O nome Aldo, The Band já tinha aparecido em algum momento na tela do meu note, mas se eu ouvi o grupo paulistano de 2013 (quando lançaram o primeiro disco, Is Love) pra cá, devo ter escolhido a(s) faixa(s) errada(s), porque passou batido. Pensei que deveria ter, entretanto, um bom motivo pro Radiohead em pessoa (haha) escolher o Aldo pra abrir seus shows recentemente aqui no Brasil (junto com Junun e Flying Lotus) e isso acabou reativando meu interesse/curiosidade. Pesquisa aqui, baixa ali e o saldo é positivo. As faixas detestáveis ("Hold Me Back, Insane") estão em número menor, comparando com as adoráveis, como "Unbreakable", "Liquid Metal" e essa "Trembling Eyelids" - single lançado dia 20 de Abril que fará parte do terceiro álbum do grupo. Com slapadas de baixo, synths trôpegos, vocais sonolentos (no bom sentido) e batida hipnótica, "Trembling Eyelids" é uma ótima canção. E o Aldo, pode ficar tranquilamente na mesma prateleira de CDs (ou na mesma pasta de arquivos) de Holy Ghost!, The Rapture e Jagwar Ma, sem nenhum complexo de inferioridade. Muito pelo contrário.
Trabalhar com o francês Philippe Zdar (metade do Cassius) na produção, tem refletido claramente no som apresentado nos três singles que o Franz Ferdinand já antecipou em relação ao novo álbum do grupo, que sai agora, no comecinho de Fevereiro. "Always Ascending" (também nome do disco), "Feel The Love Go" e agora "Lazy Boy" (no ar desde a semana passada, dia 25), tem em comum linhas de baixo robustas, guitarras funkeadas, uso farto da eletrônica e alto teor de dançabilidade. Os três aperitivos desceram redondinho, vamos ver o prato principal.
Sensacional o novo single dos escoceses do Franz Ferdinand, "Feel The
Love Go". Com uma relação estreita com as pistas de dança desde sempre, a
banda de Alex Kapranos retorna com uma faixa na medida para os clubes
menos cafonas: com uma introdução de sintetizadores elásticos, a canção
explode em guitarras, hi-hats disco e um refrão memorável em menos de um
minuto, pra encerrar com um solo de saxofone eufórico, que beira o
improviso. A música vai estar em Always Ascending, novo álbum do grupo, que sai em 9 de Fevereiro
"Feel The
Love Go": energia, eletrônica e saxofone.
Um tempo atrás o peruano Luis Leon meteu a mão em "This Charming Man", clássico single-debut dos Smiths, de 1983, e saiu-se com um edit muito bem feitinho, com timbres de sintetizador cuidadosos e sem exageros estilísticos.
Desta vez é o DJ e produtor americano Eric Estornel (a.k.a. Maceo Plex) que resolveu desafiar a ira dos fãs mais xiitas. Ele apareceu hoje com um edit de "How Soon Is Now?", emblemática canção da banda inglesa, lançada em 1984. Na nova versão, o tremolo original da guitarra de Johnny Marr - possivelmente, a referência mais identificável da música - foi mantido em toda a base por Maceo, assim como alguns trechos dos vocais de Morrissey. A isso, foram adicionados alguns efeitos e uma batida 4x4 bem simples. Não é um edit inesquecível, mas é uma boa atualizada numa faixa com mais de 30 anos. E se a ala fundamentalista dos fãs dos Smiths ficar putinha de raiva, melhor ainda.
Com uma abordagem muito particular sobre a música eletrônica - o que inclui o uso de alguns instrumentos nem tão convencionais ao gênero (como o sagrado trio baixo-guitarra-bateria) e outros que fogem a qualquer tipo de categorização (brinquedos e até um sincronizador de filmes 35mm) - o quarteto mezzo americano mezzo canadense baseado em Toronto, Holy Fuck, segue entortando o óbvio com seus experimentos que fundem ousadamente o orgânico e o sintético - a despeito do grupo dispensar formalmente o uso de computadores em suas composições.
