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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Queda do Dubstep


Post-dubstep ou só um sintoma do começo da curva descendente do gênero? Hyperion, novo EP do britânico Roska, não tem nem sinal do ritmo sincopado, bass drops ou baixos oscilantes característicos. Ao invés disso, um 4X4 pesado envolto por um entra e sai de efeitos sombrios (a faixa título); as batidas engenhosas e a névoa espessa de subgrave em "Off" e o clima onírico com mais um paredão de baixas frequências em "Only Human". Se o dubstep precisa de renovação, Roska tem três ótimas sugestões nesse EP.

Hyperion EP: pra baixo é o caminho.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Post-Whatever


Nadus é um promissor DJ e produtor de Nova Jersey, que acaba de lançar o EP Broke City. No meio de tanta criatividade pra programar batidas desconjuntadas nas cinco faixas, salta aos ouvidos a homenagem à sua cidade, "Nxwxrk", com o auto-tune repetindo a palavra "Jersey" em todas as variações de tom possíveis. Já nem sei se isso é juke, grime ou dubstep. Será que chamar de bass é suficiente?

domingo, 10 de novembro de 2013

Don't Drop The Bass


Wayne Goodlitt já tem uma cacetada de singles e EPs no seu portfólio, desde que começou a gravar como Mentor, em 1998. Iniciou na cena UK Garage como MC, mas aos poucos foi se mostrando um talentoso DJ e produtor de dubstep, e pra assinalar a mudança no som, Goodlitt adotou o pseudônimo Roska.


Shocking EP é seu lançamento mais recente, mas daquele dubstep clichê com baixos oscilantes e paradas previsíveis que retomam com frequências de grave subterrâneas, não tem nem o cheiro. Rola um grime monocórdico ("Penetration Test", que deveria se chamar "Patience Test") e algo que parece um console Atari tendo convulsões ("Shocking"). De bom, temos o rap veloz e o refrão soul de "It's All Changed" e o ataque polirrítmico da ótima "Desire", a melhor do disquinho. Aqui os vocais são da cantora Vanya e a faixa lembra um Altern-8 com camisa de força.

"Desire": bateria aos cacos.

domingo, 7 de julho de 2013

Caras Novas: Maribou State


Vale a pena conhecer o trabalho da dupla inglesa Maribou State.

Chris Davids e Liam Ivory começaram a chamar atenção ano passado com a impressionante "Olivia", bass music de percussão detalhista e vocais emprestados de "No More Drama", de Mary J. Blidge:



O duo lançou EP novo mês passado. Tongue EP traz duas faixas inéditas, "Tongue" e "Larks Rise", mais três remixes para a faixa título.


A produção continua de encher os ouvidos.

"Tongue" entrelaça cordas e sintetizadores a ponto de eu não saber mais o que é orgânico e o que é sintético, e valoriza a voz de Holly Walker com várias sobreposições e efeitos:



"Larks Rise" é um tema sem letra e tem mais cara de verão, com órgão, piano e teclados duelando com os vocais de Holly Walker em vocalizes sonhadores:



Olho neles.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Fantasma Guarani


Ghosts Of Paraguay é o britânico David Templeman. Músico autodidata, David produziu drum'n'bass sob nomes como Altya e Pistol Kisser, até cansar da mesmice da cena e dar uma pausa de um ano na carreira. Decidiu retomar as atividades quando encontrou o som que procurava: o dubstep. Nascia então o Ghosts Of Paraguay (nenhum significado que não seja apenas "foneticamente bonito", segundo David) e o seu álbum de estréia, o ótimo Silent Souls, saiu em 2011. 


Seu novo EP é o climático Into The Light, dubstep mais pro downtempo etéreo de Burial do que pros graves absurdos de Benga, como prova a faixa de abertura "Deep Six". Com duas excelentes vocalistas convidadas (Krizia Bassanini e Bridget Insinna), Into The Light tem quatro faixas com baterias reduzidas à fragmentos percussivos ("Bitter End", "Mirrors"), pianos delicados e baixos desafiando o limite das baixas frequências. Vale conhecer.

"Deep Six": sublime.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Da Boa


Tem alguma coisa diferente no som do italiano Herve Atsè Corti, nascido em Florença em 1991. Sampler EP / Meanwhile In Madland é apenas seu segundo EP gravado com o pseudônimo Herva (o primeiro, Skin EP, é do ano passado) e aqui temos elementos de soul, downtempo, house, techno e hip-hop agrupados de forma orgânica  sob ricas camadas instrumentais. 


As melodias passam longe da obviedade, você nunca sabe que rumos elas vão tomar: basta ouvir a quase-deep house "Be Like Me Or Shut Da F_ck Up!" que abre o EP com uma linha de baixo mantendo uma certa distância da bateria e amostras de cordas revezando-se com sequências circulares de teclados. "Triangle" tenta inicialmente te desorientar com beats desengonçados, até transformar-se numa house de prato sibilante a partir de um minuto e meio. As relaxantes "Soul Crash" e "Breathe" trazem ótima diversidade percussiva e blips techno discretamente colados entre as baterias, mas o grande momento aqui é a levada hipnótica com vocais à Ofra Haza de "Broken". É onde Herva prova que (já) atingiu aquele ponto onde é possível experimentar com timbres unusuais e soar acessível ao mesmo tempo. A bem da verdade, a Itália nunca saiu do mapa da boa dance music, mas agora Florença ameaça se infiltrar na primeira classe.

"Broken": quando a ênfase é no ritmo, não no groove.
  Herva - Broken (DJ Nature Remix) by TRMOOD