sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Shampoo


Mas quem é que lembra do Shampoo? Foi uma dupla londrina formada no começo dos 90 por duas colegas de escola, flertaram com a marolinha feminista Riot Grrrl, mas com um ataque sonoro equivalente a um mix entre Boyzone, Salt-N-Pepa e Generation X. Um punkzinho de butique mezzo eletrônico, inofensivo e com uma forte imagem kitsch atrelada. O maior hit da banda, "Trouble" (1994), não pegou nem Top 10 no Reino Unido e tampouco beliscou a parada americana - apesar da campanha bolada pela EMI, que distribuiu 15 mil fitas cassete do single no país, o que serviria como uma espécie de cupom para o álbum completo (We Are Shampoo, lançado em seguida). A faixa ganhou uma sobrevida promocional no ano seguinte, quando entrou na trilha do filme Mighty Morphin Power Rangers: The Movie e garantiu uma certa popularidade para o duo também no Japão. Aqui no Brasil, lembro bem da Transamérica FM tacar no playlist e insistir por semanas com essa música. "Trouble" tem um refrão bem chiclete, um riff mediano de guitarra e um rap simplesmente intragável. O Shampoo lançou mais três álbuns (todos flopados) e acabou em 2000. 

Shampoo: "Uh-oh, we're in trouble..."

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Auto Cover


"Rat Is Dead (Rage)" foi o primeiro single do segundo álbum do Cansei de Ser Sexy, Donkey, lançado em 2008. Adriano Cintra (ex-produtor, baterista, guitarrista, baixista e vocalista da banda) resolveu retrabalhar a faixa e do limão docinho original ("quase grunge", como ele mesmo afirmou à época), fez uma limonada bubblegum eletrônica. Não que a matriz do CSS seja ruim, mas achei que melhorou muito. Participa a dupla curitibana Subburbia nos vocais.

O original:



A nova versão:

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Boogie Nights


Conversando com Marcello Mansur dia desses sobre o lançamento e a ótima repercussão do seu single Son Of a Gun (sob seu novo alter ego house, Mansur) e já sabendo que a próxima faixa de trabalho de seu selo Memix Recordings viria numa encarnação disco (dessa vez, creditado como DJ Meme), sentenciei: "Certeza que aqueles lindos strings disco, habituais em outras produções suas, vão vir nesse single". Aí o resultado. Está tudo em "Disco Knights": uma sessão de cordas com jeitão de MFSB, uma guitarrinha à George Benson, bassline forte e percussão esparsa. Um lindo pedaço de disco-house, versão 2015. Maravilha.

"Disco Knights": disco sublime.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Shania Twain


"I'm Gonna Getcha Good!" já valeria só pela capa. Pra galera da mão direita, claro. Mostra uma sporty Shania de munhequeira e boné de golfista. Uh. Bom, ela podia. Com esse abdômen chapado e no topo do mundo em 2002 (o álbum que contém a canção, Up!, chegaria à casa dos vinte milhões de cópias vendidas), ela poderia estar vestida com todo mau gosto do mundo que não faria diferença. E olha que ela caprichava no visual nos shows e vídeos, do tipo que mergulha no guarda-roupas e sai do jeito que puder. Tecnicamente, "I'm Gonna Getcha Good!" é country, mas também é tão, tão pop, que invadiu outras paradas da organizadinha Billboard. E do resto do mundo, claro. Recomendo a faixa para aquele inevitável momento da sua festinha em que se constate que o limite de 6 decigramas de álcool por litro de sangue já foi ultrapassado, as gravatas estão na cabeça e os scarpins num canto da sala. Não vão faltar cenas lamentáveis, incluindo air guitar e mãozinhas rodopiando no alto simulando uma montaria de rodeio. É sério. Experiência própria.

"I'm Gonna Getcha Good!": futurismo jeca.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Caras Novas: Barotti


A gravadora alemã Gomma Records vende seu novo peixe como um mix de Funkstörung, James Blake e peças sinfônicas. Um blend entre eletrônica e música clássica. E, talvez com um certo exagero, diz ainda que o músico e artista multimídia Barotti "criou seu próprio gênero de música". É techno esquisitinho e nubladão, mas nada que o martelo da Pampa Records já não venha batendo há um tempo. Seu single de estreia She Once Knew é, de fato, bem interessante. Tem a faixa título mais afeita à pista de dança (turbinada por um bom remix de Massimiliano Pagliara) e um lado B quase ambient, com beats quebrados e belas intervenções de cordas. Não é nenhuma revolução, mas é uma brisa fresca para os cansados ouvidos dos clubbers do planetinha. Periga emplacar.

Barotti: das galerias de arte para o estúdio.