Somando quatro álbuns na discografia (o mais recente, o elogiado Congrats, é do ano passado) e vários singles no currículo, a banda acabou de lançar o novo EP, Bird Brains, pelo selo californiano Innovative Leisure, gravado no esquema ao vivo do "1-2-3-4, valendo!". A faixa título foi disponibilizada no Youtube há alguns dias num curioso vídeo que traz a banda animando uma festa que "...explora a ideia da histeria em massa", segundo a diretora Allison Johnston. Investindo no lado mais cerebral da dance music numa canção que poderia ser definida como um mix improvável dos pioneiros Silver Apples com o injustiçado Add N To (X), "Bird Brains" pode não soar familiar ao ouvinte médio numa primeira audição, mas leva pouco tempo para a estranheza viajar do cérebro para os pés.
A gravadora alemã Gomma Records vende seu novo peixe como um mix de Funkstörung, James Blake e peças sinfônicas. Um blend entre eletrônica e música clássica. E, talvez com um certo exagero, diz ainda que o músico e artista multimídia Barotti "criou seu próprio gênero de música". É techno esquisitinho e nubladão, mas nada que o martelo da Pampa Records já não venha batendo há um tempo. Seu single de estreia She Once Knew é, de fato, bem interessante. Tem a faixa título mais afeita à pista de dança (turbinada por um bom remix de Massimiliano Pagliara) e um lado B quase ambient, com beats quebrados e belas intervenções de cordas. Não é nenhuma revolução, mas é uma brisa fresca para os cansados ouvidos dos clubbers do planetinha. Periga emplacar.
Em 1992, o New Order queria (e precisava) se reinventar, mais uma vez. Da nova ordem proposta após o fim trágico do Joy Division, até então, o grupo já tinha cinco álbuns gravados e havia se consolidado como a banda independente mais importante dos anos 80. Somente no debut Movement (1981), um produtor direcionou o trabalho (o genial Martin Hannett, também responsável pelo pós-punk apocalíptico registrado nos dois álbuns lançados pelo Joy Division). A postura autônoma também em relação ao som e a progressiva aproximação do quarteto com a dance music (que tem no divisor de águas "Blue Monday", de 1983, sua mais clara evidência), definiu o New Order como um grupo que adotava uma postura parecida com a que Andrew Fletcher usou para explicar o modus operandi do seu Depeche Mode, em 1989: "Fazemos música para o quarto, para a sala de estar. Se for tocada nas discotecas, ótimo. Mas nunca chegamos a entender isso." Embora o New Order nunca tenha direcionado seus discos exclusivamente para os quadris dos fãs, cada novo single lançado ganhava fácil as pistas do mundo e a participação esporádica de gente ligada ao electro e hip-hop como John Robie e Arthur Baker foram parte importante do processo. Em Republic (1993), os integrantes - depois de quatro anos afastados e com vários projetos paralelos em andamento - sentem que precisam de alguém para organizar tantas ideias e opiniões diferentes e voltam a trabalhar com um produtor na mesa de som. Tentam com Pascal Gabriel (que havia ganhado prestígio com os primeiros singles de S'Express e Bomb the Bass, na explosão da acid house britânica, alguns anos antes), mas o resultado (segundo o que a tecladista Gillian Gilbert relatou na época), aproxima o New Order do techno hardcore, o que desagrada a banda e a parceria é abortada. O experiente Stephen Hague (OMD, Erasure, Pet Shop Boys) é chamado e seu inconfundível verniz eletrônico borrifado no indie dance do grupo faz de Republic um ótimo álbum dançante, sem perder o costumeiro espírito sombrio que permeia a obra da banda.
Em 2015, a história parece se repetir. Depois de atravessar um longo período com álbuns apenas medianos e poucos singles dignos de nota - mesmo trabalhando com vários produtores diferentes - o cenário agora traz como principal obstáculo a ausência do baixista original (Peter Hook) e o New Order necessita renovação. A adição do substituto Tom Chapman e sua convincente performance no disco novo, esvaziaram minha desconfiança desde o anúncio do lançamento de Music Complete (lançado pela nova gravadora, Mute Records), que dizia respeito ao desfalque de Hook. Só o bassline da linda abertura "Restless" já foi suficiente pra me deixar otimista. No resto do álbum, me rendo ao talento. Mesmo com o fantasma do Capitão Hookie rondando as palhetadas nas quatro cordas de "Nothing But A Fool", o impressionante groove propulsor de "People On The High Line" (uma das duas faixas em que La Roux aparece nos vocais) é todo baseado no baixode Chapman e seu minuto final, absolutamente sublime (o mesmo acontece na levada italo-disco de "Tutti Frutti"). O baixista mantém a pegada de post-punk dançante na inspiradíssima "Academic" e ainda acompanha com precisão os hi-hats na velocidade da luz de Stephen Morris, em "Singularity".
