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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Unhappy Christmas


"Tudo sobre o Natal já foi escrito. Nós pensamos que seria mais interessante olhar para o lado mais sombrio do período. Para muita gente, o Natal não é um momento feliz".


É assim que o geniozinho dos teclados Vince Clarke definiu Snow Globe, o tal disco de Natal do Erasure. De fato, não é um álbum alegre, cheirando a tender com farofa. Prova do clima melancólico do projeto está no single "Gaudete" - um tema sacro medieval, cantado no latim original por Andy Bell. A faixa é o máximo da ousadia que Snow Globe oferece. O resto divide canções compostas pela dupla e clássicos do tempo em que Papai Noel velho batuta descia pelas chaminés (não, a lamentável versão da Simone para "Happy Xmas [War Is Over]", de John Lennon, não está aqui, não se preocupe). Do material original, apenas "Make It Wonderful" faz a gente lembrar aquele Clarke que tirava vários coelhos da cartola nos melhores discos do Erasure. Já nas releituras, os arranjos são preguiçosos. Ouça a base Super Nintendo de "The Christmas Song" e comprove. Menção honrosa para a boa adaptação de "Silent Night" (a nossa "Noite Feliz"), com vocais especialmente bem gravados.

Nem pensei muito sobre as intenções do Erasure com esse álbum.
Honestamente, não acho que classificar como caça-níqueis seja o caso. A banda está bem longe da popularidade que alcançou no século passado e não consigo imaginar que alguém - fora os fãs mais xiitas - coloque isto como trilha pra sua ceia como se tirasse uma onda com o vinil de Merry Christmas do Bing Crosby. O problema de Snow Globe é que, perdoem a obviedade, é um disco que já vem com data de validade vencida antes mesmo de chegar às prateleiras (ou aos arquivos do iTunes). E isso tem sido frequente nos últimos trabalhos do grupo: discos insossos, indiferença, preguiça criativa. Já rolou álbum de covers, um acústico e agora um de Natal. O Erasure anda em círculos.

"Gaudete": seriedade. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Emissões, Eficiência


E esse cover dos noruegueses do Röyksopp para a gelada (sem trocadilhos) "Ice Machine" do Depeche Mode? Começa titubeante com os vocais de Susanne Sundfør, mas à medida que a faixa vai avançando, o gelo vai derretendo (ops!). Um ponto a mais pela idéia do rufar coletivo de tambores, o clima ganhou em dramaticidade. Originalmente lançada como lado B do primeiro single do Depeche ("Dreaming Of Me", de 1981), "Ice Machine" é obra do geniozinho Vince Clarke.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Happy Birthday To...


 
Vincent John Martin, o Vince Clarke. 52 anos hoje. Músico, compositor, produtor. Depeche Mode, Yazoo, Erasure. Sua frase "Não tenho muita habilidade para teclados, tenho que apertar uma tecla de cada vez" é minha preferida dele. Imagina se tivesse, Vince. Imagina se tivesse.

 "Don't Go", do Yazoo. Alison Moyet nos vocais. Que Adele que nada.

terça-feira, 13 de março de 2012

Dupla Dinâmica



Comecei a desconfiar que aquela história de "dois gênios não cabem na mesma lâmpada" pode ser verdadeira depois de ouvir Ssss, o álbum que marca a volta da parceria entre Vince Clarke e Martin Gore com o projeto criativamente chamado de VCMG. Erasure e Depeche Mode tomaram caminhos bem distintos em suas respectivas trajetórias, mas era de se esperar que pouca coisa da sonoridade das duas bandas respingasse nesse trabalho. E assim foi. Ssss é um álbum techno, minimalista, frio e que se auto-explica em todo seu distanciamento a partir do momento em que se descobre que Clarke e Gore o compuseram trocando e-mails. 


Vince há tempos perdeu aquela vibe disco/cabaré que pontuava alguns de seus hits mais famosos ("Love To Hate You", "Drama", "Stop!") e a falta de comunicação com a pista faz diferença na hora de produzir música pra ela. Isso talvez explique o fato da dupla optar por um disco de minimal techno com um delay de pelo menos oito anos pós-estouro do gênero. Ssss é duro de cintura e despreza a melodia em favor de beats ininterruptos, faixas longas, efeitos e repetição. Honestamente, eu esperava que a colisão entre Martin e Vince trinta anos depois do afastamente musical de ambos rendesse algo mais mundano - onde alguns dos temas preferidos de Gore (luxúria, amor, relações, pecado) estivessem inseridos de alguma forma numa música capaz de instigar os quadris e a libido - tudo sustentado pelas mãos pacientes e pelo cérebro analógico de Clarke ("_ Não tenho muita habilidade para teclados... tenho que apertar uma tecla de cada vez", disse ele no começo dos 90). Acho que não foi bem isso que aconteceu, porque Ssss não é a minha idéia de música ideal para animar uma noite com sorrisos no rosto e diversão sem fim, mesmo que o disco coubesse no catálogo da Kompakt.

"Spock": fogo brando para as pistas.