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domingo, 25 de março de 2018

Caras Novas: Demuja


Com um background que inclui atividades como baterista e dançarino de break, o austríaco Bernhard Weiss, a.k.a. Demuja, descobriu a discotecagem e em seguida, a produção de sua própria música, por volta de 2010. Lançando seus singles por selos como o norueguês Uncut House Records, o americano Nervous Records e o italiano Traxx Underground, em 2016 Demuja criou seu próprio selo, MUJA, por onde saíram três EPs até agora.

Fã de vinil e reclamando para si influências que vão de artistas de house music (Kerri Chandler, Moodymann), jazz (Herbie Hancock, Miles Davis), hip-hop (Mos Def, Wu-Tang Clan) e diretores como Quentin Tarantino, seu lançamento mais recente é o EP Turn Around (realizado no final de Março pela gravadora alemã Toy Tonics) e inclui quatro faixas de house em estado bruto, sem muito polimento. Com samples irreconhecíveis (pra mim, ao menos), timbres macios de teclados e um modus operandi french touch, Turn Around solidifica a promissora carreira de Demuja.

Turn Around: inteiro no Bandcamp.


Ouça outros singles e EPs no perfil do artista do Bandcamp.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Mattis


O dinamarquês Mattis Jakobsen, cantor e multi-instrumentista, emprestou seus vocais para projetos pop e bandas de rock antes de debutar solo ano passado com o sofisticado single mezzo eletrônico mezzo pop "Loverboy". No começo deste ano, saiu "The Chain", uma espécie de boogie sintético em que Mattis explora com mais desenvoltura o que tem de melhor: sua voz. Seu timbre lembra a elegância de um Chris Isaak, de tons aveludados e macios, em todas as suas variações. Bom nome pra prestar atenção.

"Loverboy":



"The Chain":

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Bobby Nourmand


Nascido em Los Angeles, o multi-instrumentista e DJ Bobby Nourmand viveu por dez anos em Nova Iorque, onde decidiu que deveria produzir sua própria música. Citando o White Album dos Beatles, Sasha e John Digweed como influências, a house promissora de Nourmand (já) é reconhecível a distância: seus mastodônticos basslines vem em primeiro plano, acompanhados de vocais que transitam entre rap, soul e rock, com teclados e efeitos econômicos e um verniz deep dando o acabamento no trabalho. Dance enxuta, eficiente e linda de se ouvir.

"Mind":



O lançamento mais recente de Nourmand é o single "Prisoner" (saiu no final de Janeiro), com vocais arrepiantes do cantor de Antígua e Barbuda (agora baseado em Londres), Laurent John. Olho nele.

Soundcloud: https://soundcloud.com/bobbynourmand
"Prisoner":





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Caras Novas: Tender


O Tender segue pavimentando solidamente seu caminho até o primeiro álbum. O misterioso duo londrino, formado em 2015 pelo vocalista e multi-instrumentista James Cullen e pelo tecladista Dan Cobb prepara-se para lançar o debut Modern Addiction dia 1º de Setembro, pela gravadora britânica Partisan Records. A expectativa gerada até agora pelos três EPs e mais algumas faixas disponibilizadas de forma independente pela dupla aponta para um trabalho quase totalmente inédito, levando-se em conta o tracklist do álbum, já liberado. O som do Tender é um cruzamento entre R&B contemporâneo e eletrônica visceral; soa orgânico, sem truques banais como o autotune e cozinha em fogo brando, com uso farto de sintetizadores de timbres vintage amadeirados - climas aquecidos por Cobb que fazem a cama perfeita para Cullen desfilar sua voz sexy e semi-sussurrada. Talvez Terence Trent D'Arby soasse assim na atualidade, se estivesse vivo musicalmente. A canção mais recente do Tender, "Machine", deixa isso muito claro e perceptível: beats programados e teclados precisos, numa faixa que cresce devagar e explode num refrão memorável e que funciona igualmente bem tanto na celebração da pista de dança quanto na solidão-conforto do sofá da sala. O vídeo, que sugere o vazio existencial e a futilidade dos prazeres transitórios da vida moderna que tomam conta de boa parte da geração atual, retrata bem a letra, cujo refrão sentencia: "You cut me open, and pull me apart / A hollow chest instead of a heart". Sério candidato a revelação do ano.

Ouça o Tender no Spotify.

"Machine": "You do what you want with me baby."

