros um tanto distantes entre si, mas prova que eles podem comunicar-se sem cair no pastiche, soando com naturalidade e sem forçar a barra da homogeneidade pra parecer moderno e esperto. Acho que Felix espera que você perceba que não é nada desonesto gravar dub ou synthpop, mesmo não tendo essas origens. O que vale aqui é a ousadia e o talento de um produtor que vem a mais de vinte anos tentando nos convencer que nem só de singles vive a dance music.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Fake Japanese


Quando ouvi "What’s A Girl To Do", da tal Fatima Yamaha, logo pensei numa tecladista nipônica fissurada por sintetizadores vintage e Paul Hardcastle. Ledo engano. Yamaha é um dos pseudônimos usados pelo produtos holandês Bas Bron (ele também usa Bastian, Seymour Bits e Comtron). Mas o som é esse mesmo: algo entre house paleolítica e electro. O single What's A Girl To Do?, lançado mês passado (a faixa título está em A Girl Between Two Worlds EP, de 2004), é o quarto da curta discografia do projeto (iniciada em 2004), vem com quatro faixas instrumentais, dispensa formalmente o uso de samplers e exibe a bela coleção de teclados de Bron, com resultados interessantes no funk sintético "Between Worlds", no climinha trilha-de-ficção-científica-barata de "Half Moon Rising" e nos timbres amadeirados de "What's A Girl To Do". Os arpejos bocejantes de "Plum Jelly" são dispensáveis. Para os amantes de eletrônica retrô, ótima pedida. Se procura por novidades, fuja.

"Between Worlds": Paul Hardcastle revisitado.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Suicidal Tendencies


Dois anos depois de seu single mais recente (Unterwelt), a banda de um homem só Suicide Commando - cria do belga Johan van Roy - volta a ativa. O recém lançado EP The Pain That You Like vem com duas inéditas (a faixa título, mais "Crack Up") e cinco remixes. O veterano van Roy (na cena EBM desde a segunda metade dos 80) abraça forte o electro-industrial, com a bateria marcial característica, linhas de baixo pesadas, vocais nervosos e aqueles enxertos derivados do trance provavelmente extraídos de algum Roland JP-8000. "The Pain That You Like (Pleasure & Pain Remix)" é muito semelhante ao original, mas me surpreendi mesmo é com a versão suingada dos noruegueses do Pride And Fall, boa pra dançar com o nariz colado na parede. The Pain That You Like deve agradar em cheio os fãs do gênero e mesmo pra quem não acompanha muito de perto esse povo esquisitão da EBM, como eu, fez cosquinha na sola do pé.

"The Pain That You Like": seria hit fácil no Crepúsculo de Cubatão.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Smart Monkey



E aquela piada que diz que se você entregar 100 TB-303 para 100 chimpanzés, vão sair ao menos 70 boas faixas de acid house? O exagero do percentual é proposital, claro. Uma sacanagenzinha vinda de gente que acha que o emulador de baixo da Roland faz tudo sozinho. Originalmente produzido para acompanhar guitarristas em suas práticas solitárias, o sintetizador/sequenciador foi um fracasso de vendas. Adotado por produtores e DJs da então emergente cena house de Chicago, tornou-se a máquina que mudou a cara da música de pista no meio dos 80. John Frusciante começou a mexer a sério com este e outros instrumentos eletrônicos há cerca de oito anos. Os primeiras registros das experimentações só viriam quase um ano depois, até chegar no EP Sect In Sgt, de seu projeto eletrônico Trickfinger, em 2012 - uma colagem desordenada de samples e beats com resultado superficial e cansativo.

