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quarta-feira, 7 de março de 2018

Boa Noite, Tristeza


Esqueça o Moby craque das pistas, o exímio sampleador, as divas flamejantes exalando vida e suor a cada nota, o furor do techno e a redenção via blues eletrônico.

Basta uma olhada nos títulos das músicas pra sacar o que contém esta quase uma hora de Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt (Mute), novo álbum do produtor americano: "The Last of Goodbyes", "Welcome to Hard Times", "The Sorrow Tree", "This Wild Darkness", "A Dark Cloud Is Coming" e por aí vai, divã abaixo. Sobra escuridão, melancolia e baixo astral, tudo regado com arranjos pesadíssimos (no sentido lúgubre do termo). Ouça a sessão de cordas macambúzia de "The Ceremony of Innocence" e afaste-se imediatamente de qualquer objeto cortante; perceba a voz embargada do robozinho-vocoder de "The Tired and the Hurt" e, por análise combinatória, constate que "This Wild Darkness" supera "Times Change" do New Order e assume o posto de rap mais triste da história.

Alguma luz no fim do túnel com os timbres amadeirados do piano elétrico e os bons vocais de Apollo Jane em "Welcome to Hard Times", a voz algo Liz Fraser de Julie Mintz em "The Sorrow Tree" e o trip-hop portishediano de "A Dark Cloud Is Coming", insuficientes para clarearem o ambiente escurecido que permeia o álbum.

Pode muito bem ser dito que Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é introspectivo e reflexivo e que não passa de um espelho que reflete a situação realmente desanimadora do mundo atual. Pra mim, é só triste, mesmo, em todos os aspectos. E tô fora.


"Mere Anarchy": Moby em frangalhos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quarta do Sofá: Phil Collins


Os donos de motel serão eternamente gratos à Philip David Charles Collins. Músico, produtor, compositor e, hmmm... ator, Phil Collins é um dos maiores fornecedores de trilhas pro ritual de acasalamento de todos os tempos - solo, ou com o Genesis pós-Peter Gabriel.


 Faixas como o single "I Wish It Would Rain Down", de 1990, tem presença garantida no playlist adulto-contemporâneo das FMs mela-cueca por gerações. Melosa, exagerada, grandiosa - com coro gospel e tudo - a canção chegou ao sétimo lugar no paradão inglês, cimentando uma carreira que cravou 25 hits no Top 40, só na Inglaterra. Hitmaker nato. A guitarra é de um tal Eric Clapton.

Collins andou sofrendo com problemas de saúde por volta de 2010, o que o impedia de cantar e tocar bateria - tanto que anunciou seu afastamento da música no ano seguinte. Esperava-se que não voltasse mais, mas... em Outubro de 2016, ele anunciou a Not Dead Yet Tour, de título hilário e que chega ao Brasil esta semana para três shows (Rio, São Paulo e Porto Alegre), com a luxuosa abertura do Pretenders. Eu iria fácil, se minha vida não fosse um desastre financeiro.

"I Wish It Would Rain Down": hitaço.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ascendendo


Sensacional esse gospel-house "Elevation", composto e produzido pelo francês Jean Baptiste de Laubier (Para One). Participa o incrível The South African Youth Choir. Lembrei instantaneamente do Sounds Of Blackness e sua clássica "The Pressure (Pt. 1)", remixada por Frankie Knuckles em 1991. Saiu pelo Ed Banger e dá pra baixar de graça no Soundcloud, se liga.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quarta do Sofá: Mariah Carey


1994: Mariah Carey no auge. Depois de ter ouvido "Without You" num restaurante (originalmente do grupo britânico Badfinger), ela decide fazer sua própria versão. O nível de sacarose é bem alto, mas ela cantava demais. E o coro gospel, hm? Que sacada. Ficou lindo.

  "Without You": mais discos de ouro pra coleção.