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sábado, 22 de novembro de 2014

25 Anos à Frente


Responsável por boa parte do que de melhor se produziu na música eletrônica - dançável ou não - nos últimos tempos, a gravadora Warp completa 25 anos de atividades em 2014. Pra se entender um pouco da escala evolutiva e do pioneirismo do selo, o Bleep (site de vendas de música e afins da Warp) pinçou 26 faixas do invejável catálogo da gravadora originária de Sheffield para a coletânea Bleep Selects: 25 Years Of Warp.

Na contramão do pop e apostando sempre em artistas sem medo de experimentar, um dos primeiros singles lançados pela Warp, o marco techno de frequências de sub-grave inacreditáveis "LFO" (1990, do projeto homônimo do recentemente falecido Mark Bell), provou que a gravadora estava no caminho certo: 130 mil cópias vendidas e 12º lugar no paradão inglês. A música está na compilação, mas como a regra é incluir uma faixa de cada ano, fãs de dance music mais fervorosos (e com boa memória) vão sentir a ausência de "Tricky Disco", outro grande hit do selo do mesmo ano. Por outro lado, os nomes inclusos dão uma excelente amostra da importância da Warp para a eletrônica (Autechre, Nightmares on Wax, Boards of Canada, Aphex Twin, Squarepusher), ao mesmo tempo em que exibem o leque de possibilidades que a gravadora abriu com o passar dos anos (para o desespero dos puristas), ao abranger gente como Jamie Lidell, Grizzly Bear e Battles. Não sou saudosista, mas a metade anos 90 da coletânea surra sem dó os artistas da década seguinte. Admiro a postura firme e independente da Warp com relação ao seu cast e seus lançamentos, desde sempre, mas Grizzly Bear, Battles e Rustie não me convenceram ainda de que merecem estar nesta gravadora. De qualquer maneira, Bleep Selects: 25 Years Of Warp é uma aula sobre música eletrônica que não dá pra cabular.

"LFO (Leeds Warehouse Mix)": arrebentando (literalmente) alto-falantes mundo afora.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Segunda Class: Nightmares On Wax


O trip hop vinha ensaiando timidamente uma tentativa de retorno ao pico de popularidade que atingiu no meio dos 90. O problema é que a falta de bons álbuns não deixou que artistas menores recolocassem o gênero numa segunda onda convincente e as bandas do primeiro escalão lançam discos com uma peridiocidade de fazer inveja ao finado Dorival Caymmi: o último do Massive Attack é de 2010 (sete anos depois do álbum anterior), Geoff Barrow do Portishead disse ano passado que um disco novo do grupo pode sair daqui dez anos, DJ Shadow anda devendo e Tricky voltou esse ano com um álbum apenas razoável.

 O britânico George Evelyn - ou DJ EASE, ou ainda seu alias mais famoso, o Nightmares On Wax - não dispunha de material original desde 2008. Volta agora em 2013 com um disco que compensa, e muito, os cinco anos de espera.

Feelin' Good acabou de sair pela Warp Records, seu lar desde o começo dos 90 e de álbuns essenciais do período, como Smokers Delight (1995) e Carboot Soul (1999).
O que Evelyn consegue nas dez faixas do álbum é amarrar o conceito do trip hop com todas as suas bases bem distribuídas: são canções muito diferentes umas das outras, mas que fazem todo sentido agrupadas em forma de disco. Feelin' Good tem soul clássico (a linda "Give Thx" soa 1966), funk ("Tapestry"), reggae ("Now Is The Time"), hip-hop, eletrônica e experimentalismos enfumaçados ("There 4u"). Ocasionais detalhes afro ("Be, I Do"), arranjos geniais (note o trompete jazzy e a base camerística de "So Here We Are") e a desolação convertida em beleza na acústica "Master Plan" (com os vocais pequenininhos da cantora folk Katy Gray), fazem do álbum um dos mais consistentes lançados com o carimbo trip hop nos últimos tempos, e se coloca confortavelmente ao lado do que melhor George Evelyn já fez. Não é pouca coisa.

Feelin' Good condensado em três minutos e meio:

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Segunda Class: Nightmares On Wax

 
"Les Nuits" é o single mais incrível do Nightmares On Wax, projeto do britânico George Evelyn.

 
Baseada em "Summer in the City" de Quincy Jones, a faixa foi lançada pela Warp originalmente em 1999. O que temos aqui é uma espécie de easy listening multifacetado, com um arranjo de cordas macias e deslizantes. Beats secos de bateria e um baixo de reggae formam a base para pequenas espetadas de piano elétrico e órgão Hammond, enquanto uma voz feminina indecifrável flutua pela canção. Obrigatório. Agora, deixa eu me esticar no sofá.

"Les Nuits": muito além de Café del Mar.