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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Xpansions


A ordem era dada de cara: "I've said it before and I'll say it again, dance whilst the record spins!" E em questão de segundos, estávamos todos entregues. Bom, posso falar por mim. Eu dançava essa até o limite da cãibra. O Xpansions foi inventado pelo produtor Richie Malone, que assinou contrato com a Arista-BMG em 1990 e debutou com esse single, hit no mundo inteiro (o rosto do projeto era a cantora e atriz Sally Ann Marsh, mas não tenho certeza se o refrão-título foi cantado por ela). É um blend com elementos que se completam: o refrão "Move your body, hiiiigher, hiiiigher, hi-hi-hiiigher!" com o mesmo sample de sintetizador que o S-Express usou em "Theme From S-Express" (a espetacular "Is It Love You're After", de Rose Royce), o baixo monocórdico com o bumbo demolidor, o riff de teclado grudando nos strings sintéticos de violino... deu certo demais. A faixa foi tão imensamente popular nas raves e danceterias, que beliscou o sétimo lugar do paradão inglês de singles (e o quinto na parada dance da Billboard), quase um ano depois do lançamento, em 1990, além de ter sido licenciada pra figurar em mais de 100 coletâneas mundo afora e somar vendas em torno de 10 milhões de cópias.

Olha o frenesi da molecada que frequentava o clube Quadrant Park, em Liverpool, no começo dos 90, com as primeiras notas do teclado de "Elevation":



"Elevation" (Club Mix):

segunda-feira, 23 de junho de 2014

The Roof Isn't On Fire


Nada demais, mas nada mesmo, esse single novo do cultuado, idolatrado e adorado Jamie xx. Devo, certamente, fazer parte de uma minoria que não vê motivo pra tanta pagação de pau pra esse rapaz, membro do também incensado the xx. Mas, como o que importa é a música, “All Under One Roof Raving” é um encaixotamento de samples com batidas bem ralinhas, que, segundo Jamie, são uma homenagem à cultura rave do Reino Unido. Achei tão empolgante quanto o futebol apresentado pela seleção inglesa na Copa.

“All Under One Roof Raving”: sem graça.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Docemente Irreverente


Levou só vinte anos pra eu conhecer o álbum de estréia do Candy Flip, Madstock . . . The Continuing Adventures of Bubble Car Fish, de 1991. A banda de Manchester havia voado alto no paradão inglês (#3) um ano antes com um cover pra lá de viajandão de "Strawberry Fields Forever", daquela bandinha de Liverpool. O trio Danny Spencer, Kelvin Andrews e Ric Peet jogou a batida de "Funky Drumer" de James Brown - amplamente usada por bandas indie dance da época - no clássico de 1967 dos Fab Four e o resultado foi que sua visão de "Strawberry..." virou hino dos incansáveis ravers ingleses do começo dos 90.

   
Os singles seguintes ("Space" e "This Can Be Real") não tiveram a mesma força, mas o álbum é muito bom. A pegada do Candy Flip era nitidamente sessentista, mas curiosamente a banda quase dispensava formalmente o uso de guitarras em seus trabalhos, optando por sintetizadores e baterias digitais. O disco tem lindas passagens com ritmos dance de batidas quebradas e pedais wah-wah ("See The Lights", "Space"), pianinhos e vocais sussurrados ("Theme"), house espacial ("Love Is Life") e tiquezinhos de Kraftwerk (os efeitos dos teclados em "Redhills Road"). Algo como se os Beatles encontrassem o 808 State no Haçienda e ambos tomassem umas pílulas antes de fazer uma jam. Como Madstock... está fora de catálogo há muito tempo, toda pirataria será perdoada. Tem aqui.

"Strawberry Fields Foverer": Madchester Rave On.