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Caras Novas: Torul


Torul é uma banda eslovena de electropop liderada pelo compositor, produtor e fundador do projeto, Torul Torulsson (o da esquerda, na foto acima). Na ativa desde 2010, o grupo vem lançando singles e álbuns por micro selos alemães (Low Spirit Recordings, Infacted Recordings), ganhou alguma rotação na MTV alemã com o vídeo stop-motion para a faixa "Try" (2011) e já está no quarto álbum (The Measure, lançado em Março deste ano). Não difere muito do synthpop germânico atual, mas explora bem as influências de tons cinza escuro de Torulsson (The Cure, Siouxie and the Banshees, Dead Can Dance) sem resvalar na caricatura, além de ter uma mão boa pra compor boas canções pop de plástico. Conheci a banda através de uma das faixas de The Measure, a ótima "Difficult To Kill" (também lançada como single). Os vocais de Jan Jenko são meio canastrões, mas a música é bem feitinha, algo entre The Twins e Clan Of Xymox - o que sempre tem boas chances de acertar em cheio os ouvidos de novos e velhos fãs de bandas dark/góticas que não dispensam o uso do sintetizador. Vale o confere.

"Try":



"Difficult To Kill":

domingo, 7 de junho de 2015

Caras Novas: Joywave


Entendi o que o termo indie dance significa em 2015 depois de ouvir o debut do Joywave, How Do You Feel Now?, lançado no final de Abril. Mas o que tem de indie um álbum que saiu pela mesma gravadora (Hollywood Records) de Selena Gomez e Demi Lovato? Bom, dá uma olhada no que o Beatport considera indie dance e você vai sacar que o Joywave tem muito mais a ver com aquela cena britânica do começo dos 90 (Madchester) do que o site de venda de música online imagina. A diferença é que em How Do You Feel Now? não há resquício de fusões de rock sessentista com house ou batidinhas funky drummer. O que o quinteto nova-iorquino faz é muito mais enérgico, cheio de riffs poderosos de guitarra ("Now", "Somebody New") e sintetizador ("Parade"). É um Phoenix adrenalizado, um Hot Chip com punch.

Entre as muitas coisas que chamam pra pista no som do Joywave, está sua doce (culpa dos vocais do bigodudo Daniel Armbruster) incursão pela house music, como em "In Clover", que emula aquele timbre de órgão que tornou Robin S famosa no começo dos 90:



"Carry Me" é outra faixa com bom potencial para as danceterias, uma mistura exata de rock e eletrônica com refrão pop e baixo totalmente New Order, que poderia ter saído tanto do catálogo da DFA quanto da Factory:

Algumas escorregadas não comprometem o disco como um todo, como quando a banda grava pop rock genérico ("Nice House") ou excede o uso de ingredientes, resultando em coisas indefiníveis como "Destruction" ou "Tongues":



How Do You Feel Now? encerra com um trip-hop apocalíptico ("Bad Dreams") e deixa a impressão que o Joywave é pop e diversificado o suficiente pra não ficar preso à um rótulo limitador como o indie dance. Dá pra sonhar em voar mais alto.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Caras Novas: Vök


Terra pródiga em bandas legais a Islândia. Vök é mais uma pra lista. Tem só dois anos e acaba de lançar Circles, o segundo EP (o primeiro, Tension, é de 2013), pela pequenina gravadora independente Record Records, sediada na capital Reykjavík. O som do trio formado por Margrét Rán (vocais, guitarra, teclados), Andri Már (saxofone, Akai APC) e Ólafur Alexander (guitarra, baixo) é um electropop em câmera lenta, com paisagens construídas por sintetizadores tão congelantes quanto um dia de noite absoluta no inverno do Círculo Polar Ártico. Um tempo atrás dava pra chamar de trip-hop que ninguém iria brigar.

Um dos trunfos do grupo da terra de Björk é a vocalista Margrét Rán. Canta muito. Mostra um controle invejável ao sussurrar e subir de tom muito rápido no curto espaço de uma tomada de fôlego ("If I Was"), fragilidade e potência ("Waterfall") e com a voz encharcada de reverb, bota um pé num dream pop que não dá sono ("Circles").

Com saxofones afiados atravessando o downtempo "Adrift", o Vök fecha com quatro faixas um EP que merece os 17 minutos da sua atenção. É mais ou menos o que o The Knife já fez bem - antes da dupla sueca lacrar sua trajetória com o pedante Shaking the Habitual (2013), ou seja, é um nicho que tá caindo de maduro pro Vök aproveitar. Potencial tem de sobra.

"Waterfall": a próxima grande banda islandesa?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Caras Novas: Kite


Parta do princípio de que, se conheci esse ano, é uma cara nova (pra mim, ao menos). Porque o Kite - duo synthpop sueco formado por Nicklas Stenemo e Christian Berg - está na ativa desde 2008 e Kite VI já é o (dããã) sexto EP da dupla. Definido por publicações suecas e alemãs como um mix de Vangelis e Kraftwerk, VI tem todos os requisitos básicos de um (mini) álbum de technopop: épico, enegrecido, radicalmente eletrônico, dominado por um clima de isolamento e uma certa frieza emocional. Some a isso os particularíssimos vocais de Nicklas Stenemo - o nível de dramaticidade bate no vermelho - e os sintetizadores congelantes de Christian Berg e voilà: temos uma banda convincente e com bom potencial para agradar os fãs do gênero.