Outro ponto importante, finalmente, em Music Complete, é a banda assumir novamente o controle no estúdio. Das 11 faixas, somente duas tem produção do Chemical Brother Tom Rowlands e uma conta com uma polida adicional de Stuart Price. Uma das respostas para o que faz o disco soar tão diverso pode estar nas diversas participações contidas nele. Desde a ficha técnica com gente como Richard X, Steve Dub (engenheiro de som e parte fundamental do sucesso por trás do Chemical Brothers) e Daniel Miller (boss da Mute) incluída, até as colaborações efetivas de La Roux, Iggy Pop e um contido (ainda bem) Brandon Flowers, em "Superheated". A faixa (com Stuart Price regendo o trabalho), coincidentemente, é uma das poucas que não me empolgou em Music Complete. Já Iggy Pop, é um caso a parte. Sua participação em "Stray Dog" celebra um longo ciclo de admiração mútua iniciado em 1977, quando os membros do Joy Division participaram de um show do vocalista do Stooges em Manchester, até a retribuição de Iggy numa aparição do New Order no 24th Tibet House Benefit, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, ano passado. Vale dizer também que o álbum The Idiot, de Iggy (1976), foi o último que Ian Curtis ouviu antes de cometer suicídio e na década de 1980, o New Order costumava tocar o clássico "The Passenger", durante as passagens de som. Um dos pontos altos do disco, a música traz Pop narrando um poema escrito por Barney Sumner, sobre uma base reaproveitada a partir de uma faixa instrumental do Other Two (projeto paralelo do baterista Stephen Morris e da tecladista Gillian Gilbert).
Há de ser comemorada, também, a volta de Gillian Gilbert, depois de um período de dez anos afastada das gravações com o New Order (de 2001 à 2011). Suas intervenções aparecem em Music Complete ora criando a atmosfera propícia para as luzes frenéticas de uma pista de dança (como no segundo single do disco, "Plastic"), ora entrelaçadas à brilhante participação do conjunto de câmara britânico Manchester Camerata, notadamente na colisão dos efeitos dos sintetizadores com o belo arranjo de cordas em "The Game". "Plastic", aliás, usa como referência os arpejos clássicos de "I Feel Love", de Donna Summer (produzida por Giorgio Moroder e Pete Bellotte) e reverencia mais uma vez a eurodisco, numa história iniciada com "Blue Monday" e suas inconfundíveis socadas de bumbo da programação de bateria, inspirada em "Our Love", também da trinca Summer/Moroder/Bellotte.
O saldo final é altamente positivo. O New Order conseguiu se recriar, mesmo não oferecendo nada de realmente novo. O que vale aqui é a qualidade das composições, o teor pop em potencial e o instrumental inspirado que sustenta as canções. Se parte dos LPs lançados pela banda nos 80 indicavam claramente uma faceta mais roqueira e outra mais dançante (literalmente divididas entre Lado A e Lado B), a saudável mistura que a banda oferece neste disco (post-punk, italo, house, disco, synthpop) garante diversidade sem que isso afete uma das principais características de sua música: o definitivo e pioneiro cruzamento entre rock e dance music. O (agora) quinteto gravou um disco excepcional e todas
as menções à Music Complete que o indicam como "o melhor álbum do grupo em
décadas", não são exagero.
