sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Double You


Em 1992, o projeto dos italianos Franco Amato e Andrea de Antoni mais o vocalista britânico William Naraine finalmente sentiu o gosto do sucesso. Formado em 1985, o Double You conheceu em 1991 o produtor Roberto Zanetti (hitmaker experiente, com hits do Savage nos anos 80 e Pianonegro nos 90). Gravaram então, no final desse ano, uma versão dance de "Please Don't Go" - clássico mela-cueca de 1979 do KC and The Sunshine Band. O resultado: hit mundial, uma enxurrada de covers dançáveis para coisas não-dançáveis que começaram a pipocar a partir de então e mais de três milhões de cópias vendidas até o final do ano seguinte. 



Já "Run To Me" é um single de 1994, inclusa no segundo disco, Blue Album. O sample de "Don't Go" do Yazoo, o rap na velocidade da luz de ICE MC, o refrão extremamente ganchudo e a performance vocal convincente de Naraine fizeram o Double You estender as tours às Americas do Norte e do Sul, com a força desse hit. "Run To Me" foi mais uma dance track do trio à fazer o crossover rádios/pistas, num tempo em que não havia essa segmentação absurda da dance music de hoje e as rádios ainda apresentavam as novidades em primeira mão aos ouvintes.

"Run To Me": Yazoo revisitado.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Who Almost There


Bem consistente esse Through The Walls, novo disco do trio dinamarquês WhoMadeWho (2018, saiu pela prestigiada gravadora alemã Gomma Records). Já ouvi outros álbuns da confusa discografia da banda (iniciada em 2005), mas nada que merecesse ficar armazenado em alguma gaveta menos acessada do meu cérebro.


Mesmo com alguns (poucos) momentos de experimentalismo estéril como a chatíssima "I Don't Know" ou a indecisa "Surfing on a Stone" (uma pretensiosamente delicada balada bem ao gosto dos fãs do - argh - Coldplay), Through The Walls está quase lá (mesmo que eu nem saiba exatamente onde é "lá"). Músicas totalmente dançáveis como "Dynasty" e "Funeral Show" (a despeito do título) e seus basslines à Peter Hook, puxam a média pra cima. Há ainda incursões pelo synthpop (na belíssima "Goodbye to All I Know" e sua variada paleta de timbres), farta distribuição de criatividade nos sintetizadores ("Keep On", "If This Is Your Love") e transito livre entre o indie rock e a eletrônica. Vale conhecer.


"Dynasty": um dos (muitos) bons momentos de Through The Walls.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Para Baixo e Avante


Totalmente desnecessário esse Common Ground, álbum mais recente dos britânicos Above & Beyond (saiu no final de Janeiro, pela gravadora inglesa Anjunabeats).

Trance pop para as massas de ouvidos nada exigentes, o disco mostra que o processo de edeêmezação que sua música vem sofrendo de forma mais acentuada desde o penúltimo We Are All We Need, de 2015, só deixou a dance do trio com uma cara mais ordinária, um cheiro forte de picaretagem e um gosto indelével de coisa requentada na boca. Esqueça.


"Alright Now": nada bem.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Bobby Nourmand


Nascido em Los Angeles, o multi-instrumentista e DJ Bobby Nourmand viveu por dez anos em Nova Iorque, onde decidiu que deveria produzir sua própria música. Citando o White Album dos Beatles, Sasha e John Digweed como influências, a house promissora de Nourmand (já) é reconhecível a distância: seus mastodônticos basslines vem em primeiro plano, acompanhados de vocais que transitam entre rap, soul e rock, com teclados e efeitos econômicos e um verniz deep dando o acabamento no trabalho. Dance enxuta, eficiente e linda de se ouvir.

"Mind":



O lançamento mais recente de Nourmand é o single "Prisoner" (saiu no final de Janeiro), com vocais arrepiantes do cantor de Antígua e Barbuda (agora baseado em Londres), Laurent John. Olho nele.

Soundcloud: https://soundcloud.com/bobbynourmand
"Prisoner":





domingo, 11 de fevereiro de 2018

Arrebatamento


Single novo de James Blake que apareceu no final de Janeiro no Youtube, "If The Car Beside You Moves Ahead" continua a saga do cantor inglês que escreve soul torto sob batidas certas para a geração pós-dubstep. Na faixa, Blake explora sua voz das maneiras mais variadas possíveis: repetindo, alterando a velocidade, aproveitando os ruídos da respiração e até cantando, do jeito mais lúgubre que ele pode conceber. Com um vídeo tão instigante e sombrio quanto a música, "If The Car Beside You Moves Ahead" tem uma letra enigmática e de difícil compreensão, potencializada pelos recortes e colagens a que é submetida. O resultado é arrebatador.

"If The Car Beside You Moves Ahead": James Blake em plena forma.