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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Bruxa à Solta


Por onde andava a Witch House? Com alguns nomes curiosos e/ou engraçados (Gvcci Hvcci, GuMMy†Be▲R!, oOoOO), algumas coisas realmente interessantes (Salem, Clams Cassino), temática ocultista, eletrônica e batidas arrastadas, o (sub)gênero parece ter sumido com a mesma velocidade que ascendeu (lá por 2009/2010). Mas deixou alguns vestígios, como o misterioso (esconder o próprio rosto parece ser outra característica dos produtores de witch house) e impronunciável GVLVXY ("galaxy", dá pra sacar no primeiro sample de voz que aparece). Não sei quem é, de onde vem, como vive, nem do que se alimenta, mas sua "Ashia" apareceu agora no comecinho do ano e me fez voltar uns sete anos no tempo - e é uma nostalgia boa de sentir, porque a música é bacana: instrumental curiosamente tageado como electro na página do Soundcloud, mas que vem com aquele mesmo beat lento e seco, bumbos gravíssimos, clima fúnebre e samples vocais tensos. Bem-vinda a 2018, bruxa.


 
"Ashia": de volta à floresta.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

OoOOoh Não!


Sério que um dia tu acreditou num subgênero de eletrônica chamado witch house? Na real, nem sei se chega a ser um tipo de música, porque é algo que já nasceu meio morto, ou pelo menos com expectativa de vida bem baixa. Me parece mais um rótulo que abriga outras tags, como drone, shoegaze, post-industrial, synthpop, dark wave e afins. De qualquer forma, tem artistas que ainda apostam no formato, prontos pra tentar te pregar uns sustos.


Without Your Love é o debut do projeto-de-um-homem-só oOoOO (meu teclado não travou, o nome é esse mesmo), encabeçado pelo americano Chris Dexter. Ele grava desde 2010, e até agora só havia lançado EPs (foram três).

O disco é obviamente lento, arrastado, com eventuais vocais aparecendo espalhados meio aleatoriamente, tudo sussurrado perversamente pra fazer as 11 faixas soarem com o dobro do veneno. Chega a ser bonitinho na faixa-título, mais próxima do formato canção, assim como "Stay Here" e "On It". Interessante nos beats de hip-hop e nos recortes de samples das vozes em "The South", desengonçado na batida torta de "Misunderstood" e usando insistentemente o efeito de chiado de vinil (herança do trip-hop?), Without Your Love tem sintetizadores lúgubres próprios ao estilo, mas assusta menos que a fatura do seu cartão de crédito.   

Só lamento muito não ter uma cópia em vinil pra girar a faixa "Crossed Wires" ao contrário e sacar se tá rolando uma sessão de blasfêmia gratuita.

"Without Your Love": momento ternura.
 

 Já o I†† (Eye Double Cross, se liga na representação gráfica) é o fim da linha. Anti-música, o som de um túmulo sendo lacrado. Imediatamente menos acessível que o disco do oOoOO, seu recém lançado IAO (é o da capa simpática acima) me impressionou. Sem melodia, sem letra, sem canções - só ruídos desconfortáveis, sintetizadores pantanosos, marteladas em sinos, cânticos abafados. De coisas inaudíveis como a apropriadamente chamada "drønescape" (quase sete minutos de distorção sintética e percussão ritualística que não vão à lugar nenhum) até a realmente incômoda "s†regheria", as nove faixas do álbum são estranhamente sedutoras pela atitude masoquista que causam: ouvir até o fim pra ver no que vai dar esse clima opressivo todo. Não recomendo colocar no carro pra escutar na praia com os amigos. Poucas chances de aprovação da galera.

"høspi†al": nada fácil.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Despertar da Besta


Deu medinho quando o americano Chris Dexter Greenspan apareceu em 2010 com esse impronunciável projeto chamado oOoOO? O gênero witch house certamente foi uma piada criada por algum jornalista pra definir o som dessa tchurba chegada em vocais distorcidos, batidas arrastadas e synths fantasmagóricos, mas seu novo EP (Our Love Is Hurting Us) tem lá seus momentos. Especialmente quando lembra um Enigma taciturno em "Springs" e soa quase doce com o auto-tune de "Break Yr Heart". R&B das profundezas.


"Break Yr Heart": Gasparzinho sexy.