Single novo de James Blake que apareceu no final de Janeiro no Youtube, "If The Car Beside You Moves Ahead" continua a saga do cantor inglês que escreve soul torto sob batidas certas para a geração pós-dubstep. Na faixa, Blake explora sua voz das maneiras mais variadas possíveis: repetindo, alterando a velocidade, aproveitando os ruídos da respiração e até cantando, do jeito mais lúgubre que ele pode conceber. Com um vídeo tão instigante e sombrio quanto a música, "If The Car Beside You Moves Ahead" tem uma letra enigmática e de difícil compreensão, potencializada pelos recortes e colagens a que é submetida. O resultado é arrebatador.
"If The Car Beside You Moves Ahead": James Blake em plena forma.
Aos fãs mais empolgados do músico e produtor britânico William Bevan (a.k.a. Burial), um aviso: nem tudo que ele toca vira ouro. Fato é que ficamos mal acostumados com a excelência de seu dubstep sombrio e indecifrável, a saber, perpetrado num álbum muito bom (Burial, de 2006) e em outro, à centímetros da perfeição (Untrue, 2007). De 2007 pra cá, só EPs e alguns singles gravados com gente como Four Tet, Thom Yorke e Massive Attack, com resultados não tão impactantes quanto as canções contidas em Untrue, mas bastante interessantes.
O EP Subtemple (Hyperdub) saiu agora em Maio, em quatro formatos de áudio digital (AIFF, ALAC, FLAC e MP3) e num vinil 10 polegadas. As duas faixas, "Subtemple" e "Beachfires", são longas (7:23 e 9:54 minutos, respectivamente) e não diferem muito uma da outra. No geral, é um experimento de música ambiental de tons escurecidos por synths e ruídos desordenados de estética glitch, com um sample vocal cadavérico em "Subtemple" e sintetizadores celestiais/ameaçadores em "Beachfires". Não vai faltar gente pra dizer que é genial, pós-qualquer coisa ou o surrado clichê "música que desafia rótulos". Eu achei chato e pretensioso pra cacete. São 18 minutos de tensão, sons perturbadores e suspense que, na versão em LP, devem fazer
os estalos e cliques do vinil soarem mais interessantes que a música, propriamente dita. Algo me diz que a soberba já anda frequentando os trabalhos recentes de Burial. Só isso justifica provocar o ouvinte desse jeito.
Depois de dois álbuns pela 4AD (os ótimos Dedication, de 2011 e With Love, de 2013), o produtor britânico Zomby assina com a XL Recordings (que tinha no Prodigy uma de suas moedas fortes, até 2004) e, de cara, já programa dois EPs que vão ser lançados no formato doze polegadas no finalzinho de Outubro: Let's Jam 1 e 2.
Let's Jam 2 é o Zomby habitual, um geniozinho eletrônico dubstepeando em graves absurdos e fazendo chover estalactites de sintetizadores no seu fone de ouvido.
Já Let's Jam 1 é a prova do talento e da versatilidade de um dos caras mais interessantes da música sintética atual: experimentos com beats irregulares ("Slime") e acid house (as outras três faixas), resultam numa das melhores músicas já gravadas por Zomby: "Surf I". Com um baixo sedutor, teclados circulares e um sample vocal cavernoso, é também uma das dance tracks mais fortes que ouvi em 2015.
"Acid Surf": uma das oito inéditas de Zomby em 2015.
Post-dubstep ou só um sintoma do começo da curva descendente do gênero? Hyperion, novo EP do britânico Roska, não tem nem sinal do ritmo sincopado, bass drops ou baixos oscilantes característicos. Ao invés disso, um 4X4 pesado envolto por um entra e sai de efeitos sombrios (a faixa título); as batidas engenhosas e a névoa espessa de subgrave em "Off" e o clima onírico com mais um paredão de baixas frequências em "Only Human". Se o dubstep precisa de renovação, Roska tem três ótimas sugestões nesse EP.
A auto definição tá lá no site dele: artista, músico, produtor, filósofo. Uau. Azekel Adesuyi é mais um nome promissor no recente R&B britânico. Debutou no fim do ano passado com o bom EP Circae retorna agora com uma faixa novinha - e melhor do que qualquer uma das cinco canções de Circa. Bom sinal.
É em coisas como "New Romance" que eu penso quando alguém fala em "R&B moderno". Recomendo deixar o botão do grave em FLAT.