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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quarta do Sofá: Phil Collins


Os donos de motel serão eternamente gratos à Philip David Charles Collins. Músico, produtor, compositor e, hmmm... ator, Phil Collins é um dos maiores fornecedores de trilhas pro ritual de acasalamento de todos os tempos - solo, ou com o Genesis pós-Peter Gabriel.


 Faixas como o single "I Wish It Would Rain Down", de 1990, tem presença garantida no playlist adulto-contemporâneo das FMs mela-cueca por gerações. Melosa, exagerada, grandiosa - com coro gospel e tudo - a canção chegou ao sétimo lugar no paradão inglês, cimentando uma carreira que cravou 25 hits no Top 40, só na Inglaterra. Hitmaker nato. A guitarra é de um tal Eric Clapton.

Collins andou sofrendo com problemas de saúde por volta de 2010, o que o impedia de cantar e tocar bateria - tanto que anunciou seu afastamento da música no ano seguinte. Esperava-se que não voltasse mais, mas... em Outubro de 2016, ele anunciou a Not Dead Yet Tour, de título hilário e que chega ao Brasil esta semana para três shows (Rio, São Paulo e Porto Alegre), com a luxuosa abertura do Pretenders. Eu iria fácil, se minha vida não fosse um desastre financeiro.

"I Wish It Would Rain Down": hitaço.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Quarta do Sofá: Sade


O R&B salpicado de jazz de Sade não é lá muito prolífico. Manteve uma certa regularidade nos 80 - quando a banda apareceu - mas nos 90, foi apenas um álbum (Love Deluxe, 1992), e nos 2000, dois (com intervalo de dez anos entre eles).

Love Deluxe está um pouco abaixo da fantástica trinca inicial de discos do grupo inglês, mas tem pelo menos duas ótimas faixas, "Kiss Of Life" e "No Ordinary Love", ambas lançadas como single. Mas ainda assim, é um grande álbum.

"No Ordinary Love" tem a voz semi rouca de Sade Adu provocando pensamentos libidinosos com essa nigeriana, fato reforçado pela sereia sedutora representada por ela no vídeo. O instrumental casa direitinho com a voz de Sade: linha de baixo grooveada, guitarras pesadas atravessando os teclados atmosféricos, caixa da bateria em primeiro plano. E a canção ainda ganhou o Grammy de Melhor Performance R&B por Duo ou Grupo com Vocais, em 1994. Justiça feita.

"No Ordinary Love":

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quarta Do Sofá: Rick James & Smokey Robinson


A improvável parceria entre o porra-louca Rick James e o bico-doce Smokey Robinson rendeu um dos mela-cuecas mais legais dos 80. Produzida e arranjada por James, "Ebony Eyes" foi lançada como single em 1983 e fez parte de Cold Blooded, sétimo disco do cantor (falecido em 2004). Robinson, atualmente com 73 anos, continua na ativa.

"Ebony Eyes": clássico do R&B.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quarta Do Sofá: Benjamin Orr


Benjamin Orr inaugura uma nova seção do blog, de nome tão cafona quanto suas intenções musicais. Afinal, a Quarta Feira não é o Dia Internacional do Sofá (argh)?

Orr foi baixista e vocalista do Cars, boa banda pop / new wave americana. Saiu em carreira solo em 1986, e é desse ano seu maior hit, o single "Stay The Night". Não teve desempenho lá muito brilhante nas paradas (apenas número 24 no Hot 100 da Billboard), mas garantiu airplay incessante desde então pelas rádios do segmento Adulto Contemporâneo do mundo todo. No Brasil - com os singles já praticamente extintos do mercado - saiu na trilha da novela O Outro, de 1987. Acabou sendo seu réquiem: Orr faleceu em 2000 e "Stay The Night" permaneceu como seu maior sucesso.

"Stay The Night": pop envernizado.

domingo, 2 de junho de 2013

Eles Continuam Odiando Jazz

 
Quando vi que o Johnny Hates Jazz lançou disco novo - 22 anos de silêncio depois - não resisti. Baixei na hora e... peraí! Não fecha a página! Sério. Isso pode ser legal (acho).

Que banda é essa?
Primeiro: "Shattered Dreams" é legal, vai. É, de fato, o single de estréia do grupo, de 1987, hitaço. Pop sofisticado e cafona ao mesmo tempo, daquelas faixas que todo mundo odeia dizer que gosta. OK, acho que ninguém lembra de mais alguma coisa relevante deles, mas one hit wonders tem meu respeito. 

Segundo: quer dois bons argumentos pra não mandar o Johnny pro inferno (sem ao menos ouvir antes)? Lá vai: o grupo já contou com Phil Thornalley na formação (multi-instrumentista de uma das inúmeras formações do inatacável The Cure). Rá. Boa, hein? Outra: Anne Dudley (produtora e compositora pra lá de talentosa, cofundadora do Art Of Noise) já trabalhou com a banda. São dela os arranjos de Turn Back The Clock, debut de 10 faixas dos ingleses.