O U2 flerta com a música de pista desde o século passado. Começou com o
remix de François Kevorkian para “New Year’s Day”, em 1983 e tornou o relacionamento mais sério com o 12” promocional 3D Dance Mixes, de 1988. A
consolidação do interesse da banda na então emergente dance music ficou
clara com o álbum Achtung Baby, de 1991: no riff psicótico de guitarra
e nas batidas hip-hop de “The Fly”, no baixo funkeado e na percussão de
“Mysterious Ways” e no inesquecível remix de Paul Oakenfold e Steve
Osborne para “Even Better Than The Real Thing” (melhor que a versão original). Dali pra frente, remixes
e colaborações com DJs e produtores do gênero tornariam-se cada vez
mais frequentes na carreira dos irlandeses.
Com esse background todo, não deve ter sido com muita surpresa que os fãs receberam o single "Discothèque", lançado pela banda no comecinho de 1997. Produzida por Flood (New Order, Smashing Pumpkins, The Killers, Depeche Mode), a faixa não consegue sair do engarrafado entroncamento techno/rock alternativo e acho que essa indecisão desagradou os admiradores de ambos os gêneros. David Morales, Howie B e Steve Osborne tentaram readequar a canção para os clubes, mas os remixes não são dignos de nota. Acho que, no final das contas, não há remix que salve o hedonismo meio forçado de "Discothèque". Fora que aquela coreografia Village People é constrangedora.
No comecinho dos 90, a conclusão óbvia que cheguei depois de ouvir pela primeira vez Electronic - debut da dupla homônima formada por Barney Sumner (New Order) e Johnny Marr (The Smiths) - era de que havia ficado muito parecido com New Order e nem de longe lembrava Smiths. Numa entrevista que li algum tempo depois, até Gillian Gilbert achou isso. O mundo inteiro achou isso. Não que a união do guitarrista e vocalista do New Order com o guitarrista dos Smiths devesse, necessariamente, sugar metade da sonoridade de cada banda (e, de fato, não foi isso que aconteceu) e transformar o resultado num punhado de canções, mas esse álbum (lançado em 1991) apontou o caminho por onde o próprio New Order seguiu pouco depois, com Republic (1993). A diferença era o techno inserido em Republic substituindo a house de Electronic.
Acho Electronic um disco quase perfeito. Só não leva o 10 por conta do rap desengonçado de Barney Sumner em "Feel Every Beat" e pela não escolha de "Reality" como single. De resto, sem arestas pra aparar. Tem a colaboração preciosa dos Pet Shop Boys em duas faixas ("The Patience of a Saint" e "Getting Away With It"), as programações de bateria e percussão estão entre as melhores que já ouvi num mesmo álbum, os sintetizadores convivem amigavelmente com as guitarras de Johnny Marr, tem hits de pista e de rádio e toca inteiro sem pular nenhuma faixa. Até "Feel Every Beat" tem seu valor pelo refrão e aquele pianinho house característico de sintetizador Korg.
Australianos de Sydney, o RÜFÜS (DU SOL pro mercado norte-americano), debutou ano passado com o álbum Atlas e foi direto pro primeiro lugar na terra natal.
Achei exageradas coisas que li como "esses caras têm o potencial de mudar a maneira como as pessoas percebem a dance music" ou "o mais recente projeto australiano para dominar o mundo". O som deles é OK, indie dance que pode, na verdade, tomar o lugar do Cut Copy - que anda marcando bobeira desde o terceiro disco (Zonoscope, 2011). É simpático, é agradável, é dançável, é mezzo eletrônico mezzo orgânico. É exatamente o que Beloved fazia (muitíssimo bem) em 1990, mas que não passou de um álbum sensacional (coincidentemente, o também debut Happiness) e mais meia dúzia de singles bacanas. Não que eu esteja pessimista sobre o RÜFÜS, mas pezinhos no chão, aussies.
Tenho um bode com o Baths simplesmente porque não sei como classificar o trabalho do mentor do projeto, Will Wiesenfeld. Não que essa aparente falta de direção seja motivo pra gostar ou não. Até porque, em seu mais recente EP, Ocean Death, Wiesenfeld continua tentando confundir seus esforçados ouvintes - o que é sempre bom sinal. Indie rock depressivo ("Voyeur") ou eletrônica torta ("Yawn"); deep house angelical ("Ocean Death") ou indie dance ("Fade White"), Ocean Death oferece, em apenas cinco faixas, mais variedade e informação que todo catálogo da Ultra Music. OK, aí é até covardia.