O álbum de estreia do Trickfinger, autointitulado, saiu no começo de Abril e comprova que o ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers é um aluno aplicado. Completamente diferente do EP anterior, as oito faixas mostram uma franca evolução em relação a aridez experimental de três anos atrás. São faixas instrumentais com estrutura definida e uma certa obsessão por ferramentas vintage - o que deixa tudo com cara de house e electro oitentista. O problema é que não sei dizer se é bom um disco que causa uma sensação de déjà vu constante, mas que foge completamente da memória pouco tempo depois. São ensaios interessantes com riffs, batidas e texturas, mas, verdade seja dita, não fazem mais do que imitar as produções de subgêneros de eletrônica de quase trinta anos atrás e, em alguns momentos, soam como mero pastiche, mesmo. Por esse aspecto, melhor fuçar no catálogo da Trax Records, que as surpresas vão ser mais agradáveis, garanto.



A falta de diversidade e a repetição de temas quase me convence de que a piada do começo do texto não é tão absurda assim - especialmente em faixas que beiram o amadorismo, como "Sain" - embora eu entenda que não dá pra exigir muita variedade com o uso de tão pouco equipamento. E é aí que entra o talento e a criatividade do cara envolvido no processo pra construir um Empire State Building com número reduzido de tijolos. As tentativas são dignas de admiração, mas na maioria das vezes evidenciam que Frusciante ainda tem um caminho longo a percorrer até chegar a algo convincente.


Não que eu ache que as melhores coisa do disco sejam mero acaso: a linha de baixo monocórdica com arpejos acontecendo em segundo plano de "After Below" é fruto de uma mente que pensa em como a combinação desses elementos e a escolha certa dos timbres pode soar bem aos ouvidos.



Trickfinger só causa algum espanto em desavisados como eu por ter sido produzido por um cara que até bem pouco tempo, só esmerilhava objetos de seis cordas. A frustração diz respeito ao fato de John Frusciante não ter conseguido repetir com os botões o incrível talento que tinha pra compor melodias simples e certeiras na guitarra do Chili Peppers.

"85h": um dos poucos acertos de Trickfinger:

terça-feira, 10 de março de 2015

De Volta Para o Futuro



"Como poderíamos mudar agora? Gastamos vinte anos neste tipo de trabalho. Não podemos dizer amanhã que o negócio é voltar a usar violões."

Ralf Hütter se saiu com essa, quando perguntado pelo jornalista do NME Simon Witter, em 1991, se o Kraftwerk sentia-se confortável com a adoção de seus métodos pelo mainstream. A frase cabe bem para Juan Atkins, a respeito da reativação de seu projeto Model 500, agora em 2015. As nove faixas do recém lançado Digital Solutions pouco diferem da estreia do grupo, o clássico single "No UFO's", de 1985 - algo realmente à frente do seu tempo em sua robótica e sombria visão da pista de dança. Com uma discografia pouco extensa, o Model 500 só chegou à um disco cheio em 1995 (o parcialmente houseificado Deep Space), depois veio Mind And Body, em 1999 (com influências de drum'n'bass) e o que temos com o novo álbum é uma continuação natural das primeiras experiências de Atkins enquanto Model 500: basicamente techno e electro, gêneros que o próprio Atkins ajudou a cimentar (no caso do electro, mais especificamente com seu outro pseudônimo, Cybotron, na primeira metade dos 80).

Uma ouvida em Digital Solutions deixa claro que Atkins não propôs nenhum tipo de atualização em sua música - o que poderia significar uma simples adequação à gêneros de eletrônica em curso na ocasião - e a partir daí gerar mais uma coleção um tanto duvidosa (ainda que competente) para seus fãs mais ardorosos, como em seus álbuns anteriores. O disco não decepciona quem espera do artista suas sempre engenhosas soluções digitais (o título do LP é ótimo e oportuno) encontradas em seus sintetizadores e baterias eletrônicas, portanto não faz sentido perguntar se o álbum soa datado ou não, porque não é essa a questão. Digital Solutions é tão futurista quanto as produções anteriores de Atkins - busca referências em si mesmo, tal é a atemporalidade e a contemporaneidade de sua música, mesmo a tramada nos anos 80. Penso que desta vez, o Model 500 não sugeriu um upgrade e nem tampouco soa como um cover de si próprio. O que Juan Atkins apresenta tem a ver com continuidade, fazer música hoje olhando pra frente - como há 30 anos atrás.