A melhor de Kite VI é a abertura soturna "Up For Life", embora ela seja estendida (desnecessariamente) até o dobro da duração que deveria. Uma radio edit pode limar a segunda metade que sobra. Fora isso, menção honrosa para o bom trabalho das maquininhas de Berg em "Count The Days" e os vocais sofridos de Stenemo no darkismo explícito (a despeito do título) de "True Colors".



O que não funciona é o ritmo pretensamente dançante (dá pra sacar que essa não é a praia do duo) em "It's Ours" e os exageros dos efeitos de voz em "Nocturne". Precisa não, Kite, o cara já tem um filtro natural na garganta. Kite VI é bom. Aparando algumas arestas aqui e ali, um Kite VII pode vir melhor ainda.

"Up For Life": promessa. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Caras Novas: West Nile


Há pouca informação disponível sobre os canadenses do West Nile. Seu single "SSUFFIK8TRR" (“suffocator") saiu digitalmente dia 27 de Janeiro via Bandcamp, com a opção do pagamento voluntário de qualquer quantia ou download grátis. A curiosidade é uma versão Laserdisc do single programada para Março (detalhe: Laserdiscs foram produzidos comercialmente até o começo do anos 2000). A música, em si, é excelente. Synthpop lânguido com um belo riff de sintetizador mais a voz doce da vocalista que, provavelmente, é a gracinha da foto acima.

"SSUFFIK8TRR": encantadora.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Caras Novas: Schwarz Dont Crack


Schwarz Dont Crack (sim, sem apóstrofo) é um duo radicado em Berlim e formado pelo vocalista e compositor americano Ahmad Larnes mais o tecladista alemão Sebastian Kreis. O primeiro single, "Charade", saiu em 2012 pela Kitsuné e o mais recente, "All My Love", pela Nettwerk Music. A faixa precede o EP de estreia da dupla, prometido ainda para Janeiro. O som? Uma trip sexy por R&B anos noventa e sintetizadores ítalo. Disco lenta e crepitante. Vale o confere abaixo.

"Charade":



"All My Love":

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Caras Novas: RÜFÜS


Australianos de Sydney, o RÜFÜS (DU SOL pro mercado norte-americano), debutou ano passado com o álbum Atlas e foi direto pro primeiro lugar na terra natal.


Achei exageradas coisas que li como "esses caras têm o potencial de mudar a maneira como as pessoas percebem a dance music" ou "o mais recente projeto australiano para dominar o mundo". O som deles é OK, indie dance que pode, na verdade, tomar o lugar do Cut Copy - que anda marcando bobeira desde o terceiro disco (Zonoscope, 2011). É simpático, é agradável, é dançável, é mezzo eletrônico mezzo orgânico. É exatamente o que Beloved fazia (muitíssimo bem) em 1990, mas que não passou de um álbum sensacional (coincidentemente, o também debut Happiness) e mais meia dúzia de singles bacanas. Não que eu esteja pessimista sobre o RÜFÜS, mas pezinhos no chão, aussies.

"Sundream": sobrevive ao hype?

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Caras Novas: Kyogi


Cara nova, mesmo. Kyogi tem só 16 anos, mas com oito já tinha banda e com 12, começou a produzir, experimentando com uma versão demo do FL Studio. Seu aprimoramento nesse (curto) espaço de tempo o levou a produzir coisas como essa "Not Good Enough". Com sample dos vocais do clássico soul-funk "Trapped", de Colonel Abrams ‎(1985), "Not Good Enough" é um monstro house com uma linha de baixo especialmente bem feita, que deve carregar os pendrives de muitos DJs mundo afora. Tem futuro. 

domingo, 8 de junho de 2014

Caras Novas: Azekel


A auto definição tá lá no site dele: artista, músico, produtor, filósofo. Uau. Azekel Adesuyi é mais um nome promissor no recente R&B britânico. Debutou no fim do ano passado com o bom EP Circa e retorna agora com uma faixa novinha - e melhor do que qualquer uma das cinco canções de Circa. Bom sinal. 

É em coisas como "New Romance" que eu penso quando alguém fala em "R&B moderno". Recomendo deixar o botão do grave em FLAT.

"New Romance": baixíssimas frequências.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Caras Novas: Pawws


Pawws é a cantora e compositora britânica Lucy Taylor. De formação clássica (piano e flauta) e citando Fleetwood Mac, Paul Simon e Traveling Wilburys como influência, Taylor já tocou com Kele Okereke (Bloc Party) e MGMT, tem uma voz pequenininha mas agradável e, na manga, um punhado de boas canções synthpop. Seu debut Sugar EP sai dia 16 de Junho, com quatro faixas, e a julgar pelo material disponibilizado no Soundcloud, ela se sai melhor que o último da Lily Allen.

"Give You Love": uma amostra do bom pop da moça.