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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Zumbizeira


Depois de dois álbuns pela 4AD (os ótimos Dedication, de 2011 e With Love, de 2013), o produtor britânico Zomby assina com a XL Recordings (que tinha no Prodigy uma de suas moedas fortes, até 2004) e, de cara, já programa dois EPs que vão ser lançados no formato doze polegadas no finalzinho de Outubro: Let's Jam 1 e 2.

Let's Jam 2
é o Zomby habitual, um geniozinho eletrônico dubstepeando em graves absurdos e fazendo chover estalactites de sintetizadores no seu fone de ouvido.

Let's Jam 1 é a prova do talento e da versatilidade de um dos caras mais interessantes da música sintética atual: experimentos com
beats irregulares ("Slime") e acid house (as outras três faixas), resultam numa das melhores músicas já gravadas por Zomby: "Surf I". Com um baixo sedutor, teclados circulares e um sample vocal cavernoso, é também uma das dance tracks mais fortes que ouvi em 2015.

"Acid Surf": uma das oito inéditas de Zomby em 2015.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Körpermusik


O que tenho ouvido de EBM recentemente me tem feito muito bem: não consigo conter o riso. A maioria das bandas escandinavas e alemãs não consegue ir além dos clichês mais surrados do gênero (instrumental pretensamente pesado, temática apocalíptica dominante) e o que apareceu de interessante nos últimos anos são os projetos que aproximaram a velha Electronic Body Music do techno. Abaixo, Powell e Tzusing: dois artistas novos e duas variações interessantes para o mesmo tema.


O produtor britânico Powell assinou ano passado com a XL Recordings (The Prodigy, Basement Jaxx) e acaba de lançar um single pela gravadora. O som de Sylvester Stallone é duro e árido, sem espaço para melodia - tanto na faixa título (com samples vocais característicos) quanto no lado B "Smut", com bateria minimalista e várias interferências de industrial. É um caminho que pode render bons remixes.



O malaio de origem chinesa Tzu Sing surpreende com seu EP A Name Out of Place Pt. II. Muito bem produzido e imediatamente mais acessível do que o trabalho de Powell, a ótima faixa de abertura "4 Floors Of Whores" acelera firme rumo à pista de dança. Os zumbidos cambaleantes de "Frankinsense And Myrhh" e as distorções de "Khi Tang", ambas com andamento lento, preparam terreno para os excessos dos riffs furiosos de "O.D.D.". Música não tem fronteira, mas não deixa de ser inesperado um som assim vindo de Xangai.