 E o que tem de bom em Magnetized, terceiro álbum do Johnny Hates Jazz?
Olha, não é muita coisa, mas o que tem de espetacular em álbuns pop hoje em dia? O Johnny tá na média, com a vantagem de direcionar seu som pra quem não tem paciência com ídolos teen. A dica é: esqueça as baladas melosas (não vai sobrar quase nada, eu sei) e marque as faixas, hãããã, mais animadas. Elas são garantia de ótima trilha pra cozinhar um macarrão pros amigos. O single "Magnetized" é uma belezinha, por exemplo. Tudo no lugar certo: estrofe, refrão, teclados, batida dançante. Menos de quatro minutos de pop na medida pro airplay adulto-contemporâneo (alô, Antena 1!). "You Belong To You" tem aquelas guitarrinhas inofensivas de metal farofa, "Release You" e "Nevermore" não fariam feio no catálogo do Toto e "Lighthouse" vem direto dos 80 com os infalíveis "ôôô-ôôô" apoiando o refrão. Menção honrosa para o bom soft rock jazzístico (mas o Johnny não odeia jazz?) "Goodbye Sweet Yesterday". 

Clark Datchler (vocais, teclados) e Mike Nocito (baixo, guitarra) fizeram de Magnetized um álbum pop que não tem nenhuma outra intenção que não seja distrair o ouvinte. E, pelo menos na metade dos 46 minutos de duração, consegue.

"Magnetized": pop inofensivo.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Barry White Carcamano

Mario Biondi, 42 anos, acompanhou por anos instituições da canção popular italiana como Pepino Di Capri e Fred Bongusto até se dar conta que tinha bala pra tomar seu rumo sem precisar ficar fazendo vocais de apoio para as constrangedoras canções dos senhores acima.  


Sun é o sexto álbum de Mario Biondi, em sua melhor forma: um Barry White albino derramado em baladas soul, sacolejos disco e quebradas jazzy amplamente valorizadas por sua voz com a porcentagem certa de aspereza e harmoniosamente rebatida por naipes de cordas e metais macios e enxutos, com níveis controlados de sacarose. É ouvir "I Can't Read Your Mind" e pensar imediatamente no catálogo da Stax, é aumentar o volume nas disco sublimes "What Have You Done To Me" ou "Girl Blue" e perceber que o baixo percorre um caminho que te leva direto pra 1976 e é ler nos créditos que gente como James Taylor, Al Jarreau, Incognito e Chaka Khan endossam o trabalho acima da média deste italiano de voz abençoada.

"What Have You Done To Me": dance music orgânica.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Selling Your Soul


Em 2008 Seal lançou Soul, seu primeiro álbum de covers. O disco era composto por clássicos do gênero (como assim "que gênero"? O soul!) e o resultado foi um estouro: ouro, platina e diamante mundo afora (só na França ficou 13 semanas consecutivas em primeiro lugar, vendendo mais de um milhão de cópias). Alguma dúvida que esse projeto bem sucedido teria uma continuação? Pois aí está Soul 2, e de novo Seal mete a mão na obra alheia sem a menor cerimônia. Se você se considera um entendedor médio de música pop, já é o suficiente pra conhecer mais da metade das músicas do repertório desse álbum. É sério. Mesmo que não seja a versão original. Essas canções de Soul 2 já foram regravadas dezenas de vezes, e Seal - bom cantor que é - até que não faz feio. Mesmo com sua voz semi-rouca ele canta docemente "Ooh Baby Baby", hit de 1965 do The Miracles com Smokey Robinson nos vocais. Do grupo Rose Royce, Seal pescou duas faixas: "Wishing On A Star" (aqui no Brasil a canção foi sucesso na boa versão das Cover Girls) e "Love Don't Live Here Anymore"; de Al Green catou a obra-prima "Let's Stay Together", do Chi-Lites deu uma xerocada competente em "Oh Girl" e do indefectível Marvin Gaye, ousou encarar o monumento "What's Going On". Também, com uma produção gabaritada de dois caras como Trevor Horn e David Foster, até eu lançaria um disco desses. Saca o arranjo de Foster para "Back Stabbers" (original dos O'Jays), que maravilha - dos backings à percussão, das cordas aos metais, um luxo. Já Horn lambuza "Love T.K.O." (Teddy Pendergrass) com um baixo escorregadio e cordas melosas. Tenho certeza que um público muito além dos fãs de Seal vai cair nessa de novo com Soul 2, porque de fato tudo aqui é bem feito e as pessoas não estão nem aí se os originais são insuperáveis. Fora que o programador da Antena 1 vai ter material do Seal pra tocar pelos próximos dois anos.

"Ooh Baby Baby": Seal bico doce.