Você que diz que dance music é tudo igual, tenho certeza que nunca
ouviu Caribou. Se ouviu e continua dizendo, esquece. Volta pro Swedish
House Mafia e vai ser feliz.
A conversa aqui é outra.
Daniel Snaith passa a milhares de quilômetros da eletrônica farofeira e
de profundo mau gosto de Avicii, Tiësto e essa gentalha toda, mais
preocupada com suas mansões em Palm Beach do que com o timbre do
sintetizador que vão escolher no estúdio.
Eis que Dan Snaith depara-se com a difícil missão de gravar o álbum seguinte ao espetacular Swim (2010) e ele reaparece com mais um trabalho de cair o queixo. Depois da animadora "Can't Do Without You" (que saiu em Junho), Our Love (lançamento oficial dia 07 de Outubro) impressiona. Reafirma que o talento do canadense é superlativo. Sua produção é detalhista, engenhosa. Fico tentando imaginar o processo de criação de Snaith. Quanto tempo até achar um som de caixa como o de "Silver"? Quantas noites procurando o grave poderoso, redondo e macio de "All I Eved Need"?
Ouvir"Our Love" (a música) num (bom) fone de ouvido é uma experiência e tanto, a riqueza instrumental salta aos ouvidos. E também porque seria um desperdício deixar escapar qualquer detalhe de uma composição tão bem tramada. Ela não precisa mais do que as primeiras descargas do baixo gravíssimo e dos vocais particularíssimos de Snaith pra chamar atenção, mas aos trinta segundos, o bumbo ganha vida própria e quando chega ao primeiro minuto, entram os hi-hats faiscantes de uma comportada faixa dance. Samples vocais no segundo plano, cordas que aparecem do nada... as surpresas vão se sucedendo até o break estratégico na metade do caminho para que uma linha de baixo totalmente nova seja providenciada e "Our Love" transforma-se então numa house mastodôntica, um 4x4 de chimbau oscilante apoiada por uma avalanche de efeitos. Preste atenção, é uma das músicas do ano.
Snaith explora à exaustão as baixas frequências, seja no downtempo de vocais picotados de "Dive", na alucinação techno de "Julia Brightly" ou na admirável complexidade instrumental de "Your Love Will Set You Free". Os arranjos vocais são outro caso à parte. Note a fantástica sobreposição de vozes em "Your Love Will Set You Free", a limpidez da misteriosa cantora de voz terna em "Second Chance" ou ainda o eco celestial no próprio falsete de Snaith, que faz "Back Home" triplicar a carga emocional.
Our Love - digo desde já - vai ser difícil de ser batido esse ano. É variado, acessível e inventivo. Reitera Daniel Snaith como um dos produtores mais importantes de eletrônica dos últimos tempos, dá uma surra de criatividade na vexatória EDM atual e prova que ainda é possível fazer música sintética de inquestionável qualidade, sem apelar pro passado e sem abdicar de ousadia e originalidade.
Disco novo do SBTRKT vai tomando forma (Wonder Where We Land) e Aaron Jerome liberou mais uma faixa pra audição. "New Dorp, New York" tem participação de Ezra Koenig, vocalista do Vampire Weekend - uma banda que eu, com todo respeito, detesto.
A música não me impressionou muito. Já os moleques do Disclosure, pagaram pau pra Jerome, como visto no post abaixo.
Achei o groove de "New Dorp, New York" meio seco e a percussão um tanto esparsa. Mas, tudo bem, fugindo do óbvio, SBTRKT acertou várias vezes no seu disco de estreia. Acho que a mira ainda está OK.
Nada demais, mas nada mesmo, esse single novo do cultuado, idolatrado e adorado Jamie xx. Devo, certamente, fazer parte de uma minoria que não vê motivo pra tanta pagação de pau pra esse rapaz, membro do também incensado the xx. Mas, como o que importa é a música, “All Under One Roof Raving” é um encaixotamento de samples com batidas bem ralinhas, que, segundo Jamie, são uma homenagem à cultura rave do Reino Unido. Achei tão empolgante quanto o futebol apresentado pela seleção inglesa na Copa.
