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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Stevie B


O Rei do Freestyle chegou ao topo do paradão da Billboard em 1990 com a baba "Because I Love You (The Postman Song)", mas sua música mais conhecida é "Spring Love", lançada dois anos antes - ao menos no Brasil, onde foi megahit de pistas e rádios. Pode colocar boa parcela da culpa em Stevie B pelo fenômeno do funk melody ter se propagado por aqui (ele tem um single que batizou esse subgênero do funk carioca, inclusive), de onde saiu gente um tanto duvidosa, como Latino e Copacabana Beat e também um povo comprovadamente talentoso (Claudinho & Buchecha). "Spring Love" é a canção freestyle por excelência: percussão latina, gancho forte de sintetizador, vocais dramáticos e linha de baixo adiposa correndo juntinho com o bumbo. Acha melosa? Bobagem. Stevie B é um ótimo cantor de R&B e os arranjos de voz dessa faixa (especialmente quando entram os backing vocals), são irrepreensíveis. Pra saudar a chegada da Primavera, uma óbvia (e ótima) pedida.

"Spring Love (Come Back to Me)": o cabelo está bem melhor agora.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Noel


Pedra fundamental do freestyle: "Let the Music Play", faixa de 1983 da cantora Shannon. Um marco da dance music. Claro, inspirado pelos alemães duros de cintura do Kraftwerk ("Numbers"), Afrika Bambaataa já havia experimentado com esses beats de funk sintético em 1982 ("Planet Rock"), mas o single de Shannon injetou aquele tempero latino característico do gênero e um apelo pop que fez a canção chegar aos primeiros lugares das paradas americanas.
O nova-iorquino Noel Pagan seguiu direitinho a cartilha do freestyle no seu debut autointitulado - que tinha no time de produtores gente como Paul Robb (Information Society), John "Jellybean" Benitez e "Little" Louie Vega - e conseguiu emplacar alguns hits. "Silent Morning" é sua canção mais conhecida. Incluída na trilha da novela Vale Tudo, em 1988, estourou Noel por aqui e trouxe consigo uma avalanche de artistas de freestyle que ganharam projeção e popularidade em rádios e pistas brasileiras: TKA, Stevie B, The Cover Girls, Will to Power, Tony Garcia... a lista é grande.

Noel bem que tentou se desvencilhar do freestyle em sua tentativa pop rock Hearts on Fire, álbum de 1993, mas o resultado foi decepcionante e, mesmo sem gravar discos há um bom tempo, o cantor permanece na ativa fazendo shows.

"Silent Morning": expressão facial notável.

domingo, 16 de julho de 2017

Good Good Mix


Ótima pedida o recém lançado quadragésimo sexto volume da Late Night Tales, série de coletâneas realizadas desde 2001 pelo selo independente britânico Night Time Stories Ltd. e que traz sempre alguém bacana na curadoria (artistas como Groove Armada, Nightmares on Wax, Sly & Robbie, Jamiroquai, Belle & Sebastian, Air e Fatboy Slim, já mixaram suas preferidas do fim de noite para a série). 


Desta vez a seleção ficou aos cuidados dos canadenses do BadBadNotGood e traz uma mistura bem eclética, mas que conversa muito bem entre si, como deve ser um bom set. Tem soul divino ("Don't Let Your Love Fade Away" de Gene Williams [1970], "Home Is Where the Hatred Is" de Esther Philips [1972] e "Oh Honey" do Delegation [1978]); reggae paleolítico ("People Make The World Go Round" de Errol Brown And The Chosen Few [1972]); o jazz-funk cabeçudo de Thundercat ("For Love I Come", de 2011); rock lisérgico ("Baby", dos ilustres desconhecidos - pra mim - Donnie & Joe Emerson [1979]); representantes de Gana, Etiópia e Camarões (Kiki Gyan, Admas e Francis Bebey, respectivamente); eletrônica experimental e retrô (Boards of Canada e Stereolab) e, para minha total surpresa, o groove sensacional de Erasmo Carlos em "Vida Antiga".

Conforme indica o próprio pessoal do BadBadNotGood, "...este mix vai te deixar em boa companhia numa noite tranquila, sozinho ou com amigos. Você pode ouvi-lo no avião, no ônibus, em uma longa caminhada ou em qualquer situação em que você queira uma trilha sonora para reflexão e meditação." Altamente recomendável.