 Por outro lado, a solução para Atkins talvez não seja voltar ao velho equipamento analógico, mas guitarras aparecem servindo de base funkeada em "Hi NRG" e nos solos lânguidos convivendo em harmonia com os beats sintéticos de "The Groove" - algo que evidencia a provável influência do Parliament em sua música.


O uso característico do vocoder ocorre no ritmo engrenado da kraftwerkiana "Standing In Tomorrow", sustentado pelo baixo elástico de "Electric Night" e na opressiva "Control", mas propositalmente, Atkins prefere desnudar (a despeito do título) seu tom grave de voz entre os wah-wahs de "Digital Solutions", a penúltima faixa.


A downtempo "Encounter" é um belo exemplo do talento para manipulação de sons do produtor e "Station" encerra o disco com um arpejo de sintetizador e o clima soturno dos teclados.

Digital Solutions é um disco de techno sem compromisso com os pendrives dos DJs - o que pode causar estranheza à novos fãs em potencial (somente em dois momentos engata um 4x4 com o bumbo em primeiro plano - "Storm" e "Hi NRG" - mas isso, aliás, nunca pareceu preocupar Atkins, haja visto o status cult de seu projeto nos clubs). O que vale aqui é encontrar um Model 500 em forma, com um disco de eletrônica sólido e sem modernizações inoportunas, afinal, como reinventar o futuro? A resposta é tão impossível quanto a pergunta. E Juan Atkins sabe disso.

"Hi NRG": 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sunshine On My Shoulders


Os australianos do Miami Horror estão prestes a lançar disco novo: All Possible Futures, sucessor do ótimo debut Illumination (2010), deve sair no final de Abril. Agora influenciado pela "esquisitice ensolarada" da Califórnia (segundo o dono do campinho, Ben Plant), o Miami vem soltando faixas do novo álbum em doses homeopáticas. "Wild Motion", "Real Slow" e "Colours in the Sky" apareceram de um ano pra cá. O novo single, "Love Like Mine", essa semana. Dessas quatro, "Real Slow" é bacana. O resto - incluindo o funk oitentista sem graça de "Love Like Mine" - me faz duvidar que o sol da Califórnia esteja realmente fazendo bem pros rapazes.

"Love Like Mine": sol demais na moleira.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

One More Time


Herói do French House, Etienne de Crécy volta com a série Super Discount, iniciada em 1997. Este terceiro volume saiu agora no final de Janeiro, onze anos após o segundo. Nesse meio tempo, vários singles editados e a incrível experiência audiovisual do live Beats N’Cubes.

Nas outras duas edições, Crécy dividiu produção e composição com artistas como Alex Gopher, AIR e Cassius. Já em Super Discount 3, o produtor mostra que anda inteirado com o indie rock, com as faixas trazendo participações de Madeline Follin (Cults), Tom Burke (Citizens!) e Baxter Dury (filho de Ian Dury). O disco tem ainda a colaboração da dupla Kelvin Mercer e Dave Jolicoeur (De La Soul) e do habitual parceiro Alex Gopher.

Não é uma tentativa de retorno à disco houseificada produzida na França no fértil período da segunda metade dos 90. Super Discount 3 traz uma belíssima coleção de dance music que oferece diferentes aspectos de house e electro, com a produção irretocável de Etienne de Crécy. Abolindo o uso de samplers e concentrando-se em basslines notáveis, vocoders e sintetizadores, o álbum abre com o single "Night (Cut The Crap)", com seu loop hipnótico de teclado e linha de baixo robótica:



Do indie pop de sua banda à house de Crécy, a cantora Madeline Follin exibe versatilidade e está totalmente à vontade na ótima "You":



Com rap de Posdnuos e Trugoy, do De La Soul, "WTF" usa extensivamente o vocoder. Crécy ensina como se faz:



O electro "Hashtag My Ass" é uma das melhores de Super Discount 3 e repete um dos pontos altos do disco: as linhas de baixo descomunais. Aqui, as quatro cordas sintéticas aparecem permeadas pelas infalíveis hand claps:



Em "Smile" (com Alex Gopher), Crécy suaviza o bassline (extraído de um TB-303) e mostra o truque:



O álbum encerra com o funk "Family", algo como Barry White encontrando o Chromeo:



Super Discount 3 é uma sequência irrepreensível de uma série onde é difícil apontar uma edição que seja superior. Idealizada por um produtor talentosíssimo, bem humorado e apaixonado pelo que faz, só podia dar em música boa.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Tony Garcia


O porto-riquenho Tony Garcia nunca teve desempenho brilhante nos paradões. Sua produção mais conhecida ("Take Me In Your Arms", 1991), não pegou nem Top 50 na Billboard, mas seu freestyle meloso tinha airplay significativo - aqui no Brasil. Adorado no meio do funk melody, Garcia emplacou vários hits de pista nos bailes, como a própria "Take Me In Your Arms", "Just Like The Wind" e a ótima "I Can Understand It", um cover brilhante de Bobby Womack. Aqui o usualmente repetitivo Tony mostra talento ao reduzir a velocidade da batida sampleada de "Planet Rock" (Afrika Bambaataa) e bolar um belo arranjo de cordas sintetizadas pra sustentar os vocais de puro soul do cantor Kenny C. O freestyle nunca tinha soado tão elegante.

"I Can Understand It": finesse no baile. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Caleidoscópio Sonoro


Dando uma olhada no cast do novo selo de dance da praça, Kaleidosphere, simpatizei com a dupla escocesa Sharfla. Seu Bitter Pill EP acabou de sair: são quatro faixas divididas entre drum'n'bass, deep house e pitadas de electro, com um verniz pop cobrindo as composições. A faixa título e "Hold This" não são lá muito animadoras - house music um tiquinho melancólicas - mas a outra metade, conduzida por beats mais versáteis ("Curious Me" e "It's The Weekend"), me faz crer que a dupla Roncey Horton (vocais) e Paul Worth pode ser um dos nomes do Kaleidosphere a emergir do oceano genérico da EDM. Dá pra dar uma geral no Beatport, vale o confere.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Nolan Thomas


Lip sync. Sincronização labial. Se você provavelmente nem lembra do Nolan Thomas (nome verdadeiro: Marko Kalfa), imagina de alguém chamado Elan Lanier, que foi a verdadeira voz de seu hit "Yo, Little Brother", de 1984. Consta que foi a única faixa de seu primeiro álbum (capa acima, lançado no ano seguinte) em que Thomas não abriu a boca. Talvez não por coincidência, somente a própria "Yo, Little Brother" estourou. O disco, produzido pela dupla Chris Barbosa e Mark Liggett - os mesmos que praticamente fundaram o freestyle com a cantora Shannon, em 1983 - é bem fraquinho, mas "Yo, Little Brother", a canção, é ótima. Pega a fase embrionária do electro, com uma referência disco no baixo, programação de bateria que é uma metralhadora de beats e uma tonelada de sintetizadores afundando o piso do estúdio.

Prince, Billy Idol, Bruce Springsteen, Ric Ocasek e Cyndi Lauper: versão fraldinha no vídeo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

10 Perguntas Para... Paradizzle

Di-Gestivo (de barba) e Feijão (de óculos): Magnum feelings.
Buenas. Comecei a prestar atenção no Paradizzle em Setembro do ano passado, quando ouvi sua faixa "Out Run", um funk eletrônico baseado em samples de fino trato e de alto poder rebolativo. De lá pra cá, DJ Feijão e Di-Gestivo lançaram "Out Run" no Beatport, alcançando o segundo lugar na parada Funk/R&B do site, além de permanecer mais de um mês no Top 100. Mais: a música "Class" entrou na coletânea Roller Disco do selo Royal Soul e a dupla ainda estreou seu live no meio de Janeiro, em Porto Alegre. Entre ensaios, festas e várias idas à Arena do Grêmio, sobrou tempo pra responder às 10 Perguntas aqui do blog.

