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domingo, 16 de julho de 2017

Good Good Mix


Ótima pedida o recém lançado quadragésimo sexto volume da Late Night Tales, série de coletâneas realizadas desde 2001 pelo selo independente britânico Night Time Stories Ltd. e que traz sempre alguém bacana na curadoria (artistas como Groove Armada, Nightmares on Wax, Sly & Robbie, Jamiroquai, Belle & Sebastian, Air e Fatboy Slim, já mixaram suas preferidas do fim de noite para a série). 


Desta vez a seleção ficou aos cuidados dos canadenses do BadBadNotGood e traz uma mistura bem eclética, mas que conversa muito bem entre si, como deve ser um bom set. Tem soul divino ("Don't Let Your Love Fade Away" de Gene Williams [1970], "Home Is Where the Hatred Is" de Esther Philips [1972] e "Oh Honey" do Delegation [1978]); reggae paleolítico ("People Make The World Go Round" de Errol Brown And The Chosen Few [1972]); o jazz-funk cabeçudo de Thundercat ("For Love I Come", de 2011); rock lisérgico ("Baby", dos ilustres desconhecidos - pra mim - Donnie & Joe Emerson [1979]); representantes de Gana, Etiópia e Camarões (Kiki Gyan, Admas e Francis Bebey, respectivamente); eletrônica experimental e retrô (Boards of Canada e Stereolab) e, para minha total surpresa, o groove sensacional de Erasmo Carlos em "Vida Antiga".

Conforme indica o próprio pessoal do BadBadNotGood, "...este mix vai te deixar em boa companhia numa noite tranquila, sozinho ou com amigos. Você pode ouvi-lo no avião, no ônibus, em uma longa caminhada ou em qualquer situação em que você queira uma trilha sonora para reflexão e meditação." Altamente recomendável.


Uma amostra do Late Night Tales do BadBadNotGood: numa nice, numa relax.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#04: Aufgang)


Inicialmente como um trio com integrantes da França, Líbano e Luxemburgo e agora como um duo, o Aufgang lançou seu terceiro álbum ano passado, o bom e variado (o que - pela formação pancultural - nem é de se estranhar) Turbulences, pela Blue Note. No som da banda, o que fica mais evidente é a saudável fusão do primeiro (música eletrônica) com o terceiro mundo (música tradicional). A aproximação do Ocidente com o Oriente reflete em algumas canções um tanto mais experimentais e outras em que o Aufgang acerta em cheio a dosagem dos elementos, como essa "Mizmar" - a melhor faixa de Turbulences. Eu não escutava algo tão bom do tipo desde "Living on the Ceiling", do Blancmange (1982).

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ambiente-se


Curte sons de vento na planície? Cascatas de sintetizadores que te fazem imaginar o céu azul infinito desse mundão de meu Deus? Efeitos que soam como uma floresta equatorial onde criaturas pulam de um lado para outro do fone de ouvido? Então temos três lançamentos que foram feitos pra você. E no caldeirão étnico desta world music contemporânea ferve downtempo, ambient house, leftfield, dub techno...

Banco de Gaia > Apollo


O britânico Toby Marks começou sua carreira tocando bateria numa banda de heavy metal até descobrir o sampler em 1989 e enveredar pelo mundo dos bits. Apollo é seu nono álbum e vai de cânticos um tanto assustadores ("Lamentations", "Acquiescence"), passa por techno de linhagem germânica ("Eternal Sunshine") e aterrissa na placidez oriental de faixas belíssimas como "For Such A Time" e "All Sleeping".

A incrível "For Such A Time", do Banco de Gaia:




Deep Forest > Deep Africa
  


O Deep Forest é um projeto de dois músicos franceses, Michel Sanchez e Eric Mouquet. Na cola do sucesso do Enigma, estourou em 1992 com o single "Sweet Lullaby" (mais de um milhão de cópias vendidas). Seus álbuns seguintes mantiveram as altas cifras, apesar do cheiro de picaretagem no ar. Acabaram de lançar Deep Africa, numa série que explora sons locais (já saíram Deep Brasil e Deep India). Em alguns momentos, o instrumental aproxima-se da dance genérica (techno em "Yelele", dubstep em "Dub Africa"), mas no geral esses vocais ininteligíveis cantados em sabe-se lá quais dialetos compensam as escorregadas.

Momento de extrema beleza: "Wasis".




Locust > You'll Be Safe Forever


Musicalmente, Mark Van Hoen descende de pioneiros dos 70 como Klaus Schulze e Jean-Michel Jarre, apesar de ter lançado seu primeiro disco somente em 1993. You'll Be Safe Forever é seu primeiro álbum em 12 anos. O disco passeia por vocais abstratos e beats pesados ("Strobes", "Just Want You"), timbres nostálgicos ("The Worn Gift"), serenidade progressiva ("Remember") e tensão pura (a enigmática "Corporal Genesis"). É o mais cabeçudo dos três, mas dá pra ouvir sem muito esforço.

"Strobes": vocais misteriosos.