O canadense Daniel Snaith deu as caras. "Can't Do Without You" é a primeira faixa disponibilizada sob a alcunha Caribou desde o sensacional Swim, de 2010 (vai estar em Our Love, o próximo disco, que sai em seguida). Em 2012 ele lançou o álbum Jiaolong creditado ao projeto Daphni, sua faceta techno/progressive.
Com a assinatura do Caribou, Snaith explora um terreno mais colorido e ensolarado, como prova essa "Can't Do Without You". Pode apostar que vem mais coisa boa.
Synthpop mal das pernas, repetitivo, monótono... mas aí, do nada, aparece o produtor e DJ belga Renaud Deru (ATTAR!) e derruba o quarteirão inteiro.
O que é seu single “45 Days”, que saiu essa semana pela Eskimo Recordings? Absolutamente fantástico. Bateria obsessivamente dançante, linha de baixo furiosa, uma tempestade de arpejos em espiral, vocais sussurrados num francês sexy por natureza, sintetizadores épicos.
Esqueça os remixes de Rob Made e Douze, descarte também a versão em inglês: o original é inigualavelmente dramático e poderoso o suficiente pra se tornar hit de pista sem precisar de revisões.
Achei que não se faziam mais canções como essa hoje em dia. Felizmente, me enganei.
Já tinha gostado bastante de "There Is No Other Time", que saiu esses dias e hoje o Klaxons aparece com uma faixa novinha, "Show Me A Miracle". Com andamento de dubstep e refrão popíssimo, esse próximo álbum do grupo, Love Frequency (sai em 16 de Junho) vai criando uma expectativa bem positiva. Pra mim, ao menos.
O Dubstar - como o nome parece sugerir - não é uma banda de dub reggae. As investidas do trio de Newcastle consistem num synth bem pop, sonhador e melancólico. Prova disso foi seu maior hit, o single "Stars", lançado em 1995. Pra deixar bem clara a incômoda pecha de one hit wonder, uma compilação dos hits do grupo, de 2004, foi convenientemente chamada de Stars: The Best of Dubstar.
Em meados de 2002, a vocalista do grupo, Sarah Blackwood, abandonou o Dubstar pra montar junto com Kate Holmes o projeto Client. A dupla já lançou quatro álbuns e, acaba de soltar o quinto (Authority). O som do Client é mais ou menos o
que se transformou o Ladytron dos últimos discos: pop eletrônico tecnicamente correto, bem produzido; mas sem brilho, sem boas canções pra fazer a diferença.
O Dubstar continua na ativa, e segundo Blackwood, vem disco novo por aí. Se conseguirem reeditar qualquer coisa parecida com o diamante "Stars", tá valendo. Produzida por um dos caras que ajudou a definir o technopop inglês dos 80 (o americano Stephen Hague), a faixa estourou numa época em que o mundo ainda estava se refazendo do susto causado por Dummy, do Portishead, e qualquer coisa com andamento lento, beats de rap e um clima dolorosamente bonito como o dessa música, levava o carimbo de trip-hop na hora. Um momento e tanto.
Alguém se atreve a classificar o som do australiano (mais precisamente, da ilha-estado da Tasmânia) Akouo?
Seu recém lançado single "Last Time" é um nó na cabeça dos carimbadores de rótulos. É radicalmente eletrônica, mas em que tag encaixar essa batida torta, esses teclados circulares e esse vocal lá no fundo na mixagem? "Last Time" é o primeiro aperitivo que sai do EP Mesa, a ser lançado.
Disponível para download gratuito, basta dar aquela curtida marota na página do Facetruque do artista.
Animadoras as duas faixas que o Klaxons soltou recentemente. Ainda é tempo de provar que a banda não é fogo de palha. O debut
Myths of the Near Future (2007) foi um ótimo aperitivo, mas o pavoroso Surfing the Void (2010), deixou muita gente coçando a cabeça.
"Children Of The Sun" tem produção encorpada do irmão químico Tom Rowlands: batidão cheio de sintetizadores derretendo de um lado pro outro do fone de ouvido.
Curti mesmo foi "There Is No Other Time" (produzida pela novíssima dupla Gorgon City), mais a ver com o Klaxons de sete anos atrás. Vocais contidos, bom refrão, boa pra pista, pop. Gostinho de Cut Copy aí.