1) Porque o Brasil ainda não emplacou um artista de dance/eletrônica em um nível Chemical Brothers da cena?

Acreditamos que o Brasil tem um delay histórico em relação a cena gringa. Mesmo com a informação altamente globalizada dos tempos atuais, as pessoas ficam meio dependentes do próximo passo que os gringos vão dar. Temos muitos DJs e produtores bons, mas que na nossa visão não estão tão empenhados em produzir algo inovador, estão mais interessados em simplesmente discotecar e seguir as tendências do mercado.

2) Lançamentos de dance enchem uma lista telefônica diariamente. Como esses artistas podem tornar a atividade rentável sem fazer shows e com o download ilegal irrefreável?

Sem fazer shows, sem estar em contato direto com o público fica difícil. A principal renda dos artistas sempre foi vender shows. A venda de artigos como camisetas, adesivos e outros também pode ajudar, bem como a venda do CD físico (que já estamos fazendo uma tiragem inicial). Assinamos com a Label francesa Springbok Records e a brasileira Royal Soul Records, e nesse sentido temos tido bons resultados, pois DJs mundo afora compram musicas via sites como Beatport, Juno, iTunes ou Bandcamp, além da visibilidade que essas labels tem nos proporcionado para divulgar nossa música.

"Class":


3) Isaac Hayes falou certa vez que estava preocupado com o uso do sampler pela geração de músicos da virada dos 90 pros 2000, questionando algo como “se continuar assim, quem eles vão samplear daqui vinte anos? Os samples dos samples?" Como fazer do sampler um instrumento criativo hoje em dia?
Somos muito fãs de "Mr. Ike" e o consideremos uma figura referencial na música, mas neste ponto discordamos dele. Na nossa opinião, os samples são tão intermináveis quanto o seu uso, pois cada um dá a sua interpretação, incluindo timbres, velocidade, levada, etc... às vezes a ponto de deixar o sample praticamente irreconhecível. Nós, na verdade, não temos a mínima noção da quantidade de música produzida ao longo das últimas décadas no mundo e pra quem gosta, a pesquisa é prazerosa e se torna parte do processo. No Paradizzle, procuramos aliar o sample à outros elementos para alcançar um resultado original.
4) Com sua música baseada em samples, qual a dificuldade em liberar os trechos? Encontrar a quem pagar ou buscar a liberação de samples de artistas semi-obscuros? 


Como citado anteriormente, o sample pode se tornar irreconhecível, o que já ajuda bastante. Muitas vezes a maior dificuldade é justamente encontrar esses artistas obscuros para liberar, levando em conta que muitos nem sequer estão vivos. A legislação sobre o uso de samples é confusa e deixa brechas, muitas pessoas não entendem ou até criticam o seu uso, mesmo sem se dar conta que tiveram conhecimento do original através do sampleado. Acreditamos que na maior parte das vezes os tais artistas querem mais é serem sampleados e lembrados, eles veem isto como uma forma de homenagem, já que não fizeram sucesso algum em sua época de atividade. Encaramos dessa forma também, como uma forma de reverenciar e resgatar a música destes artistas. Mas, às vezes, músicas produzidas com samples viram hit e a coisa pode tomar contornos mundiais. Nesse sentido, acho justo que o artista apareça e queira tomar sua parte.    

5) O funk carioca ajuda ou atrapalha a cena eletrônica no Brasil? 


O funk carioca está forte atualmente, e é algo legítimo dos guetos, é natural que as pessoas tenham curiosidade, a batida é envolvente mesmo, pessoalmente gostar ou não já é outra historia. Os gringos piram no pancadão e nos atabaques, pois é a imagem que tem de nós e se formos pensar bem, é a cara do brasileiro. Ao mesmo tempo que ajuda DJs que gostam de funk carioca, e influencia uma parte da cena mundial, como o Diplo, ele rouba o espaço não só da música eletrônica como também do rap e outros estilos. 