Uma amostra do Late Night Tales do BadBadNotGood: numa nice, numa relax.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Gretchen


Visitando o Wikipedia de Gretchen, me espantei com um dado: ela vendeu mais de 12 milhões de discos. É mais que o Kid Abelha e Lulu Santos, o dobro de Skank e Titãs. Há de considerar a relevância da informação para a, hummm, "cena pop" brasileira. Ainda mais para uma artista que nem vivia exclusivamente da música. Além de cantora, a carteira de trabalho de Maria Odete Brito de Miranda Marques pode tranquilamente estampar as profissões de atriz, dançarina, youtuber e personalidade da televisão - regulamentadas ou não (Rainha do Bumbum é título, não conta para aposentadoria).

Fato é que Gretchen iniciou, mesmo, como cantora, no grupo vocal feminino As Melindrosas, fazendo versões de cantigas de roda sob bases de disco music. A despeito da ideia insólita, os quatro primeiros álbuns do grupo venderam mais de quatro milhões de cópias, o que chamou a atenção do DJ e produtor argentino radicado no Brasil Mister Sam, que a lançou em carreira solo. O debut da cantora (então com tenros 19 aninhos) foi My Name Is Gretchen (capa acima), de 1978, pop com toques de disco e mambo. No geral é fraquinho, Gretchen mais sussurra do que canta (arrisca uns trinados na tentativa meio glam de "Rock'N Roller"), mas imagino que coisas como "I Love You, Je T'Àime" e "My Name Is Gretchen" devem ter deixado a turma de Ernesto Geisel meio sem saber o que fazer quando ouviu. Canções de gosto duvidoso à parte, "Freak Le Boom Boom" é o grande hit aqui. Levadas de violão e piano irresistíveis, palmas por cima da caixa da bateria, trompete chicano e Gretchen gemendo a letra com trechos em inglês, espanhol e francês. Resultado: o single vendeu mais de cem mil cópias, o álbum My Name Is Gretchen foi parar em 5 milhões e nascia um clássico das pistas (o single saiu em vários países da Europa, inclusive). Fora o que ela deixava a galera da mão direita suando frio cada vez que aparecia na Discoteca do Chacrinha.

"Freak Le Boom Boom":

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As 69 Músicas de 2015 (Parte 3: 23 - 01)


Parte três: topo da lista.

23) "Echoes In Rain" > Enya



22) "There Is Pop" > Ricardo Tobar



21) "Lights" > Hurts



20) "Hourglass" > Disclosure feat. Lion Babe



19) "Frail" > Crystal Castles



18) "Surf I" > Zomby


17) "Heart Hides" > ASCIO feat. San Mei



16) "4 Floors Of Whores" > Tzusing



15) "Somos Dos" > Bomba Estéreo



14) "Oino" : LA Priest



13) "Jack Be Nimble" > James Curd



12) "Castle In The Snow" > The Avener & Kadebostany



11) "Hotline Bling" > Drake



10) "Forgotten Truths" > Artificial Intelligence FT. Steo



09) "Animals" > Du Tonc



08) "Cryptoporticus" (Cloudy Mix) > I:Cube



07) "Academic" > New Order



06) "XTC" > DJ Koze



05) "Volta Cobby" > Robag Wruhme



04) "In Your Heaven" > Sam Sparro



03) "Lady's In Trouble With The Law" > LA Priest



02) "All My Love" > Schwarz Dont Crack



01) "SSUFFIK8TRR" > West Nile

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Linear


O Linear entrou pro grupo dos inesquecíveis one-hit wonders com seu single "Sending All My Love", de 1990. Meio milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Nada mal pra um trio que tinha na formação um tocador de congas (Joey Restivo, o da bandana acima). Me pergunto que papel desempenhava num projeto freestyle, um conga player. Não consigo nem ouvir vestígio do instrumento em "Sending All My Love". Mas a música é ótima. Aqui no Brasil, entrou na trilha da novela Mico Preto - muito bem acompanhada por hits de Technotronic, Snap!, Erasure, Sybil, Sinead O'Connor e, vá lá, MC Hammer. Sucesso absurdo, do tipo que ficava um ano inteirinho tocando em rádios e pistas. Você sabe, essas coisas que não acontecem mais.

"Sending All My Love": passinhos.