6) Quem faz boa música de pista no Brasil hoje?

Difícil responder isso. Há boas produções espalhadas pela web, que muitas vezes aguardam um olhar mais atento como o do seu blog, que é especializado nessa área. Pessoalmente, salvo raras exceções, entendemos que não só no Brasil, como mundialmente, a música pop atravessa uma fase que não nos agrada, vide os estilos que surgiram nos últimos anos como dubstep e trap. O próprio rap caminhou por um lado onde o groove foi deixado de lado em detrimento de um estilo mais duro, pesado e, digamos, "cinza". O funk carioca, e também o sertanejo universitário, são músicas de pista no Brasil hoje, mas se é bom ou não é uma questão pessoal. O Paradizzle foi criado como uma alternativa a esse cenário, uma volta aos funks e aos grooves.

"Bounce":


7) Independente do gênero, qual é o disco mais bem produzido da história?

Thriller, do Michael Jackson. A união de esforços de Quincy Jones com o Michael Jackson mais amadurecido tornou esse disco imbatível em termos de musica pop, não é a toa que é o disco mais vendido da história. Tudo é tecnicamente perfeito e foi composto, executado e arranjado de maneira brilhante, além de contar com compositores talentosos como Rod Temperton (Heatwave), Paul McCartney, e ainda possuir um apelo visual irretocável.

8) Há planos para um álbum ou o projeto vai se concentrar em singles?

Por enquanto estamos trabalhando na divulgação do EP Summer Funk, mas já temos bastante material produzido, e há planos para o lançamento de um próximo EP de músicas próprias, como também um EP de remixes, sendo também bastante provável que haja o lançamento de singles no meio deste processo. Queremos também produzir um videoclipe, mas isto depende basicamente da verba que podemos conseguir para tanto. 

9) Como funciona o live do Paradizzle? Já existe uma tour programada pra sair Brasil afora, ou algo assim?

Em nosso live procuramos adicionar elementos que possam enriquecer e interagir com as músicas, sejam partes de contra-baixo ou guitarra, que são tocados pelo Di-Gestivo, enquanto DJ Feijão toca as bases com os toca-discos, fazendo scratches, intervenções e adicionando colagens. Nas últimas apresentações houveram participações de Big MC Tchê, conhecido rapper gaúcho que estará presente em uma nova faixa que estamos trabalhando, e também o B-Boy Ted da Companhia Hackers Crew, que é uma das pioneiras em Breakdance no Rio Grande do Sul. Já houveram contatos de países da Europa e dos Estados Unidos e estamos em tratativas para em breve tocar no exterior.

10) Pra onde vai a música eletrônica?

Pensamos que ela vai para onde as pessoas levarem, com toda a liberdade e criatividade que possa ter, sem barreira nenhuma. Se depender do Paradizzle, ela vai se misturar cada vez mais ao funk e à black music, que é a nossa praia.

Muito obrigado pela oportunidade, Carlinhos! Um salve a quem leu essa entrevista!

"Out Run":

segunda-feira, 31 de março de 2014

Segunda Class: Com Truise


Com Truise ainda não me convenceu.

Seth Haley viaja na dele, perdido entre seus sintetizadores vintage e suas baterias eletrônicas retrô - ou em seus emuladores virtuais, vai saber. Fato é que seu novo EP, Wave 1, é mais farinha pro mesmo saco. Truise passa longe de noções como originalidade e seu som soa familiar, mas ele é incapaz de compor algo que te faça ter vontade de ouvir de novo, basicamente por que suas melodias e programações são processadas na região frontal do cérebro, as chamadas memórias de curto prazo. O que significa dizer que terminadas as sete faixas do EP, não se tem ideia de como é a primeira. Pra ser honesto, a única coisa que lembro de Wave 1 (e ouvi o disco várias vezes) é a guitarrinha com timbre New Order da faixa-título. É um disco até interessante, uma espécie de papel de parede sonoro pra deixar rolar enquanto há coisas mais importantes a fazer, tipo não deixar a cerveja esquentar. Mas com músicas tão semelhantes entre si, também pode passar totalmente batido. O que é péssimo pra um artista de eletrônica instrumental como Seth Haley.

Wave 1 inteiro em menos de meia hora: amnésia.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

The Copy Method


Difícil pro Crystal Method teria sido gravar um álbum repelindo categoricamente a clichezada dance mainstream, mas a luz amarela já tinha acendido em 2010 no single "Sine Language", com a participação nada especial do infame LMFAO. Seu novo álbum The Crystal Method sai dia 14 de Janeiro, e confirma a suspeita.

Talvez buscando uma posição de headliner no Electric Daisy Carnival 2014, o duo californiano rendeu-se à mesmice. Utilizando fartamente as teclas Ctrl + C e Ctrl + V, ficou fácil para Ken Jordan e Scott Kirkland atualizar o som. Saca os timbres, cortes, texturas e loops de "Over It" e me diz se o Skrillex (quem diria) foi ou não alvo de chupação explícita. A falta de identidade (ou ética) agrava-se em "Sling The Decks", "Jupiter Shift" e "Dosimeter " e na pavorosa "Difference": bassdrops insistentes, distorção no talo, baterias espalhafatosas... um esforço que não vai além de algo que lembra uma cópia do Knife Party. Quer ouvir um álbum bacana dessa dupla, vai no debut big beat Vegas, de 1997. Esse aqui é perda de tempo.

"Over It": carbono dubstep.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Caras Novas: Cosmetics



Cosmetics é o casal Nic M (sintetizadores) e Aja Emma (vocais), de Vancouver, Canadá. O som é synthpop na linha do prestigiado selo Italians Do It Better (Chromatics, Glass Candy): sexy, romântico, docemente sinistro.


O Cosmetics soa antigo, mas não envelhecido. Não perde em modernidade para o Crystal Castles, mesmo que desenhe suas linhas de sintetizador com as mãos nos teclados, e não com o mouse em punho.

Seu Olympia EP foi gravado em Abril de 2011, mas a dupla - não convencida do resultado do trabalho - engavetou o projeto por dois anos. Só depois de ouvir novamente as mixagens e praticamente começar do zero, o mini álbum de seis faixas foi lançado, no começo de Agosto.

  Sintetizadores na linha de frente, Olympia EP tem faixas como "Heartbeat", que soa mais Goldfrapp do que o Goldfrapp 2013:



"Black Leather Gloves" é outra ótima canção do EP. Minimalista, traz os sussurros entediados da platinada Aja Emma entre distorções sintéticas, arpejos e beats econômicos de bateria eletrônica:



"Breathless" é um momento mais leve e dançável da dupla:



Minha preferida é "Honey Honey". É o vocal lânguido de Aja, filosofando: "o paraíso é frio como o gelo", sob navalhadas de sintetizador:



Segundo o duo, há um álbum sendo gravado, e ele vem em breve. Nível mantido, entra por antecipação na minha lista de melhores do ano.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Vovô Dos Samplers

 
Parece bobagem, um detalhezinho que quase passa batido, mas quantas milhares de vezes você já ouviu estes milésimos de segundo orquestrados pontuando faixas de eletrônica?



O australiano Fairlight CMI foi primeiro sintetizador polifônico de amostragem digital, disponível no mercado em 1979. Um mercado restrito, digamos. Herbie Hancock e Stevie Wonder compraram seus exemplares em 1980 pela merreca de US$ 27,500 cada. A série IIx (do vídeo acima), lançada em 1983, incorporou a linguagem MIDI, e era possível armazenar a biblioteca de sons nos falecidos disquetes de 8 polegadas - uma mídia que, todos sabemos, nunca dava problema.
De
Afrika Bambaataa à Pet Shop Boys, passando pelo Art Of Noise - um dos grupos que melhor explorou o instrumento - o Fairlight fez a cabeça dos incansáveis sampleadores dos anos 